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Semana de 7 a 13 de setembro de 2008 “O sacramento do perdão na Igreja” A PALAVRA DE DEUS 1ª Leitura: Ez 33,7-9: “Se não falares ao ímpio, eu te pedirei contas da sua morte” Salmo: 94,1s.6s.8s.: “Oxalá ouvísseis hoje a sua voz:: ‘Não fecheis os corações’.” 2ª Leitura: Rm 13,8-10: “O amor é o cumprimento perfeito da Lei” Evangelho: Mt 18,15-20: “Se ele te ouvir, tu ganhaste o teu irmão”
1.- Leitura do Evangelho segundo Mateus (Mt 18,15-20)Naquele tempo, Jesus disse a seus discípulos: 15”Se o teu irmão pecar contra ti, vai corrigi-lo, mas em particular, a sós contigo! Se ele te ouvir, tu ganhaste o teu irmão. 16Se ele não te ouvir, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão seja decidida sob a palavra de duas ou três testemunhas. 17Se ele não vos der ouvido, dize-o à Igreja. Se nem mesmo à Igreja ele ouvir, seja tratado como um pagão ou um pecador público. 18Em verdade vos digo, tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu. 19De novo, eu vos digo: se dois de vós estiverem de acordo na terra sobre qualquer coisa que quiserem pedir, isso lhes será concedido por meu Pai que está nos céus. 20Pois, onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí, no meio deles”. - Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor! 2.- Referências para a melhor compreensão do Evangelho:
O Evangelho de hoje nos traz três mensagens importantes: fala-nos primeiro da correção fraterna, depois do poder da Igreja para o perdão dos pecados e finalmente da oração em comum; três aspectos que são essenciais para a vida de toda comunidade cristã. Nos versículos que precedem a passagem que acabamos de ler (isto é, em Mt 18,12-14), propondo o exemplo da “ovelha perdida”, Jesus nos diz que nosso Pai Celestial não quer que nenhum de seus filhos “se perca”, e esta idéia é fundamental para entender melhor os três pontos do Evangelho de hoje. Vejamos: 1º) Em primeiro lugar, meditar sobre o desejo Divino de que todos se salvem nos permitirá compreender o profundo sentido missionário que assume a correção recíproca e fraterna no seio da família cristã: “Se o teu irmão pecar contra ti, vai corrigi-lo, mas em particular, a sós contigo!” – isto nos diz inequivoca-mente a primeira frase desta passagem do Evangelho, e embora esta frase seja muito clara em si mesma, talvez convenha analisá-la um pouco, tendo em conta que muitas vezes os famosos “respeitos humanos” nos impedem de fazer todo o bem que poderíamos fazer. De fato, com muita freqüência se ouve dizer frases como estas: “Eu não me meto na vida dos outros; que não se metam na minha”; “Deve-se viver e deixar viver”; “Cada um sabe onde aperta o sapato”... ou até a manifestação de idéias semelhantes com palavras tiradas diretamente das Sagradas Escrituras, tais como: “É preciso ver primeiro a trave no próprio olho e não a palha no olho do irmão”; “Além do mais, quem pode atirar a primeira pedra...? Ninguém está livre de pecado...” etc.,etc. No entanto, com estas formas de pensar e agir, pecamos por omissão inumeráveis vezes, pois apesar de ser absolutamente certo que ninguém deve “julgar” os outros, é importante perceber que o Evangelho lido hoje não está nos convidando a “julgar” ou a “atirar pedras”... Isto é, que não vamos condenar ninguém pelo fato de apontar-lhe seus erros. Muito pelo contrário, se eu vejo que meu irmão ou irmã caíram em pecado ou estão tropeçando em algo (as duas palavras, “pecado” e “tropeço”, têm a mesma origem etimológica), tenho o dever moral e fraterno de lhe apontar isso, se por si só não notaram, ou se tiverem menosprezado a importância do erro. Mas, se não lhes digo nada, estou deixando de contribuir com o plano salvífico de Deus, e portanto, não estou ajudando para que “se faça Sua Vontade” (como rezamos no Pai Nosso). Este é o exemplo mais claro do que na Igreja se conhece como o “pecado de omissão”, que consiste precisamente em não fazer o bem que se DEVE fazer. É como se víssemos um cego ou uma pessoa distraí-da que vai caminhando na rua, digamos... lendo uma revista (aqui a cegueira ou distração representam diversos graus de obstinação em relação ao pecado)... Vemos que a pessoa vai diretamente para o buraco de um bueiro e não lhe dizemos nada, até vê-la desaparecer de cena quando já é tarde demais e ela caiu direto pelo buraco. É algo muito semelhante não corrigir ou advertir a tempo uma pessoa que se encontra em erro, colocando em risco sua vida eterna, muitas vezes talvez sem se dar conta disso. Pois bem, este pecado se torna ainda mais grave, quando não somente deixo de cumprir com minha obrigação de apontar a meu irmão os seus erros, mas além disso falo deles com outras pessoas, criticando-o ou difamando-o... Por isso Jesus recomenda falar com quem está em erro “a sós”. Em todo caso, sempre convém cuidar muito bem de não murmurar ou falar mal dos outros, pois ao fazê-lo estamos destruindo sua imagem, e junto com ela sua reputação e em última instância sua própria vida. - Não é o mesmo dizer a um amigo: “Tome cuidado, porque isso que você faz vai prejudicá-lo”, e dizer-lhe depois que ele já o fez: “Eu sabia que isso iria prejudicá-lo”
- Não é o mesmo dizer: “Se você não se corrige, terei que falar com a comunidade”, e ir contando, por todo lado, os erros de seus irmãos a todo mundo.
