2 de setembro de 2007 Humildade e amor
A PALAVRA DE DEUS Eclo 3, 19-21.30-31: Faz-te pequeno e alcançarás o favor de Deus. Sl 67: Aos abandonados, Deus preparou uma casa. Hb 3, 19-21.30-31: Vós vos aproximastes da montanha de Sião, da cidade do Deus vivo. Lc 14, 1.7-14: Todo aquele que se exaltar será humilhado, e todo aquele que se humilhar será exaltado.
1.- Leitura do Evangelho Naquele tempo, 1Jesus entrou num sábado em casa de um fariseu notável, para uma refeição; eles o observavam. 7Observando também como os convivas escolhiam os primeiros lugares, propôs-lhes a seguinte parábola: 8Quando fores convidado às bodas, não te sentes no primeiro lugar, pois pode ser que seja convidada outra pessoa de mais consideração do que tu, 9e vindo o que te convidou, te diga: Cede o lugar a este. Terias então a confusão de dever ocupar o último lugar. 10Mas, quando fores con-vidado, vai tomar o último lugar, para que, quando vier o que te convidou, te diga: Amigo, passa mais para cima. Então serás honrado na presença de todos os convivas. 11Porque todo aquele que se exaltar será humilhado, e todo aquele que se humilhar será exaltado. 12Dizia igualmente ao que o tinha convidado: Quando deres alguma ceia, não convides os teus amigos, nem teus irmãos, nem os parentes, nem os vizinhos ricos. Porque, por sua vez, eles te convidarão e assim te retribuirão. 13Mas, quando deres uma ceia, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos. 14Serás feliz porque eles não têm com que te retribuir, mas ser-te-á retribuído na ressurreição dos justos. - Palavra da salvação. - Glória a Vós, Senhor!
2.- Referências para a melhor compreensão do Evangelho: O texto apresenta duas partes. A primeira (vers. 7-11) aborda a questão da humildade; a segunda (vers 12-14) trata da gratuidade e do amor desinteressado. Ambas estão unidas pelo tema do “Reino”: são atitudes fundamentais para quem quiser participar no banquete do “Reino”. As palavras que Jesus dirigiu aos convidados que disputavam os lugares de honra não são novidade, pois já o Antigo Testamento aconselhava a não ocupar os primeiros lugares (cf. Prov 25,6-7); mas o que aí era uma exortação moral, nas palavras de Jesus converte-se numa apresentação do “Reino” e da lógica do “Reino”: o “Reino” é um espaço de irmandade, de fraternidade, de comunhão, de partilha e de serviço, que exclui qualquer atitude de superioridade, de orgulho, de ambição, de domínio sobre os outros; quem quiser entrar nele, tem de fazer-se pequeno, simples, humilde e não ter pretensões de ser melhor, mais justo, ou mais importante que os outros. Esta é, aliás, a lógica que Jesus sempre propôs aos seus discípulos: Ele próprio, na “ceia de despedida”, comida com os discípulos na véspera da sua morte, lavou os pés aos discípulos e constituiu-os em comunidade de amor e de serviço – avisando que, na comunidade do “Reino”, os primeiros serão os servos de todos (cf. Jo 13,1-17). Na segunda parte, Jesus põe em causa – em nome da lógica do “Reino” – a prática de convidar para o banquete apenas os amigos, os irmãos, os parentes, os vizinhos ricos. Os fariseus escolhiam cuidado-samente os seus convidados para a mesa. Nas suas refeições, não convinha haver alguém de nível menos elevado, pois a “comunidade de mesa” vinculava os convivas e não convinha estabelecer obriga-toriamente laços com gente desclassificada e pecadora (por exemplo, nenhum fariseu se sentava à mesa com alguém pertencente ao “am aretz”, ao “povo da terra”, desclassificado e pecador). Por outro lado, também os fariseus tinham a tendência – própria de todas as pessoas, de todas as épocas e culturas – de convidar aqueles que podiam retribuir da mesma forma… A questão é que, dessa forma, tudo se tornava um intercâmbio de favores e não gratuidade e amor desinteressado. Jesus denuncia – em nome do “Reino” – esta prática; mas vai mais além e apresenta uma proposta verdadeiramente subversiva… Segundo Ele, é preciso convidar “os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos”. Os cegos, coxos e aleijados eram considerados pecadores notórios, amaldiçoados por Deus, e por isso estavam proibidos de entrar no Templo (cf. 2 Sm 5,8) para não profanar esse lugar sagrado (cf. Lv 21,18-23). No entanto, são esses que devem ser os convidados para o “banquete”. Já percebemos que, aqui, Jesus já não está simplesmente falando dessa refeição comida em