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Apostolado da Nova Evangelização no Brasil

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II Domingo do Advento PDF Imprimir E-mail
Por ANE Internacional   
09 de dezembro de 2007

Semana de 9 a 15 de dezembro 2007
Aquele que vem mudar tudo, chama-nos a nos convertermos a Ele.

A PALAVRA DE DEUS
1ª Leitura: Is 11,1-10: Ele não julgará pelas aparências, mas trará justiça para os humildes.
Salmo: 71,2.7-8.12-13.17: Nos seus dias a justiça florirá e grande paz, até que a lua perca o brilho!
2ª Leitura: Rm 15,4-9: Cristo salvou a todos os homens.
Evangelho: Mt 3,1-12

1.- Leitura do Santo Evangelho segundo São Mateus (Mt 3,1-12)

1Naqueles dias, apareceu João Batista, pregando no deserto da Judéia: 2”Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo”.
3João foi anunciado pelo profeta Isaías, que disse: “Esta é a voz daquele que grita no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas!”
4João usava uma roupa feita de pêlos de camelo e um cinturão de couro em torno dos rins; comia gafanhotos e mel do campo.
5Os moradores de Jerusalém, de toda a Judéia e de todos os lugares em volta do rio Jordão vinham ao encontro de João. 6Confessavam seus pecados e João os batizava no rio Jordão.
7Quando viu muitos fariseus e saduceus vindo para o batismo, João disse-lhes: “Raça de cobras venenosas, quem vos ensinou a fugir da ira que vai chegar? 8Produzi frutos que provem a vossa conversão. 9Não penseis que basta dizer: ‘Abraão é nosso pai’, porque eu vos digo: até mesmo destas pedras Deus pode fazer nascer filhos de Abraão.
10O machado já está na raiz das árvores, e toda árvore que não der bom fruto será cortada e jogada no fogo.
11Eu vos batizo com água para a conversão, mas aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu. Eu nem sou digno de carregar suas sandálias. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo.
34Jesus12Ele está com a pá na mão; ele vai limpar sua eira e recolher seu trigo no celeiro; mas a palha ele a queimará no fogo que não se apaga”.
- Palavra da Salvação!
- Glória a Vós, Senhor!

 

2.- Referências para a melhor compreensão do Evangelho:

Os cristãos entendemos que os livros do Antigo Testamento constituem, em seu conjunto, a preparação da humanidade para a vinda de seu Redentor, que O espera desde que a amizade entre Deus e os homens foi ferida pelo pecado original.

Sabemos que João, O Batista, é o nexo que une o Antigo com o Novo Testamento. Mas indo mais além com esta apreciação, o Cardeal Ratzinger nos dizia: “O conteúdo fundamental do Antigo Testamento está resumido na mensagem de João Batista: ‘µetaνοeιte’ – (metanoeite) Convertei-vos! Não se acede a Jesus sem o Batista; não existe possibilidade de chegar a Jesus sem responder ao apelo do precursor...”  (Cardeal Ratzinger: A Nova Evangelização. Roma, junho de 2001).

Sem autêntica conversão não se chega a Cristo! Assim, a pregação de João, ao mesmo tempo que nos recorda que a vinda de Deus à nossa vida é sempre iminente, convida-nos também com energia à penitência, para purificar nosso coração, a fim de prepará-lo e deixá-lo em condições de encontrar-se com Jesus, que vem ao mundo dos homens para abri-lo à esperança e ao amor universal.

O cardeal Newman (John Henry Newman), atualmente em processo de beatificação, tinha uma frase que pode nos ajudar a compreender esta orientação que a Palavra de Deus nos manifesta sempre como uma urgência: “Aqui na terra, viver é mudar, e ser perfeito é ter mudado muitas vezes”. Na ótica da conversão, mudar quer dizer produzir uma transformação íntima do coração do homem.

Em suas reflexões sobre a Nova Evangelização (que com tanta freqüência citamos em nossas Casinhas de Oração em vários documentos de nosso Apostolado) o ex-cardeal Ratzinger nos explicava com incomparável clareza: “A  palavra grega para ‘converter-se’ significa: reconsiderar, pôr em questão o próprio modo de viver e o comum; deixar entrar Deus nos critérios da própria vida; não julgar simplesmente de acordo com as opiniões correntes.

Converter-se significa por conseguinte: não viver como vivem todos, não fazer como fazem todos, não sentir-se justificados em ações duvidosas, ambíguas, perversas simplesmente porque há quem o faça; começar a ver a própria vida com os olhos de Deus, portanto procurar o bem, mesmo se não é agradá-vel; não apostar no juízo da maioria, mas no juízo de Deus por outras palavras: procurar um novo estilo de vida, uma vida nova”.

