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17 de setembro de 2006 Primeira Leitura: Is 50, 5-9a; Segunda Leitura: Tg 2, 14-18; Evangelho: Mc 8, 27-35
Marcos 8, 27-35 27Jesus saiu com os seus discípulos para as aldeias de Cesaréia de Filipe, e pelo caminho perguntou-lhes: Quem dizem os homens que eu sou? 28Responderam-lhe os discípulos: João Batista; outros, Elias; outros, um dos profetas. 29Então perguntou-lhes Jesus: E vós, quem dizeis que eu sou? Respondeu Pedro: Tu és o Cristo. 30E ordenou-lhes severamente que a ninguém dissessem nada a respeito dele. 31E começou a ensinar-lhes que era necessário que o Filho do homem padecesse muito, fosse rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e pelos escribas, e fosse morto, mas ressuscitasse depois de três dias. 32E falava-lhes abertamente dessas coisas. Pedro, tomando-o à parte, começou a repreendê-lo. 33Mas, voltando-se ele, olhou para os seus discípulos e repreendeu a Pedro: Afasta-te de mim, Satanás, porque teus sentimentos não são os de Deus, mas os dos homens. 34Em seguida, convocando a multidão juntamente com os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém me quer seguir, renuncie-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. 35Porque o que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas o que perder a sua vida por amor de mim e do Evangelho, salvá-la-á. I) Comentando a Palavra de Deus .- Nexo entre as leituras Em que consiste a essência do homem? A liturgia de hoje nos dá uma resposta. Na primeira leitura, três são os traços do homem segundo o desígnio de Deus: o homem é um ser “que escuta”, que sofre, que experimenta a presença e a assistência de Deus. O Evangelho apresenta Jesus como a perfeita realização do homem: o Ungido de Deus, o Homem das dores, o servo obediente até a morte, o que perde sua vida para salvar as dos homens. Finalmente, na segunda leitura São Tiago mostra que o homem é aquele em quem fé e obras se unem em aliança indissolúvel para alcançar a perfeita realização humana. Sugestões pastorais Homem e cristão. Não poucas vezes na história do pensamento – e também provavelmente do viver – estas duas realidades andaram por caminhos distintos. Quase parecia a alguns que não se pode ser plenamente homem sendo perfeitamente cristão ou que não se pode ser plenamente cristão, sendo perfeitamente homem. O paradoxo cristão. “O que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas o que perder a sua vida por amor de mim e do Evangelho, salvá-la-á”, nos diz Jesus. É o grande paradoxo cristão, isto é, humano. Em termos de paradoxo, Jesus Cristo expõe a grande batalha da existência humana. É a batalha entre o egoísmo e a entrega, entre a sedução do eu e a atração de Deus, entre o culto à personalidade e o culto à verdadeira humildade. Normalmente, mas de modo equivocado, se pensa que sendo egoísta alguém vai realizar-se, salvar sua identidade, ter una personalidade de grande estatura. O resultado, depois de certo tempo, é a consciência de estar buscando o impossível, a frustração por tantas energias gastas inutilmente, e queira Deus, também, ao se dar conta de ter errado o caminho, aceitar o próprio erro e acertar os passos pelo caminho justo. Esse caminho justo é o de esvaziar-se de si para encher-se de Deus, o de dar-se aos demais desinteressadamente, sem buscar compensações de nenhum tipo, é o da humildade profunda de quem sabe e aceita que tudo o que é e tem provém de Deus e deve ser colocado a serviço dos demais. Este é o caminho da salvação. Este é o caminho da autêntica realização do homem. Este é o caminho do paradoxo cristão. Irmão, caminhemos juntos e alegres por ele. É o caminho que Cristo mostrou a seus discípulos.
