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Apostolado da Nova Evangelização no Brasil

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VI Domingo de Páscoa PDF Imprimir E-mail
Por ANE Internacional   
17 de maio de 2009

Semana de 17 a 23 de maio de 2009
“Conhecer por Cristo os segredos do Pai, é sinal de sua amizade; que outros conheçam a Cristo por meio da Igreja, é sinal de fidelidade”

1.- A Palavra de Deus:
1ª Leitura: At At 10,25-26.34-35.44-48: “O dom do Espírito Santo foi derramado também sobre os pagãos”
Salmo: 97,1-2-3ab.3cd-4: “O Senhor fez conhecer a salvação e revelou sua justiça às nações”
2ª Leitura: 1 Jo 4,7-10: “Deus é Amor”
Evangelho: Jo 15,9-17: “Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos”

Proclamação do Santo Evangelho segundo São João (Jo 15,9-17)
Naquele tempo, Jesus disse a seus discípulos:
 “Como meu Pai me amou, assim também eu vos amei. Permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu guardei os mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor. Eu vos disse isso, para que minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja plena. Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que vos mando. Já não vos chamo servos, pois o servo não sabe o que faz o seu senhor. Eu vos chamo amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai. Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi e vos designei para irdes e para que produzais fruto e o vosso fruto permaneça. O que então pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo concederá. Isto é o que vos ordeno: amai-vos uns aos outros”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor!
 

2.- Referências para a melhor compreensão do Evangelho:

O Evangelho deste domingo é a continuação direta daquele que lemos na semana passada, e portanto também contém algumas daquelas “últimas recomendações” que o Senhor fez aos seus discípulos.

Mas nesta breve leitura, teologicamente muito substanciosa, Jesus não somente recomenda algo a seus “amigos”, como hoje nos chama, como ainda nos revela Quem é Deus, qual é a “Natureza” do Senhor, e nos explica quem somos nós, e qual é a relação que devemos ter com Ele e com nossos semelhantes.

Desde essa perspectiva, poderíamos dizer que o Evangelho deste domingo é praticamente uma síntese de todo o Evangelho, pois sabemos que Jesus (que é o Evangelho em pessoa), veio mundo para nos revelar quem e como é Deus, e como devemos viver para agradar a Ele…

Esse é, pois, em breve resumo, o conteúdo do Evangelho deste domingo.

Duas semanas atrás, Jesus nos havia dito “Eu sou o Bom Pastor”, apresentando a Si mesmo como o Guia, aquele que cuida, aquele de quem todos dependemos, e além disso nos disse até onde está disposto a chegar por cada um de nós: “dou minha vida por minhas ovelhas”.

No domingo anterior (isto é, na semana passada) Ele nos dizia: “Eu sou a videira verdadeira; se não permaneceis em Mim, não podeis dar fruto”.

Com essa figura, mostrava-nos a dependência total que temos dEle: um sarmento que não permanece ligado ao tronco, do qual emerge, indefectivelmente morre. Nascemos dEle, vivemos dEle, e aquilo que pudermos produzir neste mundo, realmente o transcendente, deve-se à seiva que dEle vem, e que nos dá tudo de que necessitamos para viver, pensar e agir...

Hoje o Senhor nos diz: “Já não vos chamo servos (...) Eu vos chamo amigos”, e com essa simples sentença, com essa frase nos revela o quão intimamente nos ama.

Amigo é aquele que tem toda nossa confiança. É a quem conhecemos profundamente, que sempre estará ao nosso lado, ajudando-nos, acompanhando-nos, protegendo-nos se necessário. É essa pessoa que deseja todo o bem possível para nós porque nos ama de verdade, intensamente, e a quem amamos da mesma forma… Hoje Jesus no-lo explica de modo maravilhoso dizendo: “Como o Pai me amou, assim também eu vos amei”... Esta única frase nos convida a uma profunda meditação...

Quanto e como pode Deus Pai chegar a amar Deus Filho, que esse amor se manifesta como Deus Espírito Santo, nada menos que a “Terceira Pessoa” da Santíssima Trindade...?

Hoje Jesus me diz que imenso, enorme, total e infinito é o amor que Ele sente por mim…!

Ele nos diz: “Como o Pai me amou, assim também eu vos amei”, e completa essa sentença falando-nos novamente de “permanecer” Lembramos que o mesmo nos havia dito na semana passada...? Era preciso permanecermos “unidos a Ele”, certo?