Mais adiante explica que, quem se converte a Cristo, “não pretende criar uma autonomia moral própria, não pretende construir com as próprias forças a sua bondade. “Conversão” (Metanoia) significa precisamente o contrário: abandonar a auto-suficiência, descobrir e aceitar a própria indigência, indigência dos outros e do Outro, do seu perdão, da sua amizade. A vida não convertida é autojustificação (não sou pior do que os outros); a conversão é a humildade de se confiar ao amor do Outro, amor que se torna medida e critério da minha própria vida.”

Este tempo de advento é o momento mais apropriado para tomar bem a sério para nos o tema de nossa conversão, para refletir sobre o projeto que Deus tem para mim; para abrir-me à novidade de Deus; para estar verdadeiramente disposto a deixar-me renovar por Ele.

Mas, como vemos, neste processo se nos apresenta um paradoxo difícil de resolver: que, por um lado, aceitar o Evangelho é a condição essencial para converter-se, e por outro lado, que não se pode aceitar plena e conscientemente o Evangelho se não nos convertemos. (é como a velha pergunta: “quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?”)

Pareceria não haver resposta. No entanto, ali entra em jogo o papel da graça: o Evangelho não é simplesmente um conteúdo ou uma mensagem, mas é uma Pessoa, que pede para entrar na sua vida. Aceitar o Evangelho, neste domingo de Advento, significa abrir a porta da própria vida para aquele que João Batista definiu como o mais forte.

Esta idéia foi muito bem expressa por João Paulo II, em uma frase que repetiu incansavelmente por todo o mundo: “Não temais abrir as portas para Cristo!...” A chave de minha própria conversão, e portanto de minha salvação, consiste simplesmente em aceitar a Cristo, que vem ao meu encontro com sua Palavra definitiva de Redenção.

Mas, ao meditar sobre isto, nos vêm à mente as palavras de Santo Agostinho, que dizia: “Temo o Se-nhor que passa”. Será que a passagem do Senhor nos encontrará com a disposição de ânimo devida, ou acontecerá em um momento em que me encontrar distraído ou ocupado em superficialidades?

Roguemos pois ao Senhor que nos disponha o espírito para sair também ao seu encontro, e assim possamos, com seu auxílio, chegar a ser contados entre os grãos de trigo, e não permaneçamos misturados com a palha, que no fim será lançada ao fogo.

 

3.- Perguntas para orientar a reflexão: (Ler pausadamente cada questão e fazer um instante de silêncio após cada pergunta, para permitir a reflexão dos irmãos)

a) Se “viver é mudar”, quão vivo me encontro? Em que partes de minha vida preciso trabalhar mais para fazer essa mudança? 

b) Minha conversão nasce realmente de meu coração, ou seja, do amor que sinto por Cristo? Há alguns outros fatores ou elementos que a condicionam?

c) Rezo o necessário pedindo ao Senhor minha conversão e a de minha família?

d) Como posso colaborar para conseguir a conversão de minha família e/ou de minha comunidade? Dou entre eles todo o testemunho de que necessitariam para crer que, verdadeiramente, o caminho da conversão é o melhor caminho pelo qual o ser humano poderia transitar? Sou o reflexo de Cristo na maioria de meus atos?

 

4.- Comentários dos irmãos:

Após um momento de silêncio concede-se a palavra aos participantes da Casinha de Oração para que expressem suas opiniões, reflexões e comentários, buscando a participação de todos. 

 

5.- Concordâncias do Evangelho com o Catecismo da Igreja Católica

522 A vinda do Filho de Deus à terra é um acontecimento de tal imensidão que Deus quis prepará-lo durante séculos. Ritos e sacrifícios, figuras e símbolos da “Primeira Aliança”, tudo ele faz convergir para Cristo; anuncia-o pela boca dos profetas que se sucedem em Israel. Desperta, além disso, no coração dos pagãos a obscura expectativa desta vinda.

523 São João Batista é o precursor imediato do Senhor, enviado para preparar-lhe o caminho. “Profeta do Altíssimo” (Lc; 1,76), ele supera todos os profetas, deles é o último, inaugura o Evangelho; saúda a vinda de Cristo desde o seio de sua mãe e encontra sua alegria em ser “o amigo do esposo” (Jo 3,29), que designa como “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29). Precedendo a Jesus “com o espírito e o poder de Elias” (Lc 1,17), dá-lhe testemunho por sua pregação, seu batismo de con-versão e, finalmente, seu martírio. (Cf. Mc 6,17-29). 

524 Ao celebrar cada ano a liturgia do Advento, a Igreja atualiza esta espera do Messias: comungando com a longa preparação da primeira vinda do Salvador, os fiéis renovam o ardente desejo de sua Segunda Vinda. Pela celebração da natividade e do martírio do Precursor, a Igreja se une a seu desejo: “É preciso que Ele cresça e que eu diminua” (Jo 3,30).

