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15 de julho de 2007 Marta o recebeu em sua casa. Maria escolheu a melhor parte A PALAVRA DE DEUSGn 18,1-10a: Senhor, não passes longe de teu servo. Sl 14, 2-3ab.3cd-4ab.5: Senhor, quem morará em vossa casa? Col 1,24-28: O mistério que Deus tinha escondido, o revelou agora a seu povo santo. Lc 10,38-42: Marta o recebeu em sua casa. Maria escolheu a melhor parte.
1.- Leitura do Evangelho Naquele tempo, 38estando Jesus em viagem, entrou numa aldeia, onde uma mulher, chamada Marta, o recebeu em sua casa. 39Tinha ela uma irmã por nome Maria, que se assentou aos pés do Senhor para ouvi-lo falar. 40Marta, toda preocupada na lida da casa, veio a Jesus e disse: Senhor, não te importas que minha irmã me deixe só a servir? Dize-lhe que me ajude. 41Respondeu-lhe o Senhor: Marta, Marta, andas muito inquieta e te preocupas com muitas coisas; 42no entanto, uma só coisa é necessária; Maria escolheu a boa parte, que lhe não será tirada. 2.- Referências para a melhor compreensão do Evangelho: Esta é uma cena familiar, mas não tão normal. Marta se está preocupando sozinha da preparação da co-mida, enquanto Maria está sentada, conversando com Jesus. Marta reclama, esperando que Jesus inter-venha e diga alguma coisa à irmã, para ver se ela ajuda no serviço (no que se chamava “diaconia”). Marta se considera uma serva, e pensa que o serviço de uma serva é o de preparar a comida e crê que seu serviço na cozinha é mais importante que o de sua irmã, que simplesmente “fala” (conversa) com Jesus. Evidentemente, para Marta, o que Maria faz não é serviço, porque ela diz: “Não te importas que minha irmã me deixe fazer o serviço sozinha?” Porém Marta não é a única serva. Também Jesus assume o papel de servo... De fato, Ele é o Servo anun-ciado pelo profeta Isaías. Isaías havia dito que o serviço principal do Servo é o de estar diante de Deus, à escuta, em oração, para poder descobrir uma palavra de consolo para levar àqueles que estão cansados, agoniados, desesperançados... Porém Jesus mostra a Marta que está equivocada, e lhe diz: “Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada”. Uma bela resposta e de uma certa perspectiva, muito humana. Para Jesus uma boa conversa com pessoas amigas é importante, e inclusive mais importante que o comer (Assim o vemos em Jo 4,31-34, quando seus discípulos insistem para que coma, e Ele lhes responde “Eu tenho uma comida que vocês não conhecem: Meu alimento é fazer a vontade do que me enviou, e realizar sua obra”). Assim, vemos que Jesus não está de acordo com a preocupação de Marta. Ele não quer que a preparação do almoço interrompa a conversa. E é como se dissesse: “Marta, não há necessidade de preparar tantas coisas. Basta uma pequena coisa. E venha logo participar desta conversa-ção, tão bela”. Este é o significado principal, tão simples e humano, das palavras de Jesus. Jesus gosta de uma boa conversa. E uma boa conversa com Jesus produz uma conversão. Porém no contexto do evangelho de Lucas, estas palavras decisivas de Jesus tomam um significado sim-bólico mais profundo: Como Marta, também os discípulos, durante a missão, se preocupavam com muitas coisas, porém Jesus deixa-lhes bem claro que a coisa mais importante é a de ter os nomes escritos no céu, ou seja, ser conhecidos e amados por Deus (Como vimos no Evangelho de São Lucas há duas semanas -Lc 10,20-). Jesus repete a Marta: “Tu te preocupas e agitas por muitas coisas e há necessidade de pou-cas”, ou, melhor ainda, de uma só: ser amigo de Deus, e compartilhar com Ele a vida... Marta se preocupa em servir (diaconia). Ela queria ser ajudada por Maria no serviço da mesa. Porém, qual é o serviço que Deus deseja? Esta é a questão fundamental, o principal ensinamento desta passagem.... O comportamento de Maria está mais de acordo com o comportamento do Servo de Deus, porque, como o Servo, ela se encontra em um estado de oração e contemplação diante de Jesus. Maria não pode abando-nar esta postura de oração na presença de Deus. Porque se o fizesse, não descobriria a palavra de conso-lo que Deus tem para ela, e que por sua vez ela haverá de levar aos cansados e desanimados. Este é o verdadeiro serviço que Deus está pedindo a todos nós. Em todo caso, como disse Jesus, a melhor parte está na escuta da Palavra, e dela irá saindo a vocação para o