Pois agora nos formula um pedido que bem poderia ser interpretado como uma súplica, fruto desse amor infinito que Ele tem por nós. Ele nos diz: “Permanecei no meu amor”... Não é o mesmo que pediria um verdadeiro e talvez ingênuo enamorado à sua amada? “Permanece em meu amor, eu te suplico... Não me deixes nunca. Nunca deixemos de nos amar...”

Sim. Jesus nos pede que permaneçamos em Seu Amor porque Ele nos ama, mas não como geralmente amamos nós, homens e mulheres, com um amor possessivo (que em maior ou menor grau busca sua própria satisfação), mas com um amor de entrega, de oblação, de sacrifício, que só pensa no bem do ser amado, e não lhe importa o custo, seja mesmo a própria vida...

Ele sabe que somos nós que precisamos permanecer nEle, em Seu Amor, e nos pede que nos mantenhamos unidos a Ele não porque Ele precise de nós, mas porque sabe que nós precisamos dEle, sabe que sem Ele nada faremos, não daremos fruto, secaremos, não seremos capazes de nada...

Pensando na simplicidade com a qual Jesus nos entrega o mais incrível dos dons, percebemos que tipo de alegria é a que Ele sabe que nos agrada, e assim o esclarece: “Eu vos disse isso, para que minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja plena”. Alegria Plena! Podemos imaginar isso? Na verdade, tudo é muito claro, é claríssimo: por acaso poderia nos faltar algo, depois de sabermos o quanto Deus nos ama…?

Mas lamentavelmente não pensamos nisso com frequência, pois se o fizéssemos seria suficiente para poder suportar qualquer contradição com alegria absoluta, para resistir qualquer tentação e para superar toda provação, para sermos felizes de verdade, embora tivéssemos um sem-número de problemas.

Evidentemente, sentimos que nossa alma exulta de satisfação e alegria ao pensar que, fruto desse amor tão grande, nos é concedida até a filiação divina... Deus nos tornou Seus filhos...!

E junto a essa revelação, surge uma consequência inevitável, porque o amor não pode se acumular indefinidamente, e menos ainda um tal amor divino. Então, surge o mandamento que sintetiza a todos os outros. “O MANDAMENTO” (com maiúsculas): “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”.

É que se trata de uma consequência lógica: nenhum de nós fez absolutamente nada para ser objeto do amor de Deus. Jamais chegaremos a fazer nada que justifique tal predileção.

O amor de Cristo por mim é igual ao que o Pai sente pelo próprio Cristo, e Ele tem a mesma medida de amor por você!, então, se você e eu somos amados na mesma medida, como não nos amarmos também nós?

Estas revelações de Jesus desvendam talvez a parte mais íntima da Santíssima Trindade: a relação de amor entre as três pessoas, a Comunhão entre elas e sua unidade em um só Deus, que é, Ele mesmo, TODO AMOR...

“Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”, Ele nos diz, e isto implica a necessidade irrenunciável de manifestar o mesmo grau de amor e unidade entre os filhos adotivos de um mesmo Pai. Para isso, Jesus nos deixa seu Corpo Místico, a Igreja, como a Comunidade que reúne a todas as comunidades, na qual é nossa obrigação buscar e aperfeiçoar o amor entre nós, procurando que se assemelhe ao Amor e à Unidade, à Comunhão Absoluta que existe entre as Três Pessoas da Santíssima Trindade.

Podemos dizê-lo centenas de vezes, e se converte em uma verdade óbvia, que se repete e repete, que se canta em diversos tons e se acompanha com belíssimas melodias, mas no final das contas não acontece nada, porque vivemos ensimesmados, pensando apenas em nós mesmos, em nossos sentimentos, em nossos propósitos e nossas conveniências, e às vezes até chegamos a justificar nossas posturas dizendo que é isso que Deus quer!

A única coisa que Deus quer de verdade é que nos amemos, que aprendamos a “ser um”, porque no Céu não há lugar para divisões.

