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Semana de 7 a 13 de outubro de 2007 A fé move montanhas A PALAVRA DE DEUS 1ª Leitura: Hab 1,2-3; 2,2-4: O justo viverá por sua fé. Salmo 94, 1-2.6-7.8-9: Oxalá ouvísseis hoje a voz do Senhor: Não endureçais vosso coração 2ª Leitura: 2Tm 1,6-8.13-14: Não vos envergonheis do testemunho de nosso Senhor. Evangelho: Lc 17, 5-10: Se tiverdes fé!...
1.- Leitura do Santo Evangelho segundo São Lucas (Lc 17,5-10) 5Os apóstolos disseram ao Senhor: Aumenta-nos a fé! 6Disse o Senhor: Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta amoreira: Arranca-te e transplanta-te no mar, e ela vos obedecerá. 7Qual de vós, tendo um servo ocupado em lavrar ou em guardar o gado, quando voltar do campo lhe dirá: Vem de-pressa sentar-te à mesa? 8E não lhe dirá ao contrário: Prepara-me a ceia, cinge-te e serve-me, enquan-to como e bebo, e depois disto comerás e beberás tu? 9E se o servo tiver feito tudo o que lhe ordenara, porventura fica-lhe o senhor devendo alguma obrigação? 10Assim também vós, depois de terdes feito tudo o que vos foi ordenado, dizei: Somos servos como quaisquer outros; fizemos o que devíamos fazer. - Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor! 2.- Referências para a melhor compreensão do Evangelho: Recordemos sempre que Jesus é o “Novo Adão”, e que veio fazer tudo novo, isto é, veio recriar todas as coisas para orientá-las para seu verdadeiro e eterno fim... A passagem deste domingo encontra-se no contexto dos ensinamentos que o Senhor dá aos seus discípulos sobre a vida em comunidade. Seguem para Jerusalém, onde Ele será sacrificado, e sabe que lhe resta pouco tempo para terminar de instruí-los. A Igreja nos convida a extrair dois grandes ensinamentos desta brevíssima leitura, relacionadas com o poder da Fé e a humildade no serviço. Provavelmente seja por isso que, em sua incomensurável sabedoria, a Liturgia omite deliberadamente os quatro primeiros versículos deste Capítulo. No entanto, é importante considerá-los rapidamente, para saber por quê os apóstolos pediam a Jesus o dom da Fé: Ele acabava de lhes falar sobre o perdão, dizendo: “Se teu irmão pecar, repreende-o; se se arrepender, perdoa-lhe. Se pecar sete vezes no dia contra ti e sete vezes no dia vier procurar-te, dizendo: Estou arrependido, perdoar-lhe-ás.” (Lc 17,3-4). É diante desta instrução que os apóstolos lhe dizem de imediato: “Aumenta-nos a fé”, como quem diz “ajuda-me, porque eu, sozinho, não posso”. É necessário, com efeito, ser pessoa de muita fé para ter a têmpera que Jesus nos pede... Quem de nós, por sua própria motivação, estaria suficientemente “louco” para perdoar sete vezes “por dia” as ofensas da mesma pessoa?... Existe ainda um agravante: que para a cultura hebréia dizer “sete” é como dizer “um montão”... muito mais que sete... É que no Sermão da Montanha Jesus nos havia dito: “Bem-aventuras dos misericordiosos, porque alcançarão Misericórdia!” (Mt 5,7). Portanto, não há mais como evitar: “perdoar”, embora em princípio somente motivados pelo interesse (já que sem dúvida precisaremos que Deus nos perdoe muito). Ele depois se encarregará de ir purificando a cada dia mais nossas intenções. Agora nos centraremos nos ensinamentos que o Senhor tem para nós hoje: Jesus aproveita que seus apóstolos Lhe pedem que “lhes dê” mais fé (fazendo-nos notar, dessa forma, que se trata de um dom de Deus), para lhes falar sobre o inimaginável poder que tem a verdadeira fé. Para muitos “cristãos” (entre aspas), ter fé em Deus é simplesmente crer que Ele existe, que Jesus é Seu Filho, e, no melhor dos casos, que através de Jesus também nos tornamos Seus filhos, e somos cobertos pelo amor no Espírito Santo. Mas a fé da qual Jesus nos fala hoje é a fé ativa, operante; a fé que opera, a que desafia as leis da na-tureza e as submete. Essa é a fé que Ele quer que tenhamos! No Evangelho de São João, Jesus disse aos Seus discípulos, e através deles a todos nós: “Em verdade, em verdade vos digo: aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas, porque vou para junto do Pai. E tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, vo-lo farei, para que o Pai seja glorificado no Filho.” (Jo 14,12-13). Esta promessa de Jesus se viu cumprida abundantemente ao longo da História e, para demonstrá-lo, citamos somente um exemplo: os Evangelhos nos falam de 3 ou 4 ressurreições realizadas por Jesus durante sua vida pública. No processo de canonização de São Francisco Xavier, co-fundador da Com-panhia de Jesus, a Santa Sé “reconheceu vinte e quatro ressurreições juridicamente comprovadas e oitenta e oito milagres admiráveis operados em vida pelo ilustre santo”; segundo JMS Daurignac, um dos principais biógrafos de este “grande Apóstolo do Oriente” (cf. Histoire de Saint-Francois de Xavier de la Compagnie de Jesús. Paris, 1881, pág. 215). Pela fé nos tornamos filhos de Deus. E é dessa condição, que, como vemos, nos traz um sem-número de benefícios, que também devemos nos sentir na obrigação que tem todo filho, de ocupar-se das coi-sas de seu Pai. Jesus em sua infância havia dito a São José e à Santíssima Virgem Maria: “Não sabeis que devo cuidar das coisas de meu Pai?” Não podemos, pois presumir ter fé, ou de ser filhos de Deus, se não nos ocupamos das coisas de nosso Pai neste mundo. De outra maneira, convertemo-nos em algo assim como aquelas visitas inoportunas, que se dedicam a perambular pela casa, sem fazer nada, e prejudicando os que querem trabalhar. Vamos abusar um pouco da paciência dos irmãos das Casinhas de Oração, para trazer-lhes uma citação da carta do Apóstolo São Tiago, pois neste breve texto são tratados alguns assuntos que nos ampliarão a perspectiva bíblica na reflexão de hoje. Disse São Tiago: “Falai, pois, de tal modo e de tal modo procedei, como se estivésseis para ser julgados pela lei da liberdade. Haverá juízo sem misericórdia para aquele que não usou de misericórdia. A misericórdia triunfa sobre o julgamento. De que aproveitará, irmãos, a alguém dizer que tem fé, se não tiver obras? Acaso esta fé poderá salvá-lo? Se a um irmão ou a uma irmã faltarem roupas e o alimento cotidiano, e algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, mas não lhes der o necessário para o corpo, de que lhes aproveitará? Assim também a fé: se não tiver obras, é morta em si mesma. Mas alguém dirá: Tu tens fé, e eu tenho obras. Mostra-me a tua fé sem obras e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras. Crês que há um só Deus. Fazes bem. Também os demônios crêem e tremem. Queres ver, ó homem vão, como a fé sem obras é estéril? Abraão, nosso pai, não foi justificado pelas obras, oferecendo o seu filho Isaac sobre o altar? Vês como a fé cooperava com as suas obras e era completada por elas. Assim se cumpriu a Escritura, que diz: Abraão creu em Deus e isto lhe foi tido em conta de justiça, e foi chamado amigo de Deus. Vedes como o homem é justificado pelas obras e não somente pela fé? (...) Assim como o corpo sem a alma é morto, assim também a fé sem obras é morta. (Tg 2,12ss.) No entanto, o Senhor nos esclarece (também nesta breve passagem do Evangelho que estamos vendo) que mesmo na hora de realizar essas obras, devemos estar conscientes de que não é por nossos pró-prios méritos, ou por sermos muito bons, que as fazemos, mas pela graça de Deus e ajuda do Espírito Santo. De modo que orgulhar-se do que fazemos pelo Senhor ou por Seus filhos mais necessitados, ou apenas falar dessas obras, com outro fim que não seja glorificar a Deus, vem a ser não somente desne-cessário, mas também prejudicial para nossas almas, tirando o brilho do que fazemos e contribuindo para inchar um orgulho que devemos procurar, por todos os meios, eliminar em nós. 3.- Perguntas para orientar a reflexão: (Ler pausadamente cada questão e fazer um instante de silêncio após cada pergunta, para permitir a reflexão dos irmãos) a) Pergunto-me com certa freqüência, quanta fé tenho no Senhor? Desde que comecei o caminho de minha conversão (ou desde que decidi comprometer-me mais com Deus e com Sua Igreja), honestamente, sinto que minha fé aumentou, manteve-se intacta, ou diminuiu em algum ponto? Peço a Deus com insistência que aumente minha fé? Como dou testemunho de minha fé?, ou seja, de que maneira poderia dizer que eu a “manifesto”? b) Quando rezo, tenho fé suficiente para entregar meus pedidos ao Senhor, sem procurar encontrar “por acaso” algumas soluções pessoais, que talvez sejam mais conformes com meus desejos pessoais do que com o que possa ser a vontade do Senhor?... c) Jesus nos ensinou que aquele que quiser ser seu discípulo, deve tornar-se servidor dos outros. Hoje nos diz que, quando fazemos algum trabalho, devemos realizá-lo com humildade, como servos inúteis que somos. Nesse sentido, e muito sinceramente, realizo meus trabalhos com o sentimento de estar fazendo apenas o que se supõe que deveria fazer, e sem esperar elogios, aplausos ou honras que seriam contrários à humildade que devo praticar a cada momento? d) Tenho consciência de que em todo momento meu papel de filho de Deus me coloca na situação de servo, que primeiro deve servir à mesa de seu Senhor, e depois ocupar-se de sua própria pessoa? 4.- Comentários dos irmãos: Após um momento de silêncio concede-se a palavra aos participantes da Casinha de Oração para que expressem suas opiniões, reflexões e comentários, buscando a participação de todos. 5.- Concordâncias do Evangelho com o Catecismo da Igreja Católica 150 A fé é primeiramente uma adesão pessoal do homem a Deus; é, ao mesmo tempo e inseparavelmente, o assentimento livre a toda a verdade que Deus revelou. Como adesão pessoal a Deus e assen-timento à verdade que ele revelou, a fé cristã é diferente da fé em uma pessoa humana. E justo e bom entregar-se totalmente a Deus e crer absolutamente no que ele diz. Seria vão e falso pôr tal fé em uma criatura (Cf. Jer 17, 5-6; Sl 40, 5; 146, 3-4). 2087 Nossa vida moral encontra sua fonte na fé em Deus, que nos revela seu amor. S. Paulo fala da "obediência da fé" (Cf. Rm 1, 5; 16, 26) como da primeira obrigação. Ele vê no "desconhecimento de Deus" o princípio e a explicação de todos os desvios morais (Cf. Rm 1, 18-32). Nosso dever em relação a Deus consiste em crer nele e em dar testemunho dele. 6.- Refletindo com a Grande Cruzada: CA 41 Os milagres da fé não são possíveis sem a plena aceitação da Minha Vontade, por parte daquele que deseja esses mesmos milagres. São coisas que procedem de Mim e não devem parar em vós, por-que devem voltar a Mim… Que o homem esteja pronto para tudo se quer ser Meu, e não ponha nenhu-ma condição para que os Meus desígnios se cumpram. É preciso deixar tudo para que a Minha Vontade se cumpra na terra, e deixando tudo encontra-se o verdadeiro tudo, como no Céu. CA 159 Agora quero falar-te da fé. A vida de todo homem vem de um sopro de Deus e esse alento é a alma que mantém a vida. Se Deus toca a alma, encontra-se consigo mesmo porque o corpo é somente um veículo. Quando Deus encontra a Si mesmo em uma alma, esta sente que o corpo já não existe. Por isso, no momento da Comunhão, Meu Corpo e Meu Sangue estão em ti. Eu vivo em ti e tu vives em Mim. 7.- Comentários finais: Concede-se novamente a palavra para fazer breve referência aos textos lidos (do Catecismo ou das mensagens) ou a qualquer outro assunto de interesse para a Casinha ou o Apostolado. 8.- Virtude do mês: Durante este mês, praticaremos a virtude da Temperança (Catecismo da Igreja Católica: 1838 – 1805 – 1809 – 1834 – 2290 – 2407) 1809 A temperança é a virtude moral que modera a atração pelos prazeres e procura o equilíbrio no uso dos bens criados. Assegura o domínio da vontade sobre os instintos e mantém os desejos dentro dos limites da honestidade. A pessoa temperante orienta para o bem seus apetites sensíveis, guarda uma santa discrição e "não se deixa levar a seguir as paixões do coração" (Cf. Eclo 5, 2; 37, 27-31). A tem-perança é muitas vezes louvada no Antigo Testamento: "Não te deixes levar por tuas paixões e refreia os teus desejos" (Eclo 18,30). No Novo Testamento, é chamada de "moderação" ou "sobriedade". De-vemos "viver com moderação, justiça e piedade neste mundo" (Tt 2,12). Esta semana veremos o parágrafo 1838, que diz textualmente o seguinte: 1838 A temperança modera a atração dos prazeres sensíveis e procura o equilíbrio no uso dos bens criados. A Grande Cruzada nos diz a esse respeito: CA 183 Não vos deixeis enganar ou sugestionar pelo espírito maléfico, que por todos os meios trata de destruir no homem as santas e divinas inspirações para afastá-lo do bem. Um homem pobre, humilde, obediente, é um poder inexpugnável. Viver em perfeita pobreza em um mundo enlouquecido de prazeres e de luxo, é a loucura da Cruz e a loucura da Cruz sempre é atual. Seguir a Cristo e Cristo Crucificado é para todos os séculos e para todos os dias. 9.- Propósito para esta semana: VOU PROCURAR ME CONTROLAR PERMANENTEMENTE, PARA NÃO CAIR EM NENHUM EXCESSO. TUDO AQUILO QUE ME DÁ PRAZER SERÁ MEDIDO DE TAL MANEIRA QUE MEU AGIR SEJA UM VERDADEIRO TESTEMUNHO DE VIDA APOSTÓLICA.
Tudo o que me sobrar, por causa de minha temperança, compartilharei com algum irmão necessitado. Apostolado da Nova Evangelização 2007
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