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Apostolado da Nova Evangelização no Brasil

Apostolado da Nova Evangelização no Brasil

São Carlos, 08 de setembro de 2008
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XVII Domingo do Tempo Comum PDF Imprimir E-mail
Por ANE Internacional   

Semana de 27 de julho a 2 de agosto de 2008
“De um tesouro nós podemos nos apoderar; mas o Reino de Deus se apodera de nós”

A PALAVRA DE DEUS
1ª Leitura: 1Rs 3,5.7-12: “Pediste sabedoria”
Salmo: 118,57 e 72.76-77.127-128.129-130: “Como eu amo, Senhor, a vossa lei, vossa palavra!”
2ª Leitura: Rm 8,28-30: “Predestinou-nos a ser conformes a imagem de seu Filho”
Evangelho: Mt 13,44-52: “Vende todos os seus bens e compra aquele campo”

1.- Leitura do Evangelho segundo Mateus (Mt 13,44-52)

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 44“O Reino dos Céus é como um tesouro escondido no campo. Um homem o encontra e o mantém escondido. Cheio de alegria, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquele campo.
45O Reino dos Céus é também como um comprador que procura pérolas preciosas. 46Quando encontra uma pérola de grande valor, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquela pérola.
47O Reino dos Céus é ainda como uma rede lançada ao mar e que apanha peixes de todo tipo. 48Quando está cheia, os pescadores puxam a rede para a praia, sentam-se e recolhem os peixes bons em cestos e jogam fora os que não prestam.
49Assim acontecerá no fim dos tempos: os anjos virão para separar os homens maus dos que são justos, 50e lançarão os maus na fornalha de fogo. E aí haverá choro e ranger de dentes.
51Compreendestes tudo isso?” Eles responderam: “Sim”.
52Então Jesus acrescentou: “Assim, pois, todo o mestre da Lei, que se torna discípulo do Reino dos Céus, é como um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas”.

- Palavra da Salvação!
- Glória a Vós, Senhor!


2.- Referências para a melhor compreensão do Evangelho:

Hoje Jesus continua procurando nos fazer compreender, por meio de parábolas, o que é o Reino dos Céus; mas diferentemente do que lemos nos Evangelhos dos dois domingos anteriores, agora o Senhor já não nos fala sobre a pequenez e a simplicidade (por assim dizer, do Reino), mas ao contrário, complementando o anterior, deseja agora chamar nossa atenção para a imensidão de seu valor...

Para isso serve-se, em princípio, de dois exemplos, através dos quais compara claramente ao Reino dos Céus com dois dos bens mais apreciados aos que se poderia aspirar, especialmente naquele tempo.

As duas histórias devem ter sido muito dignas de crédito, apropriadas e fáceis de entender para quem o escutava, por vários motivos: em primeiro lugar, porque naquela época enterrar dinheiro era a forma mais habitual e segura de guardá-lo; em segundo lugar porque também na Palestina mais antiga, tinha sido muito comum que as pessoas fossem enterradas em suas propriedades, junto com suas jóias e riquezas; em terceiro lugar, porque a atitude de encontrar, voltar a esconder e sair correndo para procurar o modo de obter essas terras, seria o procedimento mais humano que qualquer um poderia imaginar diante de uma circuns-tância semelhante... “Que ninguém descubra, compro isto por muito menos do que vale e faço o negócio da minha vida!”... Finalmente, porque as pérolas eram as jóias mais cobiçadas naquele tempo, e evidentemente existiam algumas tão valiosas que, em virtude principalmente de seu brilho e seu tamanho, podiam ser trocadas por muitas outras de menor valor...

Assim como os discípulos de Jesus manifestaram ter entendido claramente estas parábolas, tampouco será difícil para nós interpretá-las: o Reino dos Céus vale mais do que qualquer coisa pela qual possamos nos gastar nesta vida: riquezas, poderes, prazeres, prestígio, reconhecimentos, alegrias... Pois tudo o que pudermos obter neste mundo será sempre pouco, e por pouco tempo, em relação com o que será a Vida Eterna ao lado de Deus: tê-Lo Todo e para sempre...!

Mas o Reino dos Céus não é somente a “terra prometida”, à qual, com a bênção do Senhor e a ajuda de Sua Graça, chegaremos ao fechar os olhos (ou depois de “pagar” algumas culpas no purgatório), mas é uma Realidade que já se deve construir NESTE e A PARTIR DESTE mundo... É também o GOZO que Deus nos faz sentir com suas presenças nesta vida, e que devemos buscar compartilhar com quem nos rodeia e com aqueles a quem Deus nos mande Evangelizar, falar em Seu nome.

