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Semana de 22 a 28 de novembro de 2009 “A vós, Príncipe dos séculos, a vós, Senhor Jesus, proclamamos Rei do mundo, das mentes e dos corações” (Hino “Te saeculorum”) 1.- A Palavra de Deus: 1ª Leitura: Dn 7,13-14: “Seu poder é um poder eterno que não lhe será tirado” Salmo: 92,1ab.1c-2.5: “Deus é Rei e se vestiu de majestade” 2ª Leitura: Ap 1,5-8: “o soberano dos reis da terra fez de nós um reino, sacerdotes para seu Deus e Pai” Evangelho: Jo 18,33-37: “Tu o dizes: eu sou rei”
Proclamação do Santo Evangelho segundo São João (Jo 18,33-37) Naquele tempo, Pilatos chamou Jesus e perguntou-lhe: “Tu és o rei dos judeus?” Jesus respondeu: “Estás dizendo isto por ti mesmo ou outros te disseram isto de mim?” Pilatos falou: “Por acaso sou judeu? O teu povo e os sumos sacerdotes te entregaram a mim. Que fizeste?” Jesus respondeu: “O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu reino não é daqui”. Pilatos disse a Jesus: “Então tu és rei?” Jesus respondeu: “Tu o dizes: eu sou rei. Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz”. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor! 2.- Referências para refletir: Este é o último domingo do Ciclo Litúrgico “B”, e como todos os anos (acontece o mesmo ao finalizar o ciclo “A” e o ciclo “C”), elevamos o olhar para mais alto, para festejar Jesus Cristo, Rei do Universo. O Evangelho desta semana nos mostra a dignidade, a coragem, a integridade e a altivez de Nosso Senhor, no momento paradoxal em que por fim se reconhece Sua condição de Rei, o instante prévio à sua “coroação terrena”... Com efeito, minutos mais tarde, os vis soldados romanos caçoarão dEle vestindo-o com uma capa comum de cor púrpura e enterrando em sua cabeça uma rústica coroa feita com espinhos depois de tê-lo açoitado até o cansaço... E esta é somente uma parte do alto preço que Jesus mesmo quis pagar por seus pecados e pelos meus, sofrendo os ultrajes e a ridicularização que fazia dEle um punhado de rudes e ignorantes soldados que o esbofeteavam, cuspiam, arrancavam a barba e quem sabe que mais abusos e atrocidades... Mas Seu Reino não era deste mundo, e segundo o relato de João, o Senhor repete, embora de diferentes maneiras, três vezes, segundo vemos nesta breve passagem evangélica: 1º) “O meu reino não é deste mundo.” Com isto, já disse tudo: a origem, a procedência, o princípio a partir do qual Jesus é Rei, não tem raízes neste mundo, mas vem do Alto; é um desígnio sobrehumano, e portanto, pouco ou nada cabia a Pilatos ou a Herodes ficar averiguando. 2º) “Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que eu não fosse entregue aos judeus.” Não somente seu reino não procede da terra, como além disso se diferencia claramente dos reinos terrenos, e muito em particular no que se refere à “administração do poder” ou ao uso da força... Como sabemos pelo Evangelho, quando Pedro procurou evitar que Jesus fosse aprisionado, no Horto das Oliveiras, Ele mesmo lhe ordenou embainhar sua espada, e consertou o dano físico que Pedro havia infringido a um dos soldados. (cf. Mt 26,51-52; Mc 14, 47-48 e Jo 18,10-11). De fato, quando Tiago e João lhe pediram para se sentar ao seu lado na Glória de seu Reino, Jesus aproveitou para dar uma lição a todos eles, dizendo-lhes: “Sabeis que os que são considerados chefes das nações dominam sobre elas e os seus intendentes exercem poder sobre elas. Entre vós, porém, não será assim: todo o que quiser tornar-se grande entre vós, seja o vosso servo; e todo o que entre vós quiser ser o primeiro, seja escravo de todos. Porque o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em redenção por muitos.” (cf. Mc 10,35-45) Também em outra ocasião Jesus havia antecipado aos seus discípulos que era Ele quem entregava sua vida, que ninguém lha tirava (Jo 10,15-18), justamente quando lhes instruía sobre como era (e devia ser) o “Bom Pastor”. A imagem do pastor esteve historicamente relacionada com a realeza e a função de governo na antiguidade, e muito especialmente entre o povo judeu. 