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27 de agosto de 2006 Primeira Leitura: Js 24, 1-2.15-18; Segunda Leitura: Ef 5, 21-32; Evangelho: Jo 6, 60-69
João 6, 60-69 60Muitos dos discípulos, ouvindo-o, disseram: Isto é muito duro! Quem o pode admitir? 61Sabendo Jesus que os discípulos murmuravam por isso, perguntou-lhes: Isso vos escandaliza? 62Que será, quando virdes subir o Filho do Homem para onde ele estava antes?... 63O espírito é que vivifica, a carne de nada serve. As palavras que vos tenho dito são espírito e vida. 64Mas há alguns entre vós que não crêem... Pois desde o princípio Jesus sabia quais eram os que não criam e quem o havia de trair. 65Ele prosseguiu: Por isso vos disse: Ninguém pode vir a mim, se por meu Pai não lho for concedido. 66Desde então, muitos dos seus discípulos se retiraram e já não andavam com ele. 67Então Jesus perguntou aos Doze: Quereis vós também retirar-vos? 68Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, a quem iríamos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. 69E nós cremos e sabemos que tu és o Santo de Deus! I) Comentando a Palavra de Deus .- Nexo entre as leituras Decidir-se é a chave dos diversos textos litúrgicos. As tribos reunidas por Josué em Siquém devem se decidir por servir a Javé ou aos outros deuses. Elas se decidem por Javé (primeira leitura). Os discípulos de Jesus, escandalizados por suas palavras (“comer minha carne e beber meu sangue”) são colocados por Jesus diante de uma decisão: "Quereis vós também retirar-vos?". Pedro, em nome dos outros discípulos, se decide por Cristo: "Senhor, a quem iríamos nós? Tu tens as palavras da vida eterna" (evangelho). Finalmente, na segunda leitura, a decisão irrevogável de Cristo por sua Igreja serve de exemplo à decisão mútua dos esposos no amor. Mensagem doutrinal Uma decisão responsável. Ser homem com o uso da razão é estar obrigado a decidir nas pequenas e nas grandes coisas da vida. Em outras palavras, viver é ter que decidir. Isto já é algo muito importante, pois nos diferencia de todas as outras criaturas do universo. Contudo, é incompleto porque se pode decidir bem, mas também se pode decidir mal. Mais importante que decidir, é decidir bem. O que implica uma boa decisão? Eis aqui alguns aspectos significativos: 1) Decidir bem implica deixar. Deixar, acima de tudo, aquilo que impede ou ao menos dificulta a boa decisão. As tribos de Israel têm que deixar, renunciar aos deuses de seus pais e aos deuses dos amorreus (primeira leitura). Os discípulos têm que prescindir de seus preconceitos culturais e religiosos diante do escândalo da Eucaristia (evangelho). Os cônjuges têm que renunciar a qualquer outro amor esponsal que não seja o do próprio cônjuge (segunda leitura). 2) Decidir bem é preferir. Certamente, preferir o bem sobre o mal, mas em muitas ocasiões será preferir o melhor sobre o bom. Prefere-se o bem e o melhor, em conformidade com a vocação e missão que cada um recebeu na vida. Deve-se deixar tudo aquilo que se oponha à vocação cristã, preferindo-se tudo aquilo que a favoreça. O que mais contribuir para viver minha vida cristã é o que devo preferir sobre outras coisas, por boas que sejam. É este o caminho para se fazer uma decisão responsável. Sugestões pastorais Não decidir às pressas. Em nossa sociedade, não poucas vezes se decide às pressas. É verdade que há muitas pequenas decisões de cada dia, sobre as quais nem se pensa, e de maneira geral não têm importância nem conseqüências dignas de nota. Por exemplo, a hora de sair para fazer compras, em qual restaurante ir jantar, o que escolher para o almoço de domingo. Embora fosse melhor pensar também antes dessas pequenas decisões, a fim de formar a capacidade e o hábito de sempre tomar decisões maduras. No entanto, há decisões que afetam não apenas um momento ou um aspecto, mas toda nossa vida. Por exemplo, casar-se ou não; com quem casar-se; mudar de religião; abortar ou não abortar; ser ou não praticante; colaborar ou não colaborar com a paróquia; escolher um ou outro trabalho profissional, etc. Estas decisões jamais deverão ser feitas às