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Semana de 19 a 25 de abril de 2009 “Meu Senhor e meu Deus!” Somente pela fé se pode adorar assim. 1.- A Palavra de Deus: 1ª Leitura: At 4,32-35: “A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma” Salmo: 117,2-4.16ab-18.22-24: Dai graças ao Senhor, porque ele é bom; “eterna é a sua misericórdia!” 2ª Leitura: 1Jo 5,1-6: “todo o que nasceu de Deus vence o mundo” Evangelho: Jo 20,19-31: “Oito dias depois, Jesus entrou”
Proclamação do Santo Evangelho segundo São João (Jo 20,19-31) Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”. Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos”. Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio. Os outros dis-cípulos contaram-lhe depois: “Vimos o Senhor!” Mas Tomé disse-lhes: “Se eu não vir a marca dos pre-gos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei”. Oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: “A paz esteja convosco”. De-pois disse a Tomé: “Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel”. Tomé respondeu: “Meu Senhor e meu Deus!” Jesus lhe disse: “Acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!” Jesus realizou muitos outros sinais diante dos discípulos, que não estão escritos neste livro. Mas estes foram escritos para que acrediteis que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e, para que, crendo, tenhais a vida em seu nome. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor! 2.- Referências para a melhor compreensão do Evangelho: A leitura correspondente ao II Domingo de Páscoa, é a continuação da leitura da semana passada. Apenas Maria Madalena recebeu o encargo do Senhor de ir levando a notícia da ressurreição aos discípulos; ela havia corrido para a casa, e lhes contou o que havia acontecido no lugar do sepulcro. É fácil imaginar a agitação nos corações de cada um deles. O que aconteceria agora? O que o Mestre faria? Como os recriminaria por tê-lo abandonado nos piores momentos? E também podemos entender as conversas entre eles, por vezes cheios de alegria, às vezes na expectativa, outras vezes temerosos, todos falando ao mesmo tempo, agitando as mãos e as mulheres correndo de um para outro, ouvindo e dando alguma opinião… enfim, um caos completo. E, de repente, um silêncio total. Jesus estava no meio deles. As pupilas se dilatam, os corações se aceleram e ouvem a saudação de Jesus: “A paz esteja convosco”… Jesus não recrimina nada, não se mostra ofendido nem aborrecido pelo modo que o abandonaram, mas ao contrário, pede que a paz assente em cada coração. Podemos observar com infinita alegria e emoção a este Deus ressuscitado, com as marcas da lança e dos cravos ainda visíveis em Seu corpo bendito, que em um ato de sublime misericórdia, a primeira coisa que faz é desejar-lhes a paz, e ainda o ratifica, porque volta a repetir sua saudação: “A paz esteja convosco”. É que não pode existir maior mostra do amor de Deus do que o exercício de sua misericórdia. O Senhor, que é amor, entrega esse amor a seus filhos em atos concretos de misericórdia, de caridade, de compaixão, de delicadeza e ternura. Esse é nosso Deus, esse é nosso Salvador Jesus Cristo, a Quem os cristãos queremos imitar na vida. E em meio a essa saudação repetida, Jesus lhes mostra Suas feridas abertas de cravos e lança, mas especialmente esta última, da qual, segundo o testemunho de São João 19,34, havia jorrado sangue e água. Dizia Santa Teresa que, quando traspassaram o coração de Jesus, foi como se se tivesse aberto uma cisterna da qual brotou a misericórdia de Deus, cobrindo o mundo inteiro. E se o sangue evoca o sacrifício da cruz e o dom eucarístico, a água, na simbologia de São João, não somente recorda o batismo, mas também o dom do Espírito Santo (cf. Jo 3,5; 4,14; 7,37-39), isto é, a purificação e a união do ser humano com Deus. Por isso, imediatamente Jesus sopra sobre eles dizendo “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos”. Alguém pode imaginar maior mostra de amor e