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Semana de 27 de janeiro a 2 de fevereiro de 2008 “Convertei-vos para serdes livres” A PALAVRA DE DEUS 1ª Leitura: Is 9,1-14: “O povo que andava na escuridão viu uma grande luz” Salmo 26,1-4,13-14: “O Senhor é minha luz e salvação” 2ª Leitura: 1Cor 1,10-13,17: “Que sejais todos concordes uns com os outros e não admitais divisões entre vós” Evangelho: Mt 4,12-23
1.- Leitura do Santo Evangelho segundo São Mateus (Mt 4,12-23)12Ao saber que João tinha sido preso, Jesus voltou para a Galiléia. 13Deixou Nazaré e foi morar em Cafarnaum, que fica às margens do mar da Galiléia, 14no território de Zabulon e Neftali, para se cumprir o que foi dito pelo profeta Isaías: 15“Terra de Zabulon, terra de Neftali, caminho do mar, região do outro lado do rio Jordão, Galiléia dos pagãos! 16O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz, e para os que viviam na região escura da morte brilhou uma luz”. 17Daí em diante Jesus começou a pregar dizendo: “Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo”. 18Quando Jesus andava à beira do mar da Galiléia, viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André. Estavam lançando a rede ao mar, pois eram pescadores. 19Jesus disse a eles: “Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens”. 20Eles imediatamente deixaram as redes e o seguiram. 21Caminhando um pouco mais, Jesus viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João. Estavam na barca com seu pai Zebedeu consertando as redes. Jesus os chamou. 22Eles imediatamente deixaram a barca e o pai, e o seguiram. 23Jesus andava por toda a Galiléia, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando todo tipo de doença e enfermidade do povo. - Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor! 2.- Referências para a melhor compreensão do Evangelho: Os ensinamentos deste Evangelho são verdadeiramente inesgotáveis, ao mesmo tempo que sérios para nós, e acaba sendo um pouco difícil poder oferecer, em tão breve espaço, as referências de contexto (que sempre procuramos dar para a melhor compreensão da Leitura) e uma orientação adequada para sua reflexão, mas seja em nome de Deus, vamos lá... Embora sem expressá-lo diretamente (como ocorre no Evangelho de Marcos que narra esta passagem da vida de Jesus – Mc 1,14-22), a versão de São Mateus poderia nos levar a pensar que a notícia sobre a prisão de João Batista chegou ao Senhor “imediatamente depois” de seu retorno dos 40 dias de jejum e preparação no deserto, que recordaremos com detalhe no início da Quaresma. No entanto, pelos Evangelhos de Lucas (Capítulo 4, versículos 14 a 31) e de João (Capítulos 2, 3 e 4), sabemos que Jesus esteve pregando por alguns meses na Judéia, antes de retornar à Galiléia onde havia recebido o batismo de João (ver especialmente Jo 4,1-3). Assim, há uma realidade clara: o precursor já não está mais entre os galileus, e agora Jesus se coloca perto deles para levar adiante sua missão. O estabelecimento de nosso Senhor em Cafarnaum vem a ser, desse modo, não somente um cumprimento das palavras proféticas de Isaías, mas também um claro sinal da maneira pela qual Deus vai realizar seu Plano de Salvação: a Luz estará no meio das trevas. Quer dizer que, para levar adiante seu trabalho de evangelização, Jesus se coloca geograficamente na Galiléia do Norte, vizinha da Síria e da Fenícia, que estavam habitadas por povos de gentis, pagãos e idólatras. Dali pregará, convidando o povo ao arrependimento e à conversão, pois “o Reino de Deus está próximo”. Esta será a síntese de sua mensagem, sempre. Este é, com efeito, o núcleo de toda “evangelização” também hoje; e é somente com este parâmetro que se pode avaliar