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Semana de 06 a 12 de abril de 2008 “Reconheceram-no ao partir o pão” A PALAVRA DE DEUS 1ª Leitura: At 2,14.22-28: “Não era possível que a morte o dominasse”” Salmo 15,1-2.5.7-11: “Senhor, Vós me ensinais o caminho para a vida” 2ª Leitura: 1Pd 1,17-21: “Fostes redimidos com o sangue de Cristo, o Cordeiro sem mancha nem defei-to” Evangelho: Lc 24,13-35: “Reconheceram-no ao partir o pão”
1.- Leitura do Evangelho segundo Lucas (Lc 24,13-35) 13Naquele mesmo dia, o primeiro da semana, dois dos discípulos de Jesus iam para um povoado, chamado Emaús, distante onze quilômetros de Jerusalém. 14Conversavam sobre todas as coisas que tinham acontecido. 15Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles. 16Os discípulos, porém, estavam como que cegos, e não o reconheceram. 17Então Jesus perguntou: “O que ides conversando pelo caminho?” Eles pararam, com o rosto triste, 18e um deles, chamado Cléofas, lhe disse: “Tu és o único peregrino em Jerusalém que não sabe o que lá aconteceu nestes últimos dias?” 19Ele perguntou: “O que foi?” Os discípulos responderam: “O que aconteceu com Jesus, o Nazareno, que foi um profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e diante de todo o povo. 20Nossos sumos sacerdotes e nossos chefes o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram. 21Nós esperávamos que ele fosse libertar Israel, mas, apesar de tudo isso, já faz três dias que todas essas coisas aconteceram! 22É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos deram um susto. Elas foram de madrugada ao túmulo 23e não encontraram o corpo dele. Então voltaram, dizendo que tinham visto anjos e que estes afirmaram que Jesus está vivo. 24Alguns dos nossos foram ao túmulo e encon-traram as coisas como as mulheres tinham dito. A ele, porém, ninguém o viu”. 25Então Jesus lhes disse: “Como sois sem inteligência e lentos para crer em tudo o que os profetas falaram! 26Será que o Cristo não devia sofrer tudo isso para entrar na sua glória?” 27E, começando por Moisés e passando pelos Profetas, explicava aos discípulos todas as passagens da Escritura que falavam a respeito dele. 28Quando chegaram perto do povoado para onde iam, Jesus fez de conta que ia mais adiante. 29Eles, porém, insistiram com Jesus, dizendo: “Fica conosco, pois já é tarde e a noite vem chegando!” Jesus entrou para ficar com eles. 30Quando se sentou à mesa com eles, tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e lhes distribuía. 31Nisso os olhos dos discípulos se abriram e eles reconheceram Jesus. Jesus, porém, desapareceu da frente deles. 32Então um disse ao outro: “Não estava ardendo o nosso coração, quando ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?” 33Naquela mesma hora, eles se levantaram e voltaram para Jerusalém onde encontraram os Onze reunidos com os outros. 34E estes confirmaram: “Realmente, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!” 35Então os dois contaram o que tinha acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Jesus ao partir o pão. - Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor! 2.- Referências para a melhor compreensão do Evangelho:
Este relato de Lucas nos descreve um acontecimento ocorrido no mesmo domingo da Ressurreição de Jesus. Nos versículos precedentes, o evangelista nos narra o que mais adiante estes dois discípulos lhe contarão, muito sinteticamente e como que de passagem, ao Senhor (embora sem saberem que se tratava dEle). Dirão que nesse dia, ao raiar da aurora, as mulheres que haviam acompanhado Jesus desde a Galiléia – isto é, Maria Madalena, Joana e Maria de Tiago, entre outras – levaram ao sepulcro perfumes preparados e viram que o cadáver não estava lá. Então lhes apareceram dois anjos e lhes disseram que não buscassem entre os mortos “aquele que vive”... Elas correram contar aos discípulos o acontecido e estes não acreditaram, até que Pedro constatou por si mesmo que o corpo de Jesus não estava ali. Mesmo assim, como vemos, as dúvidas sobre a ressurreição persistiam em muitos, ou melhor, em quase todos: o corpo não estava, mas isso não lhes parecia suficiente evidência para proclamar que Cristo havia ressuscitado. Isto aconteceu antes que Jesus lhes aparecesse estando todos reunidos (o que vimos no Evangelho do Domingo