| XXXI Domingo do Tempo Comum |
| Por ANE Internacional | |
| 01 de novembro de 2009 | |
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(FESTA DE TODOS OS SANTOS) 1.- A Palavra de Deus: Proclamação do Santo Evangelho segundo São Mateus (Mt 5,1-12a) 2.- Referências para refletir: Por causa da celebração especial da solenidade de Todos os Santos, a Liturgia desta semana faz um último parênteses no seguimento do Evangelho segundo São Marcos que – como havíamos dito – é lido durante todos os domingos do Ciclo Litúrgico denominado “Ano B”, que já está próximo de terminar. No domingo que vem (trigésimo segundo do Tempo Comum) voltamos ao Evangelho de Marcos. Segue depois o trigésimo terceiro domingo e então a Festa de Cristo Rei, com a qual se conclui este Ano Litúrgico. Hoje meditaremos sobre as “Bem-aventuranças” (também conhecidas como “Beatitudes”), com as quais São Mateus inicia o quinto capítulo de seu Evangelho. Como bem sabemos, já a esta altura, a escolha que se faz das Leituras que compõem a Liturgia da Palavra não é fortuita ou casual: ao recordar e render homenagem a toda a multidão dos redimidos, a todas as pessoas que alcançaram a Glória Celestial, a Igreja quer nos convidar também a pensar em nossa própria salvação. Para isso nos apresenta a síntese com a qual Jesus quis nos mostrar brevemente o caminho seguro para a Casa do Pai Eterno, onde como Ele mesmo disse, tem reservadas “muitas moradas”, para quem realmente deseje segui-lo. (cf. Jo 14,2) A passagem que lemos hoje marca o início do famoso “Sermão da Montanha”, que Mateus desenvolve ao longo de três capítulos de seu Evangelho (o quinto, o sexto e o sétimo), e que em seu conjunto resume e concentra os principais ensinamentos que Jesus veio nos trazer, como o segredo da felicidade nesta Terra, e ao mesmo tempo o caminho seguro para que possamos alcançar, com a Graça de Deus, o Reino dos Céus. Nesse contexto, as Bem-aventuranças ou Beatitudes vêm a ser como o “extrato puro e concentrado” da doutrina cristã, pois são um tipo de “resumo do resumo” do que Jesus veio nos ensinar, e por tanto, toda meditação a respeito será sempre insuficiente. Como já dissemos em alguma destas catequeses semanais, há algum tempo, o conceito de “Bem-aventurança” refere-se ao bem máximo, à maior ventura possível, à maior felicidade a que um ser humano possa aspirar. A bem-aventurança é sorte, é felicidade, é bênção, satisfação, despreocupação e placidez. Em resumo, é plenitude, a plenitude que sem dúvida se vive somente no Céu, para toda a eternidade. Por isso utilizamos a palavra “Bem-aventurados”, que é a que diretamente corresponde com a palavra usada por Jesus e reproduzida por Mateus no Evangelho, embora muitas versões da Bíblia falem de “Ditosos” ou de “Felizes”, para que as pessoas possam entender com mais felicidade o que o Senhor quis dizer. No entanto, ambos os termos carecem de expressividade na hora de compará-los com o que significa realmente ser um bem-aventurado. Como em outras passagens importantíssimas, o Evangelho de hoje começa dizendo-nos que Jesus “subiu ao monte”. Também já dissemos antes, mas convém repetir porque às vezes esquecemos algumas coisas: o monte é para o povo hebreu (e por herança, também para o cristão) o lugar das “Epifanias”, das “Teofanias”, das manifestações e revelações claras de Deus. Vemos isso desde o Gênesis, com o monte graciosamente batizado “O Senhor providenciará”, no qual Deus se manifesta a Abraão através de um Anjo e lhe promete que, por sua obediência e sua fé, de sua frutífera descendência virá a bênção para todas as nações da terra. (cf. Gn 22,16-18. Este é um preanúncio do Cristo Redentor). Vemos também o caso do Monte Sinai, onde o Senhor entrega a Moisés os Dez Mandamentos, que ainda e hoje e sempre devem reger nossa vida. Também vemos no Monte da Transfiguração (que a tradição cristã atribui ao Tabor) onde Jesus permitiu que três de seus apóstolos vissem uma antecipação de Sua Glória. Agora Jesus sobe ao monte, porque dali nos dirá em forma condensada tudo o que necessitamos saber e fazer para chegar ao Céu, começando por estas oito bem-aventuranças, às quais nos referiremos agora brevemente. O Senhor nos diz que para chegar ao Céu devemos: 1º) Ser pobres de espírito: Esta “pobreza” consiste basicamente na prática consciente e voluntária da humildade, que é precisamente a virtude que estamos chamados a praticar com especial esmero desde hoje, e durante todo este mês de novembro, os irmãos do ANE em todo o mundo. João Paulo II explicava que a pobreza de espírito consistia, em essência, em ser agradecido com tudo o que Deus nos dá, não querendo mais do que se tem (quando é pouco), e quando é muito, compartilhando-o com amor com os outros, em especial com os que menos têm. O verdadeiro pobre de espírito é a pessoa que não se sente “mais” por ter mais, nem se sente “menos” por ter menos, mas que compartilha o que tem e não julga os outros por seus bens. Na raiz da Pobreza de Espírito encontramos o desapego. Jesus nos diz hoje que o Reino dos Céus será daqueles que não tiverem nenhum tipo de apego material, mental ou espiritual às coisas deste mundo. 