casa de um fariseu, na companhia de gente distinta; mas está já a falar daquilo que esse “banquete” anuncia e prefigura: o banquete do “Reino”. Jesus traça aqui, portanto, os contornos do “Reino”. Ele é apresentado como um “banquete”, onde os convidados estão unidos por laços de familiaridade, de irmandade, de comunhão. Para esse “banquete”, todos – sem exceção – são convidados (inclusive aqueles que a cultura social e religiosa tantas vezes exclui e marginaliza). As relações entre os que aderem ao banquete do “Reino” não serão marcadas pelos jogos de interesses, mas pela gratuidade e pelo amor desinteressado; e os participantes do “banquete” devem despir-se de qualquer atitude de superioridade, de orgulho, de ambição, para se colocarem numa atitude de humildade, de simplicidade, de serviço. Fonte: site Presbíteros http://www.presbiteros.com.br/homilias070902.htm
3.- Perguntas para orientar a reflexão: (Ler pausadamente e fazer um instante de silêncio após cada pergunta, para permitir a reflexão dos irmãos)
a) Na nossa sociedade, agressiva e competitiva, o valor da pessoa mede-se pela sua capacidade de se impor, de ter êxito, de triunfar, de ser o melhor… Quem tem valor é quem consegue ser presidente do conselho de administração da empresa aos trinta e cinco anos, ou o empregado com mais índices de venda, ou o condutor que, na estrada, põe em risco a sua vida, mas chega uns segundos à frente dos outros… Todos os outros são vencidos, incapazes, fracos, olhados com comiseração. Vale a pena gastar a vida assim? Estes podem ser os objetivos supremos, que dão sentido verdadeiro à vida do homem? b) A Igreja, fruto do “Reino”, deve ser essa comunidade onde se torna realidade a lógica do “Reino” e onde se cultivam a humildade, a simplicidade, o amor gratuito e desinteressado. A Igreja – os grupos que nela trabalham, as pessoas ativas no apostolado – tem sido assim, de fato? c) Assistimos, por vezes, a uma corrida desenfreada na comunidade cristã pelos primeiros lugares. É uma luta – para alguns de vida ou de morte – em que se recorre a todos os meios: a intriga, a exibição, a defesa feroz do lugar conquistado, a humilhação de quem faz sombra ou incomoda… Para Jesus, as coisas são bastante claras: esta lógica não tem nada a ver com a lógica do “Reino”; quem prefere esquemas de superioridade, de prepotência, de humilhação dos outros, de ambição, de orgulho, está a impedir a chegada do “Reino”. Atenção: isto talvez não se aplique só àquela pessoa da nossa comunidade que detestamos e cujo nome nos vem à lembrança sempre que ouvimos falar em gente que só gosta de mandar e se considera superior aos outros; isto talvez se aplique também em maior ou menor grau, a mim próprio. Reflitamos sobre isto. d) Também há, na comunidade cristã, pessoas cuja ambição se sobrepõe à vontade de servir… Aquilo que os motiva e estimula são os títulos honoríficos, as honras, as homenagens, os lugares privilegiados, as “púrpuras”, e não o serviço humilde e o amor desinteressado. Esta será uma atitude condizente com o fato de se pertencer ao “Reino”? e) Fica claro, na catequese que Lucas hoje nos propõe, que o tipo de relações que une os membros da comunidade de Jesus não se baseia em “critérios comerciais” (interesses, negociatas, intercâmbio de favores), mas sim no amor gratuito e desinteressado. Só dessa forma todos – inclusive os pobres, os humildes, aqueles que não têm poder nem dinheiro para retribuir os favores – aí terão lugar, numa verdadeira comunidade de amor e de fraternidade. Temos consciência da gratuidade do amor de Deus, e que da mesma forma devemos amar? f) Os cegos e coxos representam, no Evangelho que hoje nos é proposto, todos aqueles que a religião oficial excluía da comunidade da salvação; apesar disso, Jesus diz que esses devem ser os primeiros convidados do “banquete do Reino”. Como é que os pecadores notórios, os marginais, os divorciados, os homossexuais, as prostitutas, são acolhidos na Igreja de Jesus? Fonte: site Presbíteros http://www.presbiteros.com.br/homilias070902.htm
4.- Comentários dos irmãos:
Após um momento de silêncio concede-se a palavra aos participantes da Casinha de Oração para que expressem suas opiniões, reflexões e comentários sobre a passagem lida e a análise feita. Como sempre, se buscará a participação de todos, evitando que esta se concentre nos que habitualmente falam muito.
