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03 de setembro de 2006 Primeira Leitura: Dt 4, 1-2.6-8; Segunda Leitura: Tg 1, 17-18.21b-22.27; Evangelho: Mc 7, 1-8,14-15,21-23
Marcos 7, 1-8,14-15,21-23 Capítulo 7, 1-8 1 Os fariseus e alguns dos escribas vindos de Jerusalém tinham-se reunido em torno dele. 2 E perceberam que alguns dos seus discípulos comiam o pão com as mãos impuras, isto é, sem as lavar. 3(Com efeito, os fariseus e todos os judeus, apegando-se à tradição dos antigos, não comem sem lavar cuidadosamente as mãos; 4 e, quando voltam do mercado, não comem sem ter feito abluções. E há muitos outros costumes que observam por tradição, como lavar os copos, os jarros e os pratos de metal.) 5 Os fariseus e os escribas perguntaram-lhe: Por que não andam os teus discípulos conforme a tradição dos antigos, mas comem o pão com as mãos impuras? 6 Jesus disse-lhes: Isaías com muita razão profetizou de vós, hipócritas, quando escreveu: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. 7 Em vão, pois, me cultuam, porque ensinam doutrinas e preceitos humanos (29,13). 8 Deixando o mandamento de Deus, vos apegais à tradição dos homens. Capítulo 7, 14-15 14Tendo chamado de novo a turba, dizia-lhes: Ouvi-me todos, e entendei. 15Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa manchar; mas o que sai do homem, isso é que mancha o homem. Capítulo 7, 21-23 21 Porque é do interior do coração dos homens que procedem os maus pensamentos: devassidões, roubos, assassinatos, 22 adultérios, cobiças, perversidades, fraudes, desonestidade, inveja, difamação, orgulho e insensatez. 23 Todos estes vícios procedem de dentro e tornam impuro o homem. I) Comentando a Palavra de Deus .- Nexo entre as leituras Em que consiste a religião autêntica? Qual é o culto verdadeiro? A estas perguntas respondem as leituras do vigésimo domingo do tempo comum. A primeira leitura responde que a religião autêntica consiste em cumprir fielmente todos os mandamentos do Decálogo. Jesus Cristo, no Evangelho, ensina que a Palavra de Deus (Sagrada Escritura) está acima das tradições e leis humanas. Portanto, a verdadeira religião está no coração do homem que escuta e põe em prática a Palavra de Deus. São Tiago em sua carta nos dirá que a religião pura e sem mácula diante de Deus consiste no amor ao próximo, especialmente aos mais necessitados. Mensagem doutrinal Escutar e cumprir a Palavra. A língua hebraica não distingue entre palavra e feito. Por isso não se pode separar a escuta da prática e nem a prática da escuta. O Decálogo é chamado “as dez palavras” que devem ser escutadas e colocadas em prática. Essas dez palavras, que resumem toda a lei mosaica, foram “pronunciadas” por Deus para o bem do seu povo e portanto possuem características propriamente divinas. Enquanto os outros povos regem-se por leis e preceitos surgidos da sabedoria e da vontade humanas, o decálogo goza da sabedoria de Deus mesmo. Quais são algumas dessas características divinas? 1) As dez palavras são imutáveis. Nada pode ser subtraído delas e nada acrescentado. São palavras de Deus “pronunciadas” para que o homem viva, e o homem vive quando tem pontos de referência fixos, não submetidos às mudanças históricas. 2) Nas dez palavras está compendiada a sabedoria com que Deus dotou Israel aos olhos dos outros povos. Uma sabedoria nada teórica, mas que envolve a vida e a penetra em todas as suas expressões. Essas dez palavras continuam sendo a alma do povo de Israel e a alma das comunidades cristãs até os nossos dias. A autêntica religião e o verdadeiro culto consistem em escutar e praticar a Palavra. Mandamento de Deus e tradições humanas. Na polêmica com os fariseus e escribas Jesus lhes joga ao rosto algo sumamente grave: “Deixando o mandamento de Deus, vos apegais à tradição dos homens”. Não que Jesus rejeite as tradições de Israel. Não se trata de rejeitá-las, mas de colocá-las no lugar que lhes corresponde no desígnio de Deus e no marco de uma religião autêntica. As tradições são boas quando não se afastam do Decálogo e não se opõem a ele, mas nascem como ramos novos da mesma árvore do Decálogo. Por outro lado, se nascem de situações meramente circunstanciais ou de uma vontade humana rigorosa e estreita, haverá que afirmar que essas tradições são ultrapassadas e perecíveis. O grande erro dos fariseus e escribas é querer conservar a todo custo um grande acúmulo de tradições dos antepassados, não só agoniando as consciências do povo judeu, mas inclusive contradizendo com elas os princípios imutáveis e sapientíssimos do Decálogo. A verdadeira religião é aquela que põe a Palavra de Deus acima dos costumes e usos dos homens. A Palavra da verdade. A Palavra da verdade é a revelação de Deus contida na Escritura e que o Senhor semeou no coração de cada um dos que crêem. O cristão deve ser dócil a esta Palavra, de modo a não somente escutá-la, mas colocá-la em prática. Qual é essa Palavra de verdade? Fundamentalmente o amor a Deus e o amor ao próximo, coração da verdadeira religião cristã. Quem cumpre essa Palavra de verdade alcançará a salvação de Deus. O homem deve ser muito sincero consigo mesmo para não ficar só de ouvinte, mas chegar a ser também praticante dessa Palavra. Deve-se chegar a praticar a Palavra da verdade. Nisto consiste a verdadeira religião aos olhos de Deus. Sugestões pastorais Uma religião do coração. Homem religioso é aquele que se sente re-ligado por uma relação dialogal com a divindade. Se o diálogo e a relação humana não pode ser puramente racional nem puramente sentimental, muito menos o diálogo com Deus. Por isso, sou favorável a uma religião do coração, sendo este o centro interior da pessoa.