Misericórdia? Ele não somente perdoa sem recriminar nem acusar, como ainda entrega seu Espírito, o Consolador que nos explica tudo, que ilumina nossas vidas... A Misericórdia de Deus se derramou abundantemente aquela tarde, porque Jesus não somente perdoou seus discípulos, como ainda deixou à Sua Igreja o poder de perdoar ou reter os pecados, isto é, o poder de manter abertas as portas do céu para os homens e mulheres de todos os tempos que queiram recorrer humildemente à Misericórdia de Deus. Hoje evidentemente é o dia em que brilha com especial clarão a Misericórdia Divina, pela qual Deus entende e perdoa nossas misérias somente através de Seu Coração, segundo canta o salmo 118,1 “Dai graças ao Senhor, porque ele é bom; eterna é a sua misericórdia.” Parece-nos muito oportuno recordar hoje João Paulo II, o “Apóstolo da Divina Misericórdia”, e que melhor modo de fazê-lo que repetindo algumas das emotivas palavras que pronunciou ao canonizar Santa Faustina: “A misericórdia divina atinge os homens através do Coração de Cristo crucificado: “Minha filha, dize que sou o Amor e a Misericórdia em pessoa”, pedirá Jesus à Irmã Faustina (Diário, pág. 374). Cristo derrama esta misericórdia sobre a humanidade mediante o envio do Espírito que, na Trindade, é a Pessoa-Amor. E porventura não é a misericórdia o “segundo nome” do amor (cf. Dives in misericordia, 7), cultuado no seu aspecto mais profundo e terno, na sua atitude de cuidar de toda a necessidade, sobretudo na sua imensa capacidade de perdão? É deveras grande a minha alegria, ao propor hoje à Igreja inteira, como dom de Deus para o nosso tempo, a vida e o testemunho da Irmã Faustina Kowalska. Pela divina Providência a vida desta humilde filha da Polônia esteve completamente ligada à história do século XX, que há pouco deixamos atrás. De fato, foi entre a primeira e a segunda guerra mundial que Cristo lhe confiou a sua mensagem de misericórdia. Aqueles que recordam, que foram testemunhas e participantes nos eventos daqueles anos e nos horríveis sofrimentos que daí derivaram para milhões de homens, bem sabem que a mensagem da misericórdia é necessária.” (Homilia de João Paulo II ao canonizar a beata Faustina Kowalska, 30 de abril de 2000)
E nós, homens do século XXI, sabemos também quão necessária é a mensagem da misericórdia que devemos recordar hoje com especial devoção, porque, quase que certamente, cada um de nós tem sido atingido, humilhado e escarnecido de uma ou outra forma no mundo frio e individualista de hoje, e quem não sofreu isso na própria carne, já viu muito de perto... A Misericórdia Divina, que jorrou do lado do Senhor, e que Ele mesmo mostrou a Santa Faustina em forma de raios de luz vermelha e branca, deve ser sempre o esteio de nossa esperança e verdadeira alegria, para que ao experimentá-la consciente e frequentemente, através do Sacramento da Reconciliação, sejamos capazes de levá-la a nossos irmãos (em especial aos mais necessitados desse amor misericordioso). A cada dia, a cada instante se nos apresentam ocasiões de praticar a misericórdia: Nos relacionamentos de casal, com a família, no trabalho, com os amigos... Em qualquer lugar aonde vamos, encontraremos algum de nossos irmãos em quem se possa notar o olhar de quem precisa de um ato de compreensão, de paciência, de caridade, de amor, de companhia, de perdão... E como se podem sintetizar todas essas necessidades em uma palavra? Sempre teremos a ocasião de ver irmãos nossos necessitados de MISERICÓRDIA. Hoje, Jesus nos mostra novamente o caminho que pode mudar o mundo, dizendo-nos: “PERDOAI COMO DESEJAIS SER PERDOADOS, E AMAI COMO EU VOS AMEI”... Para isso, Ele nos repete no Evangelho as mesmas palavras que disse a Tomé: “Não sejas incrédulo, mas fiel”, ou, dito de outra forma: “Muda e crê!, mas crê de verdade... não como tu “crês que acreditas”, mas como Eu quero que creias: sem ter visto, sem ter tocado, sem ter estado presente... Ou será que também tu preferias colocar a mão na chaga de Meu lado?” Peçamos ao Senhor que, em Sua Infinita Misericórdia, nos ajude a ser misericordiosos. 