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Semana de 17 a 23 de agosto de 2008 “Como Maria, temos a vocação de viver a plenitude da vida, de corpo e alma, na casa do Pai” A PALAVRA DE DEUS 1ª Leitura: Ap 11,19a; 12,1.3-6a.10ab: “Uma mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés” Salmo: 44: “À vossa direita se encontra a rainha, com veste esplendente de ouro de Ofir” 2ª Leitura: 1Cor 15,20-27a: “Cristo, como primícias; depois os que pertencem a Cristo” Evangelho: Lc 1,39-56: “Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu”
1.- Leitura do Evangelho segundo Lucas (Lc 1,39-56)Naqueles dias, 39Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judéia. 40Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. 41Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. 42Com um grande grito, exclamou: "Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! 43Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? 44Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. 45Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu". 46Então Maria disse: "A minha alma engrandece o Senhor, 47e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, 48porque olhou para a humildade de sua serva. Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada, 49porque o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor. O seu nome é santo, 50e sua misericórdia se estende, de geração em geração, a todos os que o respeitam. 51Ele mostrou a força de seu braço: dispersou os soberbos de coração. 52Derrubou do trono os poderosos e elevou os humildes. 53Encheu de bens os famintos, e despediu os ricos de mãos vazias. 54Socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, 55conforme prometera aos nossos pais, em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre". 56Maria ficou três meses com Isabel; depois voltou para casa. - Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor! 2.- Referências para a melhor compreensão do Evangelho:
Podemos dividir o evangelho de hoje em três partes ideologicamente diferentes e materialmente muito diversas em seu tamanho. São elas: a saudação, o magnificat e a volta de Maria a Nazaré. Maria entra dentro da Escritura como testemunha especial, avaliada pela inspiração do Espírito Santo. A sua fé é a nossa fé. As suas vivências são as que nos dão a certeza de que Deus se serve dos homens para salvar os homens. É importante, do ponto de vista de todas as mães que estão grávidas, saber como a mãe de Deus respondeu a essa vocação para a qual unicamente a mulher é chamada. Apesar dos grandes favores divinos, encontramos em Maria uma humildade e uma obediência que se unem com os planos de Deus, de modo a formar um “dueto” de extraordinária convergência, como deve ser toda existência humana quando encontra sua íntima realidade no Deus que a ama e se torna Pai e Senhor. A VIAGEM: Tendo, pois, se levantado Maria nesses dias, partiu para a (região) montanhosa, com pressa, para uma cidade de Judá (vers. 39). Levantar-se é um hebraísmo que indica a origem aramaica do texto e que coincide com alguns relatos do Antigo Testamento, como em Gênesis 13, 17: Levanta-te, percorre essa terra. Assim também Lucas descreve uma ação rápida da mãe de Jesus indo para visitar sua parenta Isabel. A AÇÃO DO ESPÍRITO: E sucedeu assim que ouviu Elisabet (Isabel) a saudação de Maria, pulou o feto em seu ventre e Elisabet ficou cheia de espírito sagrado (vers. 41). A saudação seria o shalom leka [paz contigo]. Sem maiores detalhes, Lucas só fixa a atenção nas palavras proféticas de ambas as mulheres, que indicam a presença divina reveladora de planos e políticas gerais, úteis para a salvação. Em primeiro lugar, vemos como o feto pula de exultante ale-gria. A alegria [gozo extremo] do feto, foi notada de imediato pela mãe. Da mesma forma com que Rebeca sente a luta no ventre, entre os dois gêmeos Esaú e Jacó. É um movimento violento que a mãe percebe imediatamente. Importante é saber que a causa dessa alegria foi a voz de Maria ao saudar sua parente. Hoje conhecemos perfeitamente como um feto pode ouvir e sentir música e vozes. Duas conclusões podemos