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Semana de 16 a 22 de setembro de 2007 «Perdoai-nos... como nós perdoamos » A PALAVRA DE DEUS 1ª Leitura: Ex 32,7-11.13-14: O Senhor se arrependeu da ameaça que havia pronunciado Salmo 50, 3-4.12-13.17 e 19: Vou, agora, levantar-me, volto à casa do meu pai 2ª Leitura: 1Tm 1,12-17: Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores Evangelho: Lc 15,1-32: Haverá maior júbilo no céu por um só pecador que se converta
1.- Leitura do Evangelho Naquele tempo, 1aproximavam-se de Jesus os publicanos e os pecadores para ouvi-lo. 2Os fariseus e os escribas murmuravam: Este homem recebe e come com pessoas de má vida! 3Então lhes propôs a seguinte parábola: 4Quem de vós que, tendo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto e vai em busca da que se perdeu, até encontrá-la? 5E depois de encontrá-la, a põe nos ombros, cheio de júbilo, 6e, voltando para casa, reúne os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Regozijai-vos comigo, achei a minha ovelha que se havia perdido. 7Digo-vos que assim haverá maior júbilo no céu por um só pecador que fizer penitência do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento. 8Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas e perdendo uma delas, não acende a lâmpada, varre a casa e a busca diligentemente, até encontrá-la? 9E tendo-a encontrado, reúne as amigas e vizinhas, dizendo: Regozijai-vos comigo, achei a dracma que tinha perdido. 10Digo-vos que haverá júbilo entre os anjos de Deus por um só pecador que se arrependa. 11Disse também: Um homem tinha dois filhos. 12O mais moço disse a seu pai: Meu pai, dá-me a parte da herança que me toca. O pai então repartiu entre eles os haveres. 13Poucos dias depois, ajuntando tudo o que lhe pertencia, partiu o filho mais moço para um país muito distante, e lá dissipou a sua fortuna, vivendo dissolutamente. 14Depois de ter esbanjado tudo, sobreveio àquela região uma grande fome e ele começou a passar penúria. 15Foi pôr-se ao serviço de um dos habitantes daquela região, que o mandou para os seus campos guardar os porcos. 16Desejava ele fartar-se das vagens que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. 17Entrou então em si e refletiu: Quantos empregados há na casa de meu pai que têm pão em abundância... e eu, aqui, estou a morrer de fome! 18Levantar-me-ei e irei a meu pai, e dir-lhe-ei: Meu pai, pequei contra o céu e contra ti; 19já não sou digno de ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados. 20Levantou-se, pois, e foi ter com seu pai. Estava ainda longe, quando seu pai o viu e, movido de compaixão, correu-lhe ao encontro, lançou-se-lhe ao pes-coço e o beijou. 21O filho lhe disse, então: Meu pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. 22Mas o pai falou aos servos: Trazei-me depressa a melhor veste e vesti-lha, e ponde-lhe um anel no dedo e calçado nos pés. 23Trazei também um novilho gordo e matai-o; comamos e façamos uma festa. 24Este meu filho estava morto, e reviveu; tinha se perdido, e foi achado. E começaram a festa. 25O filho mais velho estava no campo. Ao voltar e aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. 26Chamou um servo e perguntou-lhe o que havia. 27Ele lhe explicou: Voltou teu irmão. E teu pai mandou matar um novilho gordo, porque o reencontrou são e salvo. 28Encolerizou-se ele e não queria entrar, mas seu pai saiu e insistiu com ele. 29Ele, então, respondeu ao pai: Há tantos anos que te sirvo, sem jamais transgredir ordem alguma tua, e nunca me deste um cabrito para festejar com os meus amigos. 30E agora, que voltou este teu filho, que gastou os teus bens com as meretrizes, logo lhe mandaste matar um novilho gordo! 31Explicou-lhe o pai: Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. 32Convinha, porém, fazermos festa, pois este teu irmão estava morto, e reviveu; tinha se perdido, e foi encontrado. - Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor! 2.