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Semana de 15 a 21 de junho de 2008 “Livres, para ser libertadores” A PALAVRA DE DEUS 1ª Leitura: Ex 19,2-6: “Sereis para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa” Salmo: 99,2.3.5: “Nós somos o povo e o rebanho do Senhor” 2ª Leitura: Rm 5,6-11: “Quando éramos inimigos de Deus, fomos reconciliados com ele pela morte do seu Filho; quanto mais agora, estando já reconciliados, seremos salvos por sua vida!” Evangelho: Mt 9,36-10,8: “Chamou os doze discípulos e os enviou”
1.- Leitura do Evangelho segundo Mateus (Mt 9,36-10,8) Naquele tempo, 36vendo Jesus as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor. Então disse a seus discípulos: 37”A Messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. 38Pedi pois ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita!” 10,1Jesus chamou os doze discípulos e deu-lhes poder para expulsarem os espíritos maus e para curarem todo tipo de doença e enfermidade. 2Estes são os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e seu Irmão João; 3Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o cobrador de impostos; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; 4Simão, o Zelota, e Judas Iscariotes, que foi o traidor de Jesus. 5Jesus enviou estes Doze, com as seguintes recomendações: “Não deveis ir aonde moram os pagãos, nem entrar nas cidades dos samaritanos! 6Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel! 7Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’. 8Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar!”. - Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor! 2.- Referências para a melhor compreensão do Evangelho:
No início desta passagem do Evangelho, São Mateus nos diz que Jesus sentiu COMPAIXÃO pela multidão, porque a viu “cansada e abatida”; e nos explica que estavam “como ovelhas sem pastor”... Vamos nos deter em analisar esta frase, pois como veremos, tem uma importância transcendental não somente para compreender melhor este Evangelho, mas especialmente para nos convidar a revisar nosso trabalho apostólico. Dizia um sacerdote muito querido, amigo nosso em Mérida, o Padre Jesús Azcorra, que “um dos princi-pais problemas da Igreja é que as ovelhas não querem ser pastores, e os pastores não querem ser ovelhas”... Afinal de contas (pensamos nós), Jesus foi Cordeiro e Pastor. Não deveríamos buscar nos parecer com Ele em tudo? Mas bem, analisando o assunto dos rebanhos, é curioso o que acontece na vida do campo: Quando as ovelhas não têm pastor realmente tendem a se extraviar. Talvez buscando cada uma o melhor pasto para si mesma, não se dão conta de até onde dirigem seus passos e acabam se perdendo. O mais interessante é que isto acontece até quando deixam de “perceber” seu pastor (embora o tenham e ele esteja ali); quem sabe se o andam olhando de soslaio enquanto comem, mas se o vêem, não se afastam, e se deixam de vê-lo, não tardam a escapulir. Por isso é importante que o pastor esteja permanentemente fazendo-se ver e ouvir por suas ovelhas. Se este dorme ou se entretém em outras coisas, é certo que depois terá que ir procurá-las, quando anoitecer, para levá-las para casa, e quem sabe com que surpresas se encontrará então! A imagem do pastor é mencionada freqüentemente na Bíblia, pois a Palestina era uma região dedicada à atividade pastoril. A terra ali era em sua maioria desértica e rochosa, e portanto mais apta para a criação de ovelhas, cordeiros e bodes que para a agricultura ou criação de outras espécies. Somente a partir de 1950 a tecnologia de irrigação dos israelitas começou a ir dominando tão agreste paisagem e diversificando sua produção agrícola e pecuária. Naqueles tempos, em geral, os rebanhos pequenos eram cuidados por seus donos ou pelos filhos deles, e os grandes, por falta de numerosos filhos, requeriam a contratação de um pastor, a quem geralmente se pagava com uma parte dos produtos do rebanho e talvez algum dinheirinho. A vida dos pastores SEMPRE foi muito dura. Deviam guiar os rebanhos em busca de alimentos (levando-os e trazendo-os de um lado a outro), e também cuidar deles com esmero, defendendo-os das feras, dos bichos e dos ladrões. É muito certo que na época de Jesus não havia sido inventado o alambrado, que de alguma forma ajuda os pastores agora, limitando os extravios; mas também é certo que nem para os animais, nem para os la-drões, os cercados de arame são um impecilho, e por isso, no máximo ajudam a reduzir os riscos. Agora, se nos voltamos para o tipo de ovelhas às que devemos nos referir, e no tipo de tarefa pastoral a que aludimos, os alambrados (que bem poderiam ser representados pela formação na Sã Doutrina da Igreja; o conhecimento das Sagradas Escrituras, uma sólida formação moral, etc) tendem a