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Apostolado da Nova Evangelização no Brasil

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XXIV Domingo do Tempo Comum PDF Imprimir E-mail
Por ANE Internacional   
13 de setembro de 2009

Semana de 13 a 19 de setembro de 2009
“Deus não poupou seu próprio Filho, mas entregou-o por nós”

1.- A Palavra de Deus:
1ª Leitura: Is 50,5-9a: “Ofereci as costas para me baterem”
Salmo: 114,1-2.3-4.5-6.8-9: “Andarei na presença de Deus, junto a ele, na terra dos vivos”
2ª Leitura: Tg 2,14-18: “A fé, se não se traduz em obras, por si só está morta”
Evangelho: Mc 8,27-35: “Tu és o Messias...” “O Filho do Homem devia sofrer muito”

Proclamação do Santo Evangelho segundo São Marcos (Mc 8,27-35)
Naquele tempo, Jesus partiu com seus discípulos para os povoados de Cesareia de Filipe. No caminho per-guntou aos discípulos: “Quem dizem os homens que eu sou?”
Eles responderam: “Alguns dizem que tu és João Batista; outros que és Elias; outros, ainda, que és um dos profetas”. Então ele perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Pedro respondeu: “Tu és o Messias”.
Jesus proibiu-lhes severamente de falar a alguém a respeito. Em seguida, começou a ensiná-los, dizendo que o Filho do Homem devia sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e doutores da Lei; devia ser morto, e ressuscitar depois de três dias.
Ele dizia isso abertamente. Então Pedro tomou Jesus à parte e começou a repreendê-lo. Jesus voltou-se, olhou para os discípulos e repreendeu a Pedro, dizendo: “Vai para longe de mim, Satanás! Tu não pensas como Deus, e sim como os homens”.
Então chamou a multidão com seus discípulos e disse: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. Pois, quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho, vai salvá-la”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor!
 

2.- Referências para refletir:

O fragmento do Evangelho de Marcos, que lemos hoje, apresenta-nos um dos momentos talvez mais importantes na vida da comunidade constituída por Jesus e seus discípulos.

Há pouco haviam passado pela crise do abandono dos que não chegaram a compreender o discurso do Pão da Vida, pois não entendiam aquilo de se ter que “comer a carne e beber o sangue de Cristo” para salvar-se. Muitos deles tinham ido embora escandalizados, e talvez não poucos andariam por ali desprestigiando toda a comunidade (como com frequência acontece com os que vão embora).

Hoje vemos o grupo a caminho, de Betsaida a Cesareia de Filipe, e é o momento em que Jesus decide apresentar aos seus discípulos a verdadeira natureza de sua missão, absolutamente oposta à imagem de um Messias humano, beligerante e antirromano que quase todos tinham em mente. Anuncia-lhes então, pela primeira vez, sua Paixão, e lhes diz que segui-lo significa “negar a si mesmo e tomar a cruz”. 

Esta breve passagem nos apresenta três momentos bem marcados:

1º) Jesus pergunta aos seus discípulos que ideia fazem dEle.
2º) Anuncia-lhes a verdade sobre sua Missão, e Pedro procura desanimá-lo.
3º) Diz a todos que a Salvação vem por meio da renúncia a si mesmo e do sacrifício. 

Vamos por partes:

1º) A primeira pergunta de Jesus parece supérflua, quase sem importância, mas Ele se serve dela como uma introdução no tema: “Quem dizem os homens que eu sou?” Em nossos dias, poderíamos lhe dar uma resposta parecida com a que deram seus discípulos de então: “Uns dizem que foi um grande filósofo, outros opinam que eras um bom mestre, um ‘iniciado’... Uns afirmam que eras um profeta, outros que foste o primeiro líder comunista, e finalmente há os que pensam que eras um líder religioso que perdeu o juízo quando começou a se achar e dizer que era Deus...”

As respostas ouvidas não significaram nada para Jesus, em primeiro lugar porque eram bastante óbvias, e em segundo lugar porque, como sugeríamos, era a outra pergunta que lhe interessava. Foi uma interpela-ção direta, uma “emboscada” que os deixava sem escapatória. Há poucos dias Ele lhes havia perguntado: “E vós, também quereis deixar-me?” Agora lhes diz: “E vós, quem dizeis que eu sou?”

