1º de abril de 2007 «Morreu por nossos pecados, conforme as escrituras.»
A PALAVRA DE DEUS Procissão de Ramos: Lc 9,28-40: Bendito o que vem em nome do Senhor. Is 50,4-7: Não desviei o rosto de bofetões e cusparadas,... e sei que não sairei humilhado. Sl 21: Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes? Fl 2,6-11: Humilhou-se a si mesmo, Por isso, Deus o exaltou acima de tudo. Lc 22, 14-23, 56: “Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes de sofrer”
14Chegada que foi a hora, Jesus pôs-se à mesa, e com ele os apóstolos. 15Disse-lhes: + - «Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes de sofrer. 16Pois vos digo: não tornarei a comê-la, até que ela se cumpra no Reino de Deus.» 17Pegando o cálice, deu graças e disse: + - «Tomai este cálice e distribuí-o entre vós. 18Pois vos digo: já não tornarei a beber do fruto da videira, até que venha o Reino de Deus.» 19Tomou em seguida o pão e depois de ter dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: + - «Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim.» 20Do mesmo modo tomou também o cálice, depois de cear, dizendo: + - «Este cálice é a Nova Aliança em meu sangue, que é derramado por vós... 21Entretanto, eis que a mão de quem me trai está à mesa comigo. 22O Filho do Homem vai, segundo o que está determinado, mas ai daquele homem por quem ele é traído!» 23Perguntavam então os discípulos entre si quem deles seria o que tal haveria de fazer. 24Surgiu também entre eles uma discussão: qual deles seria o maior. 25E Jesus disse-lhes: + - «Os reis dos pagãos dominam como senhores, e os que exercem sobre eles autoridade chamam-se benfeitores. 26Que não seja assim entre vós; mas o que entre vós é o maior, torne-se como o último; e o que governa seja como o servo. 27Pois qual é o maior: o que está sentado à mesa ou o que serve? Não é aquele que está sentado à mesa? Todavia, eu estou no meio de vós, como aquele que serve. 28E vós tendes permanecido comigo nas minhas provações; 29eu, pois, disponho do Reino a vosso favor, assim como meu Pai o dispôs a meu favor, 30para que comais e bebais à minha mesa no meu Reino e vos senteis em tronos, para julgar as doze tribos de Israel. 31Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como o trigo; 32mas eu roguei por ti, para que a tua confiança não desfaleça; e tu, por tua vez, confirma os teus irmãos.» 33Pedro disse-lhe: S - «Senhor, estou pronto a ir contigo tanto para a prisão como para a morte.» 34Jesus respondeu-lhe: + - «Digo-te, Pedro, não cantará hoje o galo, até que três vezes hajas negado que me conheces.» 35Depois ajuntou: + - «Quando vos mandei sem bolsa, sem mochila e sem calçado, faltou-vos porventura alguma coisa?» Eles responderam: S - «Nada.» Disse-lhes ele: + - 36«Mas agora, aquele que tem uma bolsa, tome-a; aquele que tem uma mochila, tome-a igualmente; e aquele que não tiver uma espada, venda sua capa para comprar uma. 37Pois vos digo: é necessário que se cumpra em mim ainda este oráculo: E foi contado entre os malfeitores (Is 53,12). Com efeito, aquilo que me diz respeito está próximo de se cumprir.» 38Eles replicaram: S - «Senhor, eis aqui duas espadas» Respondeu ele: + - «Basta». 39Conforme o seu costume, Jesus saiu dali e dirigiu-se para o monte das Oliveiras, seguido dos seus discípulos. 40Ao chegar àquele lugar, disse-lhes: + - «Orai para que não caiais em tentação.» 