II) Concordância da Palavra de Deus com os ensinamentos do Catecismo da Igreja .- 37 Todavia, nas condições históricas em que se encontra, o homem enfrenta muitas dificuldades para conhecer a Deus apenas com a luz de sua razão: “Pois, embora a razão humana, absolutamente falando, possa chegar com suas forças e lume naturais ao conhecimento verdadeiro e certo de um Deus pessoal, que governa e protege o mundo com sua Providência, bem como chegar ao conhecimento da lei natural impressa pelo Criador em nossas almas, de fato, muitos são os obstáculos que impedem a mesma razão de usar eficazmente e com resultado desta sua capacidade natural. As verdades que se referem a Deus e às relações entre os homens e Deus são verdades que transcendem completamente a ordem das coisas sensíveis e quando estas verdades atingem a vida prática e a regem, requerem sacrifício e abnegação. A inteligência humana, na aquisição destas verdades, encontra dificuldades tanto por parte dos sentidos e da imaginação como por parte das más inclinações, provenientes do pecado original. Donde vemos que os homens em tais questões, facilmente procuram persuadir-se de que seja falso ou ao menos duvidoso aquilo que não desejam que seja verdadeiro” (Pio XII, enc. “Humani generis”: DS 3875). 548 Os sinais operados por Jesus testemunham que o Pai o enviou (Cf. Jo 5, 36; 10, 25). Convidam a crer nele (Cf. Jo 10, 38). Aos que a Ele se dirigem com fé, concede o que pedem (Cf. Mc 5, 25-34; 10, 52). Assim, os milagres fortificam a fé naquele que realiza as obras de seu Pai: testemunham que Ele é o Filho de Deus. Eles podem também ser “ocasião de escândalo” (Cf. Mt 11, 6). Não se destinam a satisfazer a curiosidade e os desejos mágicos. Apesar de seus milagres tão evidentes, Jesus é rejeitado por alguns (Cf. Jo 11, 47-48); acusam-no até de agir por intermédio dos demônios (Cf. Mc 3, 22)
III) Refletindo com a Grande Cruzada .-
CA 80 – Eu inspiro as obras perfeitas, mas és livre para realizá-las ou não 15 de janeiro de 1996 Deus Pai O princípio e vida das ações humanas, é o movimento que imprimo em todas as criaturas. Ao homem, a quem criei livre e autônomo, não lhe parece que o seu agir, ver, pensar e até o seu sofrer, sejam ações dependentes de uma causa primeira que tem domínio sobre todas essas coisas; mas é um domínio suavíssimo que produz, sem o menor menosprezo, o grande dom que vos fiz: a liberdade. Por isso o homem age livremente, de corpo e de espírito. Mas ao mesmo tempo que faz pleno uso de sua liberdade, é movido por Mim, tem inclinação mas não está obrigado, porque age livremente. Existem movimentos involuntários contra os quais a criatura não pode reagir, mas eles são ou todos Meus, ou todos humanos. Eu te explico. No Meu amor infinito à criatura, Eu desejo que algumas vezes ela realize ações sem os habituais defeitos, as costumeiras renúncias, de modo que ela, na sua ação, tenha atos e pensamentos que sejam perfeitamente conformes à Minha Vontade. Então, Eu Me manifesto de tal maneira que o seu agir e querer são verdadeiramente o Meu agir e o Meu querer. O exemplo disto é dado por certas manifestações que opero nos Meus santos. Mas não se deve objetar que nisso falta a vontade deles: muito pelo contrário. A vontade, nestes casos, está em plena união Comigo, e se age, digamos, forçadamente, nem por isso deixa de agir livremente. No Céu é assim; quando isso acontece também na terra, é o Céu antecipado… Essas são as que chamei Minhas ações involuntárias, pois é o que elas são. Mas há outras ações, as humanas. E aí, o discurso muda. Se nas chamadas ações involuntárias boas, a maior parte da obra é Minha, nas más ou humanas, a maior parte é vossa. De maneira que a alma, tendo se tornado totalmente inclinada para o mal, não pode fazer outra coisa senão agir segundo o mau hábito que adquiriu voluntária e gradualmente. Eis, pois, como se encontra a alma quando está toda ela Comigo, e quando está consigo mesma. Mas tu sabes que ao criar, manter e mover os Meus amados, tenho em vista principalmente a Glória de Meu Filho amado. Além disso, prevendo que cada um de vós faria pouco pelo cumprimento da Minha Vontade, fiz uma Criatura tão bela e santa que por si só, supera todas as criaturas e sozinha, dá mais Glória a Meu Filho que todas as outras criaturas juntas. Esta Criatura é o espelho resplandecente em que se reflete o Verbo e, como todo espelho, reflete tais raios de luz e de fogo que não parece ser propriamente espelho mas luz e fogo. Meu filho devia ter muitas imagens dEle próprio, mas uma devia ser tal que se confundisse com o original. Ah! como Me agrada reproduzir o Verbo! Vês então o que visa a Minha Vontade e quão mesquinhas são as razões do homem? Mas o que é uma razão humana em comparação com uma Vontade Divina? Não é como a noite o amor-próprio e suas razões, em comparação com o dia radiante que é a Minha razão, a Minha Vontade?… Quanto se debate o homem sobre este ponto! Mas enquanto ele não se esquecer de si próprio, não terá paz. Renuncie a si, perca-se em Mim, funda-se em Mim, e a criatura viverá de Mim…
Apostolado da Nova Evangelização 2006
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