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Apostolado da Nova Evangelização no Brasil

Apostolado da Nova Evangelização no Brasil

São Carlos, 28 de agosto de 2008
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II Domingo do Tempo Comum PDF Imprimir E-mail
Por ANE Internacional   

Semana de 20 a 26 de janeiro de 2008
“Chamados a ser testemunhas de Cristo Salvador”

A PALAVRA DE DEUS
1ª Leitura: Is 49,5-6: “Eu te farei luz das nações, para que minha salvação chegue até aos confins da terra”
Salmo 39,2.4ab.7-8a.8b-9.10: “Eis que venho, Senhor, com prazer faço a vossa vontade”
2ª Leitura: 1Cor 1,1-3: “Graça e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo”
Evangelho: Jo 1,29-34

1.- Leitura do Santo Evangelho segundo São João (Jo 1,29-34)

Naquele tempo, 29João viu Jesus aproximar-se dele e disse: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. 30Dele é que eu disse: Depois de mim vem um homem que passou à minha frente, porque existia antes de mim. 31Também eu não o conhecia, mas se eu vim batizar com água, foi para que ele fosse manifestado a Israel”.
32E João deu testemunho, dizendo: “Eu vi o Espírito descer, como uma pomba do céu, e permanecer sobre ele. 33Também eu não o conhecia, mas aquele que me enviou a batizar com água me disse: Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer, este é quem batiza com o Espírito Santo. 34Eu vi e dou testemunho: Este é o Filho de Deus!”
- Palavra da Salvação!
- Glória a Vós, Senhor!

 

2.- Referências para a melhor compreensão do Evangelho:

Embora este Evangelho comece com a afirmação que João faz sobre Jesus, dizendo que Ele “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”, hoje não vamos começar estas referências falando disso, pois já dissemos algo a respeito na semana anterior; agora veremos algumas outras questões, que embora aparentem ser complementares, também têm notável interesse.

Reforçando a idéia central de seu testemunho, de que Jesus É o Messias esperado por Israel, São João Batista diz aos seus discípulos: “Dele é que eu disse: ‘Depois de mim vem um homem que passou à minha frente, porque existia antes de mim’...”

Com estas palavras, João manifesta também, em linguagem poética, e talvez por isso um pouquinho complicado, a humanidade e a divindade de Jesus, pois refere-se a Ele chamando-o “homem”, mas ao mesmo tempo falando de Sua preexistência. Assim diz que o Filho, como Pessoa da Santíssima Trindade, antecede a tudo o que foi criado: vem depois, mas já existia desde antes.

Depois lhes diz que ele não conhecia o Senhor, e talvez isto possa nos confundir: sabemos que João era primo de Jesus, e pelo que nos conta São Lucas, ambos estiveram juntos mesmo antes do nascimento, quando ainda os dois se encontravam no ventre de suas respectivas mães (Lc 1,39-56). Seria lógico pensar então que deveriam ter se visto ao menos durante sua infância.

No versículo 80 desse capítulo, Lucas nos diz que João viveu no deserto até o dia em que teve que se manifestar como Profeta a Israel. Pode-se racionalmente perguntar então: seria por isso que não se conheciam? Seria por que João cresceu no deserto, enquanto que Jesus esteve indo daqui para lá e depois permaneceu em Nazaré?

No entanto, que nesta passagem do Evangelho João diga duas vezes que não conhecia Jesus, de forma alguma significa uma contradição com o que Lucas nos conta sobre da Virgem Maria e sua prima Santa Isabel, nem quer dizer textualmente que João jamais havia visto Jesus antes de seu Batismo.

