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Semana de 28 de outubro a 3 de novembro de 2007 Senhor, ensina-nos a rezar! A PALAVRA DE DEUS 1ª Leitura: Eclo 35,15-17.20-22: A prece do humilde atravessa as nuvens. Salmo 33, 2-3.17-18.19 e 23: O pobre clama a Deus e Ele escuta. 2ª Leitura: 1 Tm 4,6-8.16-18: Agora está reservada para mim a coroa da justiça. Evangelho: Lc 18, 9-14
1.- Leitura do Santo Evangelho segundo São Lucas (Lc 18, 9-14) Naquele tempo, 9Jesus contou esta parábola para alguns que confiavam na sua própria justiça e desprezavam os outros: 10”Dois homens subiram ao Templo para rezar: um era fariseu, o outro cobrador de impostos. 11O fariseu, de pé, rezava assim em seu íntimo: ‘Ó Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens, ladrões, desonestos, adúlteros, nem como este cobrador de impostos. 12Eu jejuo duas vezes por semana, e dou o dízimo de toda a minha renda’. 13O cobrador de impostos, porém, ficou a distância, e nem se atrevia a levantar os olhos para o céu; mas batia no peito, dizendo: ‘Meu Deus, tem piedade de mim que sou pecador!’ 14Eu vos digo: este último voltou para casa justificado, o outro não. Pois quem se eleva será humilhado, e quem se humilha será elevado”. - Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor! 2.- Referências para a melhor compreensão do Evangelho:
Poderíamos dizer que não somente a oração, mas que toda relação entre uma pessoa e Deus, deve ser sempre humilde, partindo de uma realidade muito simples: não tivemos absolutamente nenhum mérito para termos recebido o dom da fé, e muito menos o resto das coisas das quais às vezes nos orgulhamos. Com efeito, o que fizemos de bom para ter a oportunidade de termos sido batizados na Igreja fundada por Cristo? Recebemos tudo de Deus, de modo que não teríamos motivo algum para nos orgulhar, mas ao contrário, temos razões de sobra para procurar retribuir a Ele os inúmeros dons e graças recebidos gratuitamente, com uma entrega total da própria vida ao cumprimento de Sua vontade. No entanto, nem sempre é assim: uma tentação muito freqüente na qual caímos é a de procurar mostrar aos outros que participamos de grupos de elite em todo nível (sejam profissionais, políticos, sociais, culturais ou religiosos). Parece que gostamos muito de ser sempre contados entre os que estão mais acima; e, para isso, acostumamo-nos a adotar toda uma série de atitudes, posturas, dizeres, e até orações, que pretendem fazer conhecida nossa capacidade pessoa, nossa amizade com o chefe, com os governantes ou com pessoas influentes, e até com o próprio Deus. Gostamos de mostrar a profundidade de nosso pensamento e, no âmbito religioso, nosso grau de conversão, as alturas de santidade que respiramos, e até a facilidade de comunicação com alguma ou com as Três Pessoas da Santíssima Trindade, com a Santíssima Virgem Maria e com alguns santos; embora muitas vezes disfarcemos tudo sob um tênue manto de humildade, mas procurando fazer com que se note bem claro o que queremos. Fica até ridículo às vezes, quando dois “convertidos” (entre aspas) se põem a “compartilhar” (também entre aspas) suas experiências com Deus... É como se um buscasse catequizar o outro, mas nenhum deles buscasse enriquecer-se com o que ouve do outro. E o que dizer das pessoas que crêem que “ter uma relação pessoal com Deus” significa ter o direito de Lhe reclamar coisas ou tentar extorqui-Lo? O Evangelho de hoje nos mostra com clareza qual é o pensamento que Jesus tem a respeito disso, e não somente no que se relaciona ao nosso vínculo com os outros, mas especialmente diante de Deus, que nos conhece mais do que nós mesmos. Os quatro evangelhos aludem dezenas de vezes ao pensamento que o Senhor tinha sobre os fariseus, os escribas e os doutores da Lei. Em mais de uma ocasião se refere à hipocrisia deles, mas talvez seja nesta passagem que melhor explica o porquê de suas críticas: com um recurso magistral, mostra-nos a oração interior de um fariseu, comparada com a de um publicano (que, como já dissemos anteriormente, eram considerados pelos judeus como os seres mais desprezíveis daquela sociedade). Através desta parábola, Jesus nos pede que nossas orações partam sempre de uma humildade absoluta, do reconhecimento não de nossos supostos méritos, mas de