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Apostolado da Nova Evangelização no Brasil

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XXVI Domingo do Tempo Comum PDF Imprimir E-mail
Por ANE Internacional   
28 de setembro de 2008

Semana de 28 de setembro a 4 de outubro de 2008
“Entra-se no Reino pela acolhida e o seguimento de Jesus”

A PALAVRA DE DEUS
1ª Leitura: Ez 18,25-28: “Quando um ímpio se arrepende da maldade, conserva a própria vida.”
Salmo: 24,4bc-5.6s.8s.: “Recordai, Senhor meu Deus, vossa ternura e compaixão.”
2ª Leitura: Fl 2,1-11: “Tende entre vós o mesmo sentimento que existe em Cristo Jesus.”
Evangelho: Mt 21,28-32: “Os cobradores de impostos e as prostitutas vos precedem no Reino de Deus”

1.- Leitura do Evangelho segundo Mateus (Mt 21,28-32)

Naquele tempo, Jesus disse aos sacerdotes e anciãos do povo: 28”Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, ele disse: ‘Filho, vai trabalhar hoje na vinha!’ 29O filho respondeu: ‘Não quero’. Mas depois mudou de opinião e foi.
30O pai dirigiu-se ao outro filho e disse a mesma coisa. Este respondeu: ‘Sim, senhor, eu vou’. Mas não foi. 31Qual dos dois fez a vontade do pai?”
Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: “O primeiro”.
Então Jesus lhes disse: “Em verdade vos digo que os cobradores de impostos e as prostitutas vos precedem no Reino de Deus. 32Porque João veio até vós, num caminho de justiça, e vós não acreditastes nele. Ao contrário, os cobradores de impostos e as prostitutas creram nele. Vós, porém, mesmo vendo isso, não vos arrependestes para crer nele”.

- Palavra da Salvação!
- Glória a Vós, Senhor!


2.- Referências para a melhor compreensão do Evangelho:

Jesus está falando com os sumos sacerdotes e as autoridades do grande Templo de Jerusalém, e é a eles, principalmente, que vão dirigidas estas duras palavras. (embora também, como sempre, sejam para nós, que muitas vezes ignoramos a Vontade do Pai, por comodidade ou por apego ao mundo).

Nos versículos anteriores, Mateus nos conta que o Senhor havia entrado no Templo para ensinar, e que aqueles judeus importantes haviam saído atrás dele para lhe perguntar com que autoridade estava ali e quem lhe havia dado permissão para pregar.

A resposta que Jesus lhes deu foi uma das mais sábias e criativas, entre aquelas que o Evangelho nos conta. Não quis entrar em polêmica: nem lhes falar do Poder de Seu Pai, nem de sua condição de Messias, nem de sua missão na Terra, nem nada disso. Certamente não queria perder tempo nem “arar no mar” (ou como se diz vulgarmente, não queria “gastar seu latim”), então simplesmente condicionou sua resposta a que eles lhe respondessem algo antes, como quem lhes diz “Querem brincar de perguntas e respostas?... Então aí vai uma, se podem respondê-la...”

Vamos reproduzir esse diálogo de maneira textual, porque verdadeiramente é precioso, e cremos que nos permite conhecer um pouquinho mais o humor de Jesus.

Ao ouvir a pergunta sobre “a autoridade” com que fazia aquilo, o Senhor diretamente lhes disse: “Eu vos proporei também uma questão. Se responderdes, eu vos direi com que direito o faço. Donde procedia o batismo de João: do céu ou dos homens?”

Mateus nos diz que “eles raciocinavam entre si: ‘Se respondermos: Do céu, ele nos dirá: Por que não crestes nele? E se dissermos: Dos homens, é de temer-se a multidão, porque todo o mundo considera João como profeta’. Responderam a Jesus: ‘Não sabemos’. ‘Pois eu tampouco vos digo’, retorquiu Jesus, ‘com que direito faço estas coisas’.” (Mt 21,23-27)

Quanto terão se divertido o Senhor e seus apóstolos ao ver as caras dos sacerdotes...! Como terão comentado depois, entre gargalhadas!: “Aquele que estava à minha direita ficou vermelho de raiva”, terá dito André... “E o velhinho de barba comprida queria arrancá-la fora”, terá comentado Bartolomeu; e assim por diante.