Esta única pergunta, aplicada à vida de cada um de nós, é, em si mesma, a grande questão. É aquela  que exige uma resposta não apenas dos lábios, mas do coração, do testemunho, do agir, do ser de cada dia, em todos os âmbitos de nossa vida, quando nos vêem e quando não nos vêem. É uma pergunta que nos urge a mostrar as razões de nossa fé e a viver profundamente nossa identidade cristã. Quem eu digo que é Jesus Cristo? Digo-o com todos os meus atos? Com todos os meus pensamentos, com todos os meus sentimentos...?

A resposta do impetuoso Pedro não se fez esperar: “Tu és o Messias”, disse-lhe, mas Jesus lhes proíbe falar disso. Por enquanto Ele queria revelar somente a eles a verdadeira face da missão que o trouxe à terra. Deviam digerir primeiro o que se tratava, antes de andar dizendo por todo lado que Jesus era o Cristo. 

2º) Depois lhes falou do sofrimento, da humilhação, da dor e da espantosa morte que o esperavam, e de como ao terceiro dia ressuscitaria dentre os mortos.

Em poucas palavras, revelou diante dos apóstolos o verdadeiro Messias, que havia sido profetizado nas Escrituras mas que ainda permanecia velado, estava bem longe da imagem que muitos tinham dele.

Poderíamos dizer que Jesus estava pintando para eles sua realidade como faz hoje conosco, em cada Missa, por meio do Evangelho.

Mas também, assim como hoje, Ele esperava que suas palavras se transformassem (no trajeto entre os ouvidos e o coração) em palavras de Espírito, de Amor, de Vida, de Mudança, de Esperança...

Sua mensagem estava chegando à alma dos apóstolos? Aparentemente, não. De fato, Pedro nos mostra com bastante crueza o que talvez a maioria deles pensava, e também o que costumamos pensar ainda hoje, porque o coração humano é sempre o mesmo.

Como líder do grupo, o pobre Pedro sentiu que era sua obrigação advertir o Mestre que estava se equivocando, que estava indo por outro caminho, que isso não podia acontecer com Ele, porque então todo esta-ria em perigo: se acontecesse tudo aquilo com Jesus, o que poderiam esperar para eles? Onde ficava o poder de Deus, amplamente demonstrado através de tantos milagres? Como Jesus era capaz de lhes dizer que morreria em uma cruz, a morte mais infame? Que sentido teriam os três anos de missão, se todos iriam ao matadouro?

Então Pedro, em seu próprio nome e em nome de todos os discípulos, “repreendeu Jesus”, porque o Mestre estava lhes mostrando um caminho muito distante daquele que esperavam. Isto também pode acon-tecer conosco, especialmente com os que temos alguma posição de responsabilidade dentro de nossas co-munidades.
Nossos planos podem estar mais ou menos tingidos por nossa personalidade, nossa lógica, nossos es-tudos ou nossa experiência, mas a missão de Cristo para nossa comunidade pode ser outra, e então alguns, muito violentos, muito vaidosos (embora talvez também com muito boa fé) se põe a recriminar Jesus:  “Isto não pode acontecer com tua obra!” – dizem para Ele. “Não é possível que nos peças para fazer isto, que está contra nossos planos, tão bem pensados e já aprovados faz tempo...” E há muitas outras formas de recriminação, com as quais pretendemos torcer a vontade divina, pensando que nossa visão é a mais certa.

Mas a resposta do Senhor a Pedro foi completamente contundente. Na tradução da Bíblia Latino-americana, Jesús diz a Pedro: “Para trás de mim, Satanás! Teus sentimentos não são os de Deus, mas dos homens.”

A versão mais antiga do Evangelho, escrita em grego, utiliza a palavra “upísumo”; o idioma grego tem a vantagem de ser muito rico em suas expressões, pelo que “upísumo” quer dizer algo como: “fique atrás”, “fique no final da fila”, ou “não te adiantes”.

Então, podemos muito bem dizer que o que Jesus disse a Pedro, foi mais ou menos o seguinte: “Não te antecipes a mim, irmão, será como eu digo, e não como tu crês ou queres, porque estás pensando com a lógica dos homens, e não chegas a entender os planos de Deus.”

