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Semana de 23 a 29 de dezembro 2007 “A maternidade virginal de Maria e a salvação só podem vir de Deus”. A PALAVRA DE DEUS 1ª Leitura: Is 7,10-14: “A Virgem conceberá” Salmo: 23,1-6: “O rei da glória é o Senhor onipotente; abri as portas para que ele possa entrar!” 2ª Leitura: Rm 1,1-7: “Jesus Cristo, descendente de Davi, Filho de Deus” Evangelho: Mt 1,18-24
1.- Leitura do Santo Evangelho segundo São Mateus (Mt 1,18-24) 18Eis como nasceu Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava desposada com José. Antes de coabitarem, aconteceu que ela concebeu por virtude do Espírito Santo. 19José, seu esposo, que era homem de bem, não querendo difamá-la, resolveu rejeitá-la secretamente. 20Enquanto assim pensava, eis que um anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe disse: José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo. 21Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo de seus pecados. 22Tudo isto aconteceu para que se cumpris-se o que o Senhor falou pelo profeta: 23Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho, que se cha-mará Emanuel (Is 7, 14), que significa: Deus conosco. 24Despertando, José fez como o anjo do Senhor lhe havia mandado e recebeu em sua casa sua esposa. - Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor! 2.- Referências para a melhor compreensão do Evangelho: O Evangelho que acabamos de ler nos permite fazer uma idéia das terríveis situações que a Santíssima Virgem Maria viveu depois de ter aceito ser a Mãe de nosso Salvador, dando assim início a uma série de sofrimentos que, nas palavras do velho Simeão, seriam como “uma espada que lhe atravessaria a alma”. (Cf. Lc 2,35). De acordo com o costume da época, José e Maria estavam “desposados”, isto é, comprometidos mediante um ato formal, para casar-se em muito pouco tempo. Vamos imaginar essa jovem, quase menina, provavelmente muito angustiada por ter de avisar ao seu amado noivo que estava grávida e, obviamente ,o pai não era ele. Certamente se questionaria: Que faço? Como contar o que me aconteceu? José vai acreditar? Sofrerá, ou sentirá a mesma alegria que eu...? E outras muitas perguntas que inundariam o seu terno e puríssimo coração, que seguramente seriam apaziguadas pela FÉ firme e serena, com a qual anos mais tarde suportaria valorosamente a crucifixão de seu Filho! O Evangelho de São Lucas nos conta que, poucos dias depois da anunciação, Maria se dirigiu pressurosa para as montanhas da Judéia, para ajudar sua prima Isabel, com quem passou cerca de três meses antes de voltar para sua casa (isto é, mais ou menos até o nascimento de João Batista). (Cf. Lc 1,39-56). Não sabemos com exatidão se a Virgem falou com José sobre a “Boa Nova” antes de partir ou depois, porém o mais provável é que, por respeito, o tivesse feito antes e que – pela prudência e humildade que sempre a caracterizaram – tivesse-o deixado só para meditar melhor e tomar sua decisão. A passagem que lemos hoje nos dá a entender que a notícia não caiu nada bem a José, que praticamente havia decidido terminar sua relação com ela. Sabemos que, segundo o costume da época, se ele não fosse discreto Maria poderia inclusive morrer apedrejada, ao ser acusada de infidelidade; mas como nos diz hoje São Mateus, José era um homem bom. Fica claro que, em sua infinita sabedoria, Deus escolheria o melhor dos varões daquele tempo para ser o esposo de sua eleita e o protetor de seu Filho. De fato, o vocábulo aramaico com o qual Mateus se refere a São José é “Tzadik”, que se traduz habitualmente como “homem justo”, adjetivo que tem, por sua vez, várias interpretações: Quer