seu resultado: arrependimento, conversão e edificação ou instauração do Reino. Voltaremos a estes pontos mais adiante. O Evangelho de hoje nos diz que Jesus inicia a proclamação de sua mensagem salvífica e que chama quatro pessoas para que o acompanhem. Chama-os de dois em dois, e também os enviará depois de dois em dois. O ensinamento deve ser claro: a Igreja é fundamentada em comunidade, porque Deus é Amor, e o amor não pode se manifestar na solidão. Jesus convoca a seus primeiros discípulos e eles deixam tudo para segui-lo, pressurosos. Não há dilação. Não há demora. Jesus precisa deles para que possam depois continuar o que Ele veio iniciar “...Eu vos farei pescadores de homens” – diz-lhes –, e eles deixarão de fazer tudo o que estão fazendo, “na hora”, para unirem-se a Ele. Esta passagem termina nos mostrando que, com efeito, o Reino de Deus estava próximo, pois a proclamação da Boa Nova, anunciada por Jesus, vinha acompanhada de curas de todas as doenças e enfermidades. Pois bem: por que dizíamos, no início destas referências, que os ensinamentos desta passagem do Evangelho são inesgotáveis e sérios? Essencialmente porque, aqui, Jesus nos mostra de maneira assombrosamente sintética tudo o que quer de nós, começando (embora vamos de forma um tanto de-sordenada com relação ao relato bíblico) pelo tipo de seguimento que Ele nos pede, que é como o de seus quatro discípulos: um seguimento diligente (isto é, rápido), desprendido e incondicional. Em segundo lugar, vemos o método que Jesus emprega para evangelizar: vai morar em Cafarnaum. Como dizíamos, a Luz se coloca entre as trevas. Ela se move. Certamente se incomoda, muda, sai, aproxima-se, junta-se, mistura-se com aqueles a quem vai evangelizar. É isto o que, de alguma maneira, tem que fazer todo evangelizador! Comentamos – e a própria Leitura de hoje no-lo sugere, ao referir-se às palavras do profeta Isaías – que na Galiléia setentrional habitava “o povo que andava na escuridão (...) e habitava nas sombras da morte.” É ali que Jesus vai estar, e é isso mesmo que Ele pede que nós façamos, pois mais de uma vez nos disse que não tinha vindo pelos justos, mas pelos pecadores. Por isso, depois nos encomendará ao Pai, dizendo: “Como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo.” (Jo 17,18). Recordemos que “o mundo” é, para as Escrituras em geral, e para o Evangelho de João em particular, o lugar do pecado por excelência. Devemos estar no mundo sem ser do mundo. Devemos ir ali onde se necessite da Palavra Salvífica de Jesus e não ficarmos pregando somente em retiros. Em terceiro lugar (e aqui retomamos o grande tema que havíamos deixado pendente parágrafos atrás), esta passagem do Evangelho nos mostra o núcleo da evangelização: Arrependimento, Conversão e Edificação do Reino. E dizíamos que é somente à luz destes três processos que se pode avaliar ou medir o resultado de toda evangelização, começando pelo que se tem. É necessário, pois, começar a se perguntar: - Se estou real e profundamente arrependido de todas as ofensas que fiz contra Deus e meus ir-mãos ao longo de minha vida, ou não. (incluindo especialmente as ofensas posteriores ao início de “minha conversão”). - Se vou mudar radicalmente minha maneira de ser, para me parecer com Jesus, ou não. - Se vou começar a construir o Reino de Deus em minha casa, em meu trabalho, em minha comunidade e em todos os lugares pelos que passe todo dia, ou não. - Se vou entregar completamente minha vida a Deus e aos mais necessitados, sem perder tempo em coisas que me afastem desse propósito, ou não. Afinal de contas, a pergunta é somente uma: eu me crucifico com Cristo?, sim ou não... Daí por diante, isto é, somente depois que cada um