O Reino dos Céus é, finalmente, Cristo mesmo. Encontrar-se com Ele e, uma vez que se está bem sujeito a Ele, deixar-se projetar por Ele a uma luta generosa e solidária em favor dos outros, de tal maneira que todos os interesses pessoais ganham uma nova dimensão. O tesouro é Ele e tudo aquilo que Ele significa.

Disse por aí um pregador, que cristão não é qualquer pessoa que tenha sido batizada, mas aquela que encontrou o tesouro autêntico, que encontrou Jesus. Não se trata, pois, de ser somente “seguidor”, mas PRIMEIRAMENTE “descobridor” de Cristo.

O grande paradoxo é que, para “ir descobrindo” Jesus, é preciso primeiro alimentar a vida do espírito através da oração humilde e confiante, do serviço generoso aos irmãos, o que muitos não estão dispostos a fazer, porque sem saber servem a outros “deuses”... Mas a boa notícia é que esta descoberta, quando acon-tece, ilumina todos os recantos de nossa existência, e nos encaminha para uma marcha definitiva, carregada de luz e de amor, para a Eternidade.

Buscar a felicidade neste mundo, e sem Deus, não é somente o mais comum dos erros, mas também o mais lamentável; porque a experiência nos mostra que quanto mais o ser humano consegue, em matéria de “satisfações” terrenas, em geral mais profunda se torna sua sensação de vazio e insatisfação interior, dado que não tardam a aparecer novas “necessidades”; é que a dimensão espiritual do ser humano reclama com gritos inaudíveis pelo Infinito...

O homem foi feito com uma medida que somente Deus pode preencher... A vida cristã é um caminho de plenitude e alegria verdadeira, porque toda ela está encaminhada para possuir a Deus, o Único Ser que pode suprir a necessidade de felicidade do homem. : “Senhor, fizeste-nos para Ti e nosso coração está inquieto até que descanse em Ti.” (diz Santo Agostinho em suas “Confissões” 1,1). O cristão deve saber viver neste mundo sem ser do mundo, deve aprender a valorizar em sua justa medida os bens deste mundo, sem ancorar seu coração em nenhum deles. Mais ainda: deve estar disposto a vender todo, consciente de que sua única posse verdadeira é Deus.

Nas duas primeiras parábolas do Evangelho que acabamos de ler, são descritos dois acontecimentos em torno de algo muito valioso, mas entre os dois existe também uma clara diferença: o homem da primeira parábola encontra acidentalmente o tesouro, enquanto que o homem do segundo exemplo busca as pérolas finas... De fato, dedica-se a isso: é o que sabe fazer e é disso que vive...

Esta diferença é importante, se se tiver em conta o que o Senhor quer nos dizer: é que assim como alguns encontram Jesus “de surpresa”, porque Ele quer Se revelar no momento em que a Ele pareceu ser indicado, desde o princípio da eternidade, há muitos outros que andam buscando um sentido para sua existência e buscam esse tesouro que os faça sentir vivos e plenos, até que de repente Ele se deixa encontrar...

No entanto, além da forma concreta em que Ele tenha se apresentado a nós pela primeira vez, a cada um de nós, pertençamos ao grupo dos “acidentais” ou dos “buscadores”, o certo é que, quando finalmente iniciamos um caminho de conversão, ambas situações se nos apresentarão, de tal modo que poderemos dizer que “entre o buscar e o encontrar transcorrerá nossa vida espiritual”; pois a quase todos nos acontecerá que por momentos Deus “aparece sozinho”, e em outras ocasiões deveremos buscá-lo com mais esforço e mais conscientemente...

Na terceira parábola (que nos recorda a da cizânia e do trigo, lida no domingo anterior), Jesus terminará de “arredondar” a idéia do quão valioso é o Reino dos Céus e quão importante é “encontrá-lo”, quando temos a oportunidade... Entre quais “peixes” você gostaria de estar quando os anjos os estiverem escolhendo entre as redes?

Não podemos ler esta passagem do Evangelho sem nos lembrarmos da história REAL (ressaltamos o “real” porque essa não foi uma parábola)... do jovem rico que se encontrou com Jesus...

Aquele jovem da Judéia, que se aproximou para lhe perguntar o que deveria fazer (além de cumprir os Mandamentos) para alcançar da vida eterna...

