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Semana de 17 a 23 de fevereiro de 2008 “Os que haviam anunciado o Messias vêem sua luz; os que têm que anunciá-lo verão antes sua cruz” A PALAVRA DE DEUS 1ª Leitura: Gn 12,1-4a: “Vocação de Abrão, pai do povo de Deus” Salmo 32,4-5.18-20.22: “Que vossa misericórdia venha sobre nós” 2ª Leitura: 2Tm 1,8b-10: “Deus chama e nos ilumina” Evangelho: Mt 17,1-9
1.- Leitura do Santo Evangelho segundo São Mateus (Mt 17,1-9) Naquele tempo, 1Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e os levou a um lugar à parte, sobre uma alta montanha. 2E foi transfigurado diante deles; o seu rosto brilhou como o sol e as suas roupas ficaram brancas como a luz. 3Nisto apareceram-lhe Moisés e Elias, conversando com Jesus. 4Então Pedro tomou a palavra e disse: “Senhor, é bom ficarmos aqui. Se queres, vou fazer aqui três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”. 5Pedro ainda estava falando, quando uma nuvem luminosa os cobriu com sua sombra. E da nuvem uma voz dizia: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo o meu agrado. Escutai-o!” 6Quando ouviram isto, os discípulos ficaram muito assustados e caíram com o rosto em terra. 7Jesus se aproximou, tocou neles e disse: “Levantai-vos e não tenhais medo”. 8Os discípulos ergueram os olhos e não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus. 9Quando desciam da montanha, Jesus ordenou-lhes: “Não conteis a ninguém esta visão até que o Filho do Homem tenha ressuscitado dos mortos”. - Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor! 2.- Referências para a melhor compreensão do Evangelho:
Se fôssemos nos acostumando a “ouvir” a Palavra de Deus como convém, isto é, com SUMA atenção, certamente começaríamos a refletir sobre esta leitura perguntando-nos o quê havia acontecido seis dias antes da Transfiguração, pois sabemos que na Bíblia não há palavras à toa, e certamente não será “casual” ou fortuito que São Mateus comece este novo Capítulo de seu Evangelho referindo-se ao que aconteceu seis dias atrás. De fato, também Marcos (Mc 9,2) e Lucas (Lc 9,28) narram este acontecimento relacionando-o com o anterior (embora Lucas o situe “uns oito dias depois”, em vez de seis, o que é francamente irrelevan-te). Não pode ser por acaso... De alguma forma, deve haver um vínculo entre uma coisa e a outra, e é claro que há. Vejamos: O capítulo 16 do Evangelho de Mateus termina contando-nos que Jesus disse a seus discípulos que “o Filho do Homem virá na glória de seu Pai com seus anjos, e então recompensará cada um segundo suas obras”. Diz-lhes isto enquanto lhes falava da necessidade do sacrifício pessoal, dizendo-lhes: «Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me...» (Cf. Mt 16,24-28). A mensagem é muito clara, embora ao interpretá-la muitos de nós centramos nossa atenção no tema de carregar a Cruz e muito pouco no requisito prévio, que consiste em NEGAR-SE A SI MESMO. MAIS FRUTUOSO. Quantas pessoas parecem andar procurando cruzes por todo lado, mas ao não saber negar-se a si mesmas primeiro, tem-se a impressão de que querem carregá-las somente para sua própria glória, para vangloriar-se disso, ou por uma simples questão de masoquismo! Esta semana, a liturgia nos recorda a terceira Epifania do Senhor, que é uma revelação de caráter “privado”, pois são somente três as pessoas que assistem a ela: Pedro, Tiago e João, os discípulos mais próximos a Jesus (que são justamente os que o acompanharão depois mais de perto, no Horto das Oliveiras). E como se reforçando o caráter “privado” desta manifestação, ao baixar do “monte santo” – que a tradição da Igreja identificou como o Monte Tabor –, Jesus mesmo lhes pedirá que não comen-tem nada do que viram, até o dia de Sua Ressurreição. Se bem que São João (sendo uma das testemunhas deste acontecimento) não o relate em seu Evangelho, em