da Misericórdia, e que Lucas narrará nos versículos que seguem a esta passagem - Lc 24,36-43). Agora vemos que dois desses discípulos caminhavam para Emaús, certamente discutindo sobre estes assuntos: sobre a veracidade ou não do que lhes disse Madalena sobre os anjos, sobre o que significaria realmente a misteriosa “desaparição” do corpo de Jesus, e ali lhes aparece o Senhor, e se põe a caminhar junto deles, mas, como o Evangelho nos diz, “estavam como que cegos e não o reconheceram”... , algo impedia que seus olhos o reconhecessem. O que poderia ser esse “algo”...? Provavelmente, em primeira instância, a falta de fé, pois como nos mostra São Lucas, evidentemente eles haviam perdido a fé e também muito da esperança: “Nós esperávamos que ele fosse libertar Israel, mas, apesar de tudo isso, já faz três dias que todas essas coisas aconteceram!...” – dirão ao “estranho” que se aproximou deles no caminho. No entanto, algo dessa esperança ainda existe, e por isso fazem com que esse desconhecido saiba das “loucuras” que seus irmãos andam falando por ali: “É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos deram um susto. Elas foram de madrugada ao túmulo e não encontraram o corpo dele. Então voltaram, dizendo que tinham visto anjos e que estes afirmaram que Jesus está vivo. Alguns dos nossos foram ao túmulo e encontraram as coisas como as mulheres tinham dito. A ele, porém, ninguém o viu.” Se não acreditavam, se não esperavam, no fundo de seus corações o que dizem seus irmãos era certo. Diretamente não mencionariam nada disso, pois não fazia sentido que ficassem divulgando meras bobagens ou contos de aparições. Eles crêem, mas lhes falta convicção, falta-lhes a firmeza e valentia para “encarre-gar-se” deste assunto, e por isso dizem que ELAS “voltaram dizendo que tinham visto anjos...”, e depois se encarregam de esclarecer bem que os OUTROS foram “mas a ele ninguém viu”... Por essa atitude temerosa e ambivalente Jesus os repreenderá: “Como sois sem inteligência e lentos para crer em tudo o que os profetas falaram!” - e imediatamente os convidará a refletir: “Será que o Cristo não devia sofrer tudo isso para entrar na sua glória?” Como vemos, é uma reprimenda na verdade leve, amorosa, necessária certamente, para que pudessem abrir seu coração e seu entendimento às coisas de Deus, que sempre têm uma lógica diferente da humana. Não está reclamando por não crerem no que os outros lhes disseram, mas por não entender o que Ele mesmo lhes havia procurado explicar tantas vezes; por não terem a devida disposição para interpretar as Sagradas Escrituras. Se formos pensar, não é muito difícil colocar-se na situação destes discípulos; não somente situando-nos no contexto daquele momento (a traumática morte de seu líder, a derrocada de suas expectativas, a convulsão generalizada, o temor de que se seguissem perseguições...) mas também analisando o que acontece hoje mesmo: que apesar dos dois mil anos transcorridos desde que Jesus passou por este mundo fazendo o bem, se olhamos ao nosso redor (a injustiça, o êxito de tantos delinqüentes “de colarinho branco” e a pobreza extrema de tantos desvalidos, a dor de tantos bons e justos e a falta de misericórdia dos poderosos), às vezes pareciam ter razão aqueles que dizem que Deus não existe, ou parecem estar equivocados aqueles que acreditamos nEle e em que Cristo morreu e ressuscitou para terminar definitivamente com o pecado. Mas podem nossos corações ser tão lentos, ou tão cegos nossos olhos, para não nos permitir entender em quê consiste a Redenção obtida por Jesus Cristo? É que ainda não compreendemos que tipo de “libertação” nos trouxe o Messias? Continuaremos esperando ou procurando promover uma libertação diferente da que Cristo nos trouxe, que é individual e se refere ao poder de satanás sobre nossas almas? Que Deus exista, e que Jesus esteja presente junto a nós todos os dias, até o fim dos séculos (Cfr. Mt 28,20), não quer dizer que o combate com o mal, em todas as suas formas, tenha terminado; ao contrário, quer dizer que nessa presença eucarística de Jesus encontraremos a única fórmula segura para enfrentar o mal. Em sua primeira carta aos cristãos de Corinto, São Paulo lhes (nos) diz algo por demais ilustrativo e instrutivo, sobre a diferença que há entre esta lógica