“Se queres ser perfeito, vai, vende teus bens, dá-os aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me” disse-lhe Jesus. (Mt 19,21) Imediatamente os três Evangelhos sinóticos (isto é, os de Mateus, Marcos e Lucas) nos dizem que, ao ouvi-lo, o jovem se entristeceu, “porque era muito rico”... Jesus dirá então algo que pode soar terrível: “É mais fácil passar o camelo pelo fundo duma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus.” (Lc 18,25)

Se a maioria dos homens entendesse e CRESSE somente o que Jesus quis dizer ao pronunciar essa sentença, provavelmente mais da metade dos males desapareceriam de imediato da face da terra. Quando mal, quanta destruição! Quanto desastre e quanta dor no mundo por causa do dinheiro, do poder e das coisas que estão relacionadas a ele!

Não é que o dinheiro, em particular, seja ruim, nem que aqueles que o têm sejam perversos... O problema está em que, quem cai na dinâmica, no jogo ou na lógica do poder terreno, do luxo e do prazer, esquece-se muito rapidamente de Deus e do fim último para o qual foram criados; conseqüentemente, perdem-se para sempre. “que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua vida? Ou que dará o homem em troca da sua vida?” Pergunta Jesus em Marcos 8,36-37. Você nada tem para dar, pois sua própria vida não lhe pertence...

São inumeráveis as passagens do Evangelho através das quais Jesus procura nos advertir sobre o perigo que encerra uma vida centrada no “eu”, no “aqui”, e no “agora”. Hoje, depois de ter nos preparado por duas semanas falando-nos do poder do pequeno e do simples, Jesus revela a nossos olhos onde está e qual é o verdadeiro tesouro que devemos, por todos os meios, alcançar.

 

3.- Perguntas para orientar a reflexão: (Ler pausadamente cada questão e fazer um instante de silêncio após cada uma delas, para permitir a reflexão dos irmãos)
a) Onde estão meus VERDADEIROS “tesouros” pessoais: na terra ou no céu?
b) Eu seria capaz de deixar absolutamente tudo, para conseguir o tesouro mais desejado, que é a Vida Eterna?
c) Quanto valor tem para mim a tranqüilidade e o prazer na vida terrena, diante da felicidade eterna?
d) Qual é o balanço de meus “investimentos”, tanto materiais como espirituais? Quanto tempo, esforço e dinheiro dedico aos bens terrenos, e quanto aos bens celestes?

 

4.- Comentários dos irmãos:
Após um momento de silêncio concede-se a palavra aos participantes da Casinha de Oração para que expressem suas opiniões, reflexões e comentários, buscando a participação de todos.


5.- Concordâncias do Evangelho com o Catecismo da Igreja Católica

Diz a fé: 546; 550 (Os sinais do Reino de Deus)

546 Jesus convida a entrar no Reino por meio das parábolas, traço típico de seu ensinamento. Por elas, convida ao festim do Reino, mas exige também uma opção radical: para adquirir o Reino é preciso dar tudo; as palavras não bastam, são necessários atos As parábolas são como espelhos para o homem: este acolhe a palavra como um solo duro ou como uma terra boa? Que faz ele dos talentos recebidos? Jesus e a presença do Reino neste mundo estão secretamente no coração das parábolas. E preciso entrar no Reino, isto é, tomar-se discípulos de Cristo para "conhecer os mistérios do Reino dos Céus" (Mt 13,11). Para os que ficam "de fora" (Mc 4,11), tudo permanece enigmático. (Cf. Mt 13,10-15).

550 O advento do Reino de Deus é a derrota do reino de Satanás: "Se é pelo Espírito de Deus que eu expulso os demônios, então o Reino de Deus já  chegou a vós" (Mt 12,28). Os exorcismos de Jesus libertam homens do domínio dos demônios. Antecipam a grande vitória de Jesus sobre "o príncipe deste mundo". E pela Cruz de Cristo que o Reino de Deus ser  definitivamente estabelecido: "Regnavit a ligno Deus - Deus reinou do alto do madeiro".

Nossa resposta: 2632 (A oração cristã centrada na busca do Reino)

2632 A súplica cristã está centrada no desejo e na procura do Reino que vem, de acordo com o ensinamento de Jesus". Existe uma hierarquia nos pedidos: primeiro o Reino, depois o que é necessário para acolhê-lo e cooperar para sua vinda. Essa cooperação com a missão de Cristo e do Espírito Santo, que é agora a da Igreja, é o objeto da oração da comunidade apostólica. E a oração de Paulo, o apóstolo por excelência, que nos revela como o cuidado divino por todas as Igrejas deve animar a oração cristã. Pela oração, todo batizado trabalha para a Vinda do Reino.

