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Semana de 14 a 20 de setembro de 2008 NOTA: A liturgia do XXIV Domingo do Tempo Comum do Ciclo “A” analisa o tema do perdão, com base no Evangelho de Mateus (Mt 18,21-35) através da “Parábola do servo impiedoso”. No entanto, este ano o XXIV Domingo coincide com a Festa da Exaltação da Santa Cruz (14 de setembro). Por se tratar de uma Festa muito importante da Igreja, a catequese das Casinhas de Oração de adultos está associada à Exaltação, enquanto que a catequese de crianças corresponde ao Evangelho do 24º Domingo do Tempo Comum. A reflexão para as crianças foi feita novamente por nossa Fundadora, e dado que TODOS TEMOS SEMPRE MUITO A PERDOAR, recomendamos também sua leitura nas Casinhas de Oração de Adultos nas quais seja possível. (Os que não puderem fazê-lo comunitariamente, se desejarem, podem ter acesso a ela de maneira individual através de nossa página na Internet: www.a-n-e.net)
A PALAVRA DE DEUS 1ª Leitura: Nm 21,4b-9: “Olhavam para a serpente de bronze e ficavam curados” Salmo: 77: “Das obras do Senhor, ó meu povo, não te esqueças!” 2ª Leitura: Fl 2, 6-11: “Humilhou-se a si mesmo, Por isso, Deus o exaltou acima de tudo” Evangelho: Jo 3,13-17 “É necessário que o Filho do Homem seja levantado”
1.- Leitura do Evangelho segundo João (Jo 3,13-17)Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: 13“Ninguém subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu, o Filho do Homem. 14Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, 15para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna. 16Pois Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. 17De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele”. - Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor! 2.- Referências para a melhor compreensão do Evangelho:
A passagem do Evangelho de hoje transcorre em meio à conversa que o Senhor tem com Nicodemos, o fariseu que, segundo nos dizem as Escrituras, era “um homem importante entre os judeus” e tinha ido visitá-lo de noite, provavelmente para que seus amigos não soubessem, pois em sua maioria odiavam Jesus. Já dissemos antes, em algumas das catequeses passadas, que houve três grandes “Epifanias”, ou “Teofanias”, isto é, três grandes manifestações de Jesus como Deus: a primeira corresponde àquela na qual os “magos do oriente”, os três Reis Magos, se prostram diante dEle, reconhecendo-O como Salvador de toda a humanidade. A segunda acontece no Batismo de Jesus nas águas do Jordão, onde se fazem presentes as Três Pessoas da Santíssima Trindade. A terceira ocorre durante as Bodas de Caná, quando Jesus se manifesta diante de seus discípulos, realizando seu primeiro milagre, a pedido da Santíssima Virgem Maria... No entanto, há outras Epifanias às quais podemos chamar “menores”, e correspondem àquelas passagens nas quais Jesus manifesta claramente que é o Messias, o Redentor, seja de maneira verbal (como no caso do Evangelho de hoje), ou por meio de sinais, como aconteceu durante sua Transfiguração, que segundo a tradição da Igreja teria acontecido no Monte Tabor. Na conversa que Jesus teve com este fariseu, vemos que ele mesmo – Nicodemos -, sendo um especialista conhecedor das Escrituras e da religião judaica, já reconhecia de antemão o Senhor, embora não direta e especificamente como o Messias, mas como um “Mestre vindo de Deus.” (cf. Jo 3,2). É por isso que vai até Jesus, pois quer saber mais sobre o Reino dos Céus, diante do que nosso Senhor lhe dirá: “Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer de novo não poderá ver o Reino de Deus.” (Jo 3,3) Depois de um breve intercâmbio de perguntas e respostas, Jesus diz a Nicodemos: “Se vos tenho falado das coisas terrenas e não me credes, como crereis se vos falar das celestiais?” (Jo 3,12). Este é o versículo que antecede imediatamente o Evangelho que lemos hoje. O que o Senhor está dizendo, uma vez mais, é que a lógica humana, o modo de pensar habitual dos homens, não