3º) “O meu reino não é daqui.” Finalmente, Jesus diz a Pilatos que Ele não reina “aqui”, que este mundo físico, material e materialista, não é o âmbito dentro do qual Ele governa e rege, ao menos por enquanto; e talvez um dos maiores erros nos quais incorreram os pastores da Idade Média, foi o de querer “impor” Seu Reino, a história assim o demonstra... O Reino de Jesus Cristo, além do Trono Glorioso que ocupa desde sempre, à Direita do Pai, está em cada um dos corações que acolhe seus ensinamentos e se ampara em Seu Misericordioso Coração. É ali que deve “vir a nós o Vosso Reino”, para dali reger nossa vida íntima, particular e pública, e através de nós, reinar no âmbito de cada uma de nossas relações interpessoais e comunitárias: na família, no trabalho, estudo, nas paróquias, nos apostolados, etc. Talvez algo desconcertado com suas respostas (e também com a serenidade e a hombridade com a qual Jesus se apresentava diante dele), Pilatos lhe perguntou: “Então tu és rei?” A resposta de Jesus é inequívoca, e referenda tudo o que nos ensinou através dos três anos de sua “vida pública”: “Tu o dizes: eu sou rei. Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz.” Quando os que queremos estar “do lado da verdade” escutarmos somente Sua Voz, e não as vozes da carne, do inimigo das almas ou do mundo (vozes de soberba, de poder, de fama, de prazer, de comodidade, de autojustificação, de vanglória, de autocompaixão, de ira, de avareza, de orgulho, etc) então verdadeiramente virá a nós o Seu Reino, e Ele será reconhecido por todos como Rei do Universo. Na semana que vem começa o Advento, um tempo forte de conversão (de oração, jejum e obras de misericórdia), em preparação para receber o Rei dos Reis que deseja renascer em nossos corações neste Natal. Coloquemos todo nosso esforço para que, em nossas famílias e comunidades, o Senhor seja recebido como merece. Fortaleçamos nosso espírito, por meio da oração e da penitência, pedindo à Santíssima Virgem Maria que nos ajude a esperar Jesus como Ela fez: com pureza, humildade e amor. 3.- Perguntas para orientar a reflexão: (Ler pausadamente cada item e fazer um instante de silêncio após cada questão, para permitir a reflexão dos irmãos)
a) Deus Pai “entregou seu Filho” para nos redimir: Estou disposto a “entregar” minha própria vida por amor, como fez Jesus, para ajudar outros a se salvar? b) Quantas vezes terei “entregue” Jesus por meus pecados, como Judas, ou como esses judeus que o “entregaram” aos romanos, ou Pilatos que “entregou” Jesus à multidão desenfreada para que seja crucificado? c) Por três vezes Jesus repete que seu reino “não é deste mundo”. Que tipo de reino estou esperando ou preparando? Com a mão no coração: minhas aspirações, meus desejos, os objetivos que me dão impulso a cada dia, são os deste mundo, ou são celestiais? 4.- Comentários dos irmãos: Após um momento de silêncio concede-se a palavra aos participantes da Casinha de Oração para que expressem suas opiniões, reflexões e comentários, buscando a participação de todos. 5.- Concordâncias do Evangelho com o Catecismo da Igreja Católica Cânones: 763, 865, 2820, 2859, 2816  763 Cabe ao Filho realizar, na plenitude dos tempos, o plano de salvação de seu Pai. Este é o motivo de sua “missão”. “O Senhor Jesus iniciou sua Igreja pregando a Boa Nova, isto é, o advento do Reino de Deus prometido nas Escrituras havia séculos.” Para cumprir a vontade do Pai, Cristo inaugurou o Reino dos Céus na terra. A Igreja “é o Reino de Cristo já misteriosamente presente.
