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Apostolado da Nova Evangelização no Brasil

Apostolado da Nova Evangelização no Brasil

São Carlos, 17 de maio de 2008
IV Domingo de Páscoa PDF Imprimir E-mail
Por ANE Internacional   

Semana de 13 a 19 de abril de 2008
“A voz do Bom Pastor é diferente”

A PALAVRA DE DEUS
1ª Leitura: At 2, 14a, 36-41: “Deus o constituiu Senhor e Cristo”
Salmo 22,1-6: “O Senhor é meu pastor, nada me falta”
2ª Leitura: 1Pd 2, 20b-25: “Voltastes ao Pastor e guarda de vossas vidas”
Evangelho: Jo 10,1-10: “Eu sou a porta das ovelhas”

1.- Leitura do Evangelho segundo Lucas (Jo 10, 1-10)

Naquele tempo, disse Jesus: 1”Em verdade, em verdade vos digo, quem não entra no redil das ovelhas pela porta, mas sobe por outro lugar, é ladrão e assaltante. 2Quem entra pela porta é o pastor das ovelhas. 3A esse o porteiro abre, e as ovelhas escutam a sua voz; ele chama as ovelhas pelo nome e as conduz para fora. 4E, depois de fazer sair todas as que são suas, caminha à sua frente, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz. 5Mas não seguem um estranho, antes fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos”.
6Jesus contou-lhes esta parábola, mas eles não entenderam o que ele queria dizer. 7Então Jesus continuou: “Em verdade, em verdade vos digo, eu sou a porta das ovelhas. 8Todos aqueles que vieram antes de mim são ladrões e assaltantes, mas as ovelhas não os escutaram. 9Eu sou a porta. Quem entrar por mim, será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagem. 10O ladrão só vem para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”.

- Palavra da Salvação!
- Glória a Vós, Senhor!


2.- Referências para a melhor compreensão do Evangelho:

As palavras de Jesus nesta passagem do Evangelho parecem não precisar de uma explicação ou referência do contexto em que foram pronunciadas, porque sua aplicação é absolutamente clara e universal: sempre houve e haverá “ladrões e malfeitores”, ou, como disse Sua Santidade Bento XVI ao iniciar seu pontificado, sempre haverá “lobos” que, pretendendo fazer-se passar por justos, buscarão aproveitar-se do re-banho do Senhor para seu próprio benefício e interesse.

“Rogai por mim, para que, por medo, não fuja diante dos lobos...” – pediu-nos o Santo Padre em sua primeira homilia dominical, em 24 de abril de 2005; logo se cumprirão três anos de tal acontecimento...—

No Evangelho segundo São Mateus, encontramos a advertência que Jesus faz aos seus discípulos, aos de então e aos de sempre: “Guardai-vos dos falsos profetas. Eles vêm a vós disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos arrebatadores.” (Mt 7,15) Referências similares, embora mais graves, veremos também em Mt 24 e Mc 13...

No que corresponde estritamente ao discurso do Evangelho de São João que hoje nos cabe analisar, dizem os exegetas (os estudiosos que nos ajudam a compreender melhor o correto sentido das Sagradas Escrituras) que Jesus se referia aos líderes judeus que, poucos anos antes de que Ele começasse sua pregação, e até anos depois, conduziram algumas facções, seitas e grupos do povo a sangrentos levantes contra o poder imperial dos romanos.

Tais seriam os casos de Teudas e de Judas o Galileu, aos quais se refere um doutor da lei, chamado Gamaliel (e que por sua vez havia sido o mestre de São Paulo) ao pedir a todos os anciãos de Israel, reuni-dos no Sinédrio, que não matassem os Apóstolos. (Cf. Atos 5,17-42 – RECOMENDAMOS ESPECIALMENTE SUA LEITURA).

Por sua vez, o historiador Flavio Josefo também se refere àqueles dois, e a outros líderes judeus que tiveram atuações similares, em duas de suas obras: “Antigüidades Judaicas” e “A guerra dos judeus”.

Em todo caso, Jesus ressalta com clareza que as ovelhas pertencentes ao Seu rebanho conhecem muito bem Sua Voz, e dá a entender que, ajudadas pela graça, serão preservadas de seguir os “estranhos”, e até fugirão deles quando chegar o momento.