41Depois se afastou deles à distância de um tiro de pedra e, ajoelhando-se, orava: + - 42«Pai, se é de teu agrado, afasta de mim este cálice! Não se faça, todavia, a minha vonta-de, mas sim a tua.» 43Apareceu-lhe então um anjo do céu para confortá-lo. 44Ele entrou em agonia e orava ainda com mais instância, e seu suor tornou-se como gotas de sangue a escorrer pela terra. 45Depois de ter rezado, levantou-se, foi ter com os discípulos e achou-os adormecidos de tristeza. 46Disse-lhes: + - «Por que dormis? Levantai-vos, orai, para não cairdes em tentação.» 47Ele ainda falava, quando apareceu uma multidão de gente; e à testa deles vinha um dos Do-ze, que se chamava Judas. Achegou-se de Jesus para o beijar. 48Jesus disse-lhe: + - «Judas, com um beijo trais o Filho do Homem!» 49Os que estavam ao redor dele, vendo o que ia acontecer, perguntaram: S - «Senhor, devemos atacá-los à espada?» 50E um deles feriu o servo do príncipe dos sacerdotes, decepando-lhe a orelha direita. 51Mas Jesus interveio: + - «Deixai, basta.» E, tocando na orelha daquele homem, curou-o. 52Voltando-se para os príncipes dos sacerdotes, para os oficiais do templo e para os anciãos que tinham vindo contra ele, disse-lhes: + - «Saístes armados de espadas e cacetes, como se viésseis contra um ladrão. 53Entretanto, eu estava todos os dias convosco no templo, e não estendestes as mãos contra mim; mas esta é a vossa hora e do poder das trevas.» 54Prenderam-no então e conduziram-no à casa do príncipe dos sacerdotes. Pedro seguia-o de longe. 55Acenderam um fogo no meio do pátio, e sentaram-se em redor. Pedro veio sentar-se com eles. 56Uma criada percebeu-o sentado junto ao fogo, encarou-o de perto e disse: S - «Também este homem estava com ele.» 57Mas ele negou-o: S - «Mulher, não o conheço.» 58Pouco depois, viu-o outro e disse-lhe: S - «Também tu és um deles.» Pedro respondeu: S - «Não, eu não o sou.» 59Passada quase uma hora, afirmava um outro: S - «Certamente também este homem estava com ele, pois também é galileu.» 60Mas Pedro disse: «Meu amigo, não sei o que queres dizer.» E no mesmo instante, quando ainda falava, cantou o galo. 61Voltando-se o Senhor, olhou para Pedro. Então Pedro se lembrou da palavra do Senhor: «Hoje, antes que o galo cante, negar-me-ás três vezes.» 62Saiu dali e chorou amargamente. 63Entretanto, os homens que guardavam Jesus escarneciam dele e davam-lhe bofetadas. 64Cobriam-lhe o rosto e diziam: «Adivinha quem te bateu!» 65E injuriavam-no ainda de outros modos. 66Ao amanhecer, reuniram-se os anciãos do povo, os príncipes dos sacerdotes e os escribas, e mandaram trazer Jesus ao seu conselho. 67Perguntaram-lhe: S - «Dize-nos se és o Cristo!» Respondeu-lhes ele: + - «Se eu vo-lo disser, não me acreditareis; 68e se vos fizer qualquer pergunta, não me respondereis. 69Mas, doravante, o Filho do Homem estará sentado à direita do poder de Deus.» 70Então perguntaram todos: S - «Logo, tu és o Filho de Deus?» Respondeu: + - «Sim, eu sou.» 71Eles então exclamaram: S - «Temos nós ainda necessidade de testemunho? Nós mesmos o ouvimos da sua boca.» 1Levantou-se a sessão e conduziram Jesus diante de Pilatos, 2e puseram-se a acusá-lo: S - «Temos encontrado este homem excitando o povo à revolta, proibindo pagar imposto ao imperador e dizendo-se Messias e rei.» 3Pilatos perguntou-lhe: S - «És tu o rei dos judeus?» Jesus respondeu: + - «Sim.» 4Declarou Pilatos aos príncipes dos sacerdotes e ao povo: «Eu não acho neste homem culpa alguma.» 