Esclarecer isto pareceria desnecessário, mas não é, na medida em que sabemos que a confusão é uma das ferramentas preferidas pelo mal para semear a dúvida, e onde entra a dúvida, pode começar a se quebrar a fé, por isso seguimos adiante com esta análise:

Se prestamos a devida atenção ao Evangelho de hoje, veremos que em ambas circunstâncias em que João diz “eu não o conhecia”, está aludindo diretamente à condição do Senhor como Messias, e está claro que é a esse aspecto que se refere... É como se dissesse então “Que grande surpresa levei ao me dar conta de que Jesus era o Redentor de Israel!”, pois em ambos os casos, imediatamente depois de dizer que não o conhecia, esclarece que Deus (para Quem João trabalhava) lhe havia deixado ver que todo seu trabalho estava destinado a preparar o caminho para a chegada do Salvador, e é “o Salvador” que ele não conhecia, o que não quer dizer que desconhecia a pessoa de Jesus.

Mais adiante, João ratificará o sentido desta missão “precursora” que Deus lhe havia encomendado, voltando a dizer aos seus discípulos “Eis o Cordeiro de Deus” (Jo 1,36), com o que dois deles, deixando-o, foram atrás de Jesus, e depois (segundo vemos em João 3,25 e seguintes) novamente lhes dirá a seus seguidores: “Vós mesmos me sois testemunhas de que disse: Eu não sou o Cristo, mas fui enviado diante dele.”

Ao dizer “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” João reconhece em Jesus o Cordeiro enviado por Deus. Nós também poderíamos reconhecê-lo em nossa vida, no irmão necessitado, no Sacrário, no trabalho, na escola… se estivéssemos como João, cheios do Espírito do bem, em sintonia com Deus. E sabendo que Ele tira os pecados, os confessionários deveriam estar cheios todo o tempo, pois deveríamos acorrer para limpar nossas almas para conservar nossa amizade com Ele.

Uma primeira alusão bíblica, para a compreensão desta expressão usada por João Batista com a qual se refere a Jesus, é a figura do “Cordeiro vitorioso” no livro do Apocalipse: o Cordeiro é o Pastor dos povos; o Cordeiro destrói os poderes malvados da terra. Nos tempos de Jesus, acreditava-se que ao final da história apareceria um cordeiro vitorioso ou destruidor das potências do pecado, das injustiças, do mal. Tal idéia é um sintoma também da pregação de João Batista: ele avisava que a justiça de Deus não tardaria em chegar, que o machado estava colocado à raiz da árvore e que Ele está a ponto de abater e lançar no fogo toda árvore que não desse bons frutos. João Batista saúda Jesus como o cordeiro vitorioso que deveria, por mandato de Deus, destruir o mal no mundo.

Uma segunda referência bíblica, e à qual de algum modo aludimos na semana passada, é a do “Cordeiro como Servo sofredor”. Há um aspecto interessante que queremos ressaltar: diz-se que o Cor-deiro de Deus tira o pecado do mundo. No livro de Isaías (capítulo 42) se diz que o Servo leva ou carrega sobre si os pecados de muitos. Jesus com sua morte destrói o pecado ou “carrega-o sobre Si mesmo” (São Paulo diz que Ele “se fez pecado por nós”). Portanto, o Cordeiro como Servo sofredor, isto é, Cristo, é aquele que se oferece livremente a si mesmo para eliminar do mundo o pecado e levar para Deus a todos os seus irmãos na carne. 

Uma terceira alusão bíblica é o “Cordeiro como cordeiro pascal”. O simbolismo da Páscoa está muito difundido no Evangelho de João, especialmente com relação à morte de Jesus. Para as comunidades cristãs às quais João se dirige com seu Evangelho, o Cordeiro tira o pecado do mundo com sua morte. De fato, em João se diz que Jesus foi condenado à morte ao meio-dia da vigília da Páscoa, ou seja, no momento em que os sacerdotes começavam a sacrificar os cordeiros pascais no Templo, para a festa da Páscoa.

Outro nexo do simbolismo pascal com a morte de Jesus é que enquanto estava na cruz, uma esponja embebida em vinagre foi levantada para Ele com uma haste, e era a haste ou hissopo que se molhava no sangue do cordeiro pascal, para borrifar os batentes das portas dos israelitas. Além disso, vemos em João o cumprimento das Escrituras, porque nenhum osso de Jesus foi quebrado. Isto também constitui uma clara referência ao texto em que se diz que nenhum osso do cordeiro pascal devia ser quebrado (Êxodo 12,46).