Ao ver a necessidade de uma explicação mais clara sobre o que estava dizendo àqueles que o escutavam, Jesus insistirá, dizendo sem rodeios: “Em verdade, em verdade vos digo, eu sou a porta das ove-lhas. Todos aqueles que vieram antes de mim são ladrões e assaltantes, mas as ovelhas não os escutaram.”

Espera-se, pois, que o mesmo deverá acontecer sempre, embora para isso, insistimos, seja necessária a graça, que provém somente de uma verdadeira FIDELIDADE à Voz do Bom Pastor, e aqui está uma das chaves do que, entendemos, Deus quer nos dizer hoje por meio deste Evangelho.

“Eu sou a porta” – continua dizendo o Senhor —: “Quem entrar por mim, será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagem.” É digna de destaque a sensação de segurança, de bem-estar e também de verdadeira LIBERDADE que Jesus nos transmite através desta figura: quem está com o Senhor não precisa de absolutamente nada, nem sente falta de nada, pois com a Luz do Espírito Santo pode discernir o que não lhe convém e fugir dele.

No entanto, ao recordar as palavras de Jesus, São João insiste em apresentar novamente a antítese (ou o contraste) a essa imagem de perfeita paz e harmonia: “O ladrão só vem para roubar, matar e destruir...”

Este cenário duplo, que através desta breve passagem evangélico João apresenta como um diretor de cinema faria hoje, contrapondo (por meio de uma edição em paralelo) imagens do que é agradável, doce e bom, com imagens de desolação, aridez e do mal em todas as suas formas, convida-nos na verdade a aprofundar nossa conversão e nossa entrega a Jesus, o Bom Pastor, em cujo lado se está real e definitivamente bem.

No entanto, cabe perguntar-se, individualmente, quem ou o quê pode estar fazendo o papel do “ladrão” em minha vida espiritual; é necessário perguntar-se o que é que poderia pôr a perder toda a beleza que Je-sus me oferece e tem para mim: Será algo do que faço? Algo do que penso, do que digo, ou do que deixo de fazer...? Alguma má companhia, ou algum mau hábito que tenho, talvez...?

Se estamos seguindo a Jesus como devemos, DEVE HAVER essas “vozes” que querem me afastar dEle, seja provindo de outras pessoas ou de mim mesmo, porque o inimigo comum das almas nunca deixará de nos tentar ou provar, até que fechemos definitivamente os olhos, sobretudo quanto mais fruto sejamos capazes de estar dando na Graça de Deus e contando com Sua amizade. O importante é identificar minhas fraquezas e combatê-las com a oração e o jejum.

Jesus manifestou que o seu é um “pequeno rebanho” e isto deve nos alertar, uma vez mais, sobre a dificuldade que sempre será segui-lo; mas ao nos dizer isto, Ele também nos disse que não tenhamos medo, e que conscientes do prêmio que nos espera, que nos desfaçamos de tudo, para adquirir o melhor tesouro junto a Deus. (Cf. Lc 12,32-34).

A mensagem final, a última frase de Jesus neste discurso que hoje João nos apresenta, deverá ser para nós o impulso definitivo e sempre renovado de alento: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.” O que mais se poderia esperar dEle? A palavra abundância diz tudo: ausência de necessidades, plenitude de bem, saciedade, integridade, totalidade... em uma palavra: perfeição.

Por isso, o ex-Cardeal Ratzinger, no conhecido texto “A Nova Evangelização” (de que sempre falamos) dirá que evangelizar é ensinar às pessoas a arte de viver... pois se todo ser humano precisa saber como viver, como fazer para encontrar a felicidade, há somente uma Pessoa que pode nos orientar perfeitamente nesta busca, e essa pessoa é Jesus, que não só nos diz “eu sei como viver” como “EU SOU A VIDA” (Cf. Ratzinger. “A Nova Evangelização”. Roma, 30 de junho de 2001). Além de tudo, Ele veio “SOMENTE” para que tenhamos vida EM ABUNDÂNCIA.

