|
8 de outubro de 2006 Primeira Leitura: Gn 2, 18-24; Segunda Leitura: Heb 2, 9-11; Evangelho: Mc 10, 2-16
Marcos 10, 2-16 2chegaram os fariseus e perguntaram-lhe, para o pôr à prova, se era permitido ao homem repudiar sua mulher. 3Ele respondeu-lhes: “Que vos ordenou Moisés?” 4Eles responderam: “Moisés permitiu escrever carta de divórcio e despedir a mulher.” 5Continuou Jesus: “Foi devido à dureza do vosso coração que ele vos deu essa lei; 6mas, no princípio da criação, Deus os fez homem e mulher. 7Por isso, deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher; 8e os dois não serão senão uma só carne. Assim, já não são dois, mas uma só carne. 9Não separe, pois, o homem o que Deus uniu.” 10Em casa, os discípulos fizeram-lhe perguntas sobre o mesmo assunto. 11E ele disse-lhes: “Quem repudia sua mulher e se casa com outra, comete adultério contra a primeira. 12E se a mulher repudia o marido e se casa com outro, comete adultério.” 13Apresentaram-lhe então crianças para que as tocasse; mas os discípulos repreendiam os que as apresentavam. 14Vendo-o, Jesus indignou-se e disse-lhes: “Deixai vir a mim os pequequinos e não os impeçais, porque o Reino de Deus é daqueles que se lhes assemelham. 15Em verdade vos digo: todo o que não receber o Reino de Deus com a mentalidade de uma criança, nele não entrará.” 16Em seguida, ele as abraçou e as abençoou, impondo-lhes as mãos. I) Comentando a Palavra de Deus .- Nexo entre as leituras
O tema do matrimônio domina a liturgia deste domingo. Por um lado a lei de Moisés, que permite repudiar a esposa “por algo feio” (de acordo com o que se interpretasse, poderia ser a infidelidade conjugal, ou até uma comida mal preparada) (evangelho); por otro lado, Jesus, que volta à lei originária colocada na natureza, segundo a qual “o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher; 8e os dois serão uma só carne “ (primera leitura, evangelho). A segunda leitura nos recorda que Jesús, esposo da Igreja, entrega-se a ela até a morte para purificá-la e santificá-la com seu sangue. Desta maneira torna-se verdadeiro protótipo do amor esponsal. Mensagem doutrinal
A vitória sobre a solidão. É muito emocionante ver como Deus, segundo o livro do Gênesis, se interessa pela solidão do homem. Entendemos que Deus não criou o homem para viver em solidão, mas sim em relação, em companhia. A companhia dos animais domésticos é boa, não é criticada, mas é insuficiente. Adão dá nome a cada um; isso quer significar que exerce domínio e senhorio sobre eles. Porém, isto não basta.
É uma relação de domínio, é uma relação díspar, que não dá plenitude de realização e de gozo ao ser humano. A única relação plena, satisfatória, regozijante, é a relação com quem é igual a ele, “carne de sua carne”. É a relação própria dos seres humanos. O grau supremo desta relação é a relação matrimonial do varão e a mulher, pela qual “os dois chegam a ser uma só carne”.
Portanto, o matrimônio não é a única forma de relação, nem o único modo de vencer a solidão. A relação de amizade, de companheirismo, de irmãos de religião, etc., vence também a solidão do homem. Contudo, o matrimônio e a família são instituições naturais nas quais a vitória sobre a solidão pode conseguir a máxima altura.
O matrimônio, vivido em todo seu esplendor e beleza, unifica. Unifica as forças da inteligência, que se orientam para a vida matrimonial e familiar. Unifica as forças da vontade, que aceita o querer da pessoa amada e tende a fazer-lhe o bem. Unifica o coração, centrando-o no esposo ou esposa e nos filhos. Unifica as experiências da vida, que são vividas todas em referência à experiência fundamental, que é a experiência conjugal e familiar.
Em Cristo todo seu ser está unificado pelo amor à humanidade, amor que não poupa nenhum sacrifício. Ninguém ama mais do que aquele que dá a vida pelo amado. Pelo sacramento do matrimônio os cristãos participam do amor com que Cristo Esposo amou a Igreja Esposa. Esse amor redentor de Cristo, eficazmente presente nos cônjuges cristãos, levá-los-á a superar qualquer tentação de divisão, e promover a unidade como o maior bem dos cônjuges, da família e da sociedade.