tirar deste relato: A importância de Maria, cuja voz determina todo o processo de alegria do feto no ventre de Isabel. E depois, que, estando Maria grávida de poucos dias – pois ela se levantou e às pressas se dirigiu à montanha – ela já é chamada de mãe e o filho, de Senhor (vers. 43). Apurando a verdade das Escrituras, poderíamos afirmar que não se precisam três meses para delimitar a humanidade de um ser humano, como a lei determina para o limite de idade do abortamento legal. Tanto Isabel como o menino chamam, ambos a seu modo, Maria como mãe; logo, o que no ventre dela se está formando é um filho verdadeiro e muito cedo, desde o início. Isabel, nesse momento, falou como instrumento divino, pois ficou repleta do seu espírito. Ambos, feto e mãe foram movidos por um impulso sobrenatural. João conheceu nesse instante o futuro cordeiro de Deus (Jo 1, 29), do qual ele já nesse momento foi o arauto, pois seria a voz que clamava no deserto (Lc 3, 4) para preparar a presença de quem o visitava nessa hora. Não podia falar, mas a alegria que o fazia pular, era a mesma alegria que os profetas e patriarcas teriam sentido de estar presentes nessa hora ( Lc 10, 24 e Jo 8, 56). Se o filho se mostrou profeta, a mãe não foi menor nesse desempenho. Segundo Lucas, ela foi repleta de um espírito sagrado [ou divino]. Esta tradução não exclui a tradução tradicional de cheia do Espírito Santo. Porque esse espírito era precisamente o Espírito do Senhor, Espírito que falava pelos profetas, como aconteceu com Saul, tomado pelo mesmo no meio dos profetas em Gabaá (1 Sm 10, 10). O que antigamente era o Espírito do Senhor agora é atribuído à terceira pessoa da Trindade: o Espírito Santo. Esse espírito era o mesmo do filho de Isabel que estava cheio dele ainda no seio de sua mãe (Lc 1, 15). Sem dúvida que, nos pulos de alegria do feto, o evangelista enxerga o espírito profético de João, que Jesus diria ser mais do que um profeta (Mt 11, 9). BENDITA: E exclamou em voz alta e disse: Bendita tu entre as mulheres e bendito o fruto de teu ventre (vers. 42). O termo grego deveria ser traduzido por abençoada, seguindo o costume hebraico de dizer que o objeto é atingido pela ação divina, que não pode ser outra coisa que um ato favorável de grande mercê por parte do Todo-poderoso. Assim, a frase significará: Tu és a mulher mais favorecida por Deus. Uma outra tradução pode ser: Tu serás a mais exaltada das mulheres. Na época, a bênção de uma mulher estava sempre ligada aos seus filhos. E é isso precisamente o que Isabel declara na continuação, exatamente como foi a bênção dada por uma mulher do auditório a Maria, segundo Lc 11, 27: Ditoso o ventre que te gerou e os seios que te amamentaram. Assim, segundo a profecia de Isabel, Maria entra dentro do sagrado, diretamente unida à divindade. Parece que Isabel iguala a Mãe com o Filho, do qual afirma também ser louvado, ser sagrado. A primeira bênção de Isabel é uma comparação entre mães: bendita tu entre as mulheres. A segunda é uma bênção absoluta dada a um futuro homem que será extraordinário aos olhos de Deus: Bendito o fruto do teu ventre. MÃE DE DEUS: Porque de onde a mim isto: que tenha vindo a Mãe do meu Senhor a mim? (vers. 43). A frase é semelhante à pronunciada por Davi em 2 Sm 6, 9: Como poderia vir a minha casa a arca do Senhor? A saudação de Isabel compara Maria com a arca da aliança. Meu senhor significa, no AT, meu rei. E Maria seria a rainha como mãe de um rei, exatamente como em 1Rs 2, 19: Mandou pôr um trono para a mãe do rei. O importante é que Jesus é chamado Senhor, ou Kyrios, que pode indicar uma identificação com Yahweh, que é traduzido por Kyrios. Meu Senhor tem um significado claramente messiânico. Um comentarista evangélico, John Gill, vê nesta frase – Mãe do meu Senhor – uma identificação com o título oficial de Maria em Éfeso: THEÓTOKOS, ou seja, Mãe de Deus. Em resumo: 1) Este Evangelho de hoje tem como protagonista Maria. Ela é a figura central, já que o Filho ainda era um feto que carregava no seio e dependia totalmente da Mãe. Isso nos indica que Maria está unida intrinsicamente a seu filho na história da salvação. A devoção especial que a Igreja dedica a Maria tem como base este relato de Lucas. Ela forma parte de nossa salvação como Mãe do Senhor (vers. 43) 2) Maria é mais do que a arca do Senhor que Davi humildemente recebeu maravilhado (2 Sm 6, 9). Ela é a Mãe do Senhor. Recebê-la como visita é um favor que nos iguala a Isabel e escutar o Magnificat é entrar dentro dos planos da providência divina para encontrarmos um alívio a nossa pequenez e insignificância. Não em nossos méritos mas nessas circunstâncias, aparentemente desfavoráveis, encontraremos a bondade divina expressa em misericórdia. 