humana e a divina, que compreenderemos plenamente somente quando cruzarmos a barreira da morte e, por meio de Sua graça, ressuscitarmos com Cristo: “Hoje vemos como por um espelho, confusamente; mas então veremos face a face. Hoje conheço em parte; mas então conhecerei totalmente, como eu sou conhecido.” E depois adiciona uma mensagem importante, que deve servir de guia transitório mas fundamental e suficiente para nossos corações inquietos: “Por ora subsistem a fé, a esperança e a caridade - as três. Porém, a maior delas é a caridade.” (1Cor 13,12-13). Que esse amor seja, pois, nossa regra indiscutível de vida, então Jesus ficará permanentemente conosco “até que termine o dia” de nossas vidas. 3.- Perguntas para orientar a reflexão: (Ler pausadamente cada questão e fazer um instante de silêncio após cada uma delas, para permitir a reflexão dos irmãos) a) O que é esse “algo” que me impede às vezes de reconhecer Jesus como meu Senhor e meu Deus, e agir em conseqüência disso, como seu filho e seu servo...? Quantas vezes Ele passa ao meu lado, como mendigo, como doente, como desvalido e não o reconheço...? Quantas vezes Deus me fala, através das pessoas, de certas leituras, de um filme ou dos acontecimentos, e não tenho ouvidos para atendê-lO...? b) Dou permanente testemunho de ser discípulo de Jesus, apesar de não poder vê-lO física e diretamente? Procuro-o cada vez com mais freqüência no Pão Fracionado da Eucaristia? c) Estudo as Sagradas Escrituras com a devida disposição de alma e mente para entendê-las como o Senhor espera? Agora que o reconheço e creio nEle, o que faço e o que mais poderia fazer para difundir melhor sua Palavra? d) Sabendo que a única forma de refletir o rosto de Cristo no meu é vendo-o primeiro nos outros, como posso fazer para reconhecer a Jesus em todos os que me rodeiam? e) Sinto às vezes que meu coração “arde” de emoção ou de amor por Deus? Por que e como permito que esse ardor se apague e não dê o fruto que o Senhor espera ao inflamá-lo? Estou rezando o suficiente, para pedir ao Senhor que fique sempre comigo? 4.- Comentários dos irmãos: Após um momento de silêncio concede-se a palavra aos participantes da Casinha de Oração para que expressem suas opiniões, reflexões e comentários, buscando a participação de todos.
5.- Concordâncias do Evangelho com o Catecismo da Igreja Católica
1347 Por acaso não é exatamente esta a seqüência da Ceia Pascal de Jesus ressuscitado com seus discípulos? Estando a caminho, explicou-lhes as Escrituras, e em seguida, colocando-se à mesa com eles, "to-mou o pão, abençoou-o, depois partiu-o e distribuiu-o a eles". (Cf. Lc 24,13-35). 1329 Ceia do Senhor, pois se trata da ceia que o Senhor fez com seus discípulos na véspera de sua paixão, e da antecipação da ceia das bodas do Cordeiro na Jerusalém celeste. Fração do Pão, porque este rito, próprio da refeição judaica, foi utilizado por Jesus quando abençoava e distribuía o pão como presidente da mesa, sobretudo por da ocasião da Última Ceia. É por este gesto que os discípulos o reconhecerão após a ressurreição, e é com esta expressão que os primeiros cristãos designarão suas assembléias eucarísticas. Com isso querem dizer que todos os que comem do único pão partido, Cristo, entram em comunhão com ele e já não formam senão um só corpo nele. Assembléia eucarística (synaxxis, pronuncie "sináxis"), porque a Eucaristia é celebrada na assembléia dos fiéis, expressão visível da Igreja. 1407 A Eucaristia é o coração e o ápice da vida da Igreja, pois nela Cristo associa sua Igreja e todos os seus membros a seu sacrifício de louvor e de ação de graças oferecido uma vez por todas na cruz a seu Pai; por seu sacrifício ele derrama as graças da salvação sobre o seu corpo, que é a Igreja. 1939 O princípio da solidariedade, enunciado ainda sob o nome de ou “caridade social”, é uma exigência direta da fraternidade humana e cristã (Cf. SRS 38-40; CA 10): Um erro, “hoje amplamente difundido, é o esquecimento desta lei da solidariedade humana e da caridade, ditada e imposta tanto pela comunidade de origem e pela igualdade da natureza racional em todos os homens, seja qual for o povo a que pertençam, como também pelo sacrifício redentor oferecido por Jesus Cristo no altar da cruz a seu Pai celeste, em prol da humanidade pecadora”.