5Mas eles insistiam fortemente: S - «Ele revoluciona o povo ensinando por toda a Judéia, a começar da Galiléia até aqui.» 6A estas palavras, Pilatos perguntou se ele era galileu. 7E, quando soube que era da jurisdição de Herodes, enviou-o a Herodes, pois justamente naqueles dias se achava em Jerusalém. 8Herodes alegrou-se muito em ver Jesus, pois de longo tempo desejava vê-lo, por ter ouvido falar dele muitas coisas, e esperava presenciar algum milagre operado por ele. 9Dirigiu-lhe muitas perguntas, mas Jesus nada respondeu. 10Ali estavam os príncipes dos sacerdotes e os escribas, acusando-o com violência. 11Herodes, com a sua guarda, tratou-o com desprezo, escarneceu de-le, mandou revesti-lo de uma túnica branca e reenviou-o a Pilatos. 12Naquele mesmo dia, Pilatos e Herodes fizeram as pazes, pois antes eram inimigos um do outro. 13Pilatos convocou então os príncipes dos sacerdotes, os magistrados e o povo, e disse-lhes: S - «14Apresentastes-me este homem como agitador do povo, mas, interrogando-o eu diante de vós, não o achei culpado de nenhum dos crimes de que o acusais. 15Nem tampouco Herodes, pois no-lo devolveu. Portanto, ele nada fez que mereça a morte. 16Por isso, soltá-lo-ei depois de o castigar.» 17[Acontecia que em cada festa ele era obrigado a soltar-lhes um preso.] 18Todo o povo gritou a uma voz: S - «À morte com este, e solta-nos Barrabás.» 19(Este homem fora lançado ao cárcere devido a uma revolta levantada na cidade, por causa de um homicídio.) 20Pilatos, porém, querendo soltar Jesus, falou-lhes de novo, 21mas eles vocife-ravam: S - «Crucifica-o! Crucifica-o!» 22Pela terceira vez, Pilatos ainda interveio: S - «Mas que mal fez ele, então? Não achei nele nada que mereça a morte; irei, portanto, cas-tigá-lo e, depois, o soltarei.» 23Mas eles instavam, reclamando em altas vozes que fosse crucificado, e os seus clamores recrudesciam. 24Pilatos pronunciou então a sentença que lhes satisfazia o desejo. 25Soltou-lhes aquele que eles reclamavam e que havia sido lançado ao cárcere por causa do homicídio e da revolta, e entregou Jesus à vontade deles. 26Enquanto o conduziam, detiveram um certo Simão de Cirene, que voltava do campo, e im-puseram-lhe a cruz para que a carregasse atrás de Jesus. 27Seguia-o uma grande multidão de povo e de mulheres, que batiam no peito e o lamentavam. 28Voltando-se para elas, Jesus disse: + - «Filhas de Jerusalém, não choreis sobre mim, mas chorai sobre vós mesmas e sobre vos-sos filhos. 29Porque virão dias em que se dirá: Felizes as estéreis, os ventres que não geraram e os peitos que não amamentaram! 30Então dirão aos montes: Caí sobre nós! E aos outeiros: Cobri-nos! 31Porque, se eles fazem isto ao lenho verde, que acontecerá ao seco?» 32Eram conduzidos ao mesmo tempo dois malfeitores para serem mortos com Jesus. 33Chegados que foram ao lugar chamado Calvário, ali o crucificaram, como também os ladrões, um à direita e outro à esquerda. 34E Jesus dizia: + - «Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem.» Eles dividiram as suas vestes e as sortearam. 35A multidão conservava-se lá e observava. Os príncipes dos sacerdotes escarneciam de Jesus, dizendo: S - «Salvou a outros, que se salve a si próprio, se é o Cristo, o escolhido de Deus!» 36Do mesmo modo zombavam dele os soldados. Aproximavam-se dele, ofereciam-lhe vinagre e diziam: S - «37Se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo.» 38Por cima de sua cabeça pendia esta inscrição: “Este é o rei dos judeus”. 