2º) Suportar com esperança o sofrimento: Os que choram encontrarão consolo, disse Jesus na montanha. Muito nos disse também João Paulo II sobre o valor salvífico da dor. Um sofrimento, uma doença, uma dura provação, vivida com amor e oferecida com resignação a Deus pela conversão do mundo, com segurança pode abrir a qualquer um as portas do Paraíso. 3º) Ser pacientes, mansos, e novamente, HUMILDES: Esta bem-aventurança refere-se especialmente à capacidade de suportar injustiças, contradições e frustrações com temperança, paz, serenidade e aprumo; com humildade, tolerância e amor. A promessa, para os que conseguirem isto, é herdar a terra, mas a Terra Prometida de Israel, conforme a diz o Salmo 37,11: “Quanto aos mansos, possuirão a terra, e nela gozarão de imensa paz”. 4º) Ter verdadeiro desejo, paixão por alcançar a santidade: Isso é a “fome e sede de justiça” a que se refere a Palavra do Senhor. A promessa é que seremos saciados, que Deus nos dará o grau de santidade que lhe pedirmos, se de verdade insistimos em nossas súplicas e em nosso esforço pessoal para alcançá-lo. 5º) Ser misericordiosos: Como já dissemos muitas vezes, ser misericordioso significa ter coração para com as misérias; as próprias e as alheias, as materiais e as espirituais. Não há muito mais que acrescentar a respeito. Amor, misericórdia, perdão... Tanto damos, tanto mais receberemos, mas que difícil parece compreender isto e agir de acordo! 6º) Ter o coração limpo e ser transparentes: Isto é, antes de tudo, ter pureza de intenção em cada coisa que dizemos ou fazemos... É esforçar-se para pensar e sentir sempre conforme a Vontade do Senhor; não estar procurando tirar vantagem em nada; não procurar aproveitar-se de tal ou qual circunstância em favor de si mesmo, para obter algum benefício, por mais lícito que pareça... É não permitir que em nosso coração ou em nossos pensamentos se aninhem desejos inadequados, impuros ou de proveito indevido de certas pessoas ou circunstâncias, que pudessem ofender a Deus, aos nossos semelhantes ou ferir nossa própria dignidade de filhos de Deus e Templos do Espírito. Se o coração chegar a se sujar, porque assim o permitimos, é preciso limpá-lo. A limpeza do coração está muito relacionada com o Sacramento da Confissão. 7º) Trabalhar pela paz: Isto significa não somente não ser belicosos ou violentos pessoalmente, mas também propiciar a harmonia, a reconciliação e a pacificação entre os que se encontram em disputa. Promover o diálogo, a reflexão, o verdadeiro amor entre os irmãos... Como pedia São Francisco de Assis, é “fazer-se instrumentos da Paz de Deus”, desse modo, seremos reconhecidos como filhos Deus, é o que Ele nos diz hoje. 8º) Suportar perseguições, se necessário, por causa de Jesus e do Evangelho: O Senhor nos dizia que o discípulo não é mais que o Mestre, e que se perseguiram a Ele, também perseguirão a nós (cf. Mt 10,24-25 e Jo 15,20-21). Tampouco temos o que acrescentar a isto... Somente que às vezes tais persecu-ções podem vir de onde menos se espera ou se deseja. Basta ver as biografias de alguns santos, como de Padre Pio ou Irmã Faustina Kowalska, para saber a que nos referimos. Enfim, Deus nos purifica do modo que Ele mesmo considera mais adequado, só nos resta dizer-lhe AMÉM. Por último, não sabemos se para alcançar a Bem-aventurança da Salvação é preciso praticar eficazmente todas estas virtudes ou pelo menos ter o hábito de praticar alguma delas, (e naturalmente esforçar-se para praticar as outras). O que sabemos é que o caminho para o Céu é difícil, pois como o Senhor mesmo disse: “larga é a porta e espaçoso o caminho que conduzem à perdição e numerosos são os que por aí entram. Estreita, porém, é a porta e apertado o caminho da vida e raros são os que o encontram.” (Mt 7,13-14) Sabendo disso, não desanimemos. Ao contrário: esforcemo-nos cada dia mais em agradar a Deus, para poder estar entre os Bem-aventurados do Céu, e rezemos muito por nossos falecidos, para que em Sua Misericórdia o Senhor perdoe suas faltas e os receba na Glória de Seu Reino.