6.- Refletindo com a Grande Cruzada CM 53 Quem vem ao Meu banquete abra bem os olhos e veja o que não é dado ver aos míopes de espírito. Veja e reflita que o amor pelo qual Eu me dou a vós é Divino, isto é, infinitamente superior a todo conhecimento humano, por maior que seja. Reflita que na Ceia Eu dou testemunho com a humilhação exterior (o lava-pés em Meus Apóstolos) do aniquilamento total que Eu queria sofrer até o fim do mundo. (…) e enquanto fiz o que um verdadeiro amante faz pela pessoa que ama, isto é, colocar-se em seu lugar, substituí-la nas coisas mais humildes, de a possibilidade de vos fazer penetrar no segredo de Meu Coração, que anelava por vos deixar o testemunho divino de Meu amor infinito.
7.- Comentários finais: Concede-se novamente a palavra para fazer breve referência aos textos lidos (do Catecismo ou das mensagens) ou a qualquer outro assunto de interesse para a Casinha ou o Apostolado.
8.- Virtude do mês: Durante este mês de abril, praticaremos a virtude da Castidade (CIC.: 922—1632—1832—2337 a 2346) O evangelho nos orienta para o bom uso de nossa capacidade sexual que deve ser exercida sobretudo apelando à fortaleza e à temperança para praticá-la com retidão dentro das regras aceitas pela Igreja Católica e com total responsabilidade. A castidade significa a integração correta da sexualidade na pessoa e, com isso, a unidade interior do homem em seu ser corporal e espiritual. A sexualidade, na qual se exprime a pertença do homem ao mundo corporal e biológico, torna-se pessoal e verdadeiramente humana quando é integrada na relação de pessoa a pessoa, na doação mútua integral e temporalmente ilimitada do homem e da mulher. A virtude da castidade comporta, portanto, a integridade da pessoa e a integralidade da doação. Esta semana veremos o cânon 2346, que diz textualmente o seguinte: 2346 A caridade é a forma de todas as virtudes. Influenciada por ela, a castidade aparece como uma escola de doação da pessoa. O domínio de si mesmo está ordenado para a doação de si mesmo. A castidade leva aquele que a pratica a tornar-se para o próximo uma testemunha da fidelidade e da ternura de Deus. E a Grande Cruzada nos diz a respeito: CA 10 Às vezes se pensa que na paz de nossa casinha foi fruto de uma Graça especial que o Pai nos deu, sem refletirem que esta paz não era somente Graça, mas também conquista de cada dia. Vós só conheceis o pórtico da casa, mas quando subirdes um pouco, vereis que cada degrau custa fadiga e ninguém sobe sem esforço. Por isso as Graças que recebemos eram fruto do amor generoso do nosso Santíssimo Filho, mas dadas com pleno desprendimento de nós próprios; do contrário, o quê poderia premiar no Céu o Meu Jesus? José era puro, diz-se e é verdade, mas Eu desejo acrescentar algo sobre a sua pureza. Equivale a castidade, mas a pureza de Meu esposo tinha uma fragrância especial: era uma pureza tal que podia e pode estar muito próxima da Minha. Pode-se representá-la por um grande ramalhete de lírios cultivados num campo circundado de rosas, isto é, era uma pureza que tinha por horizonte o amor mais santo que um esposo poderia alimentar pela esposa. Se os homens quisessem, poderiam ser preservados de muitas faltas recorrendo a José. Bastaria que pedissem de coração que os guarde de toda a impureza para honrar os gestos de pureza com os quais ele tratou a Mim, sua esposa. 9.- Propósito para esta semana: ESFORÇAR-ME-EI PARA VER JESUS, ESPECIALMENTE, EM MEUS FAMILIARES. Evitarei shows, programas, revistas e qualquer outra coisa que atente contra a virtude da castidade, e procurarei fazer que isto se cumpra em toda a minha família. Apostolado da Nova Evangelização 2008
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