39Um dos malfeitores, ali crucificados, blasfemava contra ele: S - «Se és o Cristo, salva-te a ti mesmo e salva-nos a nós!» 40Mas o outro o repreendeu: S - «Nem sequer temes a Deus, tu que sofres no mesmo suplício? 41Para nós isto é justo: re-cebemos o que mereceram os nossos crimes, mas este não fez mal algum.» 42E acrescentou: S - «Jesus, lembra-te de mim, quando tiveres entrado no teu Reino!» 43Jesus respondeu-lhe: + - «Em verdade te digo: hoje estarás comigo no paraíso.» 44Era quase à hora sexta e em toda a terra houve trevas até a hora nona. 45Escureceu-se o sol e o véu do templo rasgou-se pelo meio. 46Jesus deu então um grande brado e disse: + - «Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito.» E, dizendo isso, expirou. 47Vendo o centurião o que acontecia, deu glória a Deus e disse: Na verdade, este homem era um justo. 48E toda a multidão dos que assistiam a este espetáculo e viam o que se passava, voltou batendo no peito. 49Os amigos de Jesus, como também as mulhe-res que o tinham seguido desde a Galiléia, conservavam-se a certa distância, e observavam estas coisas. 50Havia um homem, por nome José, membro do conselho, homem reto e justo. 51Ele não havia concordado com a decisão dos outros nem com os atos deles. Originário de Arimatéia, cidade da Judéia, esperava ele o Reino de Deus. 52Foi ter com Pilatos e lhe pediu o corpo de Jesus. 53Ele o desceu da cruz, envolveu-o num pano de linho e colocou-o num sepulcro, escavado na rocha, onde ainda ninguém havia sido depositado. 54Era o dia da Preparação e já ia principiar o sábado. 55As mulheres, que tinham vindo com Jesus da Galiléia, acompanharam José. Elas viram o túmulo e o modo como o corpo de Jesus ali fora depositado. 56Elas voltaram e prepararam aromas e bálsamos. No dia de sábado, observaram o preceito do repouso. A FÉ DA IGREJA «A entrada de Jesus em Jerusalém manifesta a vinda do Reino que o Rei-Messias vai realizar pela Páscoa de sua Morte e de sua Ressurreição» (560). No magistério de sua fé e no testemunho de seus santos a Igreja nunca esqueceu que "foram os pecadores como tais os autores e como que os instrumentos de todos os sofrimentos por que passou o Divino Redentor". Levando em conta que nossos pecados atingem o próprio Cristo, a Igreja não hesita em imputar aos cristãos a responsabilidade mais grave no suplício de Jesus, responsabilidade que com excessiva freqüência estes debitaram quase exclusivamente aos judeus (598). TESTEMUNHO CRISTÃO «Quando ele se encarnou e se fez homem, recapitulou em si mesmo a longa história dos homens e, em resumo, nos proporcionou a salvação, de sorte que aquilo que havíamos perdido em Adão... o recuperamos em Cristo Jesus. » (Santo Irineu) (518). «A Noite pascal da Ressurreição passa pela da agonia e do túmulo. São esses três tempos fortes da Hora de Jesus que, seu Espírito (e não a "carne, que é fraca") faz viver na oração. E preciso consentir em "vigiar uma hora com ele".» (2719) SUGESTÕES PARA O ESTUDO DA HOMILIA A. Notas bíblico-litúrgicas Na entrada em Jerusalém, Lucas destaca, por um lado, a recepção triunfal e, por outro, as lágri-mas de Jesus sobre a cidade (cf Lc 19, 28-42). A leitura da Paixão, começando na última Ceia, convida-nos a interpretar os dois acontecimentos em mútua referência. Lucas sublinha o caráter sacrificial da Ceia: sacrifício expiatório (cf Lc 22, 19 e Is 53, 4-12); sacrifício da Nova Aliança (cf Lc 22, 19 e Ex 24, 8); sacrifício memorial da Nova Páscoa (cf Lc 22, 