3.- Perguntas para orientar a reflexão: (Ler pausadamente cada item e fazer um instante de silêncio após cada questão, para permitir a reflexão dos irmãos) a) Que aspectos de minha personalidade eu teria que mudar para ser verdadeiramente pobre de espírito, manso e misericordioso?
4.- Comentários dos irmãos:
5.- Concordâncias do Evangelho com o Catecismo da Igreja Católica Cânones: 2055, 1972, 1964
2055 Quando lhe é feita a pergunta: “Qual é o maior mandamento da lei?” (Mt 22,36), Jesus responde: “Amarás ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante a esse: amarás o teu próximo como a ti mesmo. Desses dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas” (Mt 22,37-40). O Decálogo deve ser interpretado à luz desse duplo e único mandamento da caridade, plenitude da lei:
1972 A Nova Lei é também denominada lei de amor, porque ela leva a agir pelo amor infundido pelo Espírito Santo e não pelo temor; uma lei de graça, por conferir a força da graça para agir por meio da fé e dos sa-cramentos; uma lei de liberdade, pois nos liberta das observância rituais e jurídicas da Antiga Lei, nos inclina a agir espontaneamente sob o impulso da caridade, enfim, nos faz passar do estado de servo, não sabe o que seu senhor faz”, para o de amigo de Cristo, “porque tudo o que eu ouvi de meu Pai eu vos dei a conhecer (Jo 15,15), ou ainda para o de filho-herdeiro. (cf. Gal 4,1-7. 21-31; Rm 8,15-17). 1964 A Lei Antiga é uma preparação para o Evangelho. “A lei é profecia e pedagogia das realidades futuras.” Profetiza e pressagia a obra da libertação do pecado, que se realizará com Cristo, e fornece ao Novo Testa-mento as imagens, os “tipos”, os símbolos, para exprimir a vida segundo o Espírito. A Lei se completa, enfim, pelo ensinamento dos livros sapienciais e dos profetas que a Orientam para a nova aliança e o Reino dos Céus.
6.- Refletindo com a Grande Cruzada CA 108 No Céu, uma é a Vontade que dirige e sacia a todos os espíritos bem-aventurados, os quais, por um livre e puro amor, querem somente o que Me agrada; e isto porque todo o seu querer consiste precisamente no Meu: nenhuma divergência, mas pelo contrário, uma perfeita e pacífica harmonia de vontades.
7.- Comentários finais:
8.- Virtude do mês: Esta semana veremos o cânon 2546, que diz textualmente o seguinte: 2546 “Bem-aventurados os pobres em espírito” (Mt 5,3). As bem-aventuranças revelam uma ordem de felicidade e de graça, de beleza e de paz. Jesus celebra a alegria dos pobres, a quem já pertence o Reino (Lc 6, 20):
E a Grande Cruzada nos diz a respeito: CA 107 Exaltarei o humilde, e o conduzirei diretamente ao fim das suas fadigas, sem que conheça as qualidades que acabará por adquirir no seu caminho para a completa luz.
9.- Propósitos semanais: Com o Evangelho: Com a virtude do mês: Apostolado da Nova Evangelização 2009 |