serviço. Nada será melhor do que aquilo que é inspirado pelo próprio Criador de todas as coisas. O Evangelho pode parecer surpreendente. O que é mais importante, servir ou escutar ao Senhor, agir ou orar? Também entre nós se dá, às vezes, a influência de uma cultura e uma sociedade pragmática; isto é, que nos impele a ir diretamente à resolução dos problemas, através da ação. Porém poderia ver-se como muito pior utilizar o pragmatismo para disfarçar nossa preguiça espiritual, nossa tibieza e indiferença, ou nossa confusão quanto ao verdadeiro sentido do serviço aos demais. O primeiro mandamento de Deus é amá-lo sobre todas as coisas. Ele é o único que importa, é em si a vir-tude da religião. Por isso é o mandamento mais combatido pela cultura atual, que fundamenta o ateísmo, o agnosticismo e o relativismo. Devemos estar vigilantes. Não podemos considerar Deus como algo óbvio ou “suposto”, nem dar este mandamento como cumprido, pelo fato de que procuramos ser bons ou ajudar aos outros e pronto. 3.- Perguntas para orientar a reflexão: (Ler pausadamente e fazer um instante de silêncio após cada pergunta, para permitir a reflexão dos irmãos) a) Se neste momento eu me encontrasse na casa de Marta e Maria, como mais um convidado, e NÃO conhecesse a resposta que Jesus vai dar a Marta, eu lhe daria razão? Julgaria mal a Maria? Com qual das duas me sentiria mais identificado... isto é, como qual delas agiria naturalmente? b) Se digo que desejaria ser Maria, seria para estar muito tempo com o Senhor, ou para conversar e fugir da fadiga do trabalho mais árduo? Se de qualquer forma tivesse que fazer o trabalho pesado, eu me sacrificaria dedicando um tempo “extra” para também escutar e acompanhar “meu convidado”? Deixaria um tempo, por exemplo, para descansar e cuidar de conhecer as Verdades do Reino das quais falava Jesus? Faço-o agora? c) Não teria sido melhor que Marta chamasse Maria à parte e lhe pedisse ajuda, em lugar de acusá-la diretamente dizendo-o a Jesus, que era uma visita importante? Não acha que teria sido mais cristão não envergonhar sua irmã fazendo uma reclamação pública? Como você age quando se encontra em uma situação semelhante? d) Quando se me apresenta um problema entre duas pessoas, eu ajo com a serenidade e o amor com que o Senhor respondeu a Marta, isto é, sem ferir a nenhuma das duas, porém esclarecendo as prioridades desse momento, ou ao contrário, tomo a defesa de quem pensa igual a mim e repreendo ou critico a quem creio que está equivocado...? e) Que ensinamento pessoal posso tirar agora desta passagem bíblica? Como está minha comunicação pessoal com Deus? Dedico um tempo para falar com Ele e deixá-lo participar das minhas coisas? Procuro “escutá-lo” através da leitura atenta e reflexiva de sua Palavra? Visito-o no Sacrário, permaneço diante dEle procurando encontrar sua inspiração para a minha vida? f) Não será esta uma boa ocasião para fazer uma revisão das prioridades em minha vida e reordená-las convenientemente? 4.- Comentários dos irmãos: Após um momento de silêncio concede-se a palavra aos participantes da Casinha de Oração para que expressem suas opiniões, reflexões e comentários sobre a passagem lida e a análise feita. Como sempre, se buscará a participação de todos, evitando que esta se concentre nos que habitualmente falam muito. 5.- Concordâncias do Evangelho com o Catecismo da Igreja Católica 2084 “Eu sou o Senhor, teu Deus, que te fez sair da terra do Egito, da casa da escravidão. Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem esculpida de nada que se assemelhe ao que existe lá em cima, nos céus, ou embaixo, na terra, ou nas águas que estão debaixo da terra. Não te prostrarás diante desses deuses, e não os servirás. (Ex 20,25; Dt 5, 6-9). Está escrito: "Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a Ele prestarás culto" (Mt 4,10). 2094 Pode-se pecar de diversas maneiras contra o amor de Deus: a indiferença, negligência ou recusa à consideração da caridade divina, menospreza a iniciativa (de Deus em nos amar) e nega sua força. A ingratidão omite ou se recusa a reconhecer a caridade divina e a pagar amor com amor. A tibieza é uma he-sitação ou uma negligência em responder ao amor divino, podendo implicar a recusa de se entregar ao dinamismo da caridade. A acídia ou preguiça espiritual chega a recusar até a alegria que vem de Deus e a ter horror ao bem divino. O ódio a Deus vem do orgulho. Opõe-se ao amor de Deus, cuja bondade nega, e atreve-se a maldizê-lo como aquele que proíbe os pecados e inflige as penas. 