Foi imediatamente depois dessa breve troca de palavras que Jesus lhes disse, como para “arrematar”, aos sacerdotes: “Que vos parece?...” e lhes contou esta parábola que lemos no Evangelho de hoje, conhecida como “A parábola dos dois filhos”, e sobre a qual temos algo a dizer.

A mensagem central da liturgia desta semana é um convite à conversão profunda e autêntica: uma conversão do coração!, a mesma que só será possível conseguir a partir de um arrependimento, sincero, racio-nal e intenso, de todas as coisas que se faz mal, longe de Deus... ou longe da Vontade de Deus.
Este arrependimento é a condição básica necessária para iniciar uma vida nova com Cristo, por Ele e nEle. Mas acontece que em nossa natureza de caída sempre estaremos inclinados ao pecado, e sempre teremos motivos para nos arrepender.

É por isso que o caminho de nossa conversão é comprido, empinado e permanente... Não terminará até que tenhamos que entregar a alma a Deus!
Sabemos que muitos pecadores se arrependeram da vida que levavam, ao escutar João Batista, e se fizeram batizar com ele. Desse modo, suas mentes e suas almas ficaram preparadas para ouvir, compreender e assimilar a mensagem que Jesus lhes traria, pois era Ele Quem batizaria no Espírito.

Mas para que esse Batismo se realizasse, eles deveriam passar primeiro por um profundo exame de consciência. Deviam conhecer verdadeiramente a si mesmos, para depois poder conhecer o Rosto do Pai, revelado por Jesus, e o Reino dos Céus, que Cristo viria a anunciar e a instaurar.

Entre os que ouviram a mensagem de João (e sentiram, com a ajuda do alto, o profundo chamado do “precursor” ao arrependimento e à conversão), havia prostitutas, cobradores de impostos, assassinos... e é certo que também gente relativamente boa... Boa, mas que conseguia ver que não vinha amando a Deus sobre todas as coisas, nem agindo com seu próximo como mandavam as Leis da Antiga Aliança.

A bênção para eles foi que as palavras do Batista conseguiram sacudir suas almas; que Deus, com sua imensa Graça, tocou seus corações, permitiu-lhes ver em quê estavam errando e lhes deu a para corrigir.

Os sacerdotes, por sua vez, assim como os Escribas e muitos fariseus, acreditavam que, pelo fato de não terem matado ninguém, por terem sido distinguidos com cargos honoríficos, por cumprirem com uma série de rituais e formalismos, e mais ainda, por terem um lugar de privilégio no Templo, não precisavam mudar.

Certamente acreditavam que estavam fazendo o bem, às mil maravilhas! E, portanto, a mensagem de João lhes entrava por um ouvido e saía pelo outro. «Porque João veio até vós, num caminho de justiça, e vós não acreditastes nele. Ao contrário, os cobradores de impostos e as prostitutas creram nele. Vós, porém, mesmo vendo isso, não vos arrependestes para crer nele...», lhes dirá Jesus enfaticamente, por causa disso. Mas, no fundo, o que lhes quer dizer, ao falar-lhes de João, é que tampouco querem reconhecer a Ele, Jesus, como Messias.

Eles eram então como o primeiro filho da parábola, que disse “vou” e não foi; diante dos homens e do mundo, eram considerados “pessoas de Deus”, mas para Deus eram somente “homens do mundo”. Apesar de terem respondido a um chamado do Senhor, e de supostamente servirem a Ele no Templo, não haviam assumido a responsabilidade que este chamado trazia junto: não viviam conforme o Plano Divino, pois certamente não cumpriam sequer com o Decálogo do povo hebreu, que herdamos como filhos adotivos de Deus.

Os publicanos, as prostitutas, os assassinos e os ladrões, que em princípio (e talvez por muitos anos de suas vidas) se negaram a fazer a Vontade do Pai, depois se arrependeram – como nos conta Jesus que havia feito o primeiro filho da parábola – e voltaram os olhos para Deus. Por isso estarão à frente de quem continua olhando para si mesmo, e ainda com uma visão muito superficial; dos que deveriam ser “os primeiros”, mas talvez nem sequer consigam ser os últimos a entrar no Reino de Deus, esse Reino que começa aqui e agora, que se conquista “com violência” (com a guerra que cada um deve declarar ao pecado), e que se inicia no momento em que se descobre sua miséria e a infinita Misericórdia de Deus, e se dispõe, com o coração entristecido de tantos erros, a invocar essa Misericórdia para si e para os outros.