Aqueles que, com a ajuda de Deus, acolheram o chamado de Cristo e responderam livremente a Ele, sentem-se, por sua parte, urgidos pelo amor de Cristo a anunciar por todas as partes no mundo a Boa Nova. Este tesouro recebido dos apóstolos foi guardado fielmente por seus sucessores. Todos os fiéis de Cristo são chamados a transmiti-lo de geração em geração, anunciando a fé, vivendo-a na comunhão fraterna e celebrando-a na liturgia e na oração (cf. At 2, 42).


6.- Refletindo com a Grande Cruzada

CS 81 Atendei, pois, às Minhas coisas, buscai Meu Reino e Sua justiça, que Eu não deixarei de prover os vossos filhos no que necessitam, e vos salvareis e conseguireis aquele tesouro de felicidade eterna que ninguém vos poderá tirar... Usai dos bens temporais somente para conservar a vida no breve prazo de tempo que haveis de viver. Meditai sem cessar que estais aqui de passagem, mas encarregados de uma missão muito importante: vossa salvação e a salvação de vossos irmãos.

 

7.- Comentários finais:
Concede-se novamente a palavra para fazer breve referência aos textos lidos (do Catecismo ou das mensagens) ou a qualquer outro assunto de interesse para a Casinha ou o Apostolado.

 

8.- Virtude do mês:
Durante este mês de julho, praticaremos a virtude da (Catecismo da Igreja Católica, cânones: 1666 – 2609 – 2690 – 2087 – 2088 – 2089)

A fé é a virtude teologal pela qual cremos em Deus e em tudo o que Ele nos disse e revelou, e que a Santa Igreja nos propõe, porque Ele é a própria verdade. Pela fé ‘o homem se entrega inteira e livremente a Deus’ (DV 5). Por isso o crente se esforça por conhecer e fazer a vontade de Deus. ‘O justo viverá pela fé (Rom 1,17). A fé viva ‘age pela caridade’.

Esta semana veremos o cânon 2087, que diz textualmente o seguinte:

2087 Nossa vida moral encontra sua fonte na fé em Deus, que nos revela seu amor. S. Paulo fala da "obediência da fé" como da primeira obrigação. Ele vê no "desconhecimento de Deus" o princípio e a explicação de todos os desvios morais. Nosso dever em relação a Deus consiste em crer nele e em dar testemunho dele.

E a Grande Cruzada nos diz a respeito:

CM 20 Já observaste que, ao amanhecer, quando há pouca luz, até que não assomem os raios do sol, não volta a vida à terra?
É justamente o que acontece ao homem quando está em dúvida, como se Eu tivesse deixado de lhe enviar Meus raios benéficos. Em Mim não há movimento ou rotação como no sol e na terra, pois sou sempre e inamovivelmente luminoso; é a criatura que não sabe dirigir-se a Mim e somente por isto não recebe Meus raios. Não serão sempre raios que produzem alegria, mas um fato é certo, que Eu sempre vos ilumino mesmo quando não o percebeis. A diferença está não em Mim, mas em vós, que às vezes recebeis Minha Luz com alegria e às vezes sem sinal de alegria.
Se se compreendesse tudo isto, estaríeis quietos e não faríeis tantas agitações. Em troca, quantos suspiros dais justamente porque estais privados daquela alegria que vos assegura a presença de Minha Luz. Por isso vos digo que deveis estar confiantes e alegres porque em todo caso Eu estou presente, se bem que nem sempre Me faço sentir.
Quereis exercitar a Fé, ou quereis sempre o pleno meio-dia? E de que vos serviria? Vós vos arruinaríeis e quase certamente seríeis arrastados por Satanás à soberba que o tem atado em seu reino obscuro e perpetuamente frio. Eu sei o que vos convém, deixai-me fazer, não vos deixo sozinhos, não, não vos deixo nunca...

 

9.- Propósito para esta semana:
SÓ POR ESTA SEMANA, PROCURAREI FAZER COM QUE “MEUS INVESTIMENTOS CELESTES” SUPEREM OS TERRENOS. DEPOIS DE VER COMO ME SINTO, E COMO O SENHOR ME RECOMPENSA, PROCURAREI DIMINUIR A DIFERENÇA ABISSAL QUE HABITUALMENTE SEPARA UNS DOS OUTROS.

Prestarei atenção ao modo como o Senhor cuida de mim, fazendo com que em mim se cumpra Sua vontade, e embora às vezes pareça que não olha para mim, sempre passado o tempo da provação, poderei comprovar que o que aconteceu era o melhor para mim.

 
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