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Semana de 10 a 16 de maio de 2009 “Viver unidos a Cristo é estarmos convocados a dar frutos de vida eterna” 1.- A Palavra de Deus: 1ª Leitura: At 9,26-31: “Contou-lhes como Saulo tinha visto o Senhor no caminho” Salmo: 21: “Senhor, sois meu louvor em meio à grande assembléia!” 2ª Leitura: 1Jo 3,18-24: “Este é o seu mandamento: que creiamos e nos amemos uns aos outros” Evangelho: Jo 15,1-8: “Aquele que permanece em mim, e eu nele, esse produz muito fruto”
Proclamação do Santo Evangelho segundo São João (Jo 15,1-8) Naquele tempo, Jesus disse a seus discípulos: “Eu sou a videira verdadeira e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que em mim não dá fruto ele o corta; e todo ramo que dá fruto, ele o limpa, para que dê mais frutos ainda. Vós já estais limpos por causa da palavra que eu vos falei. Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós não podereis dar fruto, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que permanece em mim, e eu nele, esse produz muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Quem não permanecer em mim, será lançado fora como um ramo e secará. Tais ramos são recolhidos, lançados no fogo e queimados. Se permanecerdes em mim e minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes e vos será dado. Nisto meu Pai é glorificado: que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor! 2.- Referências para a melhor compreensão do Evangelho: A passagem do Evangelho que lemos hoje, transcorre durante a Última Ceia. Jesus está se despedindo de seus discípulos, está lhes dando os últimos conselhos e explicações, e várias vezes lhes repete que logo viria o Espírito Santo, enviado pelo Pai, para lhes recordar tudo o que Ele lhes havia ensinado. Nesse contexto, Ele lhes faz esta belíssima comparação, cheia de riqueza e de um profundo sentido: “Eu sou a videira verdadeira e meu Pai é o agricultor”, disse-lhes, e quando O ouvimos agora, imediatamente imaginamos o tronco principal da planta, aquele do qual saem todos os ramos... Jesus é o tronco de toda a criação, o “Logos”, a Palavra Encarnada pela qual tudo foi criado. Santo Agostinho nos ilustra sobre esta comparação entre Deus Pai como o agricultor e Jesus como a videira verdadeira, com as seguintes palavras: “Isto o disse (o Senhor) porque é a cabeça da Igreja, e nós seus membros, (Ele é) o mediador entre Deus e os homens, aquele que é homem, Cristo Jesus. Na verdade são de uma mesma natureza a videira e os sarmentos. Mas quando acrescenta a palavra ‘verdadeira’ não prescinde (acaso) daquela videira da qual tomou a comparação? (...) dizendo “Eu sou a videira verdadeira”, Ele se distingue daquela outra, da qual disse Jeremias: “Como te transformaste em sarmentos bastardos de uma videira estranha?” (Jer 2,21) porque, como seria verdadeira videira aquela que se esperava que produzisse uvas e produziu espinhos?” (Tratado sobre João, 80).
Esta meditação de Santo Agostinho, relacionando as palavras de Jesus com as do profeta Jeremias, realmente deve nos dar muito para pensar... Pode-se especular dizendo que, se Jesus utiliza o adjetivo “verdadeira”, certamente é devido a que há “outras” videiras que não o são, que não darão o fruto que deveriam, ou que, como disse o profeta, em vez de produzir uvas produzirão espinhos... Mas também se pode pensar, com um critério talvez um pouco menos suave e mais autocrítico, que na verdade nem todas as vinhas produzem uva boa o tempo todo, ou dito de modo mais direto: que às vezes todos deixamos de produzir uvas para começar a dar espinhos, e é porque não estamos sujeitos à mão do Senhor, ou ao menos não como deveríamos (ou como pensamos estar). Então vêm as fofocas, as intrigas, as susceptibilidades, os rancores, as mentiras, começamos a nos justificar, a julgar os outros... Certamente não será por falta de vocabulário que São João, neste breve texto, repete oito vezes o verbo “permanecer”, que significa manter o estado, perdurar, conservar a situação ou proximidade, em uma palavra: perseverar... Ao nos associarmos à figura dos sarmentos, Jesus nos explica graficamente de que maneira, desse tronco forte e cheio de vida, saem os ramos que se alimentam, sustentam e vivem graças à videira, e que Seu Pai, como amoroso e cuidadoso agricultor, vigia permanentemente para podar, limpar, regar e manter aqueles ramos que dão fruto, eliminando as que somente se alimentam mas sem produzir como devem. Esta figura, que é claríssima para qualquer agricultor, simboliza aqueles ramos que, ao não serem férteis em flores nem em fruto, somente absorvem a seiva do tronco, tirando possibilidades e vida das que se enchem de flores e darão frutos. Dessa maneira, a única coisa que fazem é prejudicar a videira, de