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22 de outubro de 2006 Primeira Leitura: Is 53, 2a.3a.10-11; Segunda Leitura: Heb 4, 14-16; Evangelho: Mc 10, 35-45
Marcos 10, 35-45 35aproximaram-se de Jesus Tiago e João, filhos de Zebedeu, e disseram-lhe: "Mestre, queremos que nos concedas tudo o que te pedirmos." 36"Que quereis que vos faça?" 37"Concede-nos que nos sentemos na tua glória, um à tua direita e outro à tua esquerda." 38"Não sabeis o que pedis, retorquiu Jesus. Podeis vós beber o cálice que eu vou beber, ou ser batizados no batismo em que eu vou ser batizado?" 39"Podemos", asseguraram eles. Jesus prosseguiu: "Vós bebereis o cálice que eu devo beber e sereis batizados no batismo em que eu devo ser batizado. 40Mas, quanto ao assentardes à minha direita ou à minha esquerda, isto não depende de mim: o lugar compete àqueles a quem está destinado." 41Ouvindo isto, os outros dez começaram a indignar-se contra Tiago e João. 42Jesus chamou-os e deu-lhes esta lição: "Sabeis que os que são considerados chefes das nações dominam sobre elas e os seus intendentes exercem poder sobre elas. 43Entre vós, porém, não será assim:todo o que quiser tornar-se grande entre vós, seja o vosso servo; 44e todo o que entre vós quiser ser o primeiro, seja escravo de todos. 45Porque o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em redenção por muitos." I) Comentando a Palavra de Deus .- Nexo entre as leituras A expressão “servir” para redimir sintetiza o conteúdo substancial da liturgia de hoje. "Todo o que quiser tornar-se grande entre vós, seja o vosso servo; e todo o que entre vós quiser ser o primeiro, seja escravo de todos”, diz-nos Jesus no Evangelho. Jesus nos precede a todos no serviço, realizando em si a figura do servo de Javé, desprezado, marginalizado, homem doente e abatido, que se dá a si mesmo em expiação (primeira leitura), e a figura de Sumo Sacerdote que pode compadecer-se de nossas fraquezas porque foi tentado em tudo como nós, exceto no pecado (segunda leitura). Sugestões pastorais Cristão, isto é, servidor. Não há dúvida de que no cristianismo atual há uma maior consciência da Igreja como comunidade de serviço, de cada cristão como servidor, ainda que possa haver indivíduos ou grupos em que esta consciência esteja diminuída ou quase não exista. Esta consciência é uma grande riqueza da Igreja de nosso tempo. Uma consciência que percorre todo o corpo eclesial. Demos graças ao Senhor porque esta consciência já é um fruto de sua graça redentora. Sabemos que a consciência é insuficiente. Da consciência deve-se passar à vivência. E este passo, graças ao Senhor, foi e é dado também a cada dia por muitos filhos da Igreja. A Igreja está em primeira linha no serviço aos socialmente marginalizados (viciados em drogas, vítimas de AIDS, emigrantes, crianças abandonadas...). A Igreja está em primeira linha na ajuda eficaz, por menor que seja, aos países que sofrem calamidades naturais, ou o terrível flagelo da guerra.
Está em primeira linha no serviço ao homem, sobretudo ao homem indefeso, defendendo com vigor e constância os direitos fundamentais do ser humano, particularmente o direito mais fundamental que é o direito à vida. A Igreja está em primeira linha na promoção e defesa dos valores humanos e cristãos. Em cada paróquia, em cada diocese, quantas maneiras, às vezes muito simples, de servir ao homem. Servir e sofrer. Ainda que espiritualmente o serviço possa ser um manancial de alegria, o sofrimento com os seus diferentes rostos não está ausente do serviço.