O coração, portanto, visto não somente como fonte da afetividade, mas também como sede da razão, dos sentimentos, da vontade, da consciência, da decisão. Na religião do coração é todo o homem que entra em comunicação com Deus: o que fala e escuta, o que é interpelado e responde, o que expressa as suas experiências íntimas e se sente acolhido e compreendido.
Talvez ainda haja, em alguns cristãos, marcas de jansenismo1, e é necessário acabar com elas. O cristianismo do futuro está pedindo uma religião do coração, que chegue a ser o coração da religião. Na sua experiência pessoal a religião católica é uma religião do coração? O culto cristão é um culto do coração? Na vida litúrgica e sacramental de sua paróquia é levada em conta esta dimensão integral da religião, que compreende toda a pessoa? É muito, muitíssimo o que se pode ainda fazer para que a religião católica chegue a ser, em cada família, em cada paróquia, em cada diocese, em toda a igreja, uma religião do coração. ____________ 1 Segundo o Jansenismo, a graça de Deus determina irresistivelmente a liberdade humana, a qual, sem ela, não pode guardar os mandamentos (negando-se a moral natural). Apesar deste fatalismo, o Jansenismo foi a expressão mais viva do rigorismo moral nos sécs. XVII-XVIII, sobretudo na vida sacramental (adiando a absolvição aos penitentes e reduzindo o acesso à Comunhão). Condenado pelo Santo Ofício (1665-1669), foi combatido pelos Jesuítas e especialmente por São Vicente de Paulo (França) e Santo Afonso Maria de Ligório (Itália). Grande antídoto contra o Jansenismo foi a devoção ao Coração de Jesus, que experimentou grande incremento nos sécs. XVII-XVIII. (Fonte: Enciclopédia Católica Popular - http://www.agencia.ecclesia.pt/) II) Concordância da Palavra de Deus com os ensinamentos do Catecismo da Igreja .-
199 “Creio em Deus”: esta primeira afirmação da profissão de fé é também a mais fundamental. O Símbolo inteiro fala de Deus, e, se fala também do homem e do mundo, fá-lo pela relação que eles têm com Deus. Os artigos do Credo dependem todos do primeiro, da mesma forma que os mandamentos explicitam o primeiro deles. Os demais artigos nos fazem conhecer melhor a Deus tal como se revelou progressivamente aos homens. “Os fiéis fazem primeiro profissão de crer em Deus”.
580 O cumprimento perfeito da Lei só podia ser obra do Legislador divino nascido sujeito à Lei na pessoa do Filho (Cf. Gal 4, 4). Em Jesus, a Lei não aparece mais gravada nas tábuas de pedra, mas “no fundo do coração” (Jr 31,33) do Servo, o qual, pelo fato de “trazer fielmente o direito” (Is 42,3), se tornou “a Aliança do povo” (Is 42,6). Jesus cumpriu a Lei até o ponto de tomar sobre si “a maldição da Lei”(Cf. Gal 3, 13) in quod illi incurrerant “qui non permanent in omnibus, quae scripta sunt, ut faciant ea”: na qual incorreram aqueles que “não praticam todos os preceitos da mesma” (Cf. Gal 3, 10), pois “a morte de Cristo aconteceu para resgatar as transgressões cometidas no Regime da Primeira Aliança” (Hb 9, 15).