tal sorte que o agricultor não terá outro remédio a não ser podar esses ramos, que à primeira vista talvez possam parecer belas e cheias de folhas, mas que na verdade não produzem um benefício real, mas prejudicam. Esta meditação nos traz à mente outra passagem do Evangelho, segundo São Lucas, na qual Jesus nos diz, com toda clareza e contundência: “Quem não está comigo está contra mim, e quem não recolhe comigo, espalha.” (Lc 11,23) Quanto ensinamento podemos extrair desta passagem que lemos hoje, que nos fala da necessidade de podar os sarmentos que não produzem, que por talvez fora pareçam belos e cheios de vida, mas que por dentro nada mais têm do que folhas sem nenhum valor. Quantas almas encontrará esse eterno Agricultor, que caminham pela vida mostrando realidades que apenas parecem bonitas, mas que para o dono da vinha só servem para o fogo da lareira! E quantos ramos inférteis, quantos espinhos teremos que podar, para poder dar os frutos que o Senhor espera de cada um! “O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira”, nos dize Jesus; e é muito im-portante que meditemos também sobre isto, para que não nos enganemos: é muito importante que tenhamos sempre presente que os talentos, as capacidades, as possibilidades e até as oportunidades de fazer o bem, TODO, é o Senhor quem nos dá, e a única coisa que temos que fazer, para produzir os frutos esperados, a única coisa que verdadeiramente cabe a nós, é submetermo-nos à Divina Vontade: fazer o que devemos, não o que queremos. “Aquele que permanece em mim, e eu nele, esse produz muito fruto”, acrescenta o Senhor... Permanecer em Cristo é, então, manter-se na Sua presença, estar unidos e atentos a Ele, como guia, como Norte, como objetivo de vida em geral, mas também como parâmetro em todas e cada uma das pequenas decisões do dia a dia. A única maneira que os seres humanos temos de justificar nossa vida, ou seja, de fazê-la produtiva e valiosa, é mantendo-nos em Cristo, por Cristo e orientados para Cristo. Caso contrário, como Ele mesmo disse: quem não permanece nEle, mais cedo ou mais tarde se seca, “tais ramos são recolhidos, lançados no fogo e queimados”. Mas acontece que às vezes nos enganamos, e pensamos que devemos permanecer em Cristo somente por medo do fogo que queima os sarmentos inúteis, transformando desse modo nossas boas ações em uma espécie de moeda de troca com Deus. Como se Lhe disséssemos: “Compro de Ti minha salvação rezando, assistindo a missa aos domingos, não prejudicando a ninguém”, e nos esquecemos do principal, que não é evitar o fogo, mas continuar recebendo a seiva que nos oferece a videira: a vida eterna, que se nos é oferecida simplesmente porque a videira (Cristo) nos ama. Assim, pois, é tudo apenas uma questão de AMOR, não de comércio nem de negociação, não de “cumprimento” e obrigação. Não esqueçamos que o permanecer em Cristo é o prêmio de tudo, é estarmos unidos ao próprio Deus, o dador de todos os bens, a Quem não é necessário se pedir coisa alguma, porque não nos faz faltar nada. Mas a união com Cristo não se dá individualmente. A Igreja não é uma série de múltiplas individualidades unidas a seu Deus, assim como a videira não é um tronco liso do qual pendem os ramos. A seiva deve percorrer os ramos para chegar ao fruto, do mesmo modo que nossas ações e nossa vida apostólica são orientadas pela hierarquia, guiadas por nossos superiores, e se nutrem na comunidade: “o ramo não pode dar fruto por si mesmo”, nos diz Jesus. O prêmio que Jesus oferece, a quem permanece em comunhão com Ele e com os outros, no último parágrafo desta leitura, é nada menos que a segurança de estar dando maior glória ao Pai, e a certeza de contarmo-nos – desse modo – entre os verdadeiros discípulos. Ante semelhante promessa, devemos pensar que não é bom esperar a chegada do Agricultor para a poda. Cada um de nós conhece seus pontos fracos, suas fraquezas e suas misérias, ou seja, sabemos no segredo de nossa alma, quais as folhas que estão demais em nós, e que nos tiram o sol, impedindo-nos de dar frutos abundantes... Será, pois, sábio e prudente começarmos a fazer, nós mesmos, pequenas podas, limpando-nos de tudo aquilo que nos prejudica, que consome a seiva sem motivo e nos leva à perdição. Com relação à poda do agricultor, Santo Agostinho em seu sermão 59 nos diz: “Prestamos culto a Deus, e Deus no-lo presta a nós. Mas de tal maneira prestamos culto a Deus, que não o fazemos melhor porque lhe prestamos culto pela oração, não com o arado; mas quando Ele nos cultiva nos faz melhores, pois sua cultura consiste em não cessar de extirpar com sua palavra todas as más sementes que se fixam em nossos corações, abri-los com o arado da pregação, plantar as semen-tes dos preceitos e esperar o fruto da piedade.”