- Não é o mesmo corrigir com amor o seu irmão ou amigo, e criticá-lo com a intenção de ressaltar seus defeitos.
Mais um ponto importante, sobre este assunto, é o fato de que, assim como devemos corrigir fraternalmente (isto é, com verdadeira caridade) a quem está em erro, também devemos estar fraternalmente dispostos a receber as correções ou críticas que, com bondade, nossos irmãos nos fizerem; pensando sempre que ao nos mostrar nossos erros, eles estão nos dando a oportunidade de nos corrigir e sermos melhores; recordando o que ao final do capítulo 5 do Evangelho de Mateus, Jesus nos recomenda: “Sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito.” (Mt 5,48). 2º) Pensar que é desejo de Deus que todos se salvem nos permitirá também compreender melhor o trabalho da hierarquia da Igreja, particularmente no ministério sacerdotal, através da administração dos Sacramentos, e em nossa missão como leigos comprometidos, de facilitar a aproximação dos fiéis a uma vida sacramental ativa, de contribuir na formação de nossos irmãos para receber os Sacramentos corretamente, de participar na animação espiritual de nossas comunidades... É claro que o poder para perdoar ou reter os pecados, para ligar ou desligar as coisas na terra e no céu foi concedido por Jesus, fundador de nossa Igreja, a seus Apóstolos, e através da sucessão apostólica aos bispos e presbíteros; mas também é claro que, como membros da Igreja, os leigos somos chamados a desempenhar um papel importante na transmissão das verdades de nossa Fé e na motivação da sociedade para aproximar-se de Deus por meio de Sua Igreja. Nesta perspectiva, a mensagem evangélica de hoje nos convida a meditar especialmente sobre o Sacramento da Reconciliação, sobre a importância de recebê-lo freqüentemente, de buscar a direção espiritual para poder crescer como cristãos, e de valorizar a Misericórdia de Deus, que se derrama abundantemente sobre nós quando, verdadeiramente arrependidos de nossas misérias, acudimos diante dEle no confessionário para buscar o perdão e a paz. 3º) Compreender claramente que nosso Pai não quer que se perca nem uma só das ovelhas de seu rebanho e que, além disso, está disposto a nos conceder tudo o que seja de verdadeiro proveito para nós, se o pedimos com fé e unidos a Jesus, nos levará a intensificar nossa vida de oração. Louvar, glorificar e adorar a Deus, unirmo-nos a Ele por meio da oração comunitária, é algo que realmente convém a nossas almas, não somente pelas inumeráveis graças e bênçãos, visíveis e invisíveis, que recebemos ao fazer isso, mas porque com isso nos fortalecemos individualmente e como grupo. E como estamos agora aqui, em nossa “Casinha de Oração”, reunidos no Santo Nome de Jesus, peçamos com fé ao Pai, por intercessão de Maria e pelos méritos de nosso Redentor, que nos conceda o dom da conversão profunda. AMÉM. 3.- Perguntas para orientar a reflexão: (Ler pausadamente cada questão e fazer um instante de silêncio após cada uma delas, para permitir a reflexão dos irmãos) Embora a salvação seja uma questão pessoal, a formação e o crescimento espiritual (que nos ajudarão a nos salvar) só são eficazes quando participamos de uma comunidade. A correção fraterna é o meio mais adequado para pulir nossos defeitos, que, por serem muito próprios, às vezes não conseguimos ver. a) Praticamos a correção fraterna em nosso Apostolado? E em nossa família? b) Qual é minha atitude quando vejo que um irmão está em erro? Aponto seus equívocos, ou comento com outra pessoa? Tenho sempre em conta que toda chamada de atenção deve estar fundada na caridade? c) E como eu recebo as críticas que me fazem? Considero com humildade e gratidão as observação recebidas? Procuro me justificar imediatamente, ou reflito sobre o que me dizem? Agradeço de verdade as críticas recebidas ou me aborreço, ou fico ressentido com a pessoa que me critica? d) Com que freqüência e disposição de ânimo recorro à Confissão? Confesso sempre os mesmos pecados? Esforço-me por melhorar? e) Tenho um diretor espiritual que me conheça, aconselhe e me ajude a crescer como cristão? 4.- Comentários dos irmãos: Após um momento de silêncio concede-se a palavra aos participantes da Casinha de Oração para que expressem suas opiniões, reflexões e comentários, buscando a participação de todos. 5.- Concordâncias do Evangelho com o Catecismo da Igreja Católica