De novo o Senhor nos convida hoje, através da Primeira Leitura, a reconhecer que seus critérios são com freqüência distintos dos nossos, enquanto que Paulo, na Segunda Leitura, nos recomenda aprender a ter os mesmos sentimentos de Cristo. Evidentemente, Deus se fez homem para que, por meio do conhecimento e a imitação de Jesus Cristo, da meditação profunda sobre seus ensinamentos, possamos ir cobrindo esta abissal diferença que existe em geral entre nossos juízos humanos e a Sabedoria de Deus.

E dentre todos esses sentimentos, dentre todos esses “modos” de Cristo, que bem podemos analisar a-través da leitura freqüente e consciente do Evangelho, destacam-se hoje o amor ao próximo, a humildade, a obediência e o serviço. O adiamento dos interesses pessoais em favor dos interesses comunitários. A coerência entre o que pensamos, o que dizemos e o que fazemos, para poder glorificar a Deus por meio de nossas vidas. Que o Espírito Santo, Senhor e Dador de Vida, Chama de Amor que purifica, ajude-nos para que assim seja.

 

3.- Perguntas para orientar a reflexão: (Ler pausadamente cada questão e fazer um instante de silêncio após cada uma delas, para permitir a reflexão dos irmãos)

A parábola do Evangelho nos convida a pensar em duas atitudes opostas, que correspondem a duas formas distintas de viver a religião: nós vemos as aparências, mas elas nem sempre coincidem com os sentimentos que se aninham no coração. Pois, como se costuma dizer: “quem vê cara, não vê coração”.

a) Que tipo de “religiosidade” eu vivo? Sou verdadeiramente obediente à Vontade de Deus, ou vivo somente uma religiosidade superficial e cheia de puros formalismos?
b) Como contribuo para o desenvolvimento dos planos em minha família e em minha comunidade?
Tenho sempre a disposição de obedecer e de cumprir com minhas obrigações, ou pelo contrário, me desculpo com freqüência para não fazê-lo?
c) Procuro ser sempre autêntico e de uma só palavra? Sou humilde e serviçal? 

 

4.- Comentários dos irmãos:
Após um momento de silêncio concede-se a palavra aos participantes da Casinha de Oração para que expressem suas opiniões, reflexões e comentários, buscando a participação de todos.


5.- Concordâncias do Evangelho com o Catecismo da Igreja Católica

Diz a fé: 546 (As parábolas são como um espelho para o homem)

546 Jesus convida a entrar no Reino por meio das parábolas, traço típico de seu ensinamento. Por elas, convida ao festim do Reino, mas exige também uma opção radical: para adquirir o Reino é preciso dar tudo; as palavras não bastam, são necessários atos (Cf. Mt 21, 28-32). As parábolas são como espelhos para o homem: este acolhe a palavra como um solo duro ou como uma terra boa? Que faz ele dos talentos recebidos? Jesus e a presença do Reino neste mundo estão secretamente no coração das parábolas. E preciso entrar no Reino, isto é, tomar-se discípulos de Cristo para “conhecer os mistérios do Reino dos Céus” (Mt 13,11). Para os que ficam “de fora” (Mc 4,11), tudo permanece enigmático.

 

Nossa resposta: 2055 – 2056 - 2068 (O Decálogo)

2055 Quando lhe é feita a pergunta: “Qual é o maior mandamento da lei?” (Mt 22,36), Jesus responde: “Amarás ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante a esse: amarás o teu próximo como a ti mesmo. Desses dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas” (Mt 22,37-40). O Decálogo deve ser interpretado à luz desse duplo e único mandamento da caridade, plenitude da lei:

Os preceitos - não cometerás adultério, não matarás, não furtarás, não cobiçarás e todos os outros - se resumem nesta sentença: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. A caridade não pratica o mal contra o próximo. Portanto, a caridade é a plenitude da lei (Rm 13,9-10).

2056 A palavra “Decálogo” significa literalmente “dez palavras (Ex 34,28; Dt 4,13; 10,4). Deus revelou essas “dez palavras” a seu povo no monte sagrado. Ele as escreveu “com seu dedo” (cf. Ex 31,18; Dt 5,22), à diferença de outros preceitos escritos por Moisés. (cf. Dt 31,9.24). São palavras de Deus de modo eminente. Foram transmitidas no livro do Êxodo e no do Deuteronômio. Desde o Antigo Testamento, os livros sagrados se referem às “dez palavras”. Mas é em Jesus Crista na nova aliança, que será revelado seu sentido pleno.