3) Nestes tempos em que a maternidade parece estar fora de moda, o encontro entre as duas futuras mães é um toque de gozo e esperança, como a renovação da vida que sempre é acompanhada de penalidades, mas que indubitavelmente termina em feliz regeneração. 4) Isabel, como profeta de Deus, dá a Maria o título máximo que a representa junto ao povo de Deus: Mãe do Senhor, que o concílio de Éfeso expressou em termos mais filosóficos como Theótokos, ou Dei Genitrix, e que o povo aclama como Mãe de Deus. Venerá-la e recorrer a sua intercessão é seguir as linhas mestras que Lucas nos propõe no seu evangelho. 5) Isabel a proclama como modelo entre as mulheres. Não é querendo tronos que estaremos na mira da misericórdia divina, mas sentindo nossa insignificância que veremos sua bondade refletida como favor e benevolência em nossas vidas. O feminismo não entra, por causa do orgulho, dentro dos planos de Deus. 6) Maria indica o verdadeiro caminho de salvação do seu Filho: Deus escolhe, desde agora, os mais imprestáveis segundo o mundo, como diz Paulo (1 Cor 1, 17 –31) e que com clareza óbvia Maria expressa em seu cântico para que ninguém se glorie em si mesmo. Pe. Ignácio, dos padres escolápios http://www.presbiteros.com.br/exegese/vigiliaassuncao.htm 3.- Perguntas para orientar a reflexão: (Ler pausadamente cada questão e fazer um instante de silêncio após cada uma delas, para permitir a reflexão dos irmãos) a) Quando recebo uma função de responsabilidade no local de trabalho ou nas atividades da Igreja, esforço-me por imitar o exemplo de humildade de Maria? b) Como me afetam os elogios e as críticas? Reflito no seu significado, considerando se as críticas têm um fundo de verdade, e se os elogios são apenas adulação? c) Atribuo as qualidades que os outros encontram em mim, e os bons trabalhos que realizo, à bondade divina e à maravilha de Suas obras? Ou deixo que a vaidade e o orgulho en-venenem meus sentimentos e atitudes? 4.- Comentários dos irmãos: Após um momento de silêncio concede-se a palavra aos participantes da Casinha de Oração para que expressem suas opiniões, reflexões e comentários, buscando a participação de todos. 5.- Concordâncias do Evangelho com o Catecismo da Igreja Católica
Diz a fé: 974 – 148 (Assunção e bem-aventurança de Maria) 974. Terminado o curso da sua vida terrena, a santíssima Virgem Maria foi elevada em corpo e alma para a glória do céu, onde participa já na glória da ressurreição do seu Filho, antecipando a ressurreição de todos os membros do Seu Corpo 148. A Virgem Maria realiza, do modo mais perfeito, a «obediência da fé». Na fé, Maria acolheu o anúncio e a promessa trazidos pelo anjo Gabriel, acreditando que «a Deus nada é impossível» (Lc 1, 37) (9) e dando o seu assentimento: «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra» (Lc 1, 38). Isabel saudou-a: «Feliz aquela que acreditou no cumprimento de quanto lhe foi dito da parte do Senhor» (Lc 1, 45). É em virtude desta fé que todas as gerações a hão-de proclamar bem-aventurada (10). Nossa resposta: 2674 (Aderimos com Maria ao plano do Pai) 2674. Desde o consentimento prestado na fé à Anunciação e mantido sem hesitação ao pé da cruz, a maternidade de Maria estende-se aos irmãos e irmãs do seu Filho ainda peregrinos e que caminham entre perigos e angústias (22). Jesus, o único mediador, é o caminho da nossa oração; Maria, sua Mãe e nossa Mãe, é pura transparência dele: Ela «mostra o caminho» («Hodêghêtria»), é «o sinal» do caminho, segundo a iconografia tradicional no Oriente e no Ocidente.