865 A Igreja é una, santa, católica e apostólica em sua identidade profunda e última, porque é nela que já existe e será consumado no fim dos tempos “o Reino dos céus”, “o Reino de Deus”, que veio na Pessoa de Cristo e cresce misteriosamente no coração dos que lhe são incorporados, até sua plena manifestação escatológica. Então todos os homens remidos por ele, tornados nele “santos e imaculados na presença de Deus no Amor”, serão reunidos como o único Povo de Deus, “a Esposa do Cordeiro”, “a Cidade Santa descida do Céu, de junto de Deus, com a Glória de Deus nela”, e “a muralha da cidade tem doze alicerces, sobre os quais estão os nomes dos doze Apóstolos do Cordeiro” (Ap 21,14). 2820 Num trabalho de discernimento segundo o Espírito, devem os cristãos distinguir entre o crescimento do Reino de Deus e o progresso da cultura e da sociedade em que estão empenhados. Esta distinção não é separação. A vocação do homem para a vida eterna não suprime, antes reforça seu dever de acionar as energias e os meios recebidos do Criador para servir neste mundo à justiça e à paz. 2859 Com o segundo pedido, a Igreja tem em vista principalmente a volta de Cristo e a vinda final do Reino de Deus, rezando também pelo crescimento do Reino de Deus no “hoje” de nossas vidas. 2816 No Novo Testamento o mesmo termo “Basiléia” pode ser traduzido por realeza (nome abstrato), reino (nome concreto) ou reinado (nome de ação). O Reino de Deus existe antes de nós. Aproximou-se no Verbo encarnado, é anunciado ao longo de todo o Evangelho, veio na morte e na Ressurreição de Cristo. O Reino de Deus vem desde a santa Ceia e na Eucaristia: ele está no meio de nós. O Reino virá na glória quando Cristo o restituir a seu Pai: O Reino de Deus pode até significar o Cristo em pessoa, a quem invocamos com nossas súplicas todos os dias e cuja vinda queremos apressar por nossa espera. Assim como Ele é nossa Ressurreição, pois nele nós ressuscitamos, assim também pode ser o Reino de Deus, pois nele nós reinaremos (São Cipriano, Dom. orat. 13).
6.- Refletindo com a Grande Cruzada CA 162 Estendei vossas mãos para receber-Me, emprestai-Me vossos corações para descansar, Eu vos suplico, filhos Meus. Olhai-Me como estou: sozinho, abatido, cansado, com fome e sede de amor de vossas almas. Regressai logo, Meu pequeno povo, que vosso Rei necessita de vós, vossos irmãos estão em grande perigo. Satanás tem enviado um exército de feras enfurecidas. Se pudésseis ver quantas almas tem destroçado com suas artimanhas! Estenderam seus tentáculos por todos os cantos da Terra; converteram-se em todo tipo de ídolos, confundindo Meus filhos amados. Ajudai-Me, filhos, sede um pequeno exército que guie vossos irmãos que estão cegos pelo poder, pelo dinheiro, orgulho, soberba, tudo o que dá em abundância o maligno inimigo das almas. 7.- Comentários finais: Concede-se novamente a palavra para fazer breve referência aos textos lidos (do Catecismo ou das mensagens) ou a qualquer outro assunto de interesse para a Casinha, o Apostolado, ou para a Igreja em geral. 8.- Virtude do mês: Durante este mês, praticaremos a virtude da Humildade (Catecismo da Igreja Católica: 2546, 2613, 2559, 2540, 1450) Esta semana veremos o cânon 2540, que diz textualmente o seguinte: 2540 A inveja representa uma das formas de tristeza e, portanto, uma recusa da caridade; o batizado lutará contra ela mediante a benevolência. A inveja provém muitas vezes do orgulho o batizado se exercitará no caminho da humildade: Quereríeis ver Deus glorificado por vós? Pois bem, alegrai-vos com os progressos de vosso irmão e imediatamente Deus será glorificado por vós. Deus será louvado dirão, porque seu servo soube vencer a inveja, colocando alegria nos méritos dos outros (São João Crisóstomo, hom. in Rom. 7, 5: PG 60, 448).
E a Grande Cruzada nos diz a respeito: CA 127 Renunciai à maldade, à soberba e ao orgulho destruidor; aceitai as virtudes que vos dou: a humildade, a paciência, a fé, a esperança, a caridade pelo corpo e pela alma. A virtude de amar o Amor dos Amores. Não importa que não Me sintais ainda de maneira mais sensível perto de vós […] Sede tolerantes com os vossos irmãos mesmo quando eles se afastam; não foi a todos que Eu dei dez talentos… O sol não deixa de brilhar durante o eclipse, são os corpos celestes que se interpõem e ofuscam a vossa visão. São as nebulosidades da fé! 9.- Propósitos semanais: Com o Evangelho: Reunirei toda minha família, e juntos discerniremos como se manifesta em nossa vida familiar o Reino de Jesus Cristo, e como podemos melhorar todos juntos os aspectos que não o permitem. Com a virtude do mês: Para exercitar a benevolência, farei com que esta semana, alguma conquista ou êxito que eu possa alcançar, seja creditado a outra pessoa… talvez a aquela que me cai especialmente mal. Apostolado da Nova Evangelização 2009 |