dizer, em síntese, homem que respeita a lei, homem santo, homem devoto e homem leal. Nas sagradas escrituras este adjetivo é comumente usado para referir-se às pessoas que buscavam a vontade de Deus e, ao encontrá-la, a cumpriam. Que estaria se passando então na mente de José? A lei hebraica dava duas opções ao “desposado” que não estivesse conforme com a sua prometida: repudiá-la publicamente mediante um documento, caso em que devia explicar as razões do repúdio (significaria que se automaticamente a execução de Maria), ou devolvê-la em segredo. Qual seria a vontade de Deus? José não a conhece. Provavelmente não lhe fosse fácil acreditar na história de um anjo que engravidou sua noiva e se encontraria sentimentalmente ferido; mas mesmo assim opta pelo “mal menor” entre as prescrições da Lei, até que o Anjo do Senhor lhe apareça em sonho, diretamente a ele, decidindo então de imediato recebê-la como esposa. Maria foi a submissão e José o escudo, Maria foi a fé e José a força, Maria a entrega e José a proteção, Maria a ternura e José a firmeza, Maria o amor e José a adoração. Que exemplos mais sublimes os que o Evangelho nos propõe!, para que nós concretizemos em nossos corações as virtudes que eles cultivaram a ponto de fazer da humilde casinha de Nazaré o pedacinho de céu que abrigou o mais portentoso e perfeito ser humano da história. Lá Jesus desenvolveu esse Coração que hoje se comove com nossas expressões de amor imperfeito. Lá recebeu o amor profundo e a proteção impenetrável de Maria e José. Lá, sob o olhar de Maria, que aceitou a missão maternal e de José que, colocando-se em segundo lugar, abriu seu coração à vontade de Deus, Jesus foi menino, adolescente, jovem e se fez homem. Demos sempre graças a Maria, por ter aceito ser o veículo para nossa Redenção e ter enfrentado valorosamente tantas angústias, e ao “Senhor São José” (como o chamam respeitosamente no México) por ter-se encarregado de cuidar e de prover Maria e Jesus como pai, irmão e amigo, e pensemos sempre no que fizeram eles naqueles dias, para seguir seu exemplo com amor, com humildade e sempre em paz no seio de nossa família e de nossas comunidades. 3.- Perguntas para orientar a reflexão: (Ler pausadamente cada questão e fazer um instante de silêncio após cada pergunta, para permitir a reflexão dos irmãos) a) Diante da dúvida e incerteza, procuro sempre agir “discretamente”, como José, para não difamar as pessoas que talvez sejam inocentes, ou às vezes emito julgamentos irrefletidos e precipitados, causando danos à imagem dos outros? b) Poderia eu ser considerado um “homem justo” ou uma “mulher justa”? Busco a vontade de Deus e procuro cumpri-la sem demora? Tento discernir as vezes em que Deus me fala através das pessoas, circunstâncias ou leituras que coloca no meu caminho? c) Procuro fazer com que a vida no interior de minha família ou comunidade transcorra de modo aprazível, agradável e cheio de amor, como na casinha de Nazaré, ou às vezes causo - ou “dou continuidade” - a arroubos que terminam por tirar a paz da maioria de seus integrantes? d) Faço, como Maria e José, todo o possível para que se cumpra em minha vida a Vontade de Deus? 4.- Comentários dos irmãos: Após um momento de silêncio concede-se a palavra aos participantes da Casinha de Oração para que expressem suas opiniões, reflexões e comentários, buscando a participação de todos. 5.