2068 O Concílio de Trento ensina que os dez mandamentos obrigam os cristãos e que o homem justificado ainda está obrigado a observá-los. E o Concílio Vaticano II afirma a mesma doutrina:

“Como sucessores dos Apóstolos, os Bispos recebem do Senhor (...) a missão de ensinar a todos os povos e pregar o Evangelho a toda criatura, a fim de que os homens todos, pela fé, pelo Batismo e pela observância dos mandamentos, alcancem a salvação” (LG 24).

 

6.- Refletindo com a Grande Cruzada

CA 183 Não é verdade que hoje já não se pode viver em perfeita pobreza, submissão e obediência. O mundo precisa deste grande e espetacular contraste. Não vos deixeis enganar ou sugestionar pelo espírito maléfico, que por todos os meios trata de destruir no homem as santas e divinas inspirações para afastá-lo do bem. Um homem pobre, humilde, obediente, é um poder inexpugnável.   

 

7.- Comentários finais:
Concede-se novamente a palavra para fazer breve referência aos textos lidos (do Catecismo ou das mensagens) ou a qualquer outro assunto de interesse para a Casinha ou o Apostolado.

 

8.- Virtude do mês:
Durante este mês, praticaremos a virtude da Esperança (Catecismo da Igreja Católica: 1817-1818-1820-1826-2090 e 2091)

1817 A esperança é a virtude teologal pela qual desejamos como nossa felicidade o Reino dos Céus e a Vida Eterna, pondo nossa confiança nas promessas de Cristo e apoiando-nos não em nossas forças, mas no socorro da graça do Espírito Santo. “Continuemos a afirmar nossa esperança, porque é fiel quem fez a promessa” (Hb 10,23).

Quando Deus se revela e chama o homem, este não pode responder plenamente ao amor divino por suas próprias forças. Deve esperar que Deus lhe dê a capacidade de retribuir o amor e de agir conforme os mandamentos da caridade.

A esperança é aguardar confiantemente a bênção divina e a bem-aventurada visão de Deus; é também o temor de ofender o amor de Deus e de provocar seu castigo.

Esta semana veremos os cânones 2091 e 2092, que dizem textualmente o seguinte:

2091 O primeiro mandamento visa também aos pecados contra a esperança, que são o desespero e a presunção.
Pelo desespero, o homem deixa de esperar de Deus sua salvação pessoal, os auxílios para alcançá-la ou o perdão de seus pecados. O desespero opõe-se à bondade de Deus, à sua justiça porque o Senhor é fiel a suas promessas e à sua misericórdia.

2092 Há duas espécies de presunção. Ou o homem presume de suas capacidades (esperando poder salvar-se sem a ajuda do alto), ou então presume da onipotência ou da misericórdia de Deus (esperando obter seu perdão sem conversão e a glória sem mérito).

E a Grande Cruzada nos diz a respeito:

CM 122 Posso, verdadeiramente, mudar o curso dos acontecimentos e fazê-los passar do ocaso escuro ao radiante; mais ainda, isto Me dá grande alegria e muitas vezes o faço. Quantas almas recolhidas no leito de morte! Não podeis ter idéia. Basta pensar que Me agrada tanto salvar no instante da morte, que Eu mesmo quis morrer ao lado de Meu bom Dimas, depois de tê-lo salvo em seu último momento.
Mas tudo isto não deve gerar presunção, já que no próprio Calvário, ao Meu lado, outra criatura morreu desesperada.
Por isso, toda a confiança esteja em Mim, mas todo o temor em vós. É assim que me encontrareis Misericordioso, assim podereis chegar a Mim e não de outro modo.

 

9.- Propósito para esta semana:
BUSCAREI OCASIÕES PARA PRATICAR A OBEDIÊNCIA E A HUMILDADE, MAS NO MAIS ABSOLUTO SILÊNCIO, TENDO SOMENTE A DEUS POR TESTEMUNHA DE MEU ESFORÇO.

Guardarei em meu coração as atitudes que tiveram Dimas (o bom ladrão), e Gestas (o mau ladrão), para ter consciência de que não tenho o Paraíso ganho enquanto viver, e me esforçarei por me manter em estado de graça.

 
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