A ninguém agrada a idéia de podar-se, porque podar significa cortar, arrancar, despojar-se... Mas é bom pensar que estamos falando de nos tirar o supérfluo, o inútil, o prejudicial... o que talvez nos sirva muito para “subsistir” e “triunfar” no mundo, porque são aquelas “habilidades” ou “recursos” que nos mostram diante dos outros como sarmentos cheios de folhas e de verdor, belos e perfeitos para dar sombra e para agitar-se ao vento, mesmo sabendo que, chegado o momento, não existirão os frutos que o Agricultor espera receber de nós. Mas a oferta é realmente magnífica, e se a olhamos detidamente, nos daremos conta de que bem vale a pena a dor e o incômodo de uma poda, embora nos sacuda as fibras mais íntimas, bem vale a pena cortar aquilo que na verdade é nocivo, pois nos faz perder a fertilidade para o Senhor. Pensemos que, podando agora, depois poderemos nos encher de sua seiva, que é vida eterna. Não esqueçamos que (usando uma linguagem atual), o permanecer em Cristo significa “estar conectados a Ele”, e que não permanecer nEle, é “estar desligados dEle”, como qualquer aparelho eletrônico que, sem a energia que o alimenta, pode ser um enfeite bonito, um símbolo de bem viver, mas sua utilidade sempre será igual a zero... Ao final, só serve para estar ali,enquanto envelhece e chega o momento de ir para o lixo... Da mesma forma, quem vive longe de Deus – quem não permanece unido a Ele, em verdadeira comunhão – não dá frutos de vida eterna, e portanto não será digno da eternidade junto ao Senhor. Oxalá que as palavras de hoje nos façam meditar a sério e o vento não as leve, para que ao final de nossa passagem por este mundo, os frutos de vida eterna logo inclinem a balança a nosso favor.... Que com a bênção do Senhor e nosso sacrifício consciente na poda, assim seja. NOTA: recomendamos meditar com a catequese para crianças desta semana, preparada com amor por nossas irmãzinhas do “Stella Maris”, com base nos ensinamentos de nossa Madre Fundadora. 3.- Perguntas para orientar a reflexão: (Ler pausadamente e fazer um instante de silêncio após cada questão – não depois de cada item, mas depois de cada questão – para permitir a reflexão dos irmãos) a) A Palavra de Deus “nos limpa”, nos fortalece e vivifica. Recorro com frequência à sua leitura? Medito-a em família, em comunidade? b) Estou sempre consciente de que sou um sarmento da Videira Verdadeira, e que o pecado me separa dessa Videira? c) Os frutos que entrego ao Vinhateiro, são uvas doces e cheias de suco, ou pequeninas e amargas? Dou sempre o melhor de mim, em tudo o que faço? d) Levo a sério as advertências de Jesus sobre o futuro que espera a quem não permanece nEle, ou abuso confiando em sua Misericórdia e não me esforço para mudar? Glorifico ao Pai procurando ser sempre um bom discípulo de Cristo? 4.- Comentários dos irmãos: Após um momento de silêncio concede-se a palavra aos participantes da Casinha de Oração para que expressem suas opiniões, reflexões e comentários, buscando a participação de todos. 5.- Concordâncias do Evangelho com o Catecismo da Igreja Católica Cânones: 755, 1988, 736, 2074 755 “A Igreja é a lavoura ou campo de Deus (1 Cor 3,9). Nesse campo cresce a oliveira antiga, cuja raiz santa foram os Patriarcas e em que foi feita e se fará a reconciliação dos judeus e dos gentios. Ela foi plantada pelo celeste Viticultor como vinha eleita. Cristo é a verdadeira Vide, que dá vida e fecundidade aos ramos, que dizer, a nós, que pela Igreja permanecemos nele, sem o qual nada podermos fazer”. (Concílio Vaticano II, Const. dogm. Lumen Gentium, 6: AAS 57 (1965) 8) 1988 Pelo poder do Espírito Santo, participamos da Paixão de Cristo, morrendo para o pecado, e da ressurreição, nascendo para uma vida nova; somos os membros de seu Corpo, que é a Igreja, os sarmentos enxer-tados na Videira, que é Ele mesmo: Pelo Espírito, temos parte com Deus. (...) Pela participação Espírito, nós nos tornamos participantes da natureza divina. (...) Por isso, aqueles em quem o Espírito habita são divinizados. 