14-19 e Ex 12, 14). A Paixão em Lucas apresenta, entre outras, as seguintes variantes: no Horto, «seu suor tornou-se como gotas de sangue»; no processo, Jesus diante de Herodes; no caminho da cruz, o lamento das filhas de Jerusalém e as palavras de Jesus que anunciam o juízo de Deus; na cruz, como na vida pública, o evangelho do perdão para os verdugos e o ladrão arrependido; e na morte, a ora-ção em «um grande brado»: «Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito». B. Conteúdos do Catecismo da Igreja Católica A fé: A subida a Jerusalém e a entrada messiânica: 557-560. A morte de Jesus, desígnio divino de salvação: 599-605. A oferta de Cristo por nossos pecados: 606-617. A resposta: Nossa participação no sacrifício de Cristo: 618. Participação sacramental: 1227; 1362-1372; participação contemplativa: 2718-2719; participação constante: 2028s; participação na morte: 1005-1014. LEITURAS RECOMENDADAS CA 43: Que sentimentos tive ao pedir aos apóstolos que Me fizessem companhia rezando, na noite do Getsêmani? Era tristeza e o pressentimento da agonia que Me levaram a pedir essa ajuda, e a pedi abertamente, dominado pela grandiosa idéia da completa imolação ao encontro da qual estava indo. Mas como não podiam compreender nem de longe o que Eu queria ao pedir-lhes ajuda, não tiveram a devida compreensão como Minhas testemunhas. Eu os conhecia bem e não falei porque esperava vê-los partilhar o Meu sofrimento, mas para sua futura instrução, pois refletindo teriam sido capazes de unir-se a Mim nas suas futuras dificuldades de apóstolos. De modo que cada um de vós sabe que, para fazer Minha Vontade, sempre é necessário orar e vigiar. Mas isto não é tudo: é só a parte que lhes diz respeito. E Minha parte? A Minha humanidade sen-tia a grande resistência em dar o primeiro passo naquele Horto que deveria ser o lugar da Minha captura e o começo dos Meus sofrimentos, sempre previstos e agora presentes. Quantas vezes Eu havia rezado naquele Horto sem experimentar sequer um instante de indecisão. Mas para vos dar esperança, Meus amados que estais no mundo para continuar a Minha Paixão, Eu quis manifestar a Minha fraqueza e assim fortalecer a vossa. Se eu procedi assim, também vós deveis pedir a verdadeira ajuda com a oração e velar pelas penas de vossos irmãos, os homens. Mas essa é a parte exterior do fato. Eu estava como uma barca sobrecarregada a ponto de atravessar um mar tumultuoso. Contava apenas com Minha doação e com o poder luminoso de Meu Pai, pelo que Lhe pedi para Me livrar daquela hora… Tristeza, pesar, solidão, fraqueza: esse era o meu quadro... E tu, como estás agora? Compreendes, então, que te faço semelhante a Mim? Põe, também tu, os joelhos na terra do teu sacrifício e diz Comigo: "Pai, se é possível, afasta de Mim este cálice, mas não se faça Minha vontade, e sim a Tua." E quando tiveres dito, com convicção íntima: FIAT, então tudo cessará e serás renovada no Meu amor. CM 68: Vítima universal, em comparação à qual qualquer outra vítima é quase nada, fui colocado no mundo quando a cegueira dos homens era igual à sua miséria. Aqueles que deveria suster o edifício havia sido enviado justamente enquanto o próprio edifício vacilava pavorosamente. Assim, hebreus, latinos, povos civilizados, viram a graça de Deus envolta em míseras vestiduras: uma Humanidade necessitada, maltratada e morta pelos que deviam reconhecê-la e acolhê-la. Preparei o mundo com a expectativa de um