- Concordâncias do Evangelho com o Catecismo da Igreja Católica 437 O anjo anunciou aos pastores o nascimento de Jesus como o do Messias prometido a Israel: "Hoje, na cidade de Davi, nasceu-vos um Salvador que é o Cristo Senhor" (Lc 2,11). Desde o inicio Ele é "aquele que o Pai consagrou e enviou ao mundo" (Jo 10,36), concebido como "Santo" no seio virginal de Maria. José foi chamado por Deus "a receber Maria, sua mulher", grávida "daquele que foi gerado nela pelo Espírito Santo" (Mt 1,21), para que Jesus, "que se chama Cristo", nascesse da esposa de José na descendência messiânica de Davi. (Mt 1,16; Cf. Rm 1,3; 2Tm 2,8; Ap 22,16). 497 Os relatos evangélicos entendem a concepção virginal como uma obra divina que ultrapassa toda compreensão e toda possibilidade humanas: "O que foi gerado nela vem do Espírito Santo", diz o anjo a José acerca de Maria, sua noiva (Mt 1,20). A Igreja vê aí o cumprimento da promessa divina dada pelo profeta Isaias: "Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho" (Is 7,14, segundo a tradução grega de Mt 1,23). 499 O aprofundamento de sua fé na maternidade virginal levou a Igreja a confessar a virgindade real e perpétua de Maria, mesmo no parto do Filho de Deus feito homem. Com efeito, o nascimento de Cristo "não lhe diminuiu, mas sagrou a integridade virginal" de sua mãe. A Liturgia da Igreja celebra Maria como a "Aeiparthenos" (pronuncie " áeiparthénos"), "sempre virgem". (Cf. LG 52). 500 A isto objeta-se por vezes que a Escritura menciona Irmãos e irmãs de Jesus. A Igreja sempre entendeu que essas passagens não designam outros filhos da Virgem Maria: com efeito, Tiago e José, "irmãos de Jesus" (Mt 13,55), são os filhos de uma Maria discípula de Cristo que significativamente é designada como "a outra Maria" (Mt 28,1). Trata-se de parentes próximos de Jesus, consoante uma expressão conhecida do Antigo Testamento. (IMPORTANTE: Cf. Gênesis 13,8; 14,16; 29,15). 503 A virgindade de Maria manifesta a iniciativa absoluta de Deus Encarnação. Jesus tem um só Pai: Deus. "A natureza humana que ele assumiu nunca o afastou do Pai...; por natureza, Filho de seu Pai segundo a divindade; por natureza, Filho de sua Mãe, segundo a humanidade; mas propriamente Filho de Deus em suas duas naturezas." (Cc. Friaul no ano 796: DS 619). 2674 A partir do consentimento dado na fé por ocasião da Anunciação e mantido sem hesitação sob a cruz, a maternidade de Maria se estende aos irmãos e às irmãs de seu Filho "que ainda são peregrinos e expostos aos perigos e às misérias" (LG 62). Jesus, o único Mediador, é o Caminho de nossa oração; Maria, sua Mãe e nossa Mãe, é pura transparência dele. Maria "mostra o Caminho" ("Hodoghitria"), é seu "sinal" conforme a iconografia tradicional no Oriente e no Ocidente. (Nota: Nos parágrafos precedentes do CIC tiramos algumas citações e realçamos outras de importância para as Casinhas de Oração do ANE) 6.- Refletindo com a Grande Cruzada: CA 10 (A Santíssima Virgem) Meu esposo, de quem tive tantas provas de particular afeição, não tem o verdadeiro reconhecimento das virtudes que Deus lhe concedeu. Mas Eu o conheci no meio de muitas adversidades, e sempre pude admirar como ele as enfrentava. Quanta paciência em Meu José e que adoração por Jesus! Não parecia um Pai em nossa casinha, mas sim Seu mais fiel discípulo, pois foi o primeiro homem que dEle recebeu instrução, conselho e consolação. Era uma criatura cheia de Deus, tão cheia que aceitou, suportou e venceu as provas dadas aos eleitos do puro amor. Ah! O Meu esposo era maior que um Serafim, mais excelso que Miguel e mais puro que todas as almas que brilharam e brilharão depois de Mim. Quanto cuidado em Me proteger da perseguição desencadeada por Herodes. E lembrai-vos da vigilância assídua que exerceu com relação a Mim, enquanto poderia ter Me acusado como a uma adúltera qualquer. O José que trabalhava como artesão é pouca coisa, embora o tenha sido de maneira