sua segunda carta, escrita como um “testamento” (e aparentemente dirigida aos judeus de diferentes províncias da Ásia, que se haviam convertido à Fé), São Pedro comentará esta experiência dizendo: “...não é baseando-nos em hábeis fábulas imaginadas que nós vos temos feito conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, mas por termos visto a sua majestade com nossos próprios olhos. Porque ele recebeu de Deus Pai honra e glória, quando do seio da glória magnífica lhe foi dirigida esta voz: Este é o meu Filho muito amado, em quem tenho posto todo o meu afeto’. Esta mesma voz que vinha do céu nós a ouvimos, quando estávamos com ele no monte santo. Assim demos ainda maior crédito à palavra dos profetas, à qual fazeis bem em atender, como a uma lâmpada que brilha em um lugar tenebroso até que desponte o dia e a estrela da manhã se levante em vossos corações” (2Pd 1,16-19). Estes comentários são importantes, pois vêm a reforçar a mensagem central que nos traz o Evangelho de hoje: o Pai manifesta a Gloria de Jesus (isto é, o glorifica) diante de seus apóstolos mais próximos, com o fim de fortalecê-los na fé, pois logo verão seu Mestre escarnecido, desonrado e humilhado, e então precisarão de muita segurança, para não se renderem e poder continuar sua missão adiante. Certamente nos chamará a atenção que, a pesar de terem visto Sua Glória, Pedro e André o abandonarão, assim como os outros, justamente no momento mais difícil da vida de Jesus, mas essa será uma expressão mais da frágil condição humana... No entanto, não haviam recebido a Força do Espírito Santo, que virá a eles em Pentecostes! No entanto, é na carta de Pedro que podemos notar a transcendental importância que teve a Transfiguração do Senhor para nossa Igreja nascente, pois deu ao primeiro Pontífice o poder para dizer: “não nos baseamos em hábeis fábulas imaginadas: nós vimos seu poder, sua majestade e sua glória com nossos próprios olhos, e ouvimos a voz do Pai reconhecendo-o como o Messias.” O fato de que no “monte santo” se mostraram, junto a Jesus, Elias e Moisés; de que foram vistos pelos três apóstolos, e espiritualmente “reconhecidos” por Pedro (embora mentalmente não tenha conseguido “compreender” – como nos diz a Escritura) é altamente significativo: em Jesus se concentram e condensam todas as profecias do Antigo Testamento (representadas pelo Profeta Elias) e toda a Lei (representada em Moisés). Isso vem a confirmar que Ele é o ungido, o Redentor, aquele que fará de novo todas as coisas. Ele é o Messias que Israel esperava desde o princípio de sua história! Os três apóstolos viveram uma antecipação do Céu que Deus nos promete: “É bom estarmos aqui!” – dirá Pedro– “Por que não armamos três tendas para vós e aqui ficamos...?” Não importa que não haja tenda para nós, não importa que nossas famílias estejam ali embaixo, não importa nada... Como é bom estar aqui! A luz, a nuvem, o brilho de Jesus, a voz do Pai... a Glória de Deus...! Mas em um momento tudo voltou a ser como antes, e para o cúmulo dos males, Jesus lhes ordenou que não contassem nada a ninguém. “Duplo castigo!”, acabou-se o gozo extraordinário e nem sequer podiam compartilhar sua experiência... Mas é aqui que vemos a clara relação entre o Evangelho de hoje e o que havia acontecido uma semana antes: Jesus lhes havia dito «Se alguém quiser vir comigo, re-nuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me...», e poucos dias depois lhes permitiu ver antes, a três de seus apóstolos, até onde iria aquele que o seguisse, quem fosse “com Ele”: concedeu-lhes viver uma antecipação da Glória Celestial. Mesmo assim, seria necessária a vinda do Espírito Santo para que eles se fortalecessem e tivessem por justo preço o martírio, se preciso fosse, para chegarem ao Céu. A mensagem completa é clara e contundente; foi assim para eles (por isso os três evangelistas unem os dois acontecimentos) e deve ser também para nós: o caminho é estreito; a felicidade verdadeira e plena (à qual devemos aspirar), está do outro lado; não há Tabor sem Gólgota, não há Páscoa com verdadeira Ressurreição se não há Quaresma com verdadeira Penitência. Não haverá o Céu prometido se não há primeiro a renúncia a si mesmo e a entrega completa, a Deus e aos outros. 