5.- Concordâncias do Evangelho com o Catecismo da Igreja Católica 2779 A humildade nos faz reconhecer que "ninguém conhece o Pai senão o Filho ele a quem o Filho o quiser revelar" (Mt 11 ,27), isto é, aos pequeninos" (Mt 11,25). 2785 Um coração humilde e confiante nos faz "retornar à condição de crianças" (Mt 18,3), porque é aos pequeninos que o Pai se revela (Mt 11,25). 2792 Se rezamos verdadeiramente ao "Nosso Pai", saímos do individualismo, pois o Amor que acolhe-mos nos liberta (do individualismo). 2778 Esta força do Espírito que nos introduz na Oração do Senhor traduz-se nas liturgias do Oriente e do Ocidente pela bela expressão tipicamente cristã: "parrhesia", simplicidade sem rodeios, confiança filial, jovial segurança, audácia humilde, certeza de ser amado. 2783 «Ó homem, não ousavas levantar teu rosto ao céu, baixavas os olhos para a terra, e de repente recebeste a graça de Cristo: todos os teus pecados te foram perdoados... Mas não exijas nenhum privilégio. Somente de Cristo Ele é Pai, de modo especial; para nós é Pai em comum, porque gerou somente a Ele; a nós, ao invés, Ele nos criou» (S. Ambrosio). Fonte: site Clerus http://www.clerus.org/clerus/dati/2000-12/07-7/CateC.html#g2
6.- Refletindo com a Grande Cruzada:
CA 29: Muitos caminhos conduzem a Deus, mas nenhum é tão seguro como o da humildade. O próprio Deus feito homem fez-se humilde até morrer na Cruz... Nenhuma criatura pode se vangloriar do que há de bom nela, nem do poder de sua mente, pois sendo criatura de Deus, a Ele deve tudo o que é, e tudo o que tem; portanto, somente a Ele deve se dirigir como supremo e único fim. Sê sempre humilde e simples, esforça-te por sê-lo e terás Deus contigo e em ti. Deixa-O fazer de ti o que quiser, que poderás estar sempre certa de que é para e por teu bem. Compreenderás então o imenso tesouro que é possuir a Deus. Eu te asseguro..., que vivendo em Deus e para Deus, quer seja na dor ou na doença, na pena ou na alegria, é procurando-O em tudo que se tem a segurança de achá-lO no fim e encontrá-lO de braços abertos…
7.- Comentários finais: Concede-se novamente a palavra para fazer breve referência aos textos lidos (do Catecismo ou das mensagens) ou a qualquer outro assunto de interesse para a Casinha ou o Apostolado. 8.- Virtude do mês: Durante este mês, praticaremos a virtude da Esperança (Catecismo da Igreja Católica: parágrafos 1813-1817-1818-1820-2090-2091) 1817 A esperança é a virtude teologal pela qual desejamos como nossa felicidade o Reino dos Céus e a Vida Eterna, pondo nossa confiança nas promessas de Cristo e apoiando-nos não em nossas forças, mas no socorro da graça do Espírito Santo. "Continuemos a afirmar nossa esperança, porque é fiel quem fez a promessa" (Hb 10,23). Quando Deus se revela e chama o homem, este não pode responder plenamente ao amor divino por suas próprias forças. Deve esperar que Deus lhe dê a capacidade de lhe devolver o amor e de agir conforme os mandamentos da caridade. A esperança é aguardar confiantemente a bênção divina e a bem-aventurada visão de Deus; é também o temor de ofender o amor de Deus e de provocar seu castigo. A virtude da esperança corresponde ao anseio de felicidade colocado por Deus no coração de todo homem; assume as esperanças que inspiram as atividades dos homens; purifica-as para ordená-las ao Reino dos céus; protege do desalento; sustenta em todo desfalecimento; dilata o coração na espera da bem-aventurança eterna. O impulso da esperança preserva do egoísmo e conduz à graça da caridade. Esta semana veremos o parágrafo 1820, que diz textualmente o seguinte: 1820 A esperança cristã se manifesta desde o inicio da pregação de Jesus no anúncio das bem-aventuranças. As bem-aventuranças elevam nossa esperança ao céu, como para a nova Terra prometida; traçam o caminho por meio das provação reservadas aos discípulos de Jesus. Mas, pelos méritos de Jesus Cristo e de sua Paixão, Deus nos guarda na "esperança que não decepciona" (Rm 5,5). A esperança é a "âncora da alma) segura e firme, "penetrando... onde Jesus entrou por nós, como precursor" (Hb 6,19-20). Também é uma arma que nos protege no combate da salvação: "Revestidos da couraça da fé e da caridade e do capacete da esperança da salvação" (l Ts 5,8) Ela nos traz alegria mesmo na provação: "alegrando-vos na esperança, perseverando na tribulação" (Rm 12,12). Ela se exprime e se alimenta na oração, especialmente no Pai-Nosso resumo de tudo o que a esperança nos faz desejar. A Grande Cruzada nos diz a esse respeito: CA 106: Santo, soberano e glorioso é o Meu Nome no Céu, e venerado na terra. Ao ressoar deste Meu Nome, foge todo o inferno, e aquele que Me invoca, que Me chama de coração, encontra o que perde, consola-se em toda aflição e abre o coração à esperança. 9.- Propósito para esta semana:
PRESTAREI ATENÇÃO ÀS COISAS QUE ME CAUSAM TRISTEZA, DEPRESSÃO OU ANGÚSTIA, E PROCURAREI COBRI-LAS COM O AMOR DE CRISTO, SABENDO QUE ELE É O PORTADOR DE TODA ESPERANÇA EM MINHA VIDA. Procurarei explicar à minha família que, tendo a Cristo presente, temos sempre a esperança de seu auxílio e sua proteção. Apostolado da Nova Evangelização 2007
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