II) Concordância da Palavra de Deus com os ensinamentos do Catecismo da Igreja.- 1605 – “Que o homem e a mulher tenham sido criados um para o outro, a sagrada Escritura o afirma: “Não é bom que O homem esteja só” (Gn 2,18). A mulher, “carne de sua carne”, é, igual a ele, bem próxima dele, lhe foi dada por Deus como um “auxilio”, representando, assim, “Deus, em quem está o nosso socorro”. “Por isso um homem deixa seu pai e sua mãe, se une à sua mulher, e eles se tornam uma só carne” (Gn 2,24). Que isto significa uma unidade indefectível de suas duas vidas, o próprio Senhor no-lo mostra lembrando qual foi, 'na origem”, o desígnio do Criador (Cf Mt 19,4): “De modo que já não são dois, mas uma só carne” (Mt 19,6).”
1617 – “Toda a vida cristã traz a marca do amor esponsal de Cristo e da Igreja. Já o Batismo, entrada no Povo de Deus, é um mistério nupcial: é, por assim dizer, o banho das núpcias que precede o banquete de núpcias, a Eucaristia. O Matrimônio cristão se torna, por sua vez, sinal eficaz, sacramento da aliança de Cristo e da Igreja. O Matrimônio entre batizados é um verdadeiro sacramento da nova aliança, pois significa e comunica a graça.”
2201 – “A comunidade conjugal está fundada no consentimento dos esposos. O casamento e a família estão ordenados para o bem dos esposos, a procriação e a educação dos filhos. O amor dos esposos e a geração dos filhos instituem entre os membros de uma mesma família relações pessoais e responsabilidades primordiais.”
1642 – “Onde poderei haurir a força para descrever satisfatoriamente a felicidade do Matrimônio administrado pela Igreja, confirmado pela doação mútua, selado pela bênção? Os anjos o proclamam, o Pai celeste o ratifica... O casal ideal não é o de dois cristãos unidos por uma única esperança, um único desejo, uma única disciplina, o mesmo serviço? Ambos filhos de um mesmo Pai, servos de um mesmo Senhor. Nada pode separá-los, nem no espírito nem na carne; ao contrário, eles são verdadeiramente dois numa só carne. Onde a carne é uma só, um também é o espírito.” (Tertuliano, ux, 2,9; cf FC 13) III) Refletindo com a Grande Cruzada .-
“Correi, Minhas filhas, ainda é tempo de salvar a vossa família, correi; não percais nem um dia mais, correi à Missa e participai desse encontro Comigo na Eucaristia. Orai todos os dias, univos a Minha Mãe no Santo Rosário que é a oração por meio da qual vos unis Comigo através da melhor esposa e mãe que houve na história da humanidade: Maria.
(…)Consagrai-vos e consagrai vossas famílias aos Nossos Corações. Começai a orar com os vossos, sem impordes, uma pequena oração de manhã, à mesa, à noite. Quem não ora, não tem desejo de orar. A família que ora, é família que vive unida. Esposo que ora é esposo fiel. Esposa que ora, é esposa responsável por sua família. Filhos que oram são respeitosos para com seus pais. Quem tem a culpa de que vossos lares estejam mal, o mundo?...” (CM10)
“Quando o homem e a mulher anseiam por casar-se na juventude, necessariamente exteriorizam o poder originário relacionado à Minha criação, pela qual toda fagulha tem o poder de criar outros fogos.
Quem não Me conhece se detém titubeante e tímido, mas aquele que dá valor ao Meu Querer se sente honrado de participar Comigo no ato criador.
No entanto, tão elevada honra, tão elevada missão constitui o maior tropeço das criaturas que rivalizam por abaixar-se ao estado animal. E aí estão Meus mandamentos, Minhas proibições. Aí estão a moral, os códigos humanos, os chamados códigos de honra e, em conseqüência, os pecados, os delitos, as vidas rasgadas, as vítimas culpadas e as inocentes; a medicina, a crônica, o subterfúgio, os crápulas e também as cidades castigadas, as nações despedaçadas e o inferno cheio, cheio de almas que se desencaminharam e se obstinaram, até rebelarem-se para sempre contra Mim.” (CM67)
Apostolado da Nova Evangelização 2006 |