se parece em nada com a Lógica de Deus. Por isso disse: “é necessário nascer de novo” – isto é, nascer no Espírito – para poder ver e provar antecipadamente, nesta vida, o Reino de Deus... Neste domingo a Igreja Católica celebrava a Festa da Exaltação da Santa Cruz, que se comemora precisamente no dia 14 de setembro de cada ano. Este único fato deve nos levar a refletir na enorme verdade que encerram as palavras de Jesus, pois, sem a fé (que chega a nós como um dom do Céu), não poderíamos entender muitas das coisas de Deus e de Sua Igreja: Não é por acaso algo curioso que os cristãos, amantes da paz e defensores da vida, celebremos a Cruz, que foi um instrumento de tortura, de dor, de morte e de escárnio? Nós a celebramos, veneramos e mais ainda, nos identificamos com Ela, porque sabemos que é a partir dEla que podemos “nascer de novo” a una vida plena... Porque reconhecemos que foi no Gólgota que nasceu nossa Igreja, justamente do Coração ali transpassado de Jesus Cristo nosso Senhor. “Ninguém subiu ao céu senão aquele que desceu do céu”, disse Jesus a Nicodemos, e estas pala-vras nos trazem à memória o início do Evangelho do próprio São João, quando diz: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.” (Jo 1,1). Mais adiante, dirá: “Ninguém jamais viu Deus. o Filho único, que está no seio do Pai, foi quem o revelou.” (Jo 1,18) Também no mesmo Evangelho, no capítulo 14, veremos que Jesus reforça novamente esta idéia, ao dizer a Tomé, durante a Última Ceia: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém chega ao Pai, senão por mim. Se me conhecêsseis, também certamente conheceríeis meu Pai...” (Jo 14, 6-7) Trazemos como referência estas citações porque é muito importante que nós, como apóstolos da Nova Evangelização, tenhamos absoluta clareza acerca das diversas vezes em que as Sagradas Escrituras (e muitas delas pela própria boca de Jesus) insistem em que não há Redenção possível fora do caminho de Cristo, que é o caminho da Cruz, passagem obrigatória para a Ressurreição e a Vida Eterna. Por isso Jesus dirá a seus discípulos: “Quem quiser seguir-me, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e me siga.” (Mt 16,24) Entender adequadamente esta verdade de nossa fé, e poder transmiti-la, é um de nossos principais desafios como cristãos e missionários, situados em meio a um mundo que foge da dor e do sacrifício; um mun-do que parece sentir repulsa por tudo o que é renúncia, privação, sofrimento ou oferta; imersos em uma sociedade que fez do prazer, do dinheiro e do poder seus novos deuses, aos que adora até o ponto de oferecer-lhes, em holocausto, a mais de um terço da humanidade, que vive sumida na miséria e na desesperança, em condições verdadeiramente espantosas, e cuja vida parece não interessar a ninguém. No contexto da catequese sobre Paulo, que o Santo Padre vem dado em suas últimas audiências públicas, no dia 10 de setembro, há apenas alguns dias, Sua Santidade Bento XVI, dizia: “Ninguém como Paulo, de fato, evidenciou como o anúncio da cruz aparece como «escândalo e necessidade» (1 Cor 1, 23 ), ao qual muitos reagiam com incompreensão e rejeição. Isso acontecia naquele tempo e não deve estranhar-nos que aconteça também hoje. Neste destino, de aparecer como «escândalo e necessidade», participa também o apóstolo e Paulo o sabe: é a experiência de sua vida.” “Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna”, diz Jesus a Nicodemos hoje. É necessário, pois, que cada cristão suba à Cruz de Cristo, porque dali se vêem as coisas de maneira diferente... Da Cruz nossos problemas se tornam verdadeiramente pequenos, e nossas misérias ganham sua verdadeira dimensão. Da Cruz podemos sair de nós mesmos (onde parecemos viver estacionados, limitados), para nos oferecermos aos outros. Da Cruz poderíamos abrir os braços com Cristo, e abraçar com verdadeiro amor a humanidade sofredora, deixando de lado nossas pequenas coisas diárias e nossas comodidades. Somente da Cruz poderemos viver em plenitude nossa espiritualidade Eucarística, unidos em amor de oblação Àquele que se nos entrega diariamente, para ajudar-nos a dar um sentido elevado a nossas vidas. Somente da Cruz poderemos, enfim, ver em Maria nossa própria Mãe, Ternura, Consolo e Fortaleza. Somente ali poderemos “nascer de novo” e ter vida em plenitude, para entregá-la a Deus e aos outros, como uma oferenda agradável ao Pai. 3.