resolver estes assuntos (que, como alertamos, não são nada fáceis), veremos, com os mesmos parâmetros – de arrependimento, conversão e instauração do Reino –, “o grau ou eficácia da evangelização” que possamos estar realizando com os outros... Ao evangelizar, devemos transmitir a Graça e, para isso, é preciso tê-la, vivendo de acordo com a Palavra de Deus. Então poderemos nos perguntar se as pessoas que nos conhecem e escutam se arrependem verdadeiramente de seus pecados; se se decidem a mudar de vida e se assemelhar a Cristo; se começam a perceber o que é o Reino de Deus, por meio de nosso testemunho, de nosso trabalho e de nossos sacrifícios... É claro, tudo somente pela Graça de Deus. Por último, cabe recordar uma frase muito séria do Senhor, com relação à missão que nos foi encomendada, a respeito da qual insistimos bastante em nossos documentos do ANE (e que também está relacionada com a Segunda Leitura deste domingo): no momento de se despedir de seus discípulos, Jesus orou ao Pai dizendo: “Para que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste.” (Jo 17,21). Esta comunhão fraterna é, pois, a base do testemunho de vida cristã (por isso ressaltávamos que Ele os escolhe de dois em dois, e os enviará também de dois em dois). Jesus nos diz que o mundo crerá no Evangelho somente quando vir que nós somos “um”... Em outras palavras, que as pessoas não acreditarão em nós enquanto não vir que somos um... Não simplesmente que nos respeitamos ou toleramos, ou no melhor dos casos, gostamos uns dos outros... Quando virem que somos um! Enquanto isso, de nada servirão nossos planos bem projetados, nossas “estratégias de evangelização” minuciosamente elaboradas, nossos orgulhosos relatórios de trabalho, nossos “novos métodos, ardores e expressões”... (de “novos evangelizadores”). De nada servem, nem servirão, todos os nossos esforços para procurar convencer aos supostos “católicos tíbios” – e menos ainda aos não crentes! – de que Cristo é nosso Redentor, se não nos fizermos um... Isto é, se eles não vêem, não sentem e não crêem que somos um... Mas acontece que, para que eles creiam, primeiro nós mesmos temos que crer e sentir isto. (Cf.: “O Sentido de nosso Apostolado” Nº 18). 3.- Perguntas para orientar a reflexão: (Ler pausadamente cada questão e fazer um instante de silêncio após cada pergunta, para permitir a reflexão dos irmãos) a) O Senhor nos chama a nos convertermos. Estou consciente de que converter-me é “olhar com Seus olhos, caminhar com Seus pés e amar com Seu Coração”? b) Faço tudo o que depende de mim para me converter, ou sempre termino em um “faço isso amanhã”? c) O Senhor nos diz “Venham”. Você vai deixar suas coisas no chão e segui-lo, ou prefere “arrumar” antes uns assuntos pendentes? Vai deixar que Jesus o liberte de tudo o que não convém para sua alma? d) Vamos assumir, de uma vez por todas, o desafio de nos evangelizarmos e evangelizar, ali onde o Senhor nos mandar e precisar de nós, e do jeito que Ele deseja que o façamos? Vamos depor as hostilidades, ciúmes e invejas entre nós? 4.- Comentários dos irmãos: Após um momento de silêncio concede-se a palavra aos participantes da Casinha de Oração para que expressem suas opiniões, reflexões e comentários, buscando a participação de todos. 5.