diluir-se, e as coisas estão pior que naquele tempo: vivemos em uma aldeia global, onde imperam a confusão e as falsas doutrinas; há uma crise generalizada de motivação para participar em diversas instituições, e os perigos que assaltam a alma penetram por todas as frestas. Se não há pastores zelosos, capazes de se ocuparem com seus rebanhos, de amá-los e cuidar deles, de guiá-los e motivá-los, com certeza estes rebanhos se perderão, fazendo definhar não somente a Obra de Deus, mas também as almas, começando pelas dos próprios pastores, que não foram fiéis naquilo que lhes havia sido confiado. Esse trabalho de guia e especial cuidado que devem ter os verdadeiros pastores com suas ovelhas fez com que, por analogia, desde o tempo de Israel se chamasse também de “pastores” aos reis, assim como às altas autoridades políticas e religiosas, a quem Deus havia confiado o trabalho de reunir e cuidar das “ovelhas de seu rebanho”. As Sagradas Escrituras nos falam em diversas ocasiones sobre a orfandade do povo, e sobre sua necessidade de contar com um pastor que os guie. Assim vemos como Moisés, já pronto a partir, roga a Deus: “O Senhor Deus dos espíritos e de toda a carne escolha um homem que chefie a assembléia, que marche à sua frente e guie os seus passos, para que a assembléia do Senhor não seja como um rebanho sem pastor.” Foi quando Deus escolheu a Josué, “no qual residia o Espírito” para que sucedesse a Moisés no momento de sua morte (cf. Números 27,15-21). Deus quis sempre que os líderes de Israel guiassem seu povo elegido para que pudesse cumprir com seu elevado destino, que era o de se constituir em “luz das nações” (Is 49,6). No entanto, eles falharam, e como diz o próprio Javé a Jeremias: “Não procuram mais o Senhor” (Jer 10,21), “Assim fala o Senhor, Deus de Israel, acerca dos pastores que apascentam o meu povo: Dispersastes o meu rebanho e o afugentastes, sem dele vos ocupar.” (Jer 23,2). Nos livros dos profetas, há várias alusões a este assunto. Assim, no livro de Ezequiel, por exemplo, le-mos que Deus lhe diz: “filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel; dize-lhes, a esses pastores, este oráculo: eis o que diz o Senhor Javé: ai dos pastores de Israel que só cuidam do seu próprio pasto. Não é seu rebanho que devem pastorear os pastores? (...) Por falta de pastor, dispersaram-se minhas ovelhas, e em sua dispersão foram expostas a tornarem-se presa de todas as feras. Minhas ovelhas vagueiam em toda parte sobre a montanha e sobre as colinas, elas se acham espalhadas sobre toda a superfície da terra, sem que ninguém cuide delas ou se ponha a procurá-las.” (cf. Ez 34,1-5). No livro de Zacarias podemos ler: “...Os terafins deram falsos oráculos, os adivinhos só tiveram visões mentirosas; contam sonhos vãos, e suas consolações são inúteis. Por isso, o povo desgarrou-se como um rebanho e se pôs a vagar por falta de pastor.” (Zac 10,2) Esta foi, em geral, a triste situação do povo escolhido por Deus, que sem contar poucas e honrosas exceções, desde Davi não teve os líderes necessários até a chegada do Messias. É por isso que Jesus agora chamará e enviará os doze apóstolos como “novos pastores”. Com isso os anteriores (as autoridades políti-cas e religiosas) ficam desautorizadas, por não terem cumprido, como deveriam, sua missão. Agora os doze representarão o novo Israel, à semelhança das doze tribos convocadas por Deus desde o princípio para ser luz do mundo. O versículo anterior à passagem do Evangelho que hoje lemos (isto é, Mateus 9,35) é suficiente para compreender o contexto imediato dentro do qual se encontra imersa esta passagem: ele diz que “Jesus percorria todas as cidades e aldeias. Ensinava nas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando todo mal e toda enfermidade.” Com este parágrafo simples, São Mateus resume magistralmente em que consistia a missão (ou seja, o Ministério, o trabalho) de Jesus. Ao dizer que “curava todo mal e enfermidade”, o evangelista ressalta que o Reino de Deus já chegou, e que o mal começava a receber um golpe mortal. Deus mesmo, em Sua Segunda Pessoa, fazia-se presente entre os homens para curá-los de todos os seus sofrimentos. Havia sido iniciada a Obra da Redenção da humanidade, e essas curas, de “todo mal”, deviam ser sinais visíveis da Salvação que se começava a realizar por meio de Jesus Cristo, para que o povo cresse nEle e aceitasse que, evidentemente, o Reino de Deus estava próximo. O mesmo deveria acontecer hoje: em meio de um mundo absolutamente materializado, e onde “tudo parece ser relativo”, nossas comunidades PRECISAM dar, emitir, mostrar sinais visíveis de que Deus existe, de que Jesus Cristo, nosso Senhor, vive e age no meio dos homens de nosso tempo; de que sua palavra está viva, porque nós a fazemos carne, nós