1967 A Lei evangélica “dá pleno cumprimento” à Lei Antiga (Cf. Mt 5, 17-19), afina-a, ultrapassá-la e aperfeiçoá-la. Nas “bem-aventuranças”, ela realiza plenamente as promessas divinas, elevando-as e ordenando-as ao “Reino dos Céus”. Dirige-se àqueles que se mostram dispostos a acolher com fé esta esperança nova - os pobres, os humildes, os aflitos, os de coração puro, os perseguidos por causa de Cristo -, traçando assim os surpreendentes caminhos do Reino. III) Refletindo com a Grande Cruzada .- CM 74 – Vinde a Meu Coração desejoso de vós 29 de abril de 1997 Jesus Quando Me apresentar diante de toda a humanidade reunida para o juízo, os Bem-aventurados dirão: “Bendito O que vem em nome do Senhor”. Os condenados, em troca, irão maldizer a Mim e a sua existência, enquanto baixarem ao inferno depois do juízo universal. Mas na Minha Presença isso não lhes será permitido. De modo que os Bem-aventurados Me invocarão antes do juízo e os condenados Me maldirão depois.
Quando anunciei na terra a bênção dos Eleitos, Eu estava tomado pelo pensamento deste futuro tribunal de Justiça, previa seu desenvolvimento e conhecia seu epílogo. Aos miseráveis que queriam por em dúvida Minha Divindade, respondeu um Homem que, sendo Deus, podia mandar calar suas loucuras e privá-los até da palavra material. No entanto, isto não era conveniente à Minha missão e não o fiz já que, em tudo, o Santo Querer que decreta todas as coisas no Céu e na terra, prescrevia Minha ação e informava sua intenção. Poderia ao inferno os miseráveis que objetavam que Eu era homem e somente homem, somente porque tinham inveja de Minha popularidade? Não, não poderia, por isso concluí com as palavras: “Bendito O que vem em nome do Senhor” e não com as outras palavras que Meus ouvintes, em grande parte, diriam como conclusão do Juízo universal. Podeis notar que, naquela ocasião, Eu chamei repetidas vezes de hipócritas aos fariseus e escribas, mas concluí que não Me veriam mais até que se tenha dito: “Bendito O que vem em nome do Senhor”. E, por certo, não pretendia dizer a eles estas palavras mas aos outros que realmente as dirão naquele dia solene. Desviei-Me de sua presença porque vi, por antecipação, o amor com que os Bem-aventurados esperariam Minha vinda como Juiz de todos. E isto também para poder captar alguma alma daquelas que obstinadamente se opunham a Mim. Ah, sim, não foi inútil que Eu concluísse um discurso de condenação com palavras de alento! Aprendei de Mim como amar ao vosso próximo. Condenar, se necessário, mas nunca descuidar do trato de amor mesmo com aqueles que merecem condenação. Sou semelhante ao pelicano que nutre a seus filhotes com suas carnes, mas que se torna inflexível se seus amados quiserem saciar-se de outra forma. Não peço outra coisa senão que vos aproveiteis de Mim e não quero permitir que Me deixeis. Mas, se o fizerdes, terei que ser justo e condenar-vos. Vinde a Mim e saciai-vos de Mim, porque também Eu vos darei Minha Carne, Meu Espírito, Minha Divindade. Vinde, Meus pequenos, a este Coração demasiado desejoso de vós e ninguém jamais vos condenará... É o Amor que vos salva, sabei disso, e com o amor tudo será colocado em ordem, nada poderá ficar fora do lugar, porque Eu mesmo arrumarei todas as vossas pequenas coisas antes que passeis deste mundo. Não quero ser vosso Juiz senão para vos premiar, e isto será Minha felicidade; sim, quando vos vir radiantes de alegria, subir aos mais altos cumes do Paraíso, Eu me alegrarei inefavelmente e vós reconhecereis que, por Amor, somente por Amor, Eu vos chamei. Não quero outra coisa senão apresentar-vos ao Meu Pai como digníssimos irmãos Meus. Fazei com que Eu possa fazer isto e vos serei grato mais do que por qualquer outra coisa. Vinde, benditos, à casa de Meu Pai; vinde, oh vós a quem curei de tantas enfermidades e a quem alimentei como somente Deus sabe alimentar; vinde, oh benditos, ao abraço feliz do Pai, do Verbo e do Espírito Santo. Vinde, de uma amorosa Mãe, entre os sorrisos de um imenso exército de felizes irmãos, na empolgante Glória do Uno e Trino. Apostolado da Nova Evangelização 2006 |