pressas. Senão, a pessoa provoca em si mesmo um dano gravíssimo e prejudica notavelmente também a sociedade em general e especialmente a sociedade familiar. Pergunta-se como é possível que em coisas de tanta transcendência se possa decidir de forma tão superficial. A resposta que dou a mim mesmo é que as pessoas, sobretudo as mais jovens, não foram educadas para decidir em conformidade com a verdade e com o bem. São filhos do presente efêmero, são filhos da cultura que usa e joga fora, são filhos das satisfações imediatas. Como estarão capacitados para tomar decisões para toda a vida? A decisão é formada. Sabe-se que há pessoas que, por temperamento,são capazes de decidir e outras que são menos decididas ou indecisas. Independentemente do temperamento que se tenha, é preciso formar o homem para a decisão, de modo que esta seja firme, responsável e madura. O temperamento muito decidido terá que irmanar a decisão com a prudência para não arriscar em excesso. O temperamento indeciso terá que desenvolver sua intrepidez e valentia, a fim de dar oportunamente o passo à decisão. Tanto um como o outro tomarão as decisões com plena consciência e liberdade, a fim de que decidam de modo digno do homem. Uma decisão sob coação, seja esta psicológica, física ou moral, nunca será boa, como tampouco permitirá o crescimento do homem em dignidade e em humanismo. Para que o ser humano possa levar a cabo decisões corretas e enriquecedoras, é necessário irmanar as decisões com seu próprio objeto, isto é, com o conhecimento do bem e da verdade. Um boa decisão amadurece ao calor da reflexão e da ponderação, por um lado longe de qualquer precipitação e atabalhoamento e, por outro, longe de toda desleixo, preguiça mental ou permanente estado de perplexidade. Os pais estão formando os filhos para tomar decisões maduras? Os adultos damos aos jovens exemplo de boas decisões, firmes e responsáveis? Estamos convencidos de que formar a capacidade de decisão é mais importante para o futuro de um homem do que saber muito sobre informática ou ter um título universitário? II) Concordância da Palavra de Deus com os ensinamentos do Catecismo da Igreja .- 1786 Posta diante de uma escolha moral, a consciência pode emitir um julgamento correto, de acordo com a razão e a lei divina, ou, ao contrário, um julgamento errôneo, que se afasta da razão e da lei divina. 2781 Quando rezamos ao Pai, estamos em comunhão com Ele e com seu Filho, Jesus Cristo (Cf. 1 Jo 1, 3). E então que o conhecemos e o reconhecemos num maravilhamento sempre novo. A primeira palavra da Oração do Senhor é uma bênção de adoração, antes de ser uma súplica. Pois a Glória de Deus é que nós o reconheçamos como "Pai", Deus verdadeiro. Rendemo-lhe graças por nos ter revelado seu Nome, por nos ter concedido crer nele e por sermos habitados por sua Presença. 2787 Quando dizemos Pai "nosso", reconhecemos primeiramente que todas as suas promessas de amor anunciadas pelos profetas se cumprem na nova e eterna Aliança em Cristo: nós nos tornamos seu Povo e Ele é, doravante, "nosso" Deus. Esta relação nova é uma pertença mútua dada gratuitamente: é pelo amor e pela fidelidade (Cf. Os 2, 21-22; 6, 1-6) que devemos responder "à graça e à verdade" que nos são dadas em Jesus Cristo (Cf. Jo 1, 17). III) Refletindo com a Grande Cruzada .- CM 78 – O Amor de Deus O moveu a fazer-Se Criatura de Suas criaturas 30 de abril de 1997 Deus Pai Meu filho, reconhece-Me. Não é o momento para manifestar-Me diretamente a teus olhos, mas preciso guiar tua alma e, através dela, a muitas outras.