a vivemos e a pregamos de viva voz em com nosso exemplo. Se não somos capazes de mostrar que o verdadeiro caminho para a felicidade que todo ser humano busca não passa por dar rédeas a todos os nossos desejos, instintos e impulsos; se não somos capazes de per-doar e de amar até o extremo, de nos sacrificarmos e de colocar todos os nossos “talentos” a serviço dos outros, de nos fazermos “um” com nossos irmãos para cumprir com a Vontade de Deus, estaremos esbanjando as graças recebidas freqüentemente através dos Sacramentos. Se não somos capazes de ser ovelhas, obedecendo a Deus e às pessoas que Ele coloca como pastores nossos para que nos dirijam, e não somos capazes de ser pastores segundo o Coração de Jesus, capazes de dar a vida dia a dia por cada uma das ovelhas que Deus também colocou aos nossos cuidados, não podemos nos chamar de “apóstolos”, nem da nova evangelização nem de nada. O trabalho pastoral que nos foi confiado requer esforço, esmero e sacrifício. Hoje recomendamos de modo especial a leitura da Catequese para Casinhas do Oração de Crianças, que oferece uma reflexão muito instrutiva sobre o Evangelho, do discipulado e o apostolado, que por razões de espaço não incluímos neste guia. 3.- Perguntas para orientar a reflexão: (Ler pausadamente cada questão e fazer um instante de silêncio após cada uma delas, para permitir a reflexão dos irmãos) a) Jesus nos libertou com sua morte e ressurreição. Ofereço-me agora para ajudar a libertar mais almas? b) Sou capaz de olhar por cima de minhas próprias necessidades ou desejos, para compreender as urgências do Senhor e atendê-las devidamente? c) “De graça recebestes, de graça deveis dar!” Posso doar meu tempo, meu dinheiro e/ou bens, para a edificação do Reino? Faço-o com freqüência? d) Estou participando ativamente em algum Ministério de Serviço do Apostolado? Sei como ser pastor e ovelha ao mesmo tempo? Como estou fazendo isso? 4.- Comentários dos irmãos: Após um momento de silêncio concede-se a palavra aos participantes da Casinha de Oração para que expressem suas opiniões, reflexões e comentários, buscando a participação de todos.
5.- Concordâncias do Evangelho com o Catecismo da Igreja Católica
Diz a fé: Cânones 1739 a 1741 (Libertação e salvação) 1739 Liberdade e pecado. A liberdade do homem é finita e falível. De fato, o homem falhou. Pecou livremente. Recusando o projeto do amor de Deus, enganou-se a si mesmo, tornou-se escravo do pecado. Esta primeira alienação gerou outras, em grande número. Desde suas origens, a história comprova os infortúnios e opressões nascidos do coração do homem por causa do mau uso da liberdade. 1740 Ameaças à liberdade. O exercício da liberdade não implica o direito de dizer e fazer tudo. É falso pretender que “o homem, sujeito da liberdade, baste a si mesmo, tendo por fim a satisfação de seu próprio interesse no gozo dos bens terrenos”. (CDF, instr. “Libertatis conscientia” 13). Por sua vez, as condições de ordem econômica e social, política e cultural requeridas para um justo exercício da liberdade são muitas vezes desprezadas e violadas. Estas situações de cegueira e injustiça prejudicam a vida moral e levam tanto os fortes como os fracos à tentação de pecar contra a caridade. Fugindo da lei moral, o homem prejudica sua própria liberdade, acorrenta-se a si mesmo, rompe a fraternidade com seus semelhantes e rebela-se contra a verdade divina. 1741 Liberdade e salvação. Por sua gloriosa cruz, Cristo obteve a salvação de todos os homens. Resgatou-os do pecado que os mantinha na escravidão. “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1). Nele comungamos da “verdade que nos torna livres”. O Espírito Santo nos foi dado e, como ensina o apóstolo, “onde se acha o Espírito do Senhor, aí está a liberdade” (2 Cor 3,17). Desde agora participamos da “liberdade da glória dos filhos de Deus”. (Cf. Rom 8,21). Nossa resposta: 2854 (Livrai-nos do mal); 2750 2854 Ao pedir que nos livre do Maligno, pedimos igualmente que sejamos libertados de todos os males, presentes, passados e futuros, dos quais ele é autor ou instigador. Neste último pedido, a Igreja traz toda a mi-séria do mundo diante do Pai. Com a libertação dos males que oprimem a humanidade, ela implora o dom precioso da paz e a graça de esperar perseverantemente o retorno de Cristo. Rezando dessa forma, ela antecipa, na humildade da fé, a recapitulação de todos e de tudo naquele que “detém as chaves da Morte e do Hades” (Ap 1,18), “o Todo-Poderoso, Aquele que é, Aquele que era Aquele que vem” (Ap 1,8): Livrai-nos de todos os males, ó Pai, e dai-nos hoje a vossa paz. Ajudados por vossa misericórdia, sejamos sempre livres do pecado e protegidos de todos os perigos, enquanto, vivendo a esperança, aguardamos a vinda do Cristo Salvador. (Missal Romano).
