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Das mensagens de Fátima: Apelo à Récita Diária do Terço (Irmã Lúcia).
 

Apostolado da Nova Evangelização no Brasil

Apostolado da Nova Evangelização no Brasil

São Carlos, 08 de setembro de 2008
XXX Domingo do Tempo Comum PDF Imprimir E-mail
Por ANE Internacional   

29 de outubro de 2006

Primeira Leitura: Jer 31, 7-9;
Segunda Leitura: Heb 5, 1-6;
Evangelho: Mc 10, 46-52

 

Marcos 10, 46-52

Chegaram a Jericó. Ao sair dali Jesus, seus discípulos e numerosa multidão, estava sentado à beira do caminho, mendigando, Bartimeu, que era cego, filho de Timeu.

Sabendo que era Jesus de Nazaré, começou a gritar: "Jesus, fílho de Davi, em compaixão de mim!" Muitos o repreendiam, para que se calasse, mas ele gritava ainda mais alto: "Filho de Davi, tem compaixão de mim!"

Jesus parou e disse: "Chamai-o" Chamaram o cego, dizendo-lhe: "Coragem! Levanta-te, ele te chama." Lançando fora a capa, o cego ergueu-se dum salto e foi ter com ele.

Jesus, tomando a palavra, perguntou-lhe: "Que queres que te faça? Rabôni, respondeu-lhe o cego, que eu veja! Jesus disse-lhe: Vai, a tua fé te salvou." No mesmo instante, ele recuperou a vista e foi seguindo Jesus pelo caminho.

 

I) Comentando a Palavra de Deus .-

Nexo entre as leituras
Os textos litúrgicos destacam a eficácia de Deus em sua ação com os homens. Deus é eficaz fazendo retornar do exílio à pátria ansiada por numerosos filhos de Israel (primeira leitura). Jesus Cristo, com o poder eficaz de Deus, dará a vista ao cego Bartimeu, que vence qualquer obstáculo para obter seu grande desejo de ver (evangelho). A eficácia salvífica de Deus mostra-se de modo especial em Cristo, sumo sacerdote, que tira os homens da ignorância e da dor e os liberta dos seus pecados.

Mensagem doutrinal

Um Deus eficaz por amor. Eficaz é aquele que consegue, por caminhos acertados, com os melhores meios e no menor tempo possível, tudo aquilo que se propõe. Esta é uma definição aceitável para a mentalidade comum. Porém, a eficácia de Deus é muitas vezes desconcertante. Porque ninguém duvida que Deus é eficaz, mas os modos e tempos da eficácia divina seguem rumos diferentes dos humanos. Muitas vezes os caminhos acertados para Deus não são acertados pára os homens e vice-versa. Aos judeus não deve ter parecido um caminho acertado o exílio na Babilônia, mas o foi para Deus, que assim manifestou a força do seu amor e misericórdia, fazendo-os retornar à sua pátria, porque “sou para com Israel qual um pai, e Efraim é o meu primogênito" (primeira leitura). Subir a Jerusalém é bonito, mas fazê-lo em companhia de Jesus, que encontrará ali a cruz e a morte, desafia inevitavelmente nossas categorias humanas e nossa vontade de seguimento. Porém, não há nenhuma dúvida de que na cruz refulge a força divina do amor, o amor poderoso do Redentor. Essa eficácia misteriosa do amor redentor continua viva e vivificadora ao longo dos séculos, até os nossos dias. Devia parecer aos primeiros cristãos algo surpreendente que Jesus, enquanto sumo sacerdote, não provinha da tribo de Levi. Porém, assim a eficácia divina brilhou com novo fulgor, constituindo Jesus Cristo não somente como sumo sacerdote do povo judeu, mas de toda a humanidade, à maneira de Melquisedeque. Nada há na vida mais eficaz que o amor, e Deus é Amor. Porém a eficácia do amor, mais do que com a pura razão, descobre-se com o amor puro e sincero.

