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Das mensagens de Fátima: Apelo à Récita Diária do Terço (Irmã Lúcia).
 

Apostolado da Nova Evangelização no Brasil

Apostolado da Nova Evangelização no Brasil

São Carlos, 28 de agosto de 2008
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XXVIII Domingo do Tempo Comum PDF Imprimir E-mail
Por ANE Internacional   

Semana de 14 a 20 de outubro de 2007

Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, a não ser este estrangeiro?

A PALAVRA DE DEUS
1ª Leitura: Am 2 R 5, 14-17: Naamã voltou a Eliseu e louvou ao Senhor.
Salmo 97, 1.2-3ab.3cd-4: O Senhor fez conhecer sua salvação às nações.
2ª Leitura: 2Tim 2, 8-13: Se ficamos firmes com Cristo, com ele reinaremos.
Evangelho: Lc 17, 11-19

1.- Leitura do Santo Evangelho segundo São Lucas (Lc 17,11-19)

11Aconteceu que, caminhando para Jerusalém, Jesus passava entre a Samaria e a Galiléia. 12Quando estava para entrar num povoado, dez leprosos vieram ao seu encontro. Pararam à distância, 13e gritaram: “Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!”
14Ao vê-los, Jesus disse: “Ide apresentar-vos aos sacerdotes”.
Enquanto caminhavam, aconteceu que ficaram curados. 15Um deles, ao perceber que estava curado, voltou glorificando a Deus em alta voz; 16atirou-se aos pés de Jesus, com o rosto por terra, e lhe agradeceu. E este era um samaritano.
17Então Jesus lhe perguntou: “Não foram dez os curados? E os outros nove, onde estão? 18Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, a não ser este estrangeiro?” 19E disse-lhe: “Levanta-te e vai! Tua fé te salvou”.
- Palavra da Salvação!
- Glória a Vós, Senhor!


2.- Referências para a melhor compreensão do Evangelho:

A maioria de nós entende que a lepra é uma doença, já quase erradicada, que pela ação de um contagioso vírus ou bactéria, produzia (quase automaticamente) a putrefação da carne do doente, que ao infectar-se ia caindo pouco a pouco, até que sobrevinha sua morte.

E de fato, essa é a manifestação visível do mal; mas, a rigor, a lepra é uma doença das terminações nervosas, que faz com que o doente perca a sensibilidade em algumas partes do corpo.

O que acontecia era que, como resultado do trabalho e das diversas atividades que realizava, o leproso batia, cortava ou feria aquelas partes do corpo em que havia perdido a sensibilidade, e justamente como efeito dessa perda de sensibilidade, não percebia suas lesões, o que fazia com que estas logo se infeccionassem, apodrecessem, e assim sobrevinha uma gangrena, ou uma septicemia (infecção generalizada) que acabaria com a vida do doente.

Acontece que hoje, ao ser mais fácil a realização de diagnósticos, por um lado, ao ser menos necessário que o paciente se exponha a ferimentos ou contusões (porque o trabalho em geral é menos sacrificado), e ao contar com antibióticos eficazes para combater logo as infecções, parecia que, o que antes era o horror da grande maioria dos povos, havia se convertido em um mal menor, e do qual já quase nem se fala.

No entanto, há quem, meditando sobre a verdadeira natureza da lepra, diga que o homem desta época vive leproso em sua alma: que o mundo nos enche tanto de sua propaganda, de suas filosofias ateizantes e de seu convite à busca de prazeres fáceis e imediatos, que vai nos tornando cada vez mais egoístas, egocêntricos e insensíveis.

Primeiro perdemos a sensibilidade pelas coisas do espírito, porque supervalorizamos os prazeres sen-soriais e atribuímos ao que é material uma importância primordial em nossas vidas. Queremos ser “vencedores” a qualquer custo, e os principais símbolos do triunfo são o dinheiro em excesso, as comodidades e o luxo. O crescente número de pessoas que se sentem frustradas, e que até caem em graves estados de depressão, porque não têm a oportunidade de satisfazer os desejos que o mundo vai introduzindo neles, são um claro exemplo do que aqui dizemos.

Depois perdemos a sensibilidade pelas necessidades e sofrimentos dos outros, porque essa corrida desenfreada em busca de sucessos materiais nos torna egoístas e incapazes de olhar ao nosso redor.

Também perdemos a sensibilidade espiritual que nos leva à consciência do pecado, pois, por um lado tudo o que nos dá prazer é bom, ao mesmo tempo que fugimos cada vez mais do sacrifício. Por outro lado, buscamos nossos fins por caminhos rápidos e fáceis, deixando de considerar o mal que poderíamos estar fazendo para consegui-los.

Por este caminho, é muito fácil chegar à idéia de que “na verdade, Deus no existe”, pois, como já dissemos anteriormente, “quem não vive como pensa, acaba pensando como vive”, e se começamos a acreditar em Deus, mas fazemos as coisas como se Ele não existisse, acabaremos por crer que realmente não existe.

Em síntese, a “lepra espiritual”, que começa com a valorização excessiva das coisas deste mundo, nos conduz à perda da sensibilidade pelas coisas transcendentes, o que nos fere, e assim a alma nos vai caindo aos pedaços.

A presença de Cristo, o verdadeiro desejo de segui-lo, tomando cada um sua própria cruz, e de empreender com rapidez o caminho da mudança interior que Ele põe ao nosso alcance através do Evangelho, são a única cura eficaz para essa terrível lepra que, sem saber, muitos de nós contraímos do mundo.

Deveríamos nos esforçar, com a seriedade que requer o caso, para procurar erradicar esse terrível mal espiritual, não somente de nós, porque talvez, graças a Deus, é possível que alguns não a tenhamos contraído, mas que estejamos atentos para ajudar aos nossos entes queridos ou conhecidos que começarem a manifestar alguns de seus sintomas.

Deus nos cura todos os dias através de Sua Palavra, e por meio das inumeráveis circunstâncias que se nos vão apresentando, pois Ele quer que sejamos felizes. Ele quer que desfrutemos intensamente da criação que temos ao nosso alcance. Somos nós que nos acostumamos a não encontrar essa felicidade, que com tanta gratuidade Deus nos concede permanentemente.

É que não chegamos a ver um pouquinho mais além das diversas circunstâncias que muitas vezes nos angustiam. Não percebemos outras situações nas quais Deus mesmo Se nos manifesta vivo e sofredor. Em geral, uma pessoa infeliz, triste, deprimida, negativa, angustiada, está assim porque pensa apenas em si mesma. Tudo filtra através de sua pessoa. Daí o mau humor, a tristeza ou a depressão, porque tudo nasce e termina em si mesma. É que ninguém pode colher o que não semeou.

Para ser feliz, é preciso semear felicidade. Nisso consiste precisamente a “construção do Reino”. Quem morre para si mesmo, semeando felicidade nos outros, com certeza receberá o prêmio de Deus, já que Ele mesmo disse: “Tudo o mais virá por acréscimo”. O Reino de Deus não está na opulência, mas em compartilhar com Amor tudo o que Ele sábia e bondosamente quer nos dar… nem mais, nem menos. 

E é por esta via que chegamos ao tema central que nos propõe meditar o Evangelho deste domingo: A gratidão de tão poucos, e a ingratidão da maioria… 

Analisando a atitude dos mal-agradecidos, deveríamos recordar não somente os favores “casuais” que recebemos de Deus, que pouco a pouco vão resolvendo nossa vida diária. Seria bom pensar também nas diversas vezes que deixamos passar, pela inatividade, a frouxidão ou a indiferença, as oportunidades que se nos apresentam de fazer algo que poderia demonstrar nosso agradecimento ao Pai Eterno por nos fazer partícipes de sua obra criadora e a Jesus Cristo nosso Senhor, por nos haver convidado a participar de sua obra redentora.

Pensemos: Por que o estrangeiro foi o único agradecido a Jesus? É que às vezes nos acostumamos tanto a receber os favores de Deus, que cremos ter ganho o direito de recebê-los. Por isso costumam ser mais agradecidos a Ele os que menos têm, o que não deixa de ser absolutamente injusto.

Como será importante que, depois de refletir sobre estas questões, adotemos a atitude daquele único leproso que retornou aos pés do Senhor para agradecer a Ele o favor transcendental que dEle havia recebido!

Mas seria também um bom sinal de verdadeiro agradecimento que falemos com nossos familiares, amigos e conhecidos sobre este assunto, para que todos cheguemos aos pés de Jesus (juntos ou separados, segundo a oportunidade) e demos graças a Deus por todos os seus benefícios, por cada um dos milagres que, dia a dia, nos alcança como Pai amoroso e providente; para nos comprometermos, sinceramente e com Ele, a nos preocupar menos com nós mesmos e nos ocuparmos mais com Ele, com verdadeira Fé, Amor e Esperança. 

 

3.- Perguntas para orientar a reflexão: (Ler pausadamente cada questão e fazer um instante de silêncio após cada pergunta, para permitir a reflexão dos irmãos)

a) Pensando com absoluta honestidade, e em termos gerais, sou agradecido a Deus por tudo o que me dá, ou me encontro entre os 90% dos mal-agradecidos? Eu me conformo com o que tenho, ou acho que mereço mais, e vivo infeliz por não ter mais? Como poderia manifestar melhor a Deus o agradecimento que sinto por Ele, por seus inumeráveis benefícios? Vivo cada Missa como uma profunda ação de graças a Deus por tudo o que sou e tudo o que tenho?

b) Tenho consciência de que, em cada confissão, o Senhor me concede a oportunidade de ser curado da lepra que pode acabar dilacerando minha alma? Procuro com todas as minhas forças não voltar a “adoecer”, uma vez que fiquei curado? Tenho o cuidado necessário para não perder o medo de cometer pecados?

c) Quando se me apresenta a ocasião de satisfazer algum desejo ou conseguir algum benefício, colocando-me em risco de pecar, faço os esforços necessários para evitá-lo? Tenho consciência de que, por pequenino que seja, todo pecado que cometo ofende a Deus, que é meu Pai, que me ama profundamente e me quer santo?

d) Sabendo que o único modo que tenho de dar graças a Deus por minha vida e minha redenção é procurar dar-Lhe glória com todos os meus atos, esforço-me para fazer tudo o que possa “retribuir” tanto amor, ou me perco depois de tê-lo recebido, como os leprosos do Evangelho? Trabalho ativamente na edificação do Reino, ou dou a Deus e aos mais necessitados somente as migalhas de minha energia e de meu tempo?

 

4.- Comentários dos irmãos:
Após um momento de silêncio concede-se a palavra aos participantes da Casinha de Oração para que expressem suas opiniões, reflexões e comentários, buscando a participação de todos.

 

5.- Concordâncias do Evangelho com o Catecismo da Igreja Católica

2648 Toda alegria e todo sofrimento, todo acontecimento e toda necessidade podem ser a matéria da ação de graças que, participando da ação de graças de Cristo, deve dar plenitude a toda a vida: "Por tudo dai graças (1Ts 5,18).

1359 A Eucaristia, sacramento de nossa salvação realizada por Cristo na cruz, é também um sacrifício de louvor em ação de graças pela obra da criação. No sacrifício eucarístico, toda a criação amada por Deus é apresentada ao Pai por meio da Morte e da Ressurreição de Cristo. Por Cristo, a Igreja pode oferecer o sacrifício de louvor em ação de graças por tudo o que Deus fez de bom, de belo e de justo na criação e na humanidade.

2637 A ação de graças caracteriza a oração da Igreja que, celebrando a Eucaristia, manifesta e se torna mais aquilo que ela é. Com efeito, na obra da salvação, Cristo liberta a criação do pecado e da morte para consagrá-la de novo e fazê-la retornar ao Pai, para sua Glória. A ação de graças dos membros do Corpo participa da de sua Cabeça.

2638 Como na oração de súplica, todo acontecimento e toda necessidade podem se tornar oferenda de ação de graças. As cartas de S. Paulo começam e terminam freqüentemente uma ação de graças, e o Senhor Jesus sempre está presente. "Por tudo dai graças, pois esta é a vontade de Deus a vosso res-peito, em Cristo Jesus" (1 Ts 5,18). "Perseverai na oração, vigilantes, com ação de graças" (Cl 4,2).

 

6.- Refletindo com a Grande Cruzada:

CS 122 Os irmãos se ajudam entre si e Eu sou teu irmão… Levo sobre Mim o fardo de todo o mundo e às vezes sinto que o peso Me acabrunha. Ajuda-Me, orando e amando! É muito o que pode fazer o amor em um coração sensível [...].
E se alguém te pergunta o que fazes nesse momento, responde que estás ocupada em amar a teu Deus. O universo poderia se deter e isso não teria a menor importância diante de uma alma que se esforça por agradar-Me.
Ama-Me de todas as formas: reparando, consolando, agradecendo, glorificando com o amor que quer obter algo para Me agradar e com o amor que, simplesmente, ama por amar.

 

7.- Comentários finais:
Concede-se novamente a palavra para fazer breve referência aos textos lidos (do Catecismo ou das mensagens) ou a qualquer outro assunto de interesse para a Casinha ou o Apostolado.

 

8.- Virtude do mês:

Durante este mês, praticaremos a virtude da Temperança (Catecismo da Igreja Católica: 1838 – 1805 – 1809 – 1834 – 2290 – 2407)

1809 A temperança é a virtude moral que modera a atração pelos prazeres e procura o equilíbrio no uso dos bens criados. Assegura o domínio da vontade sobre os instintos e mantém os desejos dentro dos limites da honestidade. A pessoa temperante orienta para o bem seus apetites sensíveis, guarda uma santa discrição e "não se deixa levar a seguir as paixões do coração" (Cf. Eclo 5, 2; 37, 27-31). A temperança é muitas vezes louvada no Antigo Testamento: "Não te deixes levar por tuas paixões e refreia os teus desejos" (Eclo 18,30). No Novo Testamento, é chamada de "moderação" ou "sobriedade". Devemos "viver com moderação, justiça e piedade neste mundo" (Tt 2,12).

Esta semana veremos o parágrafo 1834, que diz textualmente o seguinte:

1834 As virtudes humanas são disposições estáveis da inteligência e da vontade que, regulam nossos atos, ordenando nossas paixões e guiando-nos segundo a razão e a fé. Podem ser agrupadas em torno de quatro virtudes cardeais: a prudência, a justiça, a fortaleza e a temperança.

A Grande Cruzada nos diz a esse respeito:

CA 107 Seja um só o vosso exercício: crescer no amor, do qual dependem todas as outras virtudes. E para crescer no amor, já sabeis qual é vossa parte. Com efeito, Eu dou sempre um amor maior àqueles que se esforçam em mortificar-se. Ficai alegres, a humildade não é abatimento. Desfrutai do Meu Divino amor, sem tristeza, mas felizes pela vossa condição de miseráveis que usufruem de todas as Minhas infinitas riquezas…

 

9.- Propósito para esta semana:

GRAVAREI EM MEU CORAÇÃO MINHA CONDIÇÃO DE FILHO DE DEUS, SALVO GRAÇAS AO SANGUE DERRAMADO POR CRISTO NO CALVÁRIO, E DEMONSTRAREI MEU AGRADECIMENTO POR TÃO GRANDE DÁDIVA, SERVINDO A MEUS IRMÃOS SOMENTE PARA DAR GLÓRIA A DEUS.

Oferecerei as missas desta semana, e as comunhões que receba nelas, como ação de graças a Deus, pelas vezes que curou minha alma da lepra espiritual.

 

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