exemplar. Ao grande José deveis ver como discípulo de Jesus, discípulo muito oculto mas sublime. Às vezes se pensa que na paz de nossa casinha foi fruto de uma Graça especial que o Pai nos deu, sem refletirem que esta paz não era somente Graça, mas também conquista de cada dia. Vós só conheceis o pórtico da casa, mas quando subirdes um pouco, vereis que cada degrau custa fadiga e ninguém sobe sem esforço. Por isso as Graças que recebemos eram fruto do amor generoso do nosso Santíssimo Filho, mas dadas com pleno desprendimento de nós próprios; do contrário, o quê poderia premiar no Céu o Meu Jesus? José era puro, diz-se e é verdade, mas Eu desejo acrescentar algo sobre a sua pureza. Equivale a castidade, mas a pureza de Meu esposo tinha uma fragrância especial: era uma pureza tal que podia e pode estar muito próxima da Minha. Pode-se representá-la por um grande ramalhete de lírios cultivados num campo circundado de rosas, isto é, era uma pureza que tinha por horizonte o amor mais santo que um esposo poderia alimentar pela esposa. Se os homens quisessem, poderiam ser preservados de muitas faltas recorrendo a José. Bastaria que pedissem de coração que os guarde de toda a impureza para honrar os gestos de pureza com os quais ele tratou a Mim, sua esposa. 7.- Comentários finais: Concede-se novamente a palavra para fazer breve referência aos textos lidos (do Catecismo ou das mensagens) ou a qualquer outro assunto de interesse para a Casinha ou o Apostolado. 8.- Virtude do mês: Caridade (Catecismo da Igreja Católica: 1822 – 1823 – 1789 – 1769 – 1134 – 967) 1822 A caridade é a virtude teologal pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas, por si mesmo, e a nosso próximo como a nós mesmos, por amor de Deus. 1823 Jesus fez da caridade o novo mandamento (Cf. Jo 13, 34). Amando os seus “até o fim” (Jo 13,1), manifesta o amor do Pai que Ele recebe. Amando-se uns aos outros, os discípulos imitam o amor de Jesus que eles também recebem. Por isso diz Jesus: “Assim como o Pai me amou, também eu vos amei. Permanecei em meu amor” (Jo 15,9). E ainda: “Este é o meu preceito: Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 15,12). Esta semana veremos o cânon 1769, que diz o seguinte: 1769 Na vida cristã, o próprio Espírito Santo realiza sua obra, mobilizando o ser inteiro, inclusive suas dores, medos e tristezas, como aparece na Agonia e Paixão do Senhor. Em Cristo, os sentimentos humanos podem receber sua consumação na caridade e na bem-aventurança divina. A Grande Cruzada nos diz a esse respeito: CA 178 ...Instruí, ensinai... Falai, fazei algo, não tenhais medo. Deus está convosco se estais com Deus. O amor não dá lugar ao temor. Logo, a caridade operante não se reduz a pregar o Amor, tem que fazer deste amor algo vivo, ativo. Poder-se-á resistir à palavra, mas não se resistirá ao exemplo que é sempre contagioso. Guerra ao próprio egoísmo, à própria comodidade individual. Saber dividir em dois o pão, mesmo que seja pequeno e mesmo que seja um só. Abrir generosamente os braços ao irmão, e são tantos os irmãos necessitados... Não é difícil a nenhuma alma de boa vontade entender que somente o retorno a Deus pode vos salvar da destruição. 9.- Propósito para esta semana: ESTA SEMANA PROCURAREI MANIFESTAR TODA A CARIDADE QUE DEUS ME PEDE, SEMEANDO A PAZ AO MEU REDOR. NÃO PERMITIREI QUE A HARMONIA DO MEU LAR E DA MINHA COMUNIDADE SEJA QUEBRADA POR NENHUM MOTIVO, E DAREI TUDO QUANTO ESTEJA AO MEU ALCANCE PARA FAZER FELIZES OS QUE ME CERCAM. Proporei à minha família viver o Natal mais santo de todos, dispondo-nos a receber Jesus em estado de graça e em profunda oração. Apostolado da Nova Evangelização 2007 |