Na celebração da Missa, o sacerdote nos apresenta Jesus na hóstia consagrada dizendo “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado…” Queira Deus que, como João, nós sejamos capazes de reconhecê-lo e proclamar com nossa vida e nossas obras sua presença viva e real entre os homens e mulheres de hoje.

O Evangelho deste domingo nos recorda, de forma indireta, o Batismo de Jesus, que havíamos comemorado na semana passada.  Naturalmente, hoje não votamos sobre o fato do batismo em si (o que não teria muito sentido), mas nos centramos no Testemunho que João Batista dá sobre algo que, segundo sabemos, aconteceu enquanto Jesus era batizado. Ele nos diz: “Eu vi o Espírito descer, como uma pomba do céu, e permanecer sobre ele.” Finalmente, dirá de maneira categórica: “Eu vi e dou testemunho: Este é o Filho de Deus!”

Todas as leituras deste domingo apontam para um objetivo central: chamar-nos a refletir sobre a missão que Deus dá a seus filhos: Chamou Isaías, e, vendo que lhe era fiel, confiou-lhe trabalhos cada vez mais importantes. Chamou João, para ir adiante de Jesus preparando o caminho para sua chegada. Chamou a Paulo, a Sóstenes e a toda a comunidade cristã de Corinto, e chama a todos nós, para também sermos Luz do mundo e sal da terra; para seguir a Jesus e convocar a outros, para que também façam isso.

Nós já sabemos – com a vantagem que nos dão o tempo transcorrido e os testemunhos de tantos santos – que Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo... Renunciamos ao pecado para segui-lo completamente? Aceitamos de coração o chamado pessoal que hoje nos repete, através de Sua Palavra?

 

3.- Perguntas para orientar a reflexão: (Ler pausadamente cada questão e fazer um instante de silêncio após cada pergunta, para permitir a reflexão dos irmãos)

a) Assim como São João Batista declarou que Jesus é o Eleito de Deus, declaro com minha vida diária que conheço a Cristo e sou seu discípulo? Procuro dar sempre esse testemunho? 

b) Para poder falar de Cristo e reconhecê-lo como Filho de Deus, com que freqüência leio a Bíblia, com o propósito de conhecer a fundo o Cordeiro de Deus e o que dEle se prenunciou no Antigo Testamento? Compreendo, vivo, pratico e ensino o que leio nas Sagradas Escrituras?

c) Durante a Santa Missa, presto SEMPRE a devida atenção ao que o Senhor quer me en-sinar NESSE DIA através das leituras, ou quando creio que me reconheço nas passagens lidas eu me distraio, ou tento me elevar em minha “sabedoria”?

d) Mestres há muitos, por isso João Paulo II nos dizia que o que a Igreja precisa são “testemunhas”. Estamos dando, como “pequena comunidade”, o testemunho que a Igreja precisa que demos, para “contagiar” o amor a Deus e ao próximo entre nossos irmãos na Fé?

 

4.- Comentários dos irmãos:

Após um momento de silêncio concede-se a palavra aos participantes da Casinha de Oração para que expressem suas opiniões, reflexões e comentários, buscando a participação de todos. 

 

5.- Concordâncias do Evangelho com o Catecismo da Igreja Católica

438 A consagração messiânica de Jesus manifesta sua missão divina. “É, aliás, o que indica seu próprio nome, pois no nome de Cristo está subentendido Aquele que ungiu, Aquele que foi ungido e a própria Unção com que ele foi ungido dado: Aquele que ungiu é o Pai, Aquele que foi ungido é o Filho, e o foi no Espírito, que é a Unção.” (Santo Ireneu de Lion). Sua consagração messiânica eterna revelou-se no tempo de sua vida terrestre, por ocasião de seu Batismo por João, quando “Deus o ungiu com o Espírito Santo e poder” (At 10,38), “para que ele fosse manifestado a Israel” (Jo 1,31) como seu Messias. Por suas obras e palavras será  conhecido como “o Santo de Deus”.