- Referências para a melhor compreensão do Evangelho: O Evangelho começa nos dizendo que os fariseus e mestres da Lei criticavam Jesus porque os publica-nos e pecadores se aproximavam para escutá-lO. Quanto aos “pecadores”, é fácil de entender: certa-mente pensariam que, sendo “um homem de Deus”, nada teria que ter com eles... Essa era a idéia que eles tinham, embora Jesus tenha tido claramente: “Não vim chamar os justos, mas os pecadores, para que se convertam.” (Lc 5,32). Vejamos agora quanto aos “publicanos”: “Publicanos” era o nome que recebiam entre os israelitas os cobradores de impostos em favor do Império Romano. Este ofício era bastante mal visto, não somente porque eles eram considerados “traidores” de seu povo (dominado por aquele império), mas também porque, em muitos casos, estas pessoas se serviam da extorsão, da chantagem e até da tortura, para arrancar dinheiro dos hebreus e dá-lo ao César, embora ficando com uma boa “fatia”, a título de comis-são, em seus próprios bolsos. Nesta passagem do Evangelho, o Senhor quer nos fazer ver, com três parábolas, principalmente o quão grande é o amor de Deus pelos seres humanos, e até que ponto se preocupa com a salvação de cada um deles, sem importar o quão pecador ele seja, se verdadeiramente deseja mudar de vida... Jesus transmite esta mensagem sem rodeios: é tão grande o amor que Deus Pai sente por seus filhos, que a conversão de um só deles provoca uma verdadeira festa entre os anjos do Céu... Recordemos o que dizia São Paulo aos Coríntios, citando as Escrituras, com relação ao Céu: o “que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou, tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que o amam...” (Cf. 1Cor 9,9). Agora imaginemos, por um instante, o indescritível gozo e o deleite que se pode vivenciar em uma festa no Paraíso, que por si só é para nós o símbolo perfeito da felicidade completa e eterna... O Senhor nos fala da ovelha perdida, que merece uma festa por ter sido encontrada; fala-nos da moeda trabalhosamente buscada, que ao ser encontrada enche de gozo o coração da dona de casa; e finalmente nos mostra a comovedora imagem do ancião mirando o horizonte, que ao ver aparecer a silhueta do filho extraviado, corre para se lançar ao seu pescoço em um carinhoso abraço. A compreensão, o perdão e o profundo carinho refletido na imagem do pai do “filho pródigo” procuram nos iluminar a respeito do incondicional amor de Deus por cada um de seus filhos, e em particular pelos mais pecadores, que são os mais necessitados de Sua Misericórdia... (Esta idéia nos fica clara desde o início da leitura, quando Jesus fala do pastor que deixa “99% de seus bens” — para dizer de um modo mais atual e compreensível —, isto é, deixa praticamente a todas as suas ovelhas “obedientes”, para sair atrás daquela única que se tinha perdido.) O pai do filho pródigo perdoa-lhe todo, observa com amor o arrependimento de seu filho e, apesar de ele ter dissipado toda a herança recebida, lançando-se à perdição, veste-o com a melhor veste, faz com que lhe seja colocada uma jóia (que vem a simbolizar sua acolhida, novamente como filho e herdeiro), e sacrifica seu melhor novilho para lhe dar uma festa de boas-vindas. Esta história ilustra com perfeição o que ocorre na Confissão, que, partindo de uma séria análise de consciência, de um profundo arrependimento e do firme propósito de mudar, abre-nos as portas da Graça, para recomeçar nosso caminho tomando a mão de Deus. A Igreja nos convida a refletir também sobre a atitude do irmão mais velho deste filho pródigo, de sua inveja, de seu desgosto e daquilo que (muito humanamente) o irrita ao extremo, pois lhe parece uma terrível injustiça. Dizia Santo Agostinho que os “ciúmes” do irmão mais velho significavam que é tão grande a ternura de Jesus com os pecadores, que é até capaz de provocar a inveja dos justos... Ao incluí-lo nesta história, Jesus nos convida sutilmente a nos guardarmos dessa tendência de conde-nar os outros, quando fazem o que diante de nossos olhos é detestável (e muitas vezes o é também diante dos olhos de Deus). Em outras passagens do Evangelho, esta idéia se apresentará como uma clara exortação... Como uma máxima de ouro, como um conselho primordial nos diz: “Não julgueis e não sereis julgados” (Mt 7,1). De alguma forma, foi isto também o que quis dizer aos fariseus que o escutavam: Cuidado, que Deus detesta o pecado, mas ama entranhadamente o pecador! 3.