Os requisitos da eficácia divina. A liturgia deste domingo indica-nos alguns deles. 1) Crer e esperar. Os exilados na Babilônia não podiam esquecer as maravilhas de Deus na história de seu povo. Deus havia mostrado a força do seu braço no Êxodo e na conquista da terra prometida. Eles crêem e confiam que Deus voltará a agir eficazmente em seu favor, ainda que não saibam quando, nem como. Bartimeu tem uma fé imensa em que Jesus, o Messias descendente de Davi, pode curas sua cegueira; por isso grita sem temor algum e com ousadia: "Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim". Os judeus criam que Deus havia concedido ao sumo sacerdote, na festa do Yom Kippur, o poder de perdoar os pecados de todo o povo. E nós, cristãos, cremos com absoluta segurança que Jesus Cristo, nosso sumo sacerdote, destruiu na cruz os pecados do mundo. É impossível que Deus manifeste sua eficácia em quem não creia nela. 2) Sentir-se necessitado da força de Deus. Os judeus no exílio sabiam muito bem que por eles mesmos não poderiam ser repatriados. Bartimeu era muito consciente de que ele nada poderia fazer para recuperar a vista. Os judeus e nós cristãos estamos convencidos de que somente Deus pode perdoar os pecados. Quem é auto-suficiente e não sente necessidade da força de Deus não poderá nunca ser testemunha de sua eficácia na vida dos homens e na história. 3) Ser coerentes. Se aceitamos a eficácia divina em nossa vida, temos de aceitar ser coerentes com as suas exigências. Isto é, como cristãos temos de ser uma espécie de vitrines da ação eficaz de Deus em nós. Os exilados na Babilônia colocam-se a caminho para a Palestina, Bartimeu segue a Jesus no caminho de Jerusalém, os cristãos não só foram redimidos por Cristo sumo sacerdote, mas vivem como redimidos.

Sugestões pastorais

Senhor, que eu veja! O cego Bartimeu é figura e símbolo dos discípulos de Jesus naquele momento histórico, em que Jesus passou por Jericó, e em todos os tempos. Diante do mistério da cruz e da morte ignominiosa, nós cristãos experimentamos, com não pouca frequência, a cegueira de Bartimeu, seu imobilismo, sua indigência. "Bartimeu, um mendigo, cego, sentado junto ao caminho". Quantos Bartimeus em nosso tempo diante do grande mistério da paixão e da dor inocente! Há muita cegueira nos homens diante da injustiça do sofrimento, como se o não sofrer fosse o cume da perfeição humana. A muitos de nós os pés se fazem como chumbo diante da pura idéia de caminhar com Cristo para a cidade da dor e da morte. Permanecemos imóveis no território de nosso ego, sem vontade de seguir o caminho para a terra da dor alheia. Somos indigentes, imensamente indigentes de que alguém –ou melhor Alguém– nos abra os olhos e nos arranque de nossa imobilidade. Cristão é aquele que não tem medo do sofrimento. Aquele que diz com a mesma decisão o sim à saúde e ao bem-estar e o sim ao sofrimento e à tribulação. Porque o sim do cristão é um sim ao mistério de Deus-Amor; e para os que amam a Deus todas as coisas contribuem para o seu bem. Oxalá o Senhor nos conceda a todos os cristãos repetir uma vez por outra: "Senhor, que eu veja!". Para que vendo creia, e crendo siga firmemente teus passos para a cruz.

Seguir a Cristo. Cristão é aquele que crê em Cristo e caminha atrás das suas pegadas. O seguimento de Cristo não é o seguimento de uma doutrina, seja a de Pitágoras, a de Aristóteles ou a de Zênon. Cristão não é também o que segue um caminho de vida traçado em páginas imperecíveis, ao estilo dos grandes mestres de moral do Oriente e do Ocidente. Cristão é o que segue a uma pessoa, a pessoa de Jesus de Nazaré. Mais ainda, cristão é quem empresta a Jesus Cristo sua natureza humana para fazer-se presente no hoje de cada dia da história. Em outras palavras, ser cristão é ser transparência de Cristo para os demais, deixar-se interpretar por ele. Nós cristãos somos transparência de Cristo? És tu transparência de Cristo em tua família, em tua paróquia, entre teus amigos? Ou és antes uma desfiguração de Jesus Cristo? Tomar todos a sério nossa vocação cristã tem sido um imperativo histórico desde os inícios do cristianismo. Que posso fazer eu para ser transparência de Cristo em todo lugar e circunstância? Construamos uma cadeia de transparências de Cristo, para que o mundo, nosso mundo, seja salvo pelo único Salvador.