1427 Jesus convida à conversão. Este apelo é parte essencial do anúncio do Reino: “Cumpriu-se o tempo e o Reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15). Na pregação da Igreja este apelo é feito em primeiro lugar aos que ainda não conhecem a Cristo e seu Evangelho. Além disso, o Batismo é o principal lugar da primeira e fundamental conversão. É pela fé na Boa Nova e pelo Batismo que se renuncia ao mal e se adquire a salvação, isto é, a remissão de todos os pecados e o dom da nova vida. 

1428 Ora, o apelo de Cristo à conversão continua a soar na vida dos cristãos. Esta segunda conversão é uma tarefa ininterrupta para toda a Igreja, que “reúne em seu próprio seio os pecadores” e que “e ao mesmo tempo santa e sempre, na necessidade de purificar-se, busca sem cessar a penitência e a renovação”. Este esforço de conversão não é apenas uma obra humana. E o movimento do “coração contrito” atraído e movido pela graça a responder ao amor misericordioso de Deus que nos amou primeiro. (Cf. 1Jo 4,10).

 

6.- Refletindo com a Grande Cruzada:

CA 178 Eu redimi o mundo com o sofrimento e orando durante a noite. A reparação é uma mudança de vida, de atitudes. Aqueles que amaldiçoaram antes, devem bendizer agora; os que roubaram, devem restituir; os que odiaram, devem amar; os que serviram a seu corpo, devem servir a sua alma; e os que ignoraram Meus Mandamentos, de agora em diante devem guardá-los; se não, não há uma verdadeira conversão. 

 

7.- Comentários finais:
Concede-se novamente a palavra para fazer breve referência aos textos lidos (do Catecismo ou das mensagens) ou a qualquer outro assunto de interesse para a Casinha ou o Apostolado.

 

8.- Virtude do mês:

Caridade (Catecismo da Igreja Católica: 1822 – 1823 – 1789 – 1769 – 1134 – 967) 

1822 A caridade é a virtude teologal pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas, por si mesmo, e a nosso próximo como a nós mesmos, por amor de Deus.

1823 Jesus fez da caridade o novo mandamento (Cf. Jo 13, 34). Amando os seus “até o fim” (Jo 13,1), manifesta o amor do Pai que Ele recebe. Amando-se uns aos outros, os discípulos imitam o amor de Jesus que eles também recebem. Por isso diz Jesus: “Assim como o Pai me amou, também eu vos amei. Permanecei em meu amor” (Jo 15,9). E ainda: “Este é o meu preceito: Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 15,12).

Esta semana veremos o parágrafo 696 que, sem mencionar diretamente a caridade, faz alusão a ela ao falarmos do principal agente da conversão (o Espírito Santo) e da missão de João Batista:

696 “Enquanto a água significa o nascimento e a fecundidade da Vida dada no Espírito Santo o fogo simboliza a energia transformadora dos atos do Espírito Santo O profeta Elias, que “surgiu como um fogo cuja palavra queimava como uma tocha” (Eclo 48,1), por sua oração atrai o fogo do céu sobre o sacrifício do monte Carmelo, figura do fogo do Espírito Santo que transforma o que toca. João Batista, que caminha diante do Senhor com o espírito e o poder de Elias” (Lc 1,17), anuncia o Cristo como aquele que “batizará com o Espírito Santo e com o fogo” (Lc 3,16), esse Espírito do qual Jesus dirá “Vim trazer fogo à terra, e quanto desejaria que já estivesse acesso (Lc 12,49). (...) A tradição espiritual manterá este simbolismo do fogo como um dos mais expressivos da ação do Espírito Santo. “Não extingais o Espírito” (1Ts 5,19). 

A Grande Cruzada nos diz a esse respeito:

CM 99 Encende, oh homem pequeno e fraco, a chama de Minha divina Caridade. Deves encender um grande fogo, tu que padeces as tempestades das nórdicas e geladas montanhas em que te encontras; quero pôr fogo em ti, fogo de caridade. Mas tu deves encendê-lo como se costuma fazer com as pedras duras que lançam a chispa ao violento contato com outro material duro.

 

9.- Propósito para esta semana:

PREPARAREI MEU CORAÇÃO E “APLAINAREI MEUS CAMINHOS” PARA RECEBER A CRISTO, MEU REDENTOR. REZAREI COM INSISTÊNCIA, ROGANDO AO SENHOR QUE ME CONCEDA A IMENSA GRAÇA DE PRODUZIR OS FRUTOS DE UMA AUTÊNTICA CONVERSÃO, PARA GLÓRIA DE DEUS, PELO BEM DAS ALMAS E MINHA PRÓPRIA SANTIFICAÇÃO. 

Meditarei sozinho, mas também unido a minha família, sobre os dons que recebemos de Deus. Promoverei entre os meus o desejo de realizar juntos uma obra de misericórdia no tempo que falta até a chegada do Natal.

 

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