3.- Perguntas para orientar a reflexão: (Ler pausadamente cada questão e fazer um instante de silêncio após cada pergunta, para permitir a reflexão dos irmãos) a) Entendo claramente o conceito de “negar-se a si mesmo”? Medito a respeito disso com alguma freqüência? Procuro conscientemente colocar isso em prática constantemente? Que tipo de ações me conduziriam a conseguir fazer isto melhor? b) Jesus se mostra com toda sua glória Sou consciente – e realmente sinto – que a Sagrada Liturgia, os Sacramentos, a oração, o louvor, a adoração, são manifestações da Glória do Senhor? Preparo-me o suficiente para viver esses momentos com alegria? c) Depois de viver essa Glória, “desço o monte” para servir meus irmãos com renovado impulso? d) Tento contagiar essa alegria a quem não a sente? Como poderia conseguir fazer isto? 4.- Comentários dos irmãos: Após um momento de silêncio concede-se a palavra aos participantes da Casinha de Oração para que expressem suas opiniões, reflexões e comentários, buscando a participação de todos.
5.- Concordâncias do Evangelho com o Catecismo da Igreja Católica
568 A Transfiguração de Cristo tem por finalidade fortificar a fé dos apóstolos em vista da Paixão: a subida à “elevada montanha” prepara a subida ao Calvário. Cristo, Cabeça da Igreja, manifesta o que seu Corpo contém e irradia nos sacramentos “a esperança da Glória” (Cl 1,27). (Cf. São Leão Magno, serm. 51,3) 554 A partir do dia em que Pedro confessou que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo, o Mestre “começou a mostrar a seus discípulo que era necessário que fosse a Jerusalém e sofresse... que fosse morto e ressurgisse ao terceiro dia” (Mt 16,21): Pedro rechaça este anúncio, os demais também não o compreendem. É neste contexto que se situa o episódio misterioso da Transfiguração de Jesus sobre um monte elevado, diante de três testemunhas escolhidas por ele: Pedro, Tiago e João (...) 555 Por um instante, Jesus mostra sua glória divina, confirmando, assim, a confissão de Pedro. Mostra também que, para “entrar em sua glória” (Lc 24,26), deve passar pela Cruz em Jerusalém. Moisés e Elias haviam visto a glória de Deus sobre a Montanha; a Lei e os profetas tinham anunciado os sofrimentos do Messias. A Paixão de Jesus é sem dúvida a vontade do Pai: o Filho age como servo de Deus. A nuvem indica a presença do Espírito Santo: “Tota Trinitas apparuit: Pater in voce; Filius in homine, Spiritus in nube clara - A Trindade inteira apareceu: o Pai, na voz; o Filho, no homem; o Espírito, na nuvem clara” (São Tomás de Aquino, Summa Theologica 3,45, 4, ad 2). 556 No limiar da vida pública, o Batismo; no limiar da Páscoa, a Transfiguração. Pelo Batismo de Jesus “declaratum fuit mysterium primae regenerationis - foi manifestado o mistério da primeira regeneração”: o nosso Batismo; a Transfiguração “est sacramentum secundae regenerationis - é o sacramento da segunda regeneração”: a nossa própria ressurreição. (Santo Tomás de A., S. Th. 3,45, 4, ad 2). Desde já participamos da Ressurreição do Senhor pelo Espírito Santo que age nos sacramentos do Corpo de Cristo. A Transfiguração dá-nos um antegozo da vinda gloriosa do Cristo, “que transfigura nosso corpo humilhado, conformando-o ao seu corpo glorioso” (Fl 3,21). Mas ela nos lembra também “que é preciso passarmos por muitas tribulações para entrarmos no Reino de Deus” (At 14,22): Pedro ainda não tinha compreendido isso ao desejar viver com Cristo sobre a montanha. Ele reservou-te isto, Pedro, para depois da morte. Mas agora Ele mesmo diz: Desce para sofrer na terra, para servir na terra, para ser desprezado, crucificado na terra. A Vida desce para fazer-se matar; o Pão desce para ter fome; o Caminho desce para cansar-se da caminhada; a Fonte desce para ter sede; e tu recusas sofrer? (Santo Agostinho, serm. 78,6). 