Diz a fé: 979 Neste combate contra a inclinação para o mal, quem seria suficientemente forte e vigilante para evitar toda ferida do pecado? “Se, portanto, era necessário que a Igreja tivesse o poder de perdoar os pecados, também era preciso que o Batismo não fosse para ela o único meio de servir-se dessas chaves do Reino dos Céus, que havia recebido de Jesus Cristo; era preciso que ela fosse capaz de perdoar as faltas a todos os penitentes, ainda que tivessem pecado até o último instante de sua vida.” 1423 – 1424 (O Sacramento da penitência) 1423 Chama-se sacramento da Conversão, pois realiza sacramentalmente o convite de Jesus à conversão, o caminho de volta ao Pai, do qual a pessoa se afastou pelo pecado. Chama-se sacramento da Penitência porque consagra um esforço pessoal e eclesial de conversão, de arrependimento e de satisfação do cristão pecador. 1424 É chamado sacramento da Confissão porque a declaração, a confissão dos pecados diante do sacerdote é um elemento essencial desse sacramento. Num sentido profundo esse sacramento também é uma “confissão”, reconhecimento e louvor da santidade de Deus e de sua misericórdia para com o homem pecador. Também é chamado sacramento do perdão porque pela absolvição sacramental do sacerdote Deus concede “o perdão e a paz”. É chamado sacramento da Reconciliação porque dá ao pecador o amor de Deus que reconcilia: “Reconciliai-vos com Deus” (2Cor 5,20). Quem vive do amor misericordioso de Deus está pronto a responder ao apelo do Senhor: “Vai primeiro reconciliar-te com teu irmão” (Mt 5,24). Nossa resposta: 1425 – 1429 - 1432 (a conversão do coração) 1425 “Vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito de nosso Deus” (1 Cor 6,11). É preciso tomar consciência da grandeza do dom de Deus que nos é oferecido nos sacramentos da iniciação cristã para compreender até que ponto o pecado é algo que deve ser excluído daquele que se “vestiu de Cristo”. Mas o apóstolo São João também diz: “Se dissermos: “Não temos pecado”, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós” (1Jo 1,8). E o próprio Senhor nos ensinou a rezar: “Perdoa-nos os nossos pecados” (Lc 11,4), vinculando o perdão de nossas o-fensas ao perdão que Deus nos conceder de nossos pecados. 1429 Comprova-o a conversão de 5. Pedro após a tríplice negação de seu mestre. O olhar de infinita miseri-córdia de Jesus provoca lágrimas de arrependimento e, depois da ressurreição do Senhor, a afirmação, três vezes reiterada, de seu amor por e1e. A segunda conversão também possui uma dimensão comunitária. Isto aparece no apelo do Senhor a toda uma Igreja: “Converte-te!” (Ap 2,5.16). Santo Ambrósio, referindo-se às duas conversões, diz que na Igreja “existem a água e as lágrimas: a água do Batismo e as lágrimas da penitência”. 1432 O coração do homem apresenta-se pesado e endurecido. É preciso que Deus dê ao homem um coração novo. A conversão é antes de tudo uma obra da graça de Deus que reconduz nossos corações a ele: “Converte-nos a ti, Senhor, e nos converteremos” (Lm 5,21). Deus nos dá a força de começar de novo. É descobrindo a grandeza do amor de Deus que nosso coração experimenta o horror e o peso do pecado e começa a ter medo de ofender a Deus pelo mesmo pecado e de ser separado dele. O coração humano converte-se olhando para aquele que foi traspassado por nossos pecados. Fixemos nossos olhos no sangue de Cristo para compreender como é precioso a seu Pai porque, derramado para a nossa salvação, dispensou ao mundo inteiro a graça do arrependimento. 