nossa fragilidade humana, em primeiro lugar, para poder suplicar o perdão por nossos pecados (pela infinidade de vezes que dia após dia caímos nos mesmos erros) antes de nos animarmos a pedir qualquer favor ao Pai. Quando oramos humildemente, fazemo-lo sempre de maneira simples e singela. Dizer a Deus “Senhor, tem compaixão de mim, pecador” significa começar reconhecendo a si mesmo e reconhecer Aquele a quem estamos falando; recordar o infinito abismo que, por sermos criaturas, separa-nos de nosso Criador, e pedir, diante de nossa natural fraqueza, a infinita misericórdia e o perdão de Deus. Significa assumir a vergonha do filho arrependido, e manifestar o propósito de conversão, o desejo de crescer espiritualmente com Sua ajuda, e a esperança de alcançar algum dia a santidade, que nos fará merecedores da salvação. Mas é importante que esta humildade nasça do coração, convencido de nossas misérias, porque somente ali pode nascer o verdadeiro arrependimento que dá origem ao Perdão. “Não desprezas um coração contrito (arrependido) e humilhado”, reza o Salmo. Por isso é necessário fugir da falsa humildade... São Francisco de Sales proibia que seus discípulos pronunciassem qualquer frase contra eles mesmos, ou que se colocassem adjetivos negativos, se não estivessem certos de que aquelas palavras provinham do mais profundo de seu coração. Mesmo que nossa oração se limitasse a dizer a Deus “Perdoa-me pelo que sou e concede-me o dom da autêntica conversão”, tudo o mais viria por acréscimo, pois o Bom Pai sabe o quê, quanto, como e quando nos dar, já que Sua sabedoria providente e caritativa conhece o que á melhor para nós. 3.- Perguntas para orientar a reflexão: (Ler pausadamente cada questão e fazer um instante de silêncio após cada pergunta, para permitir a reflexão dos irmãos) a) Sabendo perfeitamente que sem oração nunca poderei chegar ao grau de transformação que Deus me pede, procuro dedicar cada vez mais tempo à oração pessoal, além da comunitária? Procuro reconhecer absolutamente TODAS as minhas fraquezas? Enfrento-as, embora isso sig-nifique contradizer-me, ou me conformo em saber que sou fraco? b) Peço insistentemente ao Senhor sua amorosa ajuda para poder superar minhas debilidades, e assim conseguir fazer as mudanças que devo realizar em minha vida, ou creio que conseguirei isso sozinho? c) Se me surpreendo em alguma atitude de orgulho, de vaidade ou de assumir posturas que “vendem” minha imagem diante dos outros, corrijo-a de imediato, ou deixo as cosas como estão, mesmo sabendo que me coloquei no lugar do fariseu, enfeitando meus defeitos com falsas virtudes? d) Da forma que conduzo minha vida, faço com que minhas atitudes sejam um testemunho digno de imitação de meus irmãos? 4.- Comentários dos irmãos: Após um momento de silêncio concede-se a palavra aos participantes da Casinha de Oração para que expressem suas opiniões, reflexões e comentários, buscando a participação de todos. 5.- Concordâncias do Evangelho com o Catecismo da Igreja Católica 2598 O evento da oração nos é plenamente revelado no Verbo que se fez carne e habita entre nós. Procurar compreender sua oração, por meio daquilo que suas testemunhas nos anunciam dela no Evangelho, é aproximar-nos do Santo Senhor Jesus como da sarça ardente: primeiro contemplá-lo na oração, depois ouvir como Ele nos ensina a orar, para conhecer, enfim, como Ele atende nossa prece. 2608 No Sermão da Montanha, Jesus insiste na conversão do coração: a reconciliação com o irmão antes de apresentar uma oferenda no altar (Cf. Mt 5, 23-24), o amor aos inimigos e a oração pelos perseguidores (Cf. Mt 5, 44-45), a oração ao Pai “em segredo” (Mt 6,6), a não-multiplicação das palavras (Cf. Mt 6, 7), o perdão do fundo do coração na oração (Cf. Mt 6, 14-15), a pureza do coração e a busca do Reino (Cf. Mt 6, 21.25.33). Essa conversão é inteiramente orientada para o Pai; é filial. 2613 Três parábolas principais sobre a oração nos são transmitida por S. Lucas: A primeira, “o amigo importuno” (Cf. Lc 11,5-13), convida a uma oração persistente: “Batei e se vos abri-rá”. Àquele que assim ora, o Pai do céu “dará tudo o que precisa”, sobretudo o Espírito Santo, que con-tém todos os dons. A segunda, “a viúva importuna” (Cf. Lc 18,1-8), focaliza uma das qualidades da oração: é preciso rezar sempre sem esmorecimento, com a paciência fé. “Mas, quando vier o Filho do homem, acaso encontrará fé na terra? A terceira parábola, “o fariseu e o publicano” (Cf. Lc 18,9-14), refere-se à humildade do coração que reza. “Meu Deus, tem piedade de mim, pecador.” Essa oração a Igreja constantemente toma sua: “Kyrie eleison!” (Senhor, piedade). 