Pensemos que o primeiro efeito concreto do pecado é o rompimento da unidade, a divisão, e assim se manifesta desde Adão até nossos dias. Não esqueçamos que, no princípio, Adão disse de Eva: “Esta é osso de meus ossos e carne de minha carne” (Gn 2,23) manifestando assim sua unidade com ela em Deus, mas depois do pecado disse a Deus, acusando-a: “a mulher que me deste me deu o fruto e comi” (Gn 3,12)

Já não era “carne de sua carne”, mas “a mulher que Deus lhe deu” (pouco faltou para que lhe dissesse ‘em má hora’, não é mesmo?)… Assim expressava, de maneira verbal, a separação que viveu interiormente de Deus e de Eva, por causa do pecado.

E assim o pecado continua se manifestando até nossos dias, nos quais o que nos separa, é uma infinidade de diferenças, de gostos e preferências (umas importantes e outras não), mas que nos impedem de viver em paz, vendo e sentindo que somos verdadeiramente irmãos, pois todos viemos de um mesmo Amor.

E dessas - às vezes - pequenas diferenças, surgem logo os desejos ilícitos, os apetites desmedidos, as invejas, as ambições e uma série de males sem conta …

Que difícil se torna para nós, pobres e miseráveis criaturas, percebermos este amor divino que deveria nos unir por nossa filiação do Pai, por nossa condição de irmãos de Cristo e em Cristo! 

Como é difícil acatar o Mandamento do Senhor, deixando de lado a lei da selva (com a qual sempre triunfa o rival mais forte e selvagem, o mais capaz, o mais esperto, o mais sutil, o mais ladino, o mais hábil, o que busca vantagens…); como é difícil olharmos uns aos outros com os olhos da alma (porque todos somos espírito que habita um corpo), e não com os olhos do corpo, que nos ressaltam as diferenças de sexo, de cor, de raça, de aparência, de interesses e tudo o mais...

Mas Jesus não costuma se dar por vencido, e para vencer esta batalha, não espera encontrar voluntários. Ele nos chama, nos busca, um por um: “Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi e vos designei para irdes e para que produzais fruto e o vosso fruto permaneça”.

Ele, que é o Bom Pastor que conhece suas ovelhas, Ele que é a Videira da qual extraímos a vida, sabe melhor que nós que tipo de frutos podemos entregar ao Vinhateiro. Ele nos escolhe um por um, porque sabe que, com esforço e trabalho sincero, em primeiro lugar para mudar a nós mesmos, seremos capazes, pois temos o potencial para lhe dar frutos abundantes e deliciosos, mas para conseguir isso, precisamos nos unir e nos amar de verdade.

Devemos estar conscientes de que esse amor é que mostrará a autêntica medida de nosso progresso espiritual, e não quantos rosários rezemos, quantas horas passemos “queixando-nos” ou auto-justificando-nos diante do Santíssimo; esse amor verdadeiro, sacrificado, profundo, é o que, afinal de contas, nos abrirá, com a bênção do Senhor, as portas do Céu.

3.- Perguntas para orientar a reflexão: (Ler pausadamente e fazer um instante de silêncio após cada questão – não depois de cada item, mas depois de cada questão – para permitir a reflexão dos irmãos)

a) Quanto tempo por dia, por semana, por mês, permaneço no Senhor? E se me afasto, quanto tempo demoro para me confessar, para voltar a permanecer nEle?
b) Tenho noção realmente do quanto Jesus me ama? Procuro amar da mesma forma aos meus irmãos, em minha família e em minha comunidade?
c) Se o Senhor nos escolheu, ajo com os outros tendo sempre presente essa igualdade de eleição, esse amor compartilhado...? Rivalizo com meus irmãos por motivos diversos, pretendo ser mais que eles em algum aspecto…?
d) Há muitas maneiras de “dar a vida”; de que maneira manifesto minha espiritualidade “eucarística”? Como estou entregando minha vida pelos outros?

 

4.- Comentários dos irmãos:
Após um momento de silêncio concede-se a palavra aos participantes da Casinha de Oração para que expressem suas opiniões, reflexões e comentários, buscando a participação de todos.

 

5.- Concordâncias do Evangelho com o Catecismo da Igreja Católica

Cânones: 2842, 1823, 781

2842 Este “como” não é único no ensinamento de Jesus: “Deveis ser perfeitos 'como' vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5,48); “Sede misericordiosos 'como' vosso Pai é misericordioso” (Lc 6,36); “Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros 'como' eu vos amei” (Lc 13,34). Observar o mandamento do Senhor é impossível se quisermos imitar, de fora, o modelo divino. Trata-se de participar, de forma vital e “do fundo do coração”, na Santidade, na Misericórdia, no Amor de nosso Deus. Só o Espírito que é “nossa Vida” (Gl 5,25) pode fazer “nossos” os mesmos sentimentos que teve Cristo Jesus. Então torna-se possível a unidade do perdão, “perdoando-nos mutuamente 'como Deus em Cristo nos perdoou” (Ef 4,32). 