1435 A conversão se realiza na vida cotidiana por meio de gestos de reconciliação, do cuidado dos pobres, do exercício e da defesa da Justiça e do direito, pela confissão das faltas aos irmãos, pela correção fraterna, pela revisão de vida, pelo exame de consciência pela direção espiritual, pela aceitação dos sofrimentos, pela firmeza na perseguição por causa da justiça... 6.- Refletindo com a Grande Cruzada CM 91 “O Sacramento da Penitência é Santo, por isso olha-o como meio seguro, se usares bem dele, e não vejas na confissão um obstáculo para tua alma arrependida. Se o entendes bem, ficarás contente; se hesitas, és como o náufrago na tempestade: quanto mais movimentos faz, mais sua barca se enche de água. É isto o que precisas saber sobre a confissão; o mais, quando o pensamento dá voltas, é astúcia de Satanás e teu excessivo amor próprio.” CM 4 “Se pecaste, admite tuas culpas e pede perdão, retorna sempre a Mim. Submerge-te em Minha Misericórdia que irá te redimir. Tem Misericórdia e compaixão de quem te ofende, ora por eles e por quem pisa em caminhos de maldade. Perdoa seus pecados porque o resto de tua herança está em Minhas mãos; não continues irritada e não julgues, tem Misericórdia.” 7.- Comentários finais: Concede-se novamente a palavra para fazer breve referência aos textos lidos (do Catecismo ou das mensagens) ou a qualquer outro assunto de interesse para a Casinha ou o Apostolado. 8.- Virtude do mês: Durante este mês, praticaremos a virtude da Esperança (Catecismo da Igreja Católica: 1817-1818-1820-1826-2090 e 2091) 1817 A esperança é a virtude teologal pela qual desejamos como nossa felicidade o Reino dos Céus e a Vida Eterna, pondo nossa confiança nas promessas de Cristo e apoiando-nos não em nossas forças, mas no socorro da graça do Espírito Santo. “Continuemos a afirmar nossa esperança, porque é fiel quem fez a pro-messa” (Hb 10,23). “Este Espírito que ele ricamente derramou sobre nós, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador, a fim de que fôssemos justificados por sua graça e nos tornássemos herdeiros da esperança da vida eterna” (Tt 3,6-7). Esta semana veremos o cânon 1820, que diz textualmente o seguinte: 1820 A esperança cristã se manifesta desde o inicio da pregação de Jesus no anúncio das bem-aventuranças. As bem-aventuranças elevam nossa esperança ao céu, como para a nova Terra prometida; traçam o caminho por meio das provações reservadas aos discípulos de Jesus. Mas, pelos méritos de Jesus Cristo e de sua Paixão, Deus nos guarda na “esperança que não decepciona” (Rm 5,5). A esperança é a “âncora da alma) segura e firme, “penetrando... onde Jesus entrou por nós, como precursor” (Hb 6,19-20). Também é uma arma que nos protege no combate da salvação: “Revestidos da couraça da fé e da caridade e do capacete da esperança da salvação” (I Ts 5,8) Ela nos traz alegria mesmo na provação: “alegrando-vos na esperança, perseverando na tribulação” (Rm 12,12). Ela se exprime e se alimenta na oração, especial-mente no Pai-Nosso resumo de tudo o que a esperança nos faz desejar. E a Grande Cruzada nos diz a respeito: CA 106 Santo, soberano e glorioso é o Meu Nome no Céu, e venerado na terra. Ao ressoar deste Meu Nome, foge todo o inferno, e aquele que Me invoca, que Me chama de coração, encontra o que perde, consola-se em toda aflição e abre o coração à esperança. 9.- Propósito para esta semana: FAREI UM PROFUNDO E SINCERO EXAME DE CONSCIÊNCIA E DEPOIS UMA BOA CONFISSÃO. SE AINDA NÃO TENHO UM DIRETOR ESPIRITUAL, PEDIREI AO SENHOR EM ORAÇÃO QUE ME AJUDE A PROCURAR O QUE PRECISO. Para alimentar minha esperança, repetirei com freqüência a jaculatória: “Jesus, eu confio em Vós”. Apostolado da Nova Evangelização 2008 |