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Convém começar esta nota comentando que fui ateu militante durante longos anos, depois dos quais, por uma questão de racionalidade e coerência, comecei a me definir como “agnóstico”, pois assim como não podia demonstrar a existência de Deus, tampouco podia provar satisfatoriamente sua inexistência...
Confesso também que discutir sobre religião e fazer os crentes caírem em armadilhas era um de meus passatempos favoritos: além do orgulho intelectual sobre o assunto, sentia uma mistura de compaixão e raiva por aqueles de quem, esperando eu um nível sócio-cultural medianamente digno, me vinham com fetichismos, superstições e outras bobagens, aceitáveis somente para minha ingênua avó, ou para a mocinha que saía de casa aos domingos, com o nariz brilhando, em direção a “seu culto”. Contudo, como se poderá notar, o assunto da fé nunca me foi indiferente: Por que o homem crê no que crê? Desde onde e até onde pode, por si só, construir seu presente e seu futuro? Atuam outras “forças misteriosas” nesse processo...? Apesar de não crer em um deus, considerava que os humanos podiam “fazer-se imortais”, como o conseguiram Platão, Mozart, Hesse, Marx, Sartre e tantos outros... O próprio Jesus, cuja existência histórica é inegável, mas de quem realmente pouco havia lido, pois sem chegar à opinião de um querido amigo –para quem a Bíblia é o melhor livro de “ficção científica”– parecia-me uma obra cansativa, com bons ensinamentos, mas densa e pouco atraente... superada, em todo caso, por alguns tratados de moral, como os de José Ingenieros, entre outros. Quão pouco eu sabia! Como necessariamente acontece, meu salto de agnóstico a crente aconteceu pela graça, que é o poder do Espírito Santo, e depois de andar por um tempo neste caminho, descobri que a ressurreição de Cristo não é somente um dogma de fé, mas um fato que, apesar de ser incompatível com as leis básicas da natureza, tem irrefutável sustentação lógica e histórica, como procurarei explicar em 3 parágrafos: A existência de Jesus é indubitável, inclusive pelos escritos de historiadores não cristãos (como Flavio Josefo –anos 37 a 95 DC–, Plínio o Jovem, Tácito, Suetonio, etc.). Seus ensinamentos, escritos nos Evangelhos, são de um valor espiritual indescritível, o que faz com que “mouros e cristãos”, hinduístas, muçulmanos e ateus reconheçam ao menos a agudeza de seus conceitos. Mas acontece que, entre tantas maravilhas que Jesus ensinou, como a humildade, a solidariedade e o amor até o sacrifício de si mesmo, também se auto-proclamou Deus, e profetizou sua ressurreição ao terceiro dia. Isto nos deixa lugar a uma simples mas fundamental conjunção: ou Ele teve a genialidade que todos lhe reconhecemos e realmente era, além de homem, Deus, e portanto ressuscitou –pois para um deus tudo é possível–, ou foi um grande vigarista e charlatão, com o que todos os seus ensinamentos vão por água abaixo... Bom, sempre há uma terceira opção: que tenha sido o gênio que cremos, e que a “auto-deificação” e a profecia de ressurreição tenham sido adicionadas ao Evangelho por seus discípulos, para mitificar o homem... Se incorreram em tão imoral embuste, a primeira coisa que deveríamos dizer sobre eles é que não entenderam nada da mensagem de seu mestre, e em segundo lugar perguntaríamos por que ou para quê semelhante fraude... A resposta surge espontaneamente: para conseguir adeptos... para ganhar poder... No entanto, basta ver a história desses primeiros cristãos para acabar com essa hipótese e se dar conta de que Jesus realmente ressuscitou, e se manifestou vivo e glorioso à vista de muitos... Não esqueçamos que a grande maioria deles, começando dos Apóstolos, foi perseguida e assassinada por sustentar e difundir suas crenças... E o que dizer das centenas que foram lançadas aos leões em Roma? Que tipo de poder ou privilegio estariam buscando, que tão “mal” terminaram seus dias? É porque viram que havia outra vida depois da morte, que tiveram por pouco todo o mal que aqui lhes esperava e agora estão na Glória do Céu. Feliz Páscoa da Ressurreição! (Lc 19,10) (*) Diretor-Geral do Apostolado da Nova Evangelização (ANE)
Artigo publicado em alguns jornais do México e da Bolívia no Domingo de Páscoa |