 

3.- Perguntas para orientar a reflexão: (Ler pausadamente cada questão e fazer um instante de silêncio após cada uma delas, para permitir a reflexão dos irmãos)
a) O mundo nos chama com prazeres e comodidades, o Senhor nos chama a aceitar com alegria o sofrimento. A que rebanho pertenço de verdade?
b) Aceito a vontade de Deus, o Bom Pastor, apesar de ser contrária aos meus próprios desejos e impulsos? Tenho claramente identificadas as “vozes” que querem me afastar de Deus? Como estou procurando combatê-las?
c) De alguma maneira todos somos e DEVEMOS ser ovelhas e pastores. Como imito a Jesus, sendo também um bom pastor que guia os outros para a porta do Senhor? Como eu poderia fazer melhor isto?
d) O que significa para mim ter “vida em plenitude” ou “vida em abundância”? O que me falta para alcançá-la?
e) Sinto às vezes que meu coração “arde” de emoção ou de amor por Deus? Por que e como permito que esse ardor se apague e não dê o fruto que o Senhor espera ao inflamá-lo? Estou rezando o suficiente, para pedir ao Senhor que fique sempre comigo?


4.- Comentários dos irmãos:
Após um momento de silêncio concede-se a palavra aos participantes da Casinha de Oração para que expressem suas opiniões, reflexões e comentários, buscando a participação de todos.


5.- Concordâncias do Evangelho com o Catecismo da Igreja Católica

764 “Este Reino manifesta-se lucidamente aos homens na palavra, nas obras e na presença de Cristo.” Aco-lher a palavra de Jesus é “acolher o próprio Reino”. O germe e o começo do Reino são o “pequeno rebanho” (Lc 12,32) dos que Jesus veio convocar em torno de si, dos quais ele mesmo é o pastor”. Eles constituem a verdadeira família de Jesus. (Cf. Mt 12,49). Aos que assim reuniu em torno dele, ensinou uma “maneira de agir” nova e também uma oração própria. (Cf. Mt 5-6).

880 Cristo, ao instituir os Doze, “instituiu-os à maneira de colégio ou grupo estável, ao qual propôs Pedro, escolhido dentre eles.” Assim como, por disposição do Senhor, São Pedro e os outros apóstolos constituem um único colégio apostólico, de modo semelhante o Romano Pontífice, sucessor de Pedro, e os Bispos, sucessores dos Apóstolos, estão unidos entre si.

142 Por sua Revelação, “o Deus invisível, levado por seu grande amor, fala aos homens como a amigos, e com eles se entretém para os convidar à comunhão consigo e nela os receber”. A resposta adequada a este convite é a fé.

143 Pela fé, o homem submete completamente sua inteligência e sua vontade a Deus. Com todo o seu ser, o homem dá seu assentimento a Deus revelador. (Cf. DV 5). Sagrada Escritura denomina “obediência da fé” esta resposta do homem ao Deus que revela. (Cf. Rom 1,5; 16,26).

2179 “Paróquia é uma determinada comunidade de fiéis, constituída de maneira estável na Igreja particular, e seu cuidado pastoral é confiado ao pároco, como a seu pastor próprio, sob autoridade do bispo diocesano.” E o lugar onde todos os fiéis podem ser congregados pela celebração dominical da Eucaristia. A paróquia inicia o povo cristão na expressão ordinária da vida litúrgica, reúne-o nesta celebração, ensina a doutrina salvífica de Cristo, pratica a caridade do Senhor nas obras boas e fraternas. (Cf. João Paulo II, Ad. ap. Christifideles laici, 26: AAS 81 (1989) 437-440).

Não podes rezar em casa como na Igreja, onde se encontra o povo reunido, onde o grito é lançado a Deus de um só coração. Há ali algo mais, a união dos espíritos, a harmonia das almas o vínculo da caridade, as orações dos presbíteros. (São João Crisóstomo, incomprehens. 3,6).