- Perguntas para orientar a reflexão: (Ler pausadamente cada questão e fazer um instante de silêncio após cada uma delas, para permitir a reflexão dos irmãos) a) O que significa para mim a Cruz de Cristo? Tenho consciência de que o caminho da cruz (isto é, do sacrifício) é o que mais convém à minha alma? b) Qual é minha resposta ao sacrifício de Jesus na Cruz? Esforço-me por merecer o preço que Ele pagou por minha alma? c) Eu me sacrifico pelos outros? Até que ponto? d) Tenho verdadeira devoção pela Cruz em meu lar e em minha comunidade? Ensino os que dependem de mim a ter essa reverência? 4.- Comentários dos irmãos: Após um momento de silêncio concede-se a palavra aos participantes da Casinha de Oração para que expressem suas opiniões, reflexões e comentários, buscando a participação de todos. 5.- Concordâncias do Evangelho com o Catecismo da Igreja Católica
Diz a fé: 160 – 542 - 550 (A Santa Cruz) 160 Para que o ato de fé seja humano, "o homem deve responder a Deus, crendo por livre vontade. Por con-seguinte, ninguém deve ser forçado contra sua vontade a abraçar a fé. Pois o ato de fé é por sua natureza voluntário". "Deus de fato chama os homens para servi-lo em espírito e verdade. Com isso os homens são obrigados em consciência, mas não são forçados... Foi o que se patenteou em grau máximo em Jesus Cris-to." Com efeito, Cristo convidou à fé e à conversão, mas de modo algum coagiu. "Deu testemunho da verdade, mas não quis impô-la pela força aos que a ela resistiam. Seu reino... se estende graças ao amor com que Cristo, exaltado na cruz, atrai a si os homens." (DH 11). 542 Cristo está no centro do congraçamento dos homens na "família de Deus". Convoca-os junto a si por sua palavra, por seus sinais que manifestam o reino de Deus, pelo envio de seus discípulos. Realizar a vinda de seu Reino sobretudo pelo grande mistério de sua Páscoa: sua morte na Cruz e sua Ressurreição. "E eu, quando for elevado da terra, atrairei todos a mim" (Jo 12,32). A esta união com Cristo são chamados todos os homens. (Cf. LG 3). 550 O advento do Reino de Deus é a derrota do reino de Satanás: "Se é pelo Espírito de Deus que eu expulso os demônios, então o Reino de Deus já chegou a vós" (Mt 12,28). Os exorcismos de Jesus libertam homens do domínio dos demônios. Antecipam a grande vitória de Jesus sobre "o príncipe deste mundo". E pela Cruz de Cristo que o Reino de Deus ser definitivamente estabelecido: "Regnavit a ligno Deus - Deus reinou do alto do madeiro". (hino “Vexilla Regis”). Nossa resposta: 1359 – 1365 - 1382 (O banquete pascal) 1359 A Eucaristia, sacramento de nossa salvação realizada por Cristo na cruz, é também um sacrifício de louvor em ação de graças pela obra da criação. No sacrifício eucarístico, toda a criação amada por Deus é apresentada ao Pai por meio da Morte e da Ressurreição de Cristo. Por Cristo, a Igreja pode oferecer o sacrifício de louvor em ação de graças por tudo o que Deus fez de bom, de belo e de justo na criação e na humanidade. 1365 Por ser memorial da páscoa de Cristo, a Eucaristia é também um sacrifício. O caráter sacrifical da Eucaristia é manifestado nas próprias palavras da instituição: "Isto é o meu Corpo que será entregue por vós", e "Este cálice é a nova aliança em meu Sangue, que vai ser derramado por vós" (Lc 22,19-20). Na Eucaristia, Cristo dá este mesmo corpo que, entregou por nós na cruz, o próprio sangue que "derramou por muitos para remissão dos pecados" (Mt 26,28). 