3.- Perguntas para orientar a reflexão: (Ler pausadamente cada questão e fazer um instante de silêncio após cada uma delas, para permitir a reflexão dos irmãos) a) Jesus entrega o Espírito Santo a seus apóstolos reunidos. Como realizo meu apostolado entre meus irmãos? b) Quando devo falar no nome do Senhor, procuro transmitir esse mesmo Espírito, isto é, encho-me primeiro dEle, ou vou simplesmente buscar “ensinar algo que eu sei”, procurando talvez o brilho e o reconhecimento que devem ser para Deus? c) Não me comporto igual Tomé, quando fico buscando sinais e fatos extraordinários, de um grupo a outro, de um “vidente” a outro, e sempre atento somente aos sinais, em vez de enxergar Jesus em meus irmãos necessitados? O que estou fazendo concretamente por eles hoje? d) Posso me considerar entre os felizes que não viram, mas creem? e) Lembro-me com frequencia que, para alcançar a Misericórdia de Deus, devo ser misericordioso com TODOS os outros? 4.- Comentários dos irmãos: Após um momento de silêncio concede-se a palavra aos participantes da Casinha de Oração para que expressem suas opiniões, reflexões e comentários, buscando a participação de todos. 5.- Concordâncias do Evangelho com o Catecismo da Igreja Católica Cânones: 639, 647, 651, 655, 2444, 2447 639 O mistério da Ressurreição de Cristo é um acontecimento real que teve manifestações historicamente constatadas, como atesta o Novo Testamento. Já São Paulo escrevia aos Coríntios pelo ano de 56: “Eu vos transmiti... o que eu mesmo recebi: Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras. Foi sepultado, ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. Apareceu a Cefas, e depois aos Doze” (1Cor 15,3-4). O apóstolo fala aqui da viva tradição da Ressurreição, que ficou conhecendo após sua conversão às portas de Damasco. (cf. At 9, 3-18). 647 “Só tu, noite feliz “canta o Exsultet da Páscoa – “soubeste a hora em que Cristo da morte ressurgia.” Com efeito ninguém foi testemunha ocular do próprio acontecimento da Ressurreição, e nenhum Evangelista o descreve. Ninguém foi capaz de dizer como ela se produziu fisicamente. Muito menos sua essência mais íntima, sua passagem a outra vida, foi perceptível aos sentidos. Como evento histórico constatável pelo sinal do sepulcro vazio e pela realidade dos encontros dos apóstolos com Cristo ressuscitado, a Ressurreição nem por isso deixa de estar no cerne do mistério da fé, no que ela transcende e supera a história. E por isso que Cristo ressuscitado não se manifesta ao mundo mas a seus discípulos, “aos que haviam subido com ele da Galiléia para Jerusalém, os quais são agora suas testemunhas diante do povo” (At 13,31). 651 “Se Cristo não ressuscitou, vazia é a nossa pregação, vazia é também a vossa fé” (1Cor 15,14). A Res-surreição constitui antes de mais nada a confirmação de tudo o que o próprio Cristo fez e ensinou. Todas as Verdades, mesmo as mais inacessíveis ao espírito humano, encontram sua justificação se, ao ressuscitar, Cristo deu a prova definitiva, que havia prometido, de sua autoridade divina. 655 Finalmente, a Ressurreição de Cristo - e o próprio Cristo ressuscitado - é princípio e fonte de nossa res-surreição futura: “Cristo ressuscitou dos mortos, primícias dos que adormeceram... assim como todos morrem em Adão, em Cristo todos receberão a vida” (1Cor 15,20-22). Na expectativa desta realização, Cristo ressuscitado vive no coração de seus fiéis. Nele, os cristãos “experimentaram... as forças do mundo que há de vir” (Hb 6,5) e sua vida é atraída por Cristo ao seio da vida divina” “a fim de que não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que morreu e ressuscitou por eles” (2Cor 5,15). 2444 “O amor da Igreja pelos pobres... faz parte de sua tradição constante” (CA 57). Inspira-se no Evangelho das bem-aventuranças, na pobreza de Jesus e em sua atenção aos pobres. (cf. Mc 12, 41-44). O amor aos pobres é também um dos motivos do dever de trabalhar, “para se ter o que partilhar com quem tiver necessidade. Não se estende apenas à pobreza material, mas também às numerosas formas de pobreza cultural e religiosa. (cf. CA 57). 