2095 As virtudes teologais da fé, esperança e caridade dão forma às virtudes morais e as vivificam. Assim, a caridade nos leva a dar a Deus aquilo que em toda justiça lhe devemos enquanto criaturas. A virtude da religião nos dispõe a esta atitude. 2128 O agnosticismo pode, às vezes, conter certa busca de Deus, mas pode igualmente representar um indiferentismo, uma fuga da pergunta última sobre a existência e uma preguiça da consciência moral. Com muita freqüência o agnosticismo equivale a um ateísmo prático. 6.- Refletindo com a Grande Cruzada : A Grande Cruzada da Salvação 10 nos diz: “Olhar as aparências é um erro comum, é materialismo, infantilidade. Indagar e descobrir o valor intrínseco dos afetos que se põem nas coisas, é assunto de adultos. O menino desanimado não pode saber o valor do estudo e experimenta sua fadiga. Pelo contrário, o adolescente estuda de bom grado se está convencido do valor do estudo. As coisas pequenas da criança, para o adulto são bagatelas e as coisas que são grandes para este, são mistérios para o menino, mistérios que ignora ou desvaloriza por insuficiência mental. Toda pequena coisa não é tão pequena se é grande o amor por ela. Observem o penteado de uma noiva; por acaso não é uma coisa pequena um anel, que será a coroa de todos os seus desejos? É um aro pequeno de ouro e, no entanto, deram-lhe o nome de "fé" pelo grande valor moral que lhe atribuem. Por isso vou encaminhando os Meus à descoberta do amor que eles põem nas coisas que Eu não chamo de pequenas, se vejo que são muito amadas. Olha, com relação a tua mãe, não quero que te desesperes. Suspendei a intervenção agora e deixai-Me agir... Cada ato de fé é uma entrega que não fica sem recompensa... Por favor, não Me pergunteis nada, ou credes que, porque vos concedo todas estas graças, devo responder a cada impertinência? Vivei de fé!” 7.- Comentários finais: Concede-se novamente a palavra para fazer breve referência aos textos lidos (do Catecismo ou das mensagens) ou a qualquer outro assunto de interesse para a Casinha ou o Apostolado. 8.- Virtude do mês: Durante este mês de julho, praticaremos a virtude da Fé. A fé é a virtude teologal pela qual cremos em Deus e em tudo o que Ele nos disse e revelou e que a Santa Igreja nos propõe, porque Ele é a própria verdade. Pela fé ‘o homem se entrega inteira e livremente a Deus’ (DV 5). Por isso o crente esforça-se por conhecer e fazer a vontade de Deus. ‘O justo viverá pela fé’ (Rm 1,17). ‘A fé viva age pela caridade’. O Catecismo da Igreja Católica fala-nos sobre esta virtude, principalmente nos Parágrafos 1666 – 2609 – 2690 – 2087 – 2088 – 2089) Esta semana veremos o parágrafo 2088, que diz textualmente o seguinte: 2087 “O primeiro mandamento manda-nos alimentar e guardar com prudência e vigilância nossa fé e rejeitar tudo o que se lhe opõe. Há diversas maneiras de pecar contra a fé. A dúvi-da voluntária sobre a fé negligencia ou recusa ter como verdadeiro o que Deus revelou e que a Igreja propõe para crer. A dúvida involuntária designa a hesitação em crer, a dificuldade de superar as objeções ligadas à fé ou, ainda, a ansiedade suscitada pela obscuridade da fé. Se for deliberadamente cultivada, a dúvida pode levar à cegueira do espírito”.
9.- Propósito para esta semana: ESTAREI ATENTO, PARA VER, DURANTE ESTA SEMANA, QUANTAS HORAS FAÇO O PAPEL DE MARTA, E QUANTAS O PAPEL DE MARIA. PENSAREI SOBRE ISTO CADA NOITE ANTES DE DORMIR, E PROCURAREI FAZER MAIS ORAÇÃO DURANTE O DIA, PARA ESCUTAR O QUE O SENHOR, MEU CONVIDADO ESPECIAL, TEM A ME DIZER. VOU LOGO PÔR-ME A TRABALHAR PARA ATENDÊ-LO, DA MANEIRA QUE POSSO FAZÊ-LO HOJE: ATRAVÉS DE MEUS SEMELHANTES. Pedirei com insistência ao Espírito Santo o dom da Piedade, que me levará a gozar mais da oração e das coisas de Deus em geral. Assim aumentará minha Fé e darei testemunho com o serviço. Recordarei sempre que Jesus, sendo Deus mesmo, de dia trabalhava (pregando, curando enfermos, consolando os aflitos...) e de noite orava, para encontrar na comunicação íntima com Seu Pai, nosso Pai, a Fortaleza e a Luz.
Apostolado da Nova Evangelização 2007
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