2750 É entrando no santo nome do Senhor Jesus que podemos acolher, interiormente, a oração que Ele nos ensina: “Pai nosso!” Sua oração sacerdotal inspira os grandes pedidos do Pai-Nosso: a solicitude pelo nome do Pai, a paixão por seu Reino (a glória), o cumprimento da vontade do Pai, de seu plano de salvação, e a libertação do mal. (Cf. Jo 17,15). 6.- Refletindo com a Grande Cruzada CM 137 Vós empreendeis uma campanha que vai diretamente ao coração do homem... dos vossos, Meus filhos amados. Mas, estais dispostos a tomar as insígnias desta luta: Meu Sacratíssimo Coração e o Imaculado Coração de Minha Mãe? Estais dispostos a tomar o estandarte da Eucaristia e alçá-lo no alto para que seja farol e luz deste povo, que ilumine a todos os povos? 7.- Comentários finais: Concede-se novamente a palavra para fazer breve referência aos textos lidos (do Catecismo ou das mensagens) ou a qualquer outro assunto de interesse para a Casinha ou o Apostolado. 8.- Virtude do mês: Durante este mês de junho, praticaremos a virtude da Obediência (CIC: 143 – 144 – 511 – 532 – 892 - 2251) Esta semana veremos o cânon 511, que diz textualmente o seguinte: 511 A Virgem Maria cooperou “para a salvação humana com livre fé e obediência” Pronunciou seu “fiat” (fa-ça-se) “loco totius humanae naturae” (“em representação de toda a natureza humana” - São Tomás de Aquino, Suma Teológica. 3,30,1 ). Por sua obediência, tornou-se a nova Eva, Mãe dos viventes. E a Grande Cruzada nos diz a respeito: CM 20: Aqueles que se humilham em obediência a seus superiores, são obedientes a Mim. Quem se humilha de início e depois ergue a cabeça para desobedecer a seus superiores, está demonstrando um orgulho oculto que foi plantado muito fundo dentro deles. Eu vos peço que sejais obedientes aos vossos superiores nos bons trabalhos de Deus. O orgulho pode ser enganoso, filhinhos; muitos desejam ir por si mesmos pensando que Me obedecem, mas é somente a seu orgulho que estão servindo. Em verdade te digo, que a menos que sejais obedientes a vossos superiores religiosos, não podeis servir a nenhum de vossos irmãos e muito menos fazer bem os trabalhos de Deus. 9.- Propósito para esta semana: Pensarei, em oração, se o que estou dando em minha vida apostólica é tudo o que posso dar, ou se poderia fazer ainda um pouco mais. Acaso não fui chamado pelo Senhor para servi-lo? Para que vou me reservar? FICAREI ATENTO ÀS MUITAS OCASIÕES NAS QUAIS MEU ORGULHO SE IMPÕE À MINHA NECESSIDADE DE OBEDIÊNCIA, E EM EXERCÍCIO DE HUMILDADE SUBMETEREI MEU ESPÍRITO PARA CUMPRIR MINHAS OBRIGAÇÕES APOSTÓLICAS QUE UM DIA ACEITEI VOLUNTARIAMENTE. Apostolado da Nova Evangelização 2008
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