2600 O Evangelho segundo S. Lucas destaca a ação do Espírito Santo e o sentido da oração no ministério de Cristo. Jesus ora antes dos momentos decisivos de sua missão: antes de o Pai dar testemunho dele por ocasião do Batismo e da Transfiguração e antes de realizar por sua Paixão o plano de amor do Pai. Ora também antes dos momentos decisivos que darão início à missão dos Apóstolos: antes de es-colher e chamar os Doze, antes que Pedro o confesse como “Cristo de Deus e para que a fé do chefe dos Apóstolos não desfaleça na tentação. A oração de Jesus antes das ações salvíficas que realiza a pedido do Pai é uma entrega, humilde e confiante, de sua vontade humana à vontade amorosa do Pai. 6.- Refletindo com a Grande Cruzada CA 62 Meu Pai quis que em Minha Transfiguração estivessem presentes três de Meus discípulos. Entre eles, Pedro. E assim o quis para que fossem Minhas testemunhas e não esquecessem que antes do opróbrio, foi o esplendor que se manifestou em Mim. Assim deixei aos Meus a recordação da majestade, mas que deveria servir como confirmação da Minha Divina obra de salvação. Ninguém me impedia de dar ao povo, ou a outras pessoas mais sábias e mais merecedoras, esta Minha manifestação, mas quis limitar-Me a apenas três dentre os Meus, porque antes de tudo, Eu tinha que cumprir Minha missão no maior ocultamento possível.
7.- Comentários finais: Concede-se novamente a palavra para fazer breve referência aos textos lidos (do Catecismo ou das mensagens) ou a qualquer outro assunto de interesse para a Casinha ou o Apostolado.
8.- Virtude do mês: Pobreza espiritual (Catecismo da Igreja Católica: 520 - 2013 - 2544 - 2545 - 2546)
A pobreza evangélica é pôr o coração somente em Deus e saber usar o dinheiro e os bens materiais para servir os outros. “Todos os cristãos... devem tentar orientar retamente seus desejos, para que o uso das coisas deste mundo e o apego às riquezas não os impeça, contrários ao espírito de pobreza evangélica, de buscar o amor perfeito”. “Bem-aventurados os pobres em espírito” (Mt 5,3). As bem-aventuranças revelam uma ordem de felici-dade e de graça, de beleza e de paz. Jesus celebra a alegria dos pobres, a quem já pertence o Reino. O Verbo chama “pobreza em espírito” à humildade voluntária de um espírito humano e sua renúncia; o apóstolo nos dá como exemplo a pobreza de Deus quando diz: “fez-se pobre por nós” (2Cor 8,9) Esta semana veremos o cânon 2545, que diz textualmente o seguinte: 2545 Todos os fiéis de Cristo “devem dirigir retamente seus afetos para que, por causa do uso das coi-sas mundanas, por causa do apego às riquezas contra o espírito da pobreza evangélica, não sejam impedidos de tender à perfeição da caridade”. (LG 42). E a Grande Cruzada nos diz a respeito: CM 109 O apego às coisas é o que transforma o ânimo do homem, porque todas as coisas em si são iguais. A excelência nas coisas gera adulação de uma parte e de outra complacência, de modo que entre essas espadas aguçadas, o homem se enfraquece, ajoelha-se e cai... 9.- Propósito para esta semana:
FALAREI COM ALGUÉM QUE PRECISE, SOBRE AS ANTECIPAÇOES DA GLÓRIA QUE O SENHOR NOS PERMITE VIVER AQUI NA TERRA. Esta semana rezarei diante do Santíssimo Sacramento, para pedir ao Senhor que coloque em meu coração um profundo desejo de mudança, uma autêntica “pobreza de espírito”; assim ganharei, com Sua graça e ajuda, a possibilidade de contemplar e participar de sua glória no Céu.
Apostolado da Nova Evangelização 2008
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