Esta resposta deve nos levar à meditação, não só para examinar como temos agido ultimamente ou como estamos agindo agora, mas também para podermos vislumbrar, sempre, o perigo que supõe o tratar de antepor nossa vontade, nossos desejos, aos desejos de Deus; pois quando fazemos assim, embora sem querer, estamos agindo por conta do inimigo das almas.

Daí nasce a convicção de que a primeira obrigação que se adquire, ao aceitar qualquer cargo de responsabilidade dentro de uma comunidade católica (qualquer que seja ela), deve ser o buscar, com todas as nossas forças, viver revestidos de graça e de humildade, que somente se adquire na oração e na contemplação de Cristo crucificado, que em meio a tanto dor nos mostra nossa pequenez e nosso nada.

Com efeito: somente na contemplação da realidade de nosso pecado, e da necessidade que temos de ser salvos por Cristo, poderemos tomar as decisões adequadas, já que sem Ele sempre estaremos submergidos em nossa humanidade egocêntrica e egoísta, que nos impedirá de encontrar os caminhos que nos levem ao bem comum.

O principal laço de união em uma comunidade eclesial é a humildade de nos sabermos e reconhecermos necessitados (todos por igual), da presença de Cristo como Salvador e Redentor, e da assistência do Espírito Santo, como luz, guia, sustentáculo e fortaleza. Os Sacramentos constituem a matéria da qual está entretecido esse laço.

Somente assim “perderemos” e sacrificaremos nossa vida por Cristo, como nos pede no Evangelho que repassamos hoje. Somente assim poderemos estar certos de que Ele vai adiante e nós atrás, embora para isso tenhamos que subir junto como Ele ao Calvário e ali depositar, aos pés de sua Cruz Redentora, nosso orgulho e nossa autosuficiência.

3º) Deste modo, finalmente, chegamos ao último assunto que Jesus quer nos recordar hoje: que aqueles que desejar segui-lo deve primeiro negar-se a si mesmo, e depois tomar sua cruz para seguir atrás dEle...

Já dissemos em outras oportunidades, mas parece que é muito necessário repetirmos: a condição primeira é “negar-se a si mesmos”, e não ficar buscando cruzes para nós, das quais estaremos nos queixando... 

Devemos renunciar aos nossos próprios desejos: não procurar fazer o que queremos e como queremos, mas estar atentos ao querer de Deus; e se isto é assim para nossa vida em geral, quanto mais será no que se refere a nosso trabalho apostólico... Na verdade temos muito que aprender, todos, da passagem evangélica que o Senhor nos convida a meditar hoje! Que tiremos dela o devido proveito...

 

3.- Perguntas para orientar a reflexão: (Ler pausadamente cada item e fazer um instante de silêncio após cada questão, para permitir a reflexão dos irmãos)

a) Se reconheço Jesus como meu Salvador, por que às vezes me custa tanto buscá-lo, segui-lo ou cumprir em mim Sua Palavra? Procuro indagar sempre e de verdade o que Deus quer que eu faça, ou vou diante dEle já com respostas pré-concebidas, com decisões quase-tomadas? E a primeira coisa: Recorro a Ele para tomar decisões?
b) Com relação ao sofrimento e à dor, meu pensamento é como o de Jesus (salvífico), ou se parece mais com o pensamento dos homens (que é egoísta)?
c) Estou disposto a tomar minha cruz (do tamanho que seja) para seguir a Jesus para o Calvário? E estou disposto a renunciar primeiro a mim mesmo? Com que frequência faço isso?
d) Costumo medir o impacto e alcance de minhas decisões nos sentimentos dos outros? Já notei que somente renunciando a mim, aos meus desejos ou caprichos, posso viver em verdadeira Paz?

 

4.- Comentários dos irmãos:
Após um momento de silêncio concede-se a palavra aos participantes da Casinha de Oração para que expressem suas opiniões, reflexões e comentários, buscando a participação de todos.

 

5.- Concordâncias do Evangelho com o Catecismo da Igreja Católica

Cânones: 557, 572, 2572

557 “Ora, quando se completaram os dias de sua elevação, Jesus tomou resolutamente o caminho de Jerusalém” (Lc 9, 51). Com esta decisão, indicava que subia a Jerusalém pronto para morrer. Por três vezes tinha anunciado sua Paixão e sua Ressurreição. Ao dirigir-se para Jerusalém, disse: “Não convém que um profeta pereça fora de Jerusalém” (Lc 13,33).

572 A Igreja permanece fiel à “interpretação de todas as Escrituras” dada por Jesus mesmo antes e também depois de sua Páscoa. “Não era preciso que Cristo sofresse tudo isso e entrasse em sua glória?” (Lc 24,26). Os sofrimentos de Jesus tomaram sua forma histórica concreta pelo fato de ele ter sido “rejeitado pelos anciãos, pelos chefes dos sacerdotes e pelos escribas” (Mc 8,31), que o “entregarão aos gentios para ser escarnecido, açoitado e crucificado” (Mt 20,19).

2572 Como última purificação de sua fé, requer-se do “depositário das promessas” (Hb 11,17) que sacrifique o filho que Deus lhe dera. Sua fé não esmorece: “E Deus que proverá o cordeiro para o holocausto” (Gn 22,8), “pois Deus, pensava ele, é capaz também de ressuscitar os mortos” (Hb 11,19). Dessa forma, o pai dos que crêem se configurou ao Pai que não há de poupar seu próprio Filho, mas o entregará por todos nós. A oração restaura o homem à semelhança de Deus e o faz participar do poder do amor de Deus que salva a multidão. (df. Rm 4,16-21).

 

6.- Refletindo com a Grande Cruzada

CM 140  Em verdade vos digo que todo mártir foi antes presa de angústias internas, foi dor, queixa e angús-tia. Todo Santo levou sua cruz com amor, com valentia. Nenhum se esquivou de sua cruz, assim como Eu não Me esquivei dela, podendo ter acabado naquele momento com a maldade do inimigo das almas.
Se Eu tomei Minha Cruz com alegria para comprazer Meu Pai, por que o homem quer ser mais que seu Mestre? Não foi dada nenhuma potestade ao ser humano para querer passar por sobre Quem o conduz... Eu disse: quem quiser ser Meu discípulo tome sua cruz de cada dia e siga-me.
Oh, filhos! Nenhuma cruz que seja levada com amor merecerá desprezo, nenhuma ficará sem recompensa, pois ao imitar vosso Senhor, vós vos identificais com o Deus-Homem.

 

7.- Comentários finais:
Concede-se novamente a palavra para fazer breve referência aos textos lidos (do Catecismo ou das mensagens) ou a qualquer outro assunto de interesse para a Casinha, o Apostolado, ou para a Igreja em geral.

 

8.- Virtude do mês:
Durante este mês, praticaremos a virtude da Esperança (Catecismo da Igreja Católica: 1817-1818-1820-1826-2090-2091)

Esta semana veremos o cânon 1818, que diz textualmente o seguinte:

1818 A virtude da esperança responde à aspiração de felicidade colocada por Deus no coração de todo homem; assume as esperanças que inspiram as atividades dos homens; purifica-as, para ordená-las ao Reino dos Céus; protege contra o desânimo; dá alento em todo esmorecimento; dilata o coração na expectativa da bem-aventurança eterna. O impulso da esperança preserva do egoísmo e conduz à felicidade da caridade.

E a Grande Cruzada nos diz a respeito:

CA 113 Então, deixa-te guiar verdadeiramente, não em palavras, mas por fatos concretos; não com a ajuda de impressões sentimentais, mas da que é feita de fé viva, esperança sentida e caridade santa. Do contrário, como podes dizer que Me reconheces como teu superior, reformador e, sobretudo, como teu verdadeiro amor? Por isso, é necessário crer, esperar e amar, de maneira substancial.

 

9.- Propósitos semanais:

Com o Evangelho:
Minha cruz é composta por todos os meus sofrimentos e pela luta tenaz contra todas as tentações que se me apresentam. Suportarei e oferecerei os primeiros a Deus com todo meu amor, e para unir-me a Ele na salvação das almas, começando pela mnha própria; e implorarei a misericórdia de Deus para que me fortaleça e não me deixe cair nas armadilhas do inimigo.  

Com a virtude do mês:
Repetirei com frequência a seguinte jaculatória: “Senhor, sem Ti não existo, sem Ti não vivo, tudo espero de Ti, que me amas tanto…”.

  
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