6.- Refletindo com a Grande Cruzada
CA 99
Mas eis que o Pastor sobe a uma íngreme montanha, onde a erva é mais rara mas de sabor melhor do que a erva dos prados. Valente ovelhinha, come o que encontras atrás de suas pegadas: é bom aquele que te guia e aprecia o esforço das tuas delicadas perninhas. Então, quererás parar? Por quê? Aqui há pouca erva e se olhas para cima te sobrevém a vertigem. Não, mais alto, mais alto encontrarás melhor pasta-gem: sobe Comigo! Firma teus pés no terreno pedregoso; segue firme se mais alguma pedra rolar; não de-ves cair, mas olhar mais para cima.

CA 162 Segui o rastro de Meu Precioso Sangue
Ajudai-Me, filhinhos, recolhei depressa todas as Minhas amadas ovelhas, lutai e defendei-as ainda à custa de vossas vidas, recordai que prestareis contas quando Eu vos chamar. Se chegais diante de Mim luxuosos e despreocupados, despedir-vos-ei de Meu Reino, porque vos tereis preocupado mais com vosso bem-estar e não com vosso trabalho. E se vos vejo vir todos cansados, feridos e em farrapos, Eu vos direi: vinde a Meus Braços, benditos de Meu Pai, e tomai posse de Meu Reino, fostes bons pastores.


7.- Comentários finais:
Concede-se novamente a palavra para fazer breve referência aos textos lidos (do Catecismo ou das mensagens) ou a qualquer outro assunto de interesse para a Casinha ou o Apostolado.

 

8.- Virtude do mês:
Durante este mês de abril, praticaremos a virtude da Castidade (CIC.: 922—1632—1832—2337 a 2346)

O evangelho nos orienta para o bom uso de nossa capacidade sexual que deve ser exercida sobretudo apelando à fortaleza e à temperança para praticá-la com retidão dentro das regras aceitas pela Igreja Católica e com total responsabilidade.

A castidade significa a integração correta da sexualidade na pessoa e, com isso, a unidade interior do homem em seu ser corporal e espiritual. A sexualidade, na qual se exprime a pertença do homem ao mundo corporal e biológico, torna-se pessoal e verdadeiramente humana quando é integrada na relação de pessoa a pessoa, na doação mútua integral e temporalmente ilimitada do homem e da mulher.

A virtude da castidade comporta, portanto, a integridade da pessoa e a integralidade da doação.

Esta semana veremos o cânon 1632, que diz textualmente o seguinte:

1632 O papel dos pastores e da comunidade cristã como “família de Deus” é indispensável para a transmissão dos valores humanos e cristãos do Matrimônio e da família (Cf. CDC can. 1063), e mais ainda porque em nossa época muitos jovens conhecem a experiência dos lares desfeitos que não garantem mais suficientemente esta iniciação (feita dentro da família):

Os jovens devem ser instruídos convenientemente e a tempo sobre a dignidade, a função e o exercício do amor conjugal, a fim de que, preparados no cultivo da castidade, possam passar, na idade própria, do noivado honesto para as núpcias. (GS 49,3).

E a Grande Cruzada nos diz a respeito:

CM 76 A primeira e mais essencial virtude é o Amor. Onde ele reina, florescem todas as outras virtudes, porque dele esperam alimento contínuo a castidade, a humildade, a fortaleza, a justiça, etc.
Seria bom cultivar a planta maior para ter as outras plantas pequenas. Mas, cultivar as pequenas e esquecer a maior é um erro crasso.

 

9.- Propósito para esta semana:

REVISAREI ATENTAMENTE MEU TRABALHO PASTORAL, E PRESTAREI ESPECIAL ATENÇÃO A TODAS AS “OVELHAS” QUE O SENHOR ME CONFIOU (MEUS FILHOS, AS PESSOAS QUE DEPENDEM DE MEU TRABALHO, MEUS “IRMÃOS MENORES” NO APOSTOLADO); COMPARTILHAREI COM ELAS O MAIOR TEMPO POSSÍVEL, SEM DESCUIDAR DE MINHAS OUTRAS OBRIGAÇÕES.

Em minha casa e em meu trabalho, procurarei, manter castos meus sentidos e minha língua, evitando distrações, conversas, comentários e brincadeiras que atentem contra esta virtude.

 
Apostolado da Nova Evangelização 2008

 

 
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