2447 As obras de misericórdia são as ações caritativas pelas quais socorremos o próximo em suas necessidades corporais e espirituais. Instruir, aconselhar, consolar, confortar são obras de misericórdia espiritual, como também perdoar e suportar com paciência. As obras de misericórdia corporal consistem sobretudo em dar de comer a quem tem fome, dar de beber a quem tem sede, dar moradia aos desabrigados, vestir os maltrapilhos, visitar os doentes e prisioneiros, sepultar os mortos. Dentre esses gestos de misericórdia, a esmola dada aos pobres é um dos principais testemunhos da caridade fraterna. E também uma prática de justiça que agrada a Deus. (cf. Mt 6, 2-4): Quem tiver duas túnicas, reparta-as com aquele que não tem, quem tiver o que comer, faça o mesmo (Lc 3,11). Dai o que tendes em esmola, e tudo ficará puro para vós (Lc 11,41). Se um irmão ou uma irmã não tiverem o que vestir e lhes faltar o necessário para a subsistência de cada dia, e alguém dentre vós lhes disser “Ide paz, aquecei-vos e saciai-vos, e não lhes der o necessário para manutenção, que proveito haverá nisso? (Tg 2, 15-16). (cf. 1Jo 3, 17).
6.- Refletindo com a Grande Cruzada CM 130 Tomé, filho Meu, quanto bem veio ao mundo em decorrência de tua incredulidade! Tu não destes este bem, não; tu provocaste a Divina Sabedoria e tua obstinação serviu para dar maior evidência à Ressurreição de Jesus. 7.- Comentários finais: Concede-se novamente a palavra para fazer breve referência aos textos lidos (do Catecismo ou das mensagens) ou a qualquer outro assunto de interesse para a Casinha ou o Apostolado. 8.- Virtude do mês: Durante este mês, praticaremos a virtude da Castidade (Catecismo da Igreja Católica: 922—1632—1832—2337 a 2346) Esta semana veremos o cânon 1632, que diz textualmente o seguinte: 1632 Para que o "sim" dos esposos seja um ato livre e responsável e para que a aliança matrimonial tenha bases humanas e cristãs sólidas e duráveis, a preparação para o casamento é de primeira importância: O exemplo e o ensinamento dos pais e da família continuam sendo o caminho privilegiado desta preparação. O papel dos pastores e da comunidade cristã como "família de Deus" é indispensável para a transmissão dos valores humanos e cristãos do Matrimônio e da família, e mais ainda porque em nossa época muitos jovens conhecem a experiência dos lares desfeitos que não garantem mais suficientemente esta iniciação (feita dentro da família):
Os jovens devem ser instruídos convenientemente e a tempo sobre a dignidade, a função e o exercício do amor conjugal, a fim de que, preparados no cultivo da castidade, possam passar, na idade própria, do noivado honesto para as núpcias. (GS 49, 3).
E a Grande Cruzada nos diz a respeito: CS 52 (Durante a tentação no horto…) Se queres fazer com que te creiam santo – insistia o miserável – declara ao mundo que a luxúria e a soberba são as únicas satisfações do homem. Falando de humildade e castidade te fizeste tão odioso que até os santos sacerdotes do Templo querem prender-te. Vai – dizia-Me – sai desse Horto maldito, procura Judas e diz-lhe que com ele queres fundar uma nova religião. Eu te ajudarei, porque te vejo miserável e abatido, porque tremes. Olha quão intrépido sou eu, porque sei que sou o rei do mundo! 9.- Propósitos semanais: Com o Evangelho: Rezarei com humildade todos os dias: “Senhor, eu creio, mas aumentai a minha fé”. Em agradecimento à Misericórdia que Deus tem comigo, procurarei a forma de dar misericórdia (em silêncio) a alguém, pelo menos uma vez ao dia. Com a virtude do mês: Sempre estarei atenta (o) ao que me é oferecido a cada dia, para distinguir as tentações que o demônio coloca em meu caminho, especialmente mediante os prazeres e a luxúria das propagandas nos meios de comunicação. Apostolado da Nova Evangelização 2009 |