 

II) Concordância da Palavra de Deus com os ensinamentos do Catecismo da Igreja.-

(448) Confiança dos que se aproximam de Jesus: “Muito freqüentemente nos Evangelhos determinadas pessoas se dirigem a Jesus chamando-o de "Senhor". Este título exprime o respeito e a confiança dos que se achegam a Jesus e esperam dele ajuda e cura. Sob a moção do Espírito Santo, ele exprime o reconhecimento do Mistério Divino de Jesus. No encontro com Jesus ressuscitado, ele se transforma em expressão de adoração: "Meu Senhor e meu Deus!" (Jo 20,28). Assume então uma conotação de amor e afeição que tornar-se-á peculiar à tradição cristã: "É o Senhor!" (Jo 21,7).

(2667) Esta invocação de fé muito simples foi desenvolvida na tradição da oração em várias formas no Oriente e no Ocidente. A formulação mais comum, transmitida pelos monges do Sinai, da Síria e do monte Athos é a invocação: "Jesus Cristo, Filho de Deus, Senhor, tem piedade de nós, pecadores!" Esta associa o hino cristológico de (Fl 2,6-11 com o pedido do publicano e dos mendigos da luz. Por ela, o coração se põe em consonância com a miséria dos homens e com a Misericórdia de seu Salvador.

(2756) A confiança filial é posta â prova quando temos o sentimento de não ser sempre ouvidos. O Evangelho nos convida a nos interrogar sobre a conformidade de nossa oração com o desejo do Espírito.

Vêem a Deus os que são capazes de olhá-lo, porque têm abertos os olhos do espírito. Porque todos têm olhos, mas alguns os têm obscurecidos e não vêem a luz do sol. E não porque os cegos não vejam há de dizer-se que o sol deixou de brilhar, mas que isso deve ser atribuído a si mesmos e aos seus próprios olhos. Da mesma maneira tens tu nos olhos de tua alma obscurecidos a causa de teus pecados e más ações" (São Teófilo de Antioquía, Livros 1,2-7).

 

III) Refletindo com a Grande Cruzada .-

(CA 106) Já há séculos o homem Me chama, e sempre com pouco amor

Santo, soberano e glorioso é o Meu Nome no Céu, e venerado na terra. Ao ressoar deste Meu Nome, foge todo o inferno, e aquele que Me invoca, que Me chama de coração, encontra o que perde, consola-se em toda aflição e abre o coração à esperança.

Determinei dar a quem Me invoca com afeto, com fé, uma recompensa especial no Céu: por todas as vezes que Me chamou na terra, outras tantas será louvado por todos os bem-aventurados no Céu. Mas aquele que Me chama distraidamente ou por hábito, que espera de Mim se nem sequer repara em Meu Nome? Este Nome não dá força se não Me amais; não pode suscitar sentimentos de piedade se não se pronuncia mais com o coração do que com os lábios. Quem conhece o poder que encerra o Nome que Meu Pai Me deu? Quem conhece a doçura que contém este Nome que foi revelado à Minha Virgem Mãe?

Já há séculos o mundo Me chama e sempre com pouco amor. Quantas ladainhas de distraídos chegam aos Meus ouvidos sensíveis e atentos! Mas, por que não Me entendeis, não refletis que só Eu tenho o santo, glorioso, melífluo Nome, que é salvação e amor?

Chamai-me sempre com confiança. Sem pensardes se tendes Graças a pedir-Me; quando menos Me pedirdes, mais recebereis. Chamai-me sempre, porque quero estar perto de vós e dar-vos tudo de Mim. A toda a hora, de dia e de noite, no trabalho, em todos os lugares, chamai-Me apaixonadamente: Jesus!

 

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