acontecimento grandioso de um enviado especial, de al-guém que trouxesse salvação e, apenas chegado, por Minha causa mataram crianças inocentes. Assim o mundo Me acolheu, isto é, atentando contra Minha vida; e se não o conseguiu então, conseguiu depois de alguns anos o infame propósito de Me dar a morte. Fui vítima do mundo, vítima seria também hoje, se novamente fosse enviado ao mundo. Hoje como ontem, o homem mata os que são seus salvadores e se não os mata violentamente, sabe matá-los lentamente, clinicamente, mas não menos culpavelmente do que então. Eu quis deixar-vos a memória de Meu Sacrifício para prolongar os efeitos salutares no tempo de hoje e no futuro, até projetar-se na eternidade. Certamente, foi necessário que Minha morte fosse misticamente repetida até o fim dos séculos, e isto para proveito exclusivo dos homens. Como não se dão conta de que no mundo ficou a renovação do Sacrifício que consumei no Calvário? Por que assistis distraídos e aborrecidos à renovação da Paixão? Sei que isto se deve a que os homens esqueceram quem é sua vítima e quanto sofreu por eles. Infiltrou-se a aridez nos espíritos por causa do desamor e isto justificou o desinteresse dos homens. Mas justificado não diante de Mim, mas somente nas pobres cabeças de criaturas ingratas. Uma Missa! Perguntai a um Anjo o quê é uma Missa e ele vos responderá com verdade: entendo o que é e por que se faz, mas não compreendo que valor tem. Um Anjo, milhares de Anjos, todo o Céu, sabem e pensam isto. E vós... vós, a quem se deu o benefício, não quereis refletir sobre ele? Pensai que o Sacerdote que Me chama a suas mãos tem um poder que não concedi sequer a Minha Mãe! Refleti que se no lugar do Sacristão, servissem ao Sacerdote os mais excelsos Serafins, não seriam suficientemente dignos de estar junto dele. Perguntai-vos se, não obstante a grandeza do dom que vos faço, ainda sois dignos de estar na Missa pensando em outra coisa que não seja Eu... Justo seria que, humilhados e agradecidos, palpitassem em torno de Mim e com toda alma Me oferecessem ao Pai das Misericórdias. Seria justo que considerásseis o altar não porque os homens o fizeram, mas pelo que vale, dada Minha Presença mística mas real... Olhai para a Hóstia,na qual toda espécie está anulada e Me vereis humilhado por vós. Olhai para o Cálice no qual Meu Sangue volta à terra, rica como é de toda bênção. Oferecei-Me ao Pai, não esqueçais de que por isto Eu volto a vós. Se vos dissésseis: vamos para a Palestina conhecer os lugares em que Jesus viveu e onde morreu, vosso coração saltaria de alegria, não é verdade? No entanto, o altar ao qual Eu baixo agora é mais do que a Palestina, porque dela parti há vinte séculos e ao Altar volto todos os dias, vivo, verdadeiro, real, embora oculto, mas sou Eu, justamente Eu que palpito nas mãos de Meu Ministro. Eu que volto a vós, não simbolicamente, ah não, mas verdadeiramente, digo-vos uma vez mais: verdadeiramente! O olho humano que quer ver, que grosseiro é e quanto dano causa! Eu vos dei um olho mais aguçado, mais penetrante, fazei uso dele e verdadeiramente vereis Quem hoje vos fala, que hoje vos recorda Seu Sacrifício e que hoje e amanhã quer incendiar-vos de amor. Getsêmani, Calvário, Altar! Três lugares dos quais o último, o Altar, é a soma do primeiro e do segundo; são três lugares mas é Um só Aquele que encontrais ali.
Apostolado da Nova Evangelização 2007
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