790 Os crentes que respondem à Palavra de Deus e se tornam membros do Corpo de Cristo ficam estreitamente unidos a Cristo: “Neste corpo, a vida de Cristo se difunde por meio dos crentes que os sacramentos, de forma misteriosa e real, unem a Cristo sofredor e glorificado” Isto é particularmente verdade com relação ao Batismo, pelo qual somos unidos à morte e à Ressurreição de Cristo, e com relação à Eucaristia, pela qual, “participando realmente do Corpo de Cristo”, “somos elevados à comunhão com ele e entre nós”.

792 Cristo “é a Cabeça do Corpo que é a Igreja” (Cl 1,18) Ele é o Princípio da criação e da redenção. Elevado na glória do Pai “Ele tem em tudo a primazia” (Cl 1,18), principalmente sobre a Igreja, por meio da qual estende seu reino sobre todas as coisas.

 

6.- Refletindo com a Grande Cruzada:

CM 26c Mas Meu Pai, vendo-Me assim humilhado, louvou-Me em alta voz, de maneira que todos os presentes ficaram assombrados. E inclusive o Espírito Santo, descendo em forma de pomba, tornou visível a aceitação divina, simbolizando a paz entre o homem e Deus. João teve o testemunho que lhe havia sido prometido e Me reconheceu em seguida, embora também ele ignorasse estas coisas. Muitas ações e coisas Minhas eram símbolos e deles Me servia para unir Céu e terra.

 

7.- Comentários finais:
Concede-se novamente a palavra para fazer breve referência aos textos lidos (do Catecismo ou das mensagens) ou a qualquer outro assunto de interesse para a Casinha ou o Apostolado.

 

8.- Virtude do mês:

Fortaleza (Catecismo da Igreja Católica: 1808-1809-1811-1831-1837) 

Esta semana veremos o cânon 1808, que diz o seguinte:

1808 A fortaleza é a virtude moral que dá segurança nas dificuldades, firmeza e constância na procura do bem. Ela firma a resolução de resistir às tentações e superar os obstáculos na vida moral. A virtude da fortaleza nos torna capazes de vencer o medo, inclusive da morte, de suportar a provação e as perseguições. Dispõe a pessoa a aceitar até a renúncia e o sacrifício de sua vida para defender uma causa justa. “Minha força e meu canto é o Senhor” (Sl 118,14). “No mundo tereis tribulações, mas tende coragem: eu venci o mundo” (Jo 16,33). 

Esta semana veremos o cânon 1831, que diz textualmente o seguinte:

1831 Os sete dons do Espírito Santo são: sabedoria, inteligência, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus. Em plenitude, pertencem a Cristo, Filho de Davi. Completam e levam à perfeição as virtudes daqueles que os recebem. Tornam os fiéis dóceis para obedecer prontamente às inspirações divinas.
Todos os que são conduzidos pelo Espírito Santo são filhos de Deus são filhos de Deus... Filhos e, portanto, herdeiros; herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo (Rm 8,14.17).

A Grande Cruzada nos diz a esse respeito:

CA 178 Ao demônio não agrada a reparação e o jejum, a oração, os sacrifícios: ele os detesta. Mas quando fazeis isso, experimentais o efeito salvador de sua prática. Eu darei a vossas almas fortaleza, perseverança, coragem, amor e alegria.
Repito, há pecados demais que não posso tolerar: a vaidade, a imoralidade, a língua...

 

9.- Propósito para esta semana:

INVOCAREI O ESPÍRITO SANTO ANTES DE ME LEVANTAR TODOS OS DIAS (E DE MODO ESPECIAL QUANDO FOR INICIAR ALGUMA TAREFA IMPORTANTE) PARA QUE ME ASSISTA.

Manter-me-ei atento para encontrar as pequenas ou grandes tentações com que o inimigo me acossa, e nesses momentos, pedirei ao Espírito Santo fortaleza, para vencê-lo e permanecer na graça de Deus.

 

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