- Concordâncias do Evangelho com o Catecismo da Igreja Católica 1427 Jesus convida à conversão. Este apelo é parte essencial do anúncio do Reino: “Cumpriu-se o tempo e o Reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15). Na pregação da Igreja este apelo é feito em primeiro lugar aos que ainda não conhecem a Cristo e seu Evangelho. Além disso, o Batismo é o principal lugar da primeira e fundamental conversão. É pela fé na Boa Nova e pelo Batismo que se renuncia ao mal e se adquire a salvação, isto é, a remissão de todos os pecados e o dom da nova vida. 1989 A primeira obra da graça do Espírito Santo é a conversão que opera a justificação segundo o anúncio de Jesus no princípio do Evangelho: “Arrependei-vos (convertei-vos), porque está próximo o Reino dos Céus” (Mt 4,17). Sob a moção da graça, o homem se volta para Deus e se aparta do pecado, acolhendo, assim, o perdão e a justiça do alto. “A justificação comporta a remissão dos pecados, a santificação e a renovação do homem interior.” 1731 A liberdade é o poder, baseado na razão e na vontade, de agir ou não agir, de fazer isto ou aquilo, portanto, de praticar atos deliberados. Pelo livre-arbítrio, cada qual dispõe sobre si mesmo. A liberdade é, no homem, uma força de crescimento e amadurecimento na verdade e na bondade. A liberdade alcança sua perfeição quando está ordenada para Deus, nossa bem-aventurança. 1734 A liberdade torna o homem responsável por seus atos, na medida em que forem voluntários. O progresso na virtude, o conhecimento do bem e a ascese aumentam o domínio da vontade sobre seus atos. 6.- Refletindo com a Grande Cruzada: CA 141 Cobri os olhos, fechai os ouvidos e paralisai vossa língua às coisas do mundo. Abri os vossos corações à Luz do Espírito Santo, abri vossos ouvidos à Santa Palavra do Mestre, abri vossos lábios para louvar e bendizer a Santíssima Trindade. Amados Meus, rezai e fazei penitência pela conversão das vossas famílias e dos vossos irmãos de comunidade. Filhinhos, acompanhai-Me na Minha dor nas Primeiras Sextas-feiras, fazendo Vigílias de Consolo e Reparação. Consolai a Minha Santa Mãe que chora pela perda de um grande número de almas incrédulas. 7.- Comentários finais: Concede-se novamente a palavra para fazer breve referência aos textos lidos (do Catecismo ou das mensagens) ou a qualquer outro assunto de interesse para a Casinha ou o Apostolado. 8.- Virtude do mês: Fortaleza (Catecismo da Igreja Católica: 1808-1809-1811-1831-1837) 1808 A fortaleza é a virtude moral que dá segurança nas dificuldades, firmeza e constância na procura do bem. Ela firma a resolução de resistir às tentações e superar os obstáculos na vida moral. A virtude da fortaleza nos torna capazes de vencer o medo, inclusive da morte, de suportar a provação e as perseguições. Dispõe a pessoa a aceitar até a renúncia e o sacrifício de sua vida para defender uma causa justa. “Minha força e meu canto é o Senhor” (Sl 118,14). “No mundo tereis tribulações, mas tende coragem: eu venci o mundo” (Jo 16,33). Esta semana veremos o cânon 1837, que diz textualmente o seguinte: 1837 A fortaleza garante, nas dificuldades, a firmeza e a constância na busca do bem. A Grande Cruzada nos diz a esse respeito: CA 22 Quando chegarem os sofrimentos, pensa que mesmo que Me notes ausente, nunca estarei mais perto de ti do que nesses momentos. E se sentires o teu coração desfalecer, abandona-o em Minhas mãos, que elas saberão te dar a força necessária. Se sentes tédio e desgosto em cumprir o que ordeno, tira a escória do teu desgosto; porque se desejas deveras possuir-Me, precisas aceitar também a parte desagradável que te destinei na terra e saibas que, enquanto viveres nela, tens que viver do que é terreno. 9.- Propósito para esta semana: NA PRÓXIMA SEXTA-FEIRA JEJUAREI PEDINDO AO SENHOR APENAS QUE ME AJUDE A APROFUNDAR MINHA CONVERSÃO, A DE MINHA FAMÍLIA E A DE TODOS OS MEUS IRMÃOS NO APOSTOLADO. Toda noite, antes de dormir, farei um exame de consciência, para avaliar quanto tempo de cada dia dedico a avançar em minha conversão e quanto esforço dedico verdadeiramente a este trabalho. Apostolado da Nova Evangelização 2008 |