1823 Jesus fez da caridade o novo mandamento. Amando os seus “até o fim” (Jo 13,1), manifesta o amor do Pai que Ele recebe. Amando-se uns aos outros, os discípulos imitam o amor de Jesus que eles também recebem. Por isso diz Jesus: “Assim como o Pai me amou, também eu vos amei. Permanecei em meu amor” (Jo 15,9). E ainda: “Este é o meu preceito: Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 15,12).

781 “Em qualquer época e em qualquer povo é aceito por Deus todo aquele que o teme e pratica a justiça. Aprouve, contudo, a Deus santificar e salvar os homens não singularmente, sem nenhuma conexão uns com os outros, mas constituí-los num povo, que o conhecesse na verdade e santamente o servisse. Escolheu, por isso Israel como seu povo. Estabeleceu com ele uma aliança e instruiu-o passo a passo... Tudo isso, porém, aconteceu em preparação e figura para aquela nova e perfeita aliança que se estabeleceria em Cristo... Esta é a Nova Aliança, isto é o Novo Testamento em seu sangue, chamando de entre judeus e gentios um povo que junto crescesse na unidade, não segundo a carne, mas no Espírito.” (LG 9).

 

6.- Refletindo com a Grande Cruzada

CM 13  Eu desejo inscrever Meu amor como um dom, como Minha nova lei em vossos corações, mas limpos e entregues. Quero que sejais capazes de pensar, de querer e desejar de uma maneira totalmente nova. Quero vos dar o dom do conhecimento, fruto do amor, deste amor que vai de Mim e vos traz a Mim, que sou o amor em pessoa.
(Ler novamente este parágrafo, de maneira pausada, por favor).

 

7.- Comentários finais:
Concede-se novamente a palavra para fazer breve referência aos textos lidos (do Catecismo ou das mensagens) ou a qualquer outro assunto de interesse para a Casinha, o Apostolado, ou para a Igreja em geral.

 

8.- Virtude do mês:
Durante este mês, praticaremos a virtude da Justiça (Catecismo da Igreja Católica: 376 – 909 – 1807 - 1834)

Esta semana veremos o cânon 1807, que diz textualmente o seguinte:

1807 A justiça é a virtude moral que consiste na vontade constante e firme de dar a Deus e ao próximo o que lhes é devido. A justiça para com Deus chama-se “virtude de religião”. Para com os homens, ela nos dispõe a respeitar os direitos de cada um e a estabelecer nas relações humanas a harmonia que promove a equidade em prol das pessoas e do bem comum. O homem justo, muitas vezes mencionado nas Escrituras, distingue-se pela correção habitual de seus pensamentos e pela retidão de sua conduta para com o próximo. “Não favoreças o pobre, nem prestigies o poderoso. Julga o próximo conforme a justiça” (Lv 19,15). “Senhores, dai aos vossos servos o justo e eqüitativo, sabendo que vós tendes um Senhor no céu” (Cl 4,1).

E a Grande Cruzada nos diz a respeito:

CA 11 Ah, sentido oculto de Minhas palavras! Como pode o homem ser justo se não Me escuta? E, que justiça pode agradar-Me senão aquela que disse? As razões humanas não alcançam inteiramente as divinas e nada quero sem antes ter previsto as conseqüências de tudo.   

 

9.- Propósitos semanais:

Com o Evangelho:
Por amor a Cristo, cada vez que caia em pecado, procurarei me confessar de imediato, para restaurar a verdadeira amizade com Ele e voltar a me sentir digno de seu amor. Analisarei o quanto amo, de verdade, a meus irmãos.

Com a virtude do mês:
Meditarei especialmente sobre as injustiças que tenha cometido, ao procurar ficar bem em oposição aos meus irmãos, causando mal à sua imagem e seu bom nome, pedirei perdão a quem dever e puder, mas sobretudo farei o firme propósito de não voltar a ser egoísta e egocêntrico; procurarei me amar menos e amar mais aos outros.

 

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