Para servir há que sofrer. Há que se sofrer a fadiga, o duro esforço de estar doando-se na primeira fila, a enfermidade inclusive. Há que se sofrer muitas vezes a humilhação e até o desprezo e a ingratidão daqueles a quem se serve. Há que se sofrer, em outras ocasiões, o drama da enorme distância entre o que se faz a serviço do homem e as ingentes necessidades de muitos milhões de homens no mundo. Há que se sofrer talvez a incompreensão dos outros, os comentários ferinos e às vezes mordazes, as interpretações equivocadas que algumas pessoas possam dar ao seu serviço. Não é fácil servir sofrendo. Pode se fazer isso graças à força da meditação orante da Palavra de Deus que vivifica o espírito; graças à energia que nos vem do pão eucarístico; graças a uma fé gigantesca, que leva a descobrir no homem, qualquer que seja, o próprio Cristo vivo e presente entre nós hoje em nossa vida. Irmão ou irmã que sofre por servir, não tenha medo! No serviço sofrido ao próximo você encontrará a Deus com toda segurança e a si mesmo(a). II) Concordância da Palavra de Deus com os ensinamentos do Catecismo da Igreja .- "Comovido com tantos sofrimentos, Cristo não apenas se deixa tocar pelos doentes, mas assume suas misérias: "Ele levou nossas enfermidades e carregou nossas doenças". Não curou todos os enfermos. Suas curas eram sinais da vinda do Reino de Deus. Anunciavam uma cura mais radical: a vitória sobre o pecado e a morte por sua Páscoa. Na cruz, Cristo tomou sobre si todo o peso do mal e tirou o "pecado do mundo" (Jo 1,29). A enfermidade não é mais do que uma conseqüência do pecado. Por sua paixão e morte na cruz, Cristo deu um novo sentido ao sofrimento, que doravante pode configurar-nos com Ele e unir-nos à sua paixão redentora." (1505; cf. 517. 440). "Por sua obediência de amor ao Pai, "até a morte de cruz" (Fl 2,8), Jesus realizou sua missão expiadora do Servo Sofredor que "justificará a muitos e levar sobre si as suas transgressões". (Is 53,11)" (623). Desde o primeiro instante de sua Encarnação, o Filho desposa o desígnio de salvação divino em sua missão redentora: "Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e consumar sua obra" (Jo 4,34). O sacrifício de Jesus "pelos pecados do mundo inteiro" (1Jo 2,2) é a expressão de sua comunhão de amor ao Pai: "O Pai me ama porque dou a minha vida" (Jo 10,17). "O mundo saberá que amo o Pai e faço como o Pai me ordenou" (Jo 14,31). (606; cf. 2716. 2749). "Uma tal dignidade exprime-se na disponibilidade para servir, segundo o exemplo de Cristo, o qual «não veio para ser servido, mas para servir». Se, portanto, à luz da atitude de Cristo, se pode verdadeiramente «reinar» somente «servindo», ao mesmo tempo este « servir » exige uma tal maturidade espiritual, que se tem de definí-la precisamente como « reinar ». Para se poder servir os outros digna e eficazmente, é necessário saber dominar-se a si mesmo, é preciso possuir as virtudes que tornam possível um tal domínio." (João Paulo II, Redemptor Hominis 21).
III) Refletindo com a Grande Cruzada .- “Quero contar tanto com o pensamento contínuo de vossos corações, que durante Minha vida mortal sofri tudo para atraí-los. Observa o Evangelho e destaca Minha piedade pelos pecadores, Meus silêncios, Meus milagres, Minhas austeridades, Minhas lutas, Meu zelo, Minha caridade com os homens, Minhas pregações, Minha firmeza e constância, Meu chamado a todos os eleitos, Meu zelo pelo serviço ao Meu Pai, Minhas preocupações por vos salvar, Meu sofrimento no Getsêmani por tantos ingratos que se perderiam para sempre. Já vês por quê teu Jesus se porta como um mendigo, pedindo, esperando o amor de Meus filhos. (CS 117) “(…) Começa desde hoje a acolher como irmãos espirituais a todos os Sacerdotes do mundo inteiro, para que conservem imaculado seu lírio. Ecumenismo! Sofre por eles, roga, imola-te!... Fruto escolhido e posto à parte para servir à Mesa dos convidados. Holocausto suave e agradável a Deus junto Comigo. (CA 179) Apostolado da Nova Evangelização 2006 |