6.- Refletindo com a Grande Cruzada CA 119 Filhinhos Meus, confiai-me as vossas penas. Quando vos sobrevierem dores e angús-tias que pareçam não ter fim, lembrai-vos da Minha Assunção aos Céus. (...) Amados, vossa Mãe vos olha benignamente, não vos desespereis. Asseguro-vos que Eu providencio tudo de que necessitam aqueles que amam o Meu Jesus, porque todo olhar de amor que Lhe dais é para Mim uma chama que arde no Meu Coração Imaculado… Vós pensais em Jesus e Eu penso em vós… 7.- Comentários finais: Concede-se novamente a palavra para fazer breve referência aos textos lidos (do Catecismo ou das mensagens) ou a qualquer outro assunto de interesse para a Casinha ou o Apostolado. 8.- Virtude do mês: Durante este mês, praticaremos a virtude da Prudência (Catecismo da Igreja Católica: 1806—1835—1906—1805—1787—788) 1806 A prudência é a virtude que dispõe a razão prática a discernir, em qualquer circunstância, nosso verdadeiro bem e a escolher os meios adequados para realizá-lo. “O homem sagaz discerne os seus passos” (Pr 14, 15). “Sede prudentes e sóbrios para entregardes às orações” (1Pd 4, 7). A prudência é a “regra certa da ação”, escreve São Tomás (Suma Teológica 2-2 47,2), citando Aristóteles. Não se confunde com a timidez ou o medo, nem com a duplicidade ou dissimulação. Esta semana veremos o cânon 1805, que diz textualmente o seguinte: 1805. Há quatro virtudes que desempenham um papel de charneira. Por isso, se chamam «cardeais»; todas as outras se agrupam em torno delas. São: a prudência, a justiça, a fortaleza e a temperança. «Se alguém ama a justiça, o fruto dos seus trabalhos são as virtudes, porque ela ensina a temperança e a prudência, a justiça e a fortaleza» (Sb 8, 7). Com estes ou outros nomes, estas virtudes são louvadas em numerosas passagens da Sagrada Escritura. E a Grande Cruzada nos diz a respeito: CS 27 Meus pequenos, Meus queridos filhos, não percam a esperança, continuem seus esforços. Enquanto forem um corpo ansioso por virtude, mas mortal, sentirão peso no coração. É certo que nem sempre permanecerão virtuosos, mas não percam a esperança. Isto não, suportem com paciência esse abandono e aridez até que sejam abençoados por uma libertação que será benéfica, porque os livrará da angústia do medo. 9.- Propósito para esta semana: Esta semana farei com que o Senhor participe mais de meus dias (falando com Ele com freqüência), e participarei mais dos Seus (lendo o Evangelho em família). Se a experiência me for enriquecedora, buscarei convertê-la em hábito. Pensarei com freqüência na necessidade de santificar minha vida, e no caminho para consegui-lo, através da prática das virtudes e da oração cada vez mais recorrente. Apostolado da Nova Evangelização 2008 |