1382 A missa é ao mesmo tempo e inseparavelmente o memorial sacrifical no qual se perpetua o sacrifício da cruz, e o banquete sagrado da comunhão no Corpo e no Sangue do Senhor. Mas a celebração do Sacrifício Eucarístico está toda orientada para a união íntima dos fiéis com Cristo pela comunhão. Comungar é receber o próprio Cristo que se ofereceu por nós. 6.- Refletindo com a Grande Cruzada CA 23 Eu permaneci pendurado na Cruz, não para Minha Glória, mas para a Glória de Meu Pai; dei-Me inteiramente para Sua alegria e a alegria dEle é a conquista daqueles que havia perdido. Assim Eu canto a tua vitória, isto é, para a Glória do Pai, pois Eu vivo e glorifico a todo o momento a vida e a Glória daquele que Me enviou a vós. 7.- Comentários finais: Concede-se novamente a palavra para fazer breve referência aos textos lidos (do Catecismo ou das mensagens) ou a qualquer outro assunto de interesse para a Casinha ou o Apostolado. 8.- Virtude do mês: Durante este mês, praticaremos a virtude da Esperança (Catecismo da Igreja Católica: 1817-1818-1820-1826-2090 e 2091) 1817 A esperança é a virtude teologal pela qual desejamos como nossa felicidade o Reino dos Céus e a Vida Eterna, pondo nossa confiança nas promessas de Cristo e apoiando-nos não em nossas forças, mas no socorro da graça do Espírito Santo. “Continuemos a afirmar nossa esperança, porque é fiel quem fez a promessa” (Hb 10,23). Quando Deus se revela e chama o homem, este não pode responder plenamente ao amor divino por suas próprias forças. Deve esperar que Deus lhe dê a capacidade de retribuir o amor e de agir conforme os mandamentos da caridade. A esperança é aguardar confiantemente a bênção divina e a bem-aventurada visão de Deus; é também o temor de ofender o amor de Deus e de provocar seu castigo. Esta semana veremos o cânon 1818, que diz textualmente o seguinte: 1818 A virtude da esperança responde à aspiração de felicidade colocada por Deus no coração de todo homem; assume as esperanças que inspiram as atividades dos homens; purifica-as, para ordená-las ao Reino dos Céus; protege contra o desânimo; dá alento em todo esmorecimento; dilata o coração na expectativa da bem-aventurança eterna. O impulso da esperança preserva do egoísmo e conduz à felicidade da caridade. E a Grande Cruzada nos diz a respeito: CA 120 A esperança está sempre viva, porque não esmorece com as flutuações das coisas humanas, não se desvanece no vento das contrariedades, e não muda sob a chuva das contradições. Eis a explicação deste mistério. A esperança se apóia solidamente, depois de ter feito a experiência do desespero sensível: dai-me a vossa instabilidade, e Eu vos darei a Minha estabilidade. Onde está então vossa dificuldade? Toda ela reside em esperar contra todo o cálculo humano, e esperar depois de se ter imaginado tudo o que era possível. Não se pode ir além. O confiar é fruto da esperança, somada ao amor. Mais ainda, confiar é um ato completo no qual a fé, a esperança e o amor se unem admiravelmente. É tão divina a união confiante destas três virtudes, que Meu Coração exulta e concede com generosidade tudo o que Me pedem com confiança. 9.- Propósito para esta semana: MEDITAREI COM MINHA FAMÍLIA (OU COMUNIDADE) SOBRE O MISTÉRIO DA CRUZ, COMO O ÚNICO MEIO EFICAZ PARA CONTRABALANÇAR O MISTÉRIO DA INIQÜIDADE: Da Cruz, Jesus indica as condições para poder praticar o perdão. Ao ódio, com que os seus perseguidores o tinham pregado na Cruz, responde rezando por eles. Não só lhes perdoa, mas continua a amá-los, a desejar o seu bem e, por isso, intercede por eles [ao dizer ao Pai: ‘perdoai-os, porque não sabem o que fazem’]. A sua morte torna-se verdadeira e própria realização do Amor. (...) Do perdão total de Cristo também para os seus perseguidores tem início para todos a nova justiça do Reino de Deus.” (João Paulo II: Mensagem para a Jornada Mundial das Missões 2002, Nº 4). Cada dia desta semana pensarei em uma pessoa que precisa de meu perdão, e colocando-a junto a outra pessoa que desejo que me perdoe, rezarei um Pai Nosso por cada uma delas e outro por mim. Apostolado da Nova Evangelização 2008 |