(...). Falemos agora aos homens. Sou rico e generoso; deleito-Me em beneficiar a todas as criaturas que eu mesmo modelo. Passo a eternidade dando a cada ser uma série de dons que sempre se renovam e sempre perduram. Assim, quando na Criação coloquei Adão no privilégio da preternaturalidade, Eu já agia como Criador que, tão logo cria, em seguida quer dar ao outro. Isto porque Meu Espírito nunca está satisfeito senão através da contínua doação. Fiz de Adão um simples homem, no entanto lhe dei de imediato qualidades superiores à humanidade de que estava revestido. Mas Adão caiu, confundiu-se e Me desobedeceu. Por isso lhe tirei certos dons que o faziam superior à sua própria natureza de homem. Chorou o pobre Adão, colheu os frutos amargos de seu pecado e se estabeleceu no limite natural que de início Eu lhe havia assinalado. E eis-Me aqui novamente na obra, já que não podia fazer que Meu Espírito amoroso deixasse de fazer benefícios. Além disso, da culpa de Adão tomei o motivo para fazer mais uma esplêndida afirmação de Minha Bondade sempre em movimento para beneficiar. Tomei as lágrimas de Adão, recolhi-as todas e lhe disse: este teu pranto, será agora teu consolo e depois tua alegria. Mais ainda, quero ser tão bom e recompensar as justas lágrimas que derramas por causa de teu pecado. Eu te enviarei um filho que será Meu Filho e Ele resgatará teu pecado e os outros que hão de vir depois do teu: assim poderás dizer que um teu descendente deu o justo preço que é necessário para resgatar tua queda. Adão, não temas, porque Eu não mudo Meu afeto por ti. Quanto fiz por cada criatura por causa deste Meu amor que é o motivo de todo movimento Meu! Por isso é bom considerar sobre todo Meu Amor, já que o Céu e a terra, o purgatório e o inferno, falam deste Meu Amor eloqüentemente. Até o inferno demonstra que Eu amo as criaturas: antes de tudo, pelo que Eu fiz por elas, com o fim salvá-las; e depois, porque a mesma Justiça pela qual tenho ali os condenados, onde eles mesmos escolheram estar, testemunha que Eu deixo às criaturas o dom supremo da liberdade, sabendo que se servem dela e se servirão para maldizer e blasfemar a Mim e a eles eternamente. O que dei posso também tomar por Justiça, mas nunca tirarei a vida e a liberdade de todas as criaturas racionais. E se o inferno dá assim testemunho de Meu Amor, o que se dirá de Meu Paraíso, onde os Bem-aventurados estão rodeados de Luz e de Glória e onde toda aspiração está sublimada até a Caridade divina? Que poderia fazer por Minha criatura? Dei-lhe vida, Graça, dons naturais e sobrenaturais, dons preternaturais, dons de criação, dons de tranqüila felicidade, companhia e decoro, bondade e alegria. Uma coisa Eu podia fazer pela felicidade do homem: que Eu mesmo Me fizesse homem como Minha criatura predileta. E fiz isso. Por mais que se possa raciocinar em torno da missão redentora do Filho, sobre Minha Bondade em sacrificar na Cruz o amado por excelência, a menina de Meus olhos paternos, não se poderá jamais compreender qual foi o Amor que moveu um Deus a fazer-se criatura de sua criatura. E não somente quis nascer, mas também sofrer e redimir pelo Amor infinito que Me prende ao homem. Quem pode compreender o que é ser Deus e Criador e fazer-se homem e criado? O que deveria fazer? Humilhar-Me diante de vós: e fiz isso. O que podia fazer? Ceder-vos Minha Onipotência e Minha Glória: e fiz isso, dando a um Filho de Adão toda Minha Onipotência e toda Minha Glória. Poderia Eu não Me preocupar com tantas criaturas saídas de Mim e criadas à Minha semelhança? Como poderia vos abandonar a vós mesmos? Mas há outra coisa que vos espera, há outra coisa, Meu filho: se os homens são bons na terra, tenho lhes preparado as alegrias particularmente Minhas, predispus um Reino no qual serão verdadeiramente felizes para sempre. Filhos! Não sejais ingratos, não digais que Me esqueço de vós, porque além de não ser absolutamente verdade, isto vos faz um grande mal e Me desagrada. Recordai, ao contrário, que sou uma fornalha de amoroso fogo que arde em Mim e fora de Mim, isto é: em vós. Pensai que, se existis, é porque Eu o quis e quero; considerai que se amais é porque Eu vos amo... Minha obra, a obra da Criação, de Redenção, e a futura obra de Glorificação vos faça pensar seriamente no que Eu digo para vosso absoluto bem. Quem Me vê, no Céu, goza de tudo isto e Me roga por vós. Eu os escuto porque os amo, porque também vos amo. Fazei-vos repletos de Mim, deixai que Eu vos torne repletos de Mim, fazei um pacto de amor com vosso Criador, Redentor e Glorificador.
Apostolado da Nova Evangelização 2006
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