6.- Refletindo com a Grande Cruzada: CS 105 Procura por Mim, não uma vez ao dia, mas em todo momento. Tu sabes que Eu quero que tua vida seja Minha sem interrupções. Se tu respiras é porque Eu estou contigo e continuo te criando. O modo de colóquio é mais importante que o diálogo em si; fala-Me com o entusiasmo do amor... Nas almas que chamei, faço com que a estima que se tem delas se mantenha reprimida, por parte dos que deveriam honrá-los, reconhecê-los ou amá-los. Nesta condição, é natural que Meus amados, aqueles que não estão bem exercitados, tenham alguma manifestação de impaciência quando se apresenta alguma ocasião na qual o amor próprio quer fazer alarde de si mesmo. Depois, se a impaciência não é reprimida, passa-se ao elogio velado, justificado... entende-se, com razões totalmente provenientes do “eu” ávido de estima. Então sofrem porque devem lutar, por um lado e por outro, porque Eu reclamo internamente. (...) se se deseja progredir na vida espiritual, é necessário não abandonar a si mesmo, mas vigiar sempre para conservar a humildade e acrescentá-la quando a ocasião é propícia, ocasião que é disposta por Mim umas vezes e somente aceita por Mim em outras. Mas é ocasião da qual espero que tireis proveito efetivo para vossas almas. 7.- Comentários finais: Concede-se novamente a palavra para fazer breve referência aos textos lidos (do Catecismo ou das mensagens) ou a qualquer outro assunto de interesse para a Casinha ou o Apostolado. 8.- Virtude do mês: Durante este mês, praticaremos a virtude da Temperança (Catecismo da Igreja Católica: 1838 – 1805 – 1809 – 1834 – 2290 – 2407) 1809 A temperança é a virtude moral que modera a atração pelos prazeres e procura o equilíbrio no uso dos bens criados. Assegura o domínio da vontade sobre os instintos e mantém os desejos dentro dos limites da honestidade. A pessoa temperante orienta para o bem seus apetites sensíveis, guarda uma santa discrição e "não se deixa levar a seguir as paixões do coração" (Cf. Eclo 5, 2; 37, 27-31). A temperança é muitas vezes louvada no Antigo Testamento: "Não te deixes levar por tuas paixões e refreia os teus desejos" (Eclo 18,30). No Novo Testamento, é chamada de "moderação" ou "sobriedade". Devemos "viver com moderação, justiça e piedade neste mundo" (Tt 2,12). Esta semana veremos o parágrafo 2407, que diz textualmente o seguinte: 2407 Em matéria econômica, o respeito à dignidade humana exige a prática da virtude da temperança, para moderar o apego aos bens deste mundo; da virtude da justiça, para preservar o direitos do próximo e lhe dar o que lhe é devido; e da solidariedade, segundo a regra áurea e segundo a liberalidade do Senhor, que “se fez pobre, embora fosse rico, para nos enriquecer com sua pobreza”. (Cf. 2Cor 8,9). A Grande Cruzada nos diz a esse respeito: CA 22 A pobreza suportada com dignidade tornar-te-á - e contigo os teus - mais semelhante a Mim e a Minha Mãe quando estávamos na terra. E os Meus olhos contemplar-te-ão felizes porque assim conformas a tua vida à Minha, à imagem do Meu Coração. Consagra-te ao cuidado do teu lar (...). Continua aproximando-te do fogo ardente do Meu Coração, aproximando também os teus, para que eles venham a amar-Me como Eu os amo. Cada alma tem a sua missão neste mundo; a tua é a do amor, do sacrifício. Tua missão é a de aproximar o mundo da única coisa que poderá salvá-lo: o Meu Coração Eucarístico e o Coração Imaculado de Minha Mãe. 9.- Propósito para esta semana: PRESTAREI MUITA ATENÇÃO AOS MEUS MOMENTOS DE ORAÇÃO E NA FORMA EM QUE ME DIRIJO AO SENHOR. LEMBRAREI QUE SEMPRE DEVO TER DEUS EM PRIMEIRO LUGAR NA MINHA VIDA, SEM POR ISSO DEIXAR DE AMAR E SERVIR AOS MEUS IRMÃOS, COMEÇANDO PELOS MEMROS DE MINHA FAMÍLIA.
Farei todo o possível para conseguir que meus familiares se dêem conta de que meu amor a Deus não interfere em meu amor ou meus deveres dentro da família. Apostolado da Nova Evangelização 2007 |