736 É por este poder do Espírito que os filhos de Deus podem (dar fruto. Aquele que nos enxertou na verda-deira vida nos fará produzir “o fruto do Espírito, que é amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, autodomínio” (Gl 5,22-23). “Se vivemos pelo Espírito”, quanto mais renunciarmos a nós mesmos, tanto mais “pelo Espírito pautemos também a nossa conduta”: Por estarmos em comunhão com Ele, o Espírito Santo torna-nos espirituais, recoloca-nos no Paraíso, reconduz-nos ao Reino dos Céus e à adoção filial, dá-nos a confiança de chamarmos Deus de Pai e de participarmos na graça de Cristo, de sermos chamados filhos da luz e de termos parte na vida eterna. 2074 Jesus diz: “Eu sou a videira, e vós, os ramos. Aquele que permanece em mim e eu nele produz muito fruto, porque, sem mim, nada podeis fazer” (Jo 15,5). O fruto indicado nesta palavra é a santidade de uma vida fecundada pela união a Cristo. Quando cremos em Jesus Cristo, comungamos de seus mistérios e guardamos seus mandamentos, o Salvador mesmo vem amar em nós seu Pai e seus irmãos, nosso Pai e nossos irmãos. Sua pessoa se toma, graças ao Espírito, a regra viva e interior de nosso agir. “Este é o meu mandamento: Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 15,12). 6.- Refletindo com a Grande Cruzada CM 84 Deveríeis refletir muito sobre este ponto, não passar por alto, ou pior, desprezá-lo. Estar Comigo e não dar frutos significa ter dureza de coração. Todos os Meus brotos devem frutificar; isto pelo honra da vinha e complacência do vinhateiro, que é Meu Pai. 7.- Comentários finais: Concede-se novamente a palavra para fazer breve referência aos textos lidos (do Catecismo ou das mensagens) ou a qualquer outro assunto de interesse para a Casinha ou o Apostolado. 8.- Virtude do mês: Durante este mês, praticaremos a virtude da Justiça (Catecismo da Igreja Católica: 376 – 909 – 1807 - 1834) Esta semana veremos o cânon 909, que diz textualmente o seguinte: 909 “Além disso, com forças conjugadas, que os leigos sanem as instituições e condições do mundo, caso estas incitem ao pecado. E isto de tal modo que todas essas coisas se conforme com as normas da justiça e, em vez de a elas se opor, antes favoreçam o exercício das virtudes. Agindo dessa forma impregnarão de valor moral a cultura e as obras humanas.” (LG 36). E a Grande Cruzada nos diz a respeito: CA 15 Se obedecêsseis, sentiríeis sempre paz; não há ilusão nisso, não pode haver, digo-vos, porque fazer a Minha Vontade contrariando a própria é a regra segura para perder os maus hábitos e revestir-vos de eterna beleza, pois essa é a Minha Vontade. Que dizeis, quando fazendo mil considerações, e não uma só, a que Eu quero, perdeis-vos nos labirintos do amor próprio? Ah, quantas vezes discutis seguindo o impulso de velhos hábitos enraizados no amor apaixonado que tendes por vós mesmos! 9.- Propósitos semanais: Com o Evangelho: Durante a Santa Missa oferecerei com amor ao Senhor todos os frutos que posso produzir, e se em consciência vejo que são poucos, que me ajude, e me esforçarei para trabalhar mais para Ele. Com a virtude do mês: Procurarei RETIFICAR (corrigir ou esclarecer) alguma injustiça que tenha cometido, e pedirei ao Espírito Santo que me ajude a mudar aquelas idéias ou costumes que machucam meu coração ou afetam negativamente os outros. Apostolado da Nova Evangelização 2009 |