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Semana de 23 a 29 de setembro de 2007 «Não podeis servir a Deus e ao dinheiro» A PALAVRA DE DEUS 1ª Leitura: Am 8, 4-7: Contra os que compram o pobre com dinheiro Salmo 112, 1-2.4-6.7-8: Louvai o Senhor, que eleva os pobres 2ª Leitura: 1 Tm 2, 1-8: Pedi por todos os homens a Deus, que quer que todos se salvem Evangelho: Lc 16, 1-13
1.- Leitura do Evangelho Naquele tempo, 1Jesus disse também a seus discípulos: Havia um homem rico que tinha um administrador. Este lhe foi denunciado de ter dissipado os seus bens. 2Ele chamou o administrador e lhe disse: Que é que ouço dizer de ti? Presta contas da tua administração, pois já não poderás administrar meus bens. 3O administrador refletiu então consigo: Que farei, visto que meu patrão me tira o emprego? Lavrar a terra? Não o posso. Mendigar? Tenho vergonha. 4Já sei o que fazer, para que haja quem me receba em sua casa, quando eu for despedido do emprego. 5Chamou, pois, separadamente a cada um dos devedores de seu patrão e perguntou ao primeiro: Quanto deves a meu patrão? 6Ele respondeu: Cem medidas de azeite. Disse-lhe: Toma a tua conta, senta-te depressa e escreve: cinqüenta. 7Depois perguntou ao outro: Tu, quanto deves? Respondeu: Cem medidas de trigo. Disse-lhe o administrador: Toma os teus papéis e escreve: oitenta. 8E o proprietário admirou a astúcia do administrador, porque os filhos deste mundo são mais prudentes do que os filhos da luz no trato com seus semelhantes. 9Eu vos digo: fazei-vos amigos com a riqueza injusta, para que, no dia em que ela vos faltar, eles vos recebam nos tabernáculos eternos. 10Aquele que é fiel nas coisas pequenas será também fiel nas coisas grandes. E quem é injusto nas coisas pequenas, sê-lo-á também nas grandes. 11Se, pois, não tiverdes sido fiéis nas riquezas injustas, quem vos confiará as verdadeiras? 12E se não fostes fiéis no alheio, quem vos dará o que é vosso? 13Nenhum servo pode servir a dois senhores: ou há de odiar a um e amar o outro, ou há de aderir a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro. - Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor! 2.- Referências para a melhor compreensão do Evangelho: O capítulo 16 do Evangelho de São Lucas fala muito sobre a relação (ou melhor, da atitude) que deve ter o cristão diante dos bens terrenos. Na passagem que lemos esta semana, vemos por um lado a reação do patrão frente ao mau comportamento do administrador, e por outro a maneira em que admira a astúcia de seu servo corrupto, para lidar com o dinheiro e ganhar com ele o favor de outros. Talvez esta passagem possa causar certa confusão, mostrando-nos como bom o engano para obter um benefício em causa própria, mas a intenção é outra, mais profunda e muito mais edificante. Vejamos. É bom esclarecer que naquela época era lícito aos administradores aumentar um excedente nas dívidas que outros tinham com seu patrão, a fim de obter um lucro para si (a título de comissão). De modo que, o que este administrador faz, de certo modo, é renunciar a esse benefício, reduzindo das dívidas a parte que lhe caberia, a fim de ganhar sua amizade em vista dos dias vindouros de seu desemprego. A astúcia de que fala Jesus, de “usar” o dinheiro para “fazer amigos” neste mundo, faz referência à luta constante do ser humano para ganhar o sustento e obter o necessário para seu bem-estar. Uma luta na qual, lamentavelmente, muitas vezes as pessoas perdem os escrúpulos e ultrapassam os limites da moral, deixando de medir o dano que poderiam causar aos outros, para ganhar mais dinheiro. Utilizar bem o dinheiro, isto é, ganhá-lo e administrá-lo adequadamente, é algo “bem visto” aos olhos de Deus. Mas a fina linha que separa essa habilidade bem utilizada e admirada, da atitude corrupta do administrador citado na Parábola, está no modo em que entendemos essa tarefa e a aplicamos em nossa vida. Está muito claro que o administrador agiu mal, pois de fato, Jesus se refere a ele como um “filho deste mundo” contrapondo-o aos “filhos da Luz”. Os “filhos deste mundo” (ou “os filhos deste século”, como aparece em outras traduções), são as pessoas absorvidas pelas preocupações, enquanto que “os filhos da Luz” são as que se ocupam pelos bens do espírito. No caso do administrador em questão, bem poderia ter pedido perdão a seu patrão por seus erros, dizendo-lhe que renunciaria a seus lucros para restituir-lhe aquele dinheiro mais rápido, mas ele decidiu ser “mais astuto”, e resolver as coisas por debaixo do pano e a seu modo. Contudo, Jesus nos dá o sábio conselho de agir “astutamente” para os assuntos de Deus. Isto é: se na busca do dinheiro agimos de maneira inteligente (e às vezes com demasiada perspicácia...) dedicando a isso nosso esforço, nosso tempo, e o melhor de nossos dons, Cristo nos chama a ter o mesmo impulso para conhecer e difundir o Reino de Deus. Somos sagazes nos negócios e agimos com grande precaução, assegurando-nos de ter êxito em nossos projetos, porque sabemos que o beneficio econômico é a recompensa, o que nos é muito atraente. Da mesma forma, propagar o amor de Deus nos corações dos homens é uma missão que traz uma grande recom-pensa… muito superior à econômica que nos oferece o mundo terreno: já não se trata de um benefício que nos dura somente enquanto temos vida material, mas de um tesouro eterno, isto é, a salvação de nossas almas. (“Acumulai tesouros que a traça não come e a ferrugem não corrói” disse o Senhor). “Quem foi digno de confiança no que não tem importância, será digno de confiança também nas coisas importantes”. A santidade da pessoa não é oposta aos esforços, derrotas e conquistas da vida terrena. É precisamente através de cada atitude, de cada ação, por menor que seja, mesmo no interior de nosso coração, que vamos construindo e encaminhando nossa perfeição. Agindo com responsabilidade nas coisas da terra (leia-se: com o trabalho, as amizades, a família, nossos deveres de cidadão, etc) demonstramos, damos testemunho de que merecemos ser chamados “filhos de Deus” e “irmãos de Cristo”. O tecido da vida interior, de que nos fala São Josemaría Escrivá, é composto de pequenas fibras, que são as virtudes que tivermos forjado em nosso interior, e que convém que fio a fio nos revistam de um traje esplêndido com o qual entraremos no grande Banquete do Reino, banquete ao qual fomos todos convidados. Quem não estiver vestido adequadamente… simplesmente ficará de fora. A mensagem de Jesus termina de maneira perfeita quando nos adverte: “Nenhum servo pode servir a dois senhores... Não podeis servir a Deus e ao dinheiro”. Deixamos de servir a Deus quando o dinheiro se converte no objetivo primordial de nossa vida. Como cristãos, devemos ser conscientes, a cada dia, de que nossa meta final é o Céu, e que ali chegaremos através de uma vida na Graça e o mais próxima da santidade que nos seja possível. Neste sentido, o dinheiro só nos auxiliará no caminho como uma ferramenta que nos mantenha de pé… Mas não podemos dedicar nossa vida a conseguir (ou acumular) dinheiro, esquecendo-nos de nossa meta original. Não podemos permitir que o que é apenas um dos meios para alcançar o fim, termine por converter-se no próprio fim, e menos ainda deixar que, o que o Senhor coloca como um instrumento para nossa salvação, acabe por se converter na causa de nossa condenação. 3.- Perguntas para orientar a reflexão: (Ler pausadamente e fazer um instante de silêncio após cada pergunta, para permitir a reflexão dos irmãos) Todos somos chamados a administrar os bens do Patrão... Como batizados, temos a missão de alcançar a santidade, e como homens habitamos um mundo com leis muitas vezes distintas das de Deus: a) Como compatibilizo esta realidade em minha vida? Analisando-me com absoluta sinceridade, sou mais um filho deste mundo, ou me esforço verdadeiramente para ser “um filho da Luz”, um cidadão do Céu, que está trabalhando no tempo nesta vida, para chegar às portas do Pai com frutos de Redenção? b) Como ajudo ou como posso ajudar outros a descobrirem esta realidade, geralmente oculta pela agitação e pelas urgências da vida diária? c) Se faço uma contagem das “fibras” que compõem minha vida, quantas são virtudes (como a caridade, a fé, a piedade, a humildade, a esperança...) e quantas são fraquezas ou defeitos (como a avareza, o desespero, a inveja, etc)? d) Na forma em que conduzo minha vida, a que senhor estou servindo na verdade: a Deus (com tudo o que isso supõe) ou ao dinheiro, ao prestígio, ao poder, ao prazer... (em suma, a somente uma parte de mim mesmo, que é meu corpo)? 4.- Comentários dos irmãos: Após um momento de silêncio concede-se a palavra aos participantes da Casinha de Oração para que expressem suas opiniões, reflexões e comentários sobre a passagem lida e a análise feita. Como sempre, se buscará a participação de todos. 5.- Concordâncias do Evangelho com o Catecismo da Igreja Católica 2113 A idolatria não diz respeito somente aos falsos cultos do paganismo. Ela é uma tentação constante da fé. Consiste em divinizar o que não é Deus. Existe idolatria quando o homem presta honra e veneração a uma criatura em lugar de Deus, quer se trate de deuses ou de demônios (por exemplo, o satanismo), do poder, do prazer, da raça, dos antepassados, do Estado, do dinheiro etc. "Não podeis servir a Deus e ao dinheiro", diz Jesus (Mt 6,24). Numerosos mártires morreram por não adorar "a Besta" (Cf. Ap 13-14), recusando-se até a simular seu culto. A idolatria nega o senhorio exclusivo de Deus; é, portanto, incompatível com a comunhão divina (Cf. Gal 5,20; Ef 5,5). 2544 Jesus ordena a seus discípulos que O prefiram a tudo e dos e lhes propõe que "renunciem a todos os bens" (Cf. Lc 14, 33) por causa dele e do Evangelho. Pouco antes de sua paixão, deu-lhes como exemplo a pobre viúva de Jerusalém que, de sua indigência, deu tudo o que possuía para viver (Cf. Lc 21,4). O preceito do desprendimento das riquezas é obrigatório para se entrar no Reino dos céus. 1723 A prometida bem-aventurança nos coloca diante de escolhas morais decisivas. Convida-nos a purificar nosso coração de seus maus instintos e a procurar o amor de Deus acima de tudo. Ensina que a verdadeira felicidade não está nas riquezas ou no bem-estar, nem na glória humana ou no poder, nem em qualquer obra humana, por mais útil que seja, como as ciências, a técnica e as artes, nem em outra criatura qualquer, mas apenas em Deus, fonte de todo bem e de todo amor. A riqueza é o grande deus atual; a ela prestam homenagem instintiva a multidão e toda a massa dos homens. Medem a felicidade pelo tamanho da fortuna e, segundo a. fortuna, medem também a honradez... Tudo isto provém da convicção de que, tendo riqueza, tudo se consegue. A riqueza é, pois, um dos ídolos atuais, da mesma forma que a fama... A fama, o fato de alguém ser conhecido e fazer estardalhaço na sociedade (o que poderíamos chamar de notoriedade da imprensa), chegou a ser considerada um bem em si mesma, um sumo bem, um objeto, também ela, de verdadeira veneração. (Newman, mix. 5, sobre a santidade). 2545 Todos os fiéis de Cristo "devem dirigir retamente seus afetos para que, por causa do uso das coisas mundanas, por causa do apego às riquezas contra o espírito da pobreza evangélica, não sejam impedidos de tender à perfeição da caridade". (LG 42). 6.- Refletindo com a Grande Cruzada : CA 150: Eu Me manifestei a este povo para vos chamar com urgência à conversão, quero resgatar e reunir as Minhas ovelhinhas. Meus pés sangram de tanto caminhar por veredas espinhosas, por barrancos e abismos; Minhas mãos estão despedaçadas de romper as cercas de perdição, as portas de átrios onde estão encerradas as Minhas ovelhas. Algumas Me reconhecem e vêm aos Meus braços e Eu as beijo com amor e Misericórdia; outras evitam olhar para Mim, e se negam a Me conhecer, rejeitam Meu abraço de perdão. Outras, as que Me causam mais dor, são as que Me trocaram pelo dinheiro, por prazer, e venderam sua alma ao pior e mais perverso comprador, Satanás, o Mercador das Trevas. CA 162 Ajudai-Me, filhos, sede um pequeno exército que guie vossos irmãos que estão cegos pelo poder, pelo dinheiro, orgulho, soberba, tudo o que dá em abundância o maligno inimigo das almas. 7.- Comentários finais: Concede-se novamente a palavra para fazer breve referência aos textos lidos (do Catecismo ou das mensagens) ou a qualquer outro assunto de interesse para a Casinha ou o Apostolado. 8.- Virtude do mês: Durante este mês, praticaremos a virtude da Esperança (Catecismo da Igreja Católica: parágrafos 1813-1817-1818-1820-2090-2091) 1817 A esperança é a virtude teologal pela qual desejamos como nossa felicidade o Reino dos Céus e a Vida Eterna, pondo nossa confiança nas promessas de Cristo e apoiando-nos não em nossas forças, mas no socorro da graça do Espírito Santo. "Continuemos a afirmar nossa esperança, porque é fiel quem fez a promessa" (Hb 10,23). Quando Deus se revela e chama o homem, este não pode responder plenamente ao amor divino por suas próprias forças. Deve esperar que Deus lhe dê a capacidade de lhe devolver o amor e de agir conforme os mandamentos da caridade. A esperança é aguardar confiantemente a bênção divina e a bem-aventurada visão de Deus; é também o temor de ofender o amor de Deus e de provocar seu castigo. A virtude da esperança corresponde ao anseio de felicidade colocado por Deus no coração de todo homem; assume as esperanças que inspiram as atividades dos homens; purifica-as para ordená-las ao Reino dos céus; protege do desalento; sustenta em todo desfalecimento; dilata o coração na espera da bem-aventurança eterna. O impulso da esperança preserva do egoísmo e conduz à graça da caridade. Esta semana veremos o parágrafo 2091, que diz textualmente o seguinte: 2091 O primeiro mandamento visa também aos pecados contra a esperança, que são o desespero e a presunção: Pelo desespero, o homem deixa de esperar de Deus sua salvação pessoal, os auxílios para alcançá-la ou o perdão de seus pecados. O desespero opõe-se à bondade de Deus, à sua justiça porque o Senhor é fiel a suas promessas e à sua misericórdia. A Grande Cruzada nos diz a esse respeito: CA 113: Nas estradas de ferro, o trilho é a salvação daqueles que põem a sua confiança no condutor do trem. Nestas palavras simples se encerra o sentido do que hoje quero te dizer. O trem representa os homens de boa vontade; o condutor sou Eu; os trilhos são a doutrina da Igreja e a submissão aos seus Ministros. Aquele que está a bordo, viaje feliz e confiante rumo ao seu destino. Com efeito, de que serviria crer em Mim sem ter boa vontade? E que fruto produziria a boa vontade se não fosse bem dirigida pela doutrina infalível, cujo depósito está nas mãos dos sucessores de Pedro? E, finalmente, de que serviria conhecer todas estas coisas sem estardes submetidos ao Meu ministro que é Meu representante? Refleti sobre isto, porque a falta de reflexão leva muitas vezes a conseqüências incalculáveis. Crês que Eu sou o condutor do trem? Muito bem. Então, deixa-te guiar verdadeiramente, não em palavras, mas por fatos concretos; não com a ajuda de impressões sentimentais, mas da que é feita de fé viva, esperança sentida e caridade santa. Do contrário, como podes dizer que Me reconheces como teu superior, reformador e, sobretudo, como teu verdadeiro amor? Por isso, é necessário crer, esperar e amar, de maneira substancial. Crês que Eu pus no teu interesse estes dois trilhos de que te falei, que concernem ao magistério da Igreja e à direção dos Meus ministros? Muito bem, mas sê coerente, porque não só deves acreditar nisso, mas é necessário reger-se diariamente por esta fé. E então, estuda o que diz a Igreja, segue os conselhos dos Meus ministros. Assim, poderá correr velozmente o trem que te conduz à vida divina e assim poderás experimentar quão sábio é o pulso do condutor, que sou justamente Eu. 9.- Propósito para esta semana: ESFORÇAR-ME-EI PARA PRESTAR ATENÇÃO A TODAS AQUELAS REAÇÕES OU DECISÕES NAS QUAIS ME GUIA A INSEGURANÇA, O TEMOR OU A DÚVIDA NO LUGAR DA ESPERANÇA E DA CONFIANÇA QUE DEVO TER COMO FILHO AMADO PELO SENHOR. Procurarei fazer com que a esperança tranqüila seja a que governe todas as ações de meu lar. Apostolado da Nova Evangelização 2007 |