- Perguntas para orientar a reflexão: (Ler pausadamente e fazer um instante de silêncio após cada pergunta, para permitir a reflexão dos irmãos) a) Tenho o mau hábito de julgar as pessoas quando fazem algo “errado”, ou de me deixar levar facilmente por preconceitos e aparências? Costumo “comentar” sobre os defeitos ou erros dos outros? b) Tenho consciência de que em muitos casos volto a ser a ovelha perdida, e que Jesus volta a ser para mim o Bom Pastor, que sai pessoalmente ao meu encontro? Preparo-me devidamente para receber seu abraço, tanto nos Sacramentos como na oração? c) O Evangelho diz, referindo-se ao filho pródigo: “Entrou então em si e refletiu...” Quando vou receber o Sacramento da Reconciliação, venho com um bom exame de consciência, refletindo não somente sobre minhas condutas pecaminosas, mas também analisando as causas que me levaram a cometer os pecados? Procuro sinceramente combater essas causas, e evitar as situações que com freqüência me levam a ofender a Deus? d) Guardo ainda algum profundo rancor contra alguém que me tenha feito algum mal? Se for o caso, o que estou esperando para perdoá-lo? Não quero por acaso receber o perdão de Deus por todas as vezes que O tenho ofendido, e que ainda O ofendo? e) Tenho certa tendência a guardar ressentimentos? Sou uma pessoa susceptível, isto é, que parece estar sempre disposta a “notar” os “maus tratos” ou ofensas dos outros? f) Recordando que como batizado recebi por herança a missão de Cristo, saio ao encontro das “ovelhas perdidas”? Procuro permanentemente irradiar no mundo a Luz do Evangelho? 4.- Comentários dos irmãos: Após um momento de silêncio concede-se a palavra aos participantes da Casinha de Oração para que expressem suas opiniões, reflexões e comentários sobre a passagem lida e a análise feita. Como sempre, se buscará a participação de todos. 5.- Concordâncias do Evangelho com o Catecismo da Igreja Católica 1439 O dinamismo da conversão e da penitência foi maravilhosamente descrito por Jesus na parábola do “filho pródigo”, cujo centro é “O pai misericordioso” (Cf. Lc 15,11-24): o fascínio de uma liberdade ilusória, o abandono da casa paterna; a extrema miséria em que se encontra o filho depois de esbanjar sua fortuna; a profunda humilhação de ver-se obrigado a cuidar dos porcos e, pior ainda, de querer matar a fome com a sua ração; a reflexão sobre os bens perdidos; o arrependimento e a decisão de declarar-se culpado diante do pai; o caminho de volta; o generoso acolhimento da parte do pai; a alegria do pai: tudo isso são traços específicos do processo de conversão. A bela túnica, o anel e o banquete da festa são símbolos desta nova vida, pura, digna, cheia de alegria, que é a vida do homem que volta a Deus e ao seio de sua família, que é a Igreja. Só o coração de Cristo que conhece as profundezas do amor do Pai pôde revelar-nos o abismo de sua misericórdia de uma maneira tão simples e tão bela. 1465 Ao celebrar o sacramento da Penitência, o sacerdote cumpre o ministério do bom pastor, que busca a ovelha perdida; do bom samaritano, que cura as feridas; do Pai, que espera o filho pródigo e o acolhe ao voltar; do justo juiz, que não faz acepção de pessoa e cujo julgamento é justo e misericordioso ao mesmo tempo. Em suma, o sacerdote é o sinal e o instrumento do amor misericordioso de Deus para com o pecador. 2839 Com audaciosa confiança, começamos a rezar a nosso Pai. Ao suplicar-lhe que seu nome seja santificado, lhe pedimos a graça de sempre mais sermos santificados. Embora revestidos da veste batismal, nós não deixamos de pecar, de desviar-nos de Deus. Agora, neste novo pedido, nós nos voltamos a ele, como o filho pródigo (Cf. Lc 15,11-32), e nos reconhecemos pecadores, diante dele, como o publicano (Cf. Lc 18,13). Nosso pedido começa por uma “confissão”, na qual declaramos, ao mesmo tempo, nossa miséria e sua Misericórdia. Nossa esperança é firme, porque, em seu Filho, “temos a redenção, a remissão dos pecados” (Col 1,14; cf. Ef 1,7). Encontramos o sinal eficaz e indubitável de seu perdão nos sacramentos de sua Igreja. (Cf. Mt 26, 28; Jo 20, 23). 6.- Refletindo com a Grande Cruzada : CA 160: Eu o disse anteriormente: quero ser apresentado ao mundo moderno como José, que abre a todos os homens os celeiros do Faraó e distribui o grão em abundância para que não haja mais famintos sobre a terra. Quisera ser apresentado como o pai do filho pródigo que, envelhecido pela dor da ausência do filho, vigia da janela com uma pequena luz de esperança no retorno do filho amado. Eu vivo no meio de vós, no ar que respirais, na água que bebeis e no pão que comeis, com a obra grandiosa da Criação que não cessa nunca; assim estou no meio de vós, vivo, real, com o Sacrifício Perpétuo da Cruz e a Glória da Ressurreição em cada Eucaristia. Quero que o mundo saiba que Deus é imutável, que nunca muda nem diminui Seu Amor pelos homens; preciso que o homem saiba que nunca coloco limites ao Meu Perdão e que ao filho pródigo não pergunto como dilapidou Meu patrimônio, nem lhe peço contas de suas maldades. É uma nova Misericórdia que quero derramar sobre esta nova geração. Os homens que foram seduzidos pelos bens materiais têm-se afastado de Mim, Água Viva e Fresca de todo bem. Todavia, peço-lhes que depois de tanta experiência, voltem à casa paterna porque a hora já é tardia. Eu não quero esperar mais tempo por estes Meus filhos; espera-os o banquete, a veste nupcial e o anel. 7.- Comentários finais: Concede-se novamente a palavra para fazer breve referência aos textos lidos (do Catecismo ou das mensagens) ou a qualquer outro assunto de interesse para a Casinha ou o Apostolado. 8.- Virtude do mês: Durante este mês, praticaremos a virtude da Esperança (Catecismo da Igreja Católica: parágrafos 1813-1817-1818-1820-2090-2091) 1817 A esperança é a virtude teologal pela qual desejamos como nossa felicidade o Reino dos Céus e a Vida Eterna, pondo nossa confiança nas promessas de Cristo e apoiando-nos não em nossas forças, mas no socorro da graça do Espírito Santo. "Continuemos a afirmar nossa esperança, porque é fiel quem fez a promessa" (Hb 10,23). Quando Deus se revela e chama o homem, este não pode responder plenamente ao amor divino por suas próprias forças. Deve esperar que Deus lhe dê a capacidade de lhe devolver o amor e de agir conforme os mandamentos da caridade. A esperança é aguardar confiantemente a bênção divina e a bem-aventurada visão de Deus; é também o temor de ofender o amor de Deus e de provocar seu castigo. A virtude da esperança corresponde ao anseio de felicidade colocado por Deus no coração de todo homem; assume as esperanças que inspiram as atividades dos homens; purifica-as para ordená-las ao Reino dos céus; protege do desalento; sustenta em todo desfalecimento; dilata o coração na espera da bem-aventurança eterna. O impulso da esperança preserva do egoísmo e conduz à graça da caridade. Esta semana veremos o parágrafo 2090, que diz textualmente o seguinte: 2090 Quando Deus se revela e chama o homem, este não pode responder plenamente ao amor divino por suas próprias forças. Deve esperar que Deus lhe dê a capacidade de corresponder a este amor e de agir de acordo com os mandamentos da caridade. A esperança é o aguardar confiante da bênção divina e da visão beatifica de Deus; é também o temor de ofender c amor de Deus e de provocar o castigo. A Grande Cruzada nos diz a esse respeito: CA 127: Renunciai à maldade, à soberba e ao orgulho destruidor; aceitai as virtudes que vos dou: a humildade, a paciência, a fé, a esperança, a caridade pelo corpo e pela alma. A virtude de amar o Amor dos Amores. Não importa que não Me sintais ainda de maneira mais sensível perto de vós, estou convosco até à consumação dos séculos. Sou um Pai amoroso para quem Me ama e obedece, e um Juiz severo para quem Me recusa uma pulsação de amor e de obediência. Vossa miséria é grande, mas a Minha Misericórdia é infinita. Sede tolerantes com os vossos irmãos mesmo quando eles se afastam; não foi a todos que Eu dei dez talentos… O sol não deixa de brilhar durante o eclipse, são os corpos celestes que se interpõem e ofuscam a vossa visão. São as nebulosidades da fé! 9.- Propósito para esta semana: GRAVAREI EM MEU CORAÇÃO A SEGURANÇA DE QUE O SENHOR ESCUTA MINHAS ORAÇÕES, CUIDA DE MIM EM MEUS TRABALHOS E ME CONSOLA EM MINHAS DORES, E ASSIM CULTIVAREI EM MIM A ESPERANÇA DE RECEBER UM DIA O PRÊMIO DO REINO ETERNO. Todas as vezes em que assistir à Santa Missa, pedirei por meus entes queridos falecidos, com a esperança